Pense Nisso | Centro América FM Cuiabá - Easy | Cadena

Episódios

A FILA

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02/04/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:09

EXAUSTOS E CORRENDO

EXAUSTOS E CORRENDO Estamos exaustos e correndo. E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque “exaustos e correndo” virou uma condição humana dessa época. E, assim, dopamos esse corpo falho, que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos e correndo, e dopados. Porque só dopados para continuar exaustos e correndo. Esse texto de uma escritora reflete muito bem o que temos vivido atualmente: a sociedade do cansaço. Você está, ou se sente, cansado e sobrecarregado? De acordo com estudos psiquiátricos, o Dr. Ismael Sobrinho diz, em seu livro, que quase todas as pessoas da sociedade atual estão cansadas e sobrecarregadas. Nos colocamos, desesperadamente, à procura de coisas que possam nos fazer felizes. A vida virou uma competição, um pódio de quem vai ocupar o primeiro lugar, chegar primeiro, ser o vencedor. E, quando vemos, já estamos exaustos, correndo e dopados para alcançar e conquistar. Não que fosse errado, mas as condições às quais nos colocamos têm, a cada dia, nos jogado de escanteio, a custo de fazer, produzir e realizar. E esquecemos de um outro verbo importante: descansar. Será que alguns momentos de desaceleração são perda de tempo? Mas o que será, mesmo, a perda de tempo? Será que nos permitirmos o descanso, quando estamos exaustos, não será um ganho de tempo? O descanso faz parte dos princípios de diversas religiões e de seus adeptos. No islamismo, o dia de descanso é na sexta-feira. No judaísmo, é o sábado, o Shabbat. O cristianismo tem o domingo, o dia do Senhor. Crendo que o próprio Messias, quando passou por aqui, mesmo sendo meio-homem, meio-Deus, ou totalmente homem e totalmente Deus, não hesitou em ter momentos sozinho, de descanso e reflexão. O Criador, depois de tudo pronto, tirou um dia de descanso e contemplação. Independente da crença, podemos dizer que existe um senso comum: o de descansar a mente, o corpo e a alma, de se conectar com algo superior. Mas a nossa sociedade, a do cansaço tem, a cada dia, descansado menos e se conectado menos com algo, ou consigo mesma, apenas produzindo. Como você se sente hoje? Quais sinais seu corpo, alma e espírito estão emitindo? Talvez seja o momento de descansar. O descanso não tem a ver com preguiça; eles não são sinônimos. Talvez precisemos parar para descansar, refletir e contemplar a vida. Pensemos nisso, mas pensemos agora.

01/04/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:02

VOCE ESTA COM PRESSA DE QUÊ?

Você está com pressa de quê? Certa vez, um jovem, após receber diversas multas por excesso de velocidade, foi questionada pelo seu pai com a seguinte pergunta: você está com pressa de quê? E a jovem disse ter ficado com aquela indagação martelando em sua cabeça: você está com pressa de quê? Não há como negar que vivemos em um tempo totalmente mais acelerado que já vivemos na história. Talvez a vida digital tenha nos colocado em um ritmo de 30 segundos dos stories que, na vida real, não cabe. Existe a pressa em se formar, ter um diploma e entrar no mercado de trabalho, ser bem-sucedido, encontrar um grande amor, formar família e ter filhos, fazer aquela viagem dos sonhos, ter aquele carro do ano. Hoje, podemos mencionar a pressa em fazer postagens nas redes sociais e tantas outras infinitas situações que aceleram a fazer, conquistar algo rápido, já, agora. Mas você já parou pra pensar que só está com pressa quem, de fato, está atrasado? E você está atrasado para algo e por quê? Talvez o motivo que tem te acelerado não é o fazer algo, realizar, mas, provavelmente, a comparação com alguém que já realizou e que tem feito você sentir que ficou para trás. Eu tenho uma boa notícia: a vida não é uma corrida. Não é como se o sinal verde que acabou de abrir e todos saem acelerados para ver quem chega primeiro. Mas chegar primeiro onde, se cada um tem o seu destino? Certamente, para chegar no seu destino, você não vai percorrer as mesmas ruas de quem tem outro local de chegada. E, por isso, o tempo também não será o mesmo, pois as rotas são diferentes. Cada um tem o seu tempo para chegar. E o melhor: o tempo continua rodando com a mesma velocidade de sempre. O que tem mudado é a forma em que temos enxergado esse tempo. Mas com parâmetro da velocidade de quem? Se você ainda não entrou na universidade, não saiu da casa dos pais e não conquistou aquele emprego dos sonhos, lembre-se de que o seu tempo não é o mesmo do seu amigo. Você não está atrasado. A vida não é uma corrida. Não existe linha de chegada. Todos temos um destino diferente, um único trajeto e um tempo singular. O tempo não é nosso inimigo; o tempo é amigo que nos permite viver o agora, saudar o passado e ansiar o futuro. Seu relógio não é igual ao de ninguém. Por isso, eu pergunto mais uma vez: você está com pressa de quê? Pense nisso, mas pense agora.

31/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:34

VALORES E TOLERÂNCIA

VALORES E TOLERÂNCIA Há muito tempo atrás, o sol se levantou orgulhoso por ser parte fundamental da vida, por ser grande e poderoso, e todos o tinham em mais alta relevância. Quando atingiu o topo mais alto do céu, mostrando toda a sua imponência, uma nuvem veio e escondeu o seu brilho. Logo, o vento começou a soprar e uma chuva caiu, refrescando o seu calor. Zangado, o sol gritou para a nuvem que saísse do seu caminho, pois estava impedindo que seu brilho e seu calor chegassem até a terra. Paciente, a nuvem respondeu: estou aqui apenas para exercer o meu dever de trazer sombra, serenidade e molhar a terra, para que as sementes possam germinar e abastecer os rios, para que todos possam ter água para beber. Por alguns instantes, o sol refletiu sobre o assunto e entendeu que, por mais que fosse vital, não era o único, e que, para a vida evoluir, é essencial que todos cumpram o seu papel e a sua função. É importante conhecer os valores dos que nos cercam, aprender a conviver com a diferença e entender que, por mais que a nossa presença seja importante, é fundamental a diversidade e a qualidade que recebemos, que cada um pode agregar para o mundo. “Amai-vos uns aos outros.” Essa frase, tão conhecida por todos, fala da importância de aceitar e entender a relevância das pessoas ao nosso redor, com todas as suas peculiaridades e diferenças. Não estamos aqui para sermos superiores ou julgar quem é o melhor ou quem pode estar no mesmo espaço que nós. Todos que passam pelas nossas vidas têm o seu valor e são essenciais para a nossa história. É comum pensarmos que somos melhores e mais importantes que o outro, seja na vida social, no trabalho e até mesmo no meio familiar. Mas estamos na terra para aprender a viver e a conviver com o próximo. E há virtudes que só desenvolvemos no contato com o outro. Por mais desafiantes que certas companhias possam ser, temos que valorizar e entender que estão no nosso caminho por razões muito valiosas e precisas. Observemos, convivamos, conheçamos e nos autoconheçamos. Seja mais tolerante e valorize os que te cercam. Não seja compreensivo só com os que erram pouco ou com quem é parecido com você, porque isso é fácil, mas seja compreensivo com os que erram muito e são diferentes da sua personalidade. E, fazendo bom uso da tolerância, você servirá como exemplo de valor. Pense nisso, mas pense agora.

30/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:55

EMPREENDEDOR DA SUA FELICIDADE

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28/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 6:23

NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS

NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS Todos já passamos por situações em que o nosso planejamento não acontece como queremos ou no momento que esperávamos, e a nossa motivação começa a desmoronar. Muitas das vezes, acusamos Deus de não ouvir o nosso clamor. Culpamos a nossa criação, o sócio, o colega, o mundo, e inventamos desculpas para nossa falta de fé e desânimo. Contudo, o que não acontece é que a nossa criação. O que nós não entendemos é que o segredo de acontecer é levantar quantas vezes for necessário e fazer. Sabe essa ideia que você tem na cabeça e que acredita que é o começo que mudará a sua vida? Seja para ganhar mais dinheiro, mudar de carreira ou simplesmente passar mais tempo com a sua família. Então, o único que pode fazê-la acontecer é você. Pare de sonhar seus sonhos e comece a vivê-los. Acredite que você é capaz, que você é a chave para tudo que deseja sobrevenha na sua vida. Quando somos bebês e começamos a dar os nossos primeiros passos, acreditamos que é impossível, temos medo de cair, medo de nos machucar. Mas, com o carinho e a dedicação dos nossos pais, damos o nosso primeiro passo, depois outro e mais outro. E, quando percebemos, andar é tão natural que esquecemos das nossas dificuldades ou medos iniciais. Planejar as situações e os momentos certos é bom, traz segurança e a crença de que somos capazes de controlar situações intangíveis. Mas por que planejar? Por que não começar agora? Qual é o seu medo? Não dependa do destino ou das situações para mudar de vida e realizar seus sonhos. Seja independente das circunstâncias. Viva como sempre quis. Realize o que sempre sonhou. Abrace seu verdadeiro eu e brilhe como se fosse o sol. Assim, você se tornará um magnético de coisas boas, de evolução, e tudo o que você sempre sonhou se tornará realidade. E, quando as situações não saírem do seu agrado e o inesperado acontecer, lembre-se de que, por algumas horas, o sol também não consegue iluminar parte dos seus planetas. E, para alguns mais distantes, o calor demora a chegar, mesmo que ele viaje na velocidade da luz. Mas nunca, em momento algum, ele deixa de ser o sol e para de brilhar. Para tudo na vida existe um tempo determinado. Apenas não desista. Não se desmotive. Se cair, levante-se. Se não deu certo na primeira vez, tente novamente. Simplesmente dê um passo de cada vez, que, com certeza, você chegará ao seu destino e realizará todos os seus sonhos. Pense nisso, mas pense agora.

27/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:57

INVERNOS EXISTENCIAIS

Invernos existenciais. Já imaginou que, por mais bela e florida seja a primavera, o verão sempre pede passagem e traz consigo os seus dias quentes? Nós, mesmo que desejando reter esses dias ensolarados e agradáveis, notamos o outono se aproximar. Ao chegar, é como se ele estivesse obedecendo a um chamado superior. Ele se instala de maneira silenciosa, mas decidido. Depois de um lindo espetáculo de cores, as folhas caem vencidas, transformando a paisagem. É dessa forma que o outono também parte. Soberano, o inverno logo aparece e nos faz sentir as suas mais variadas formas, de seus dias frios e cinzentos. Passa o tempo, e outra vez o espetáculo colorido de folhas e flores anuncia que a primavera está de volta. E é assim que os ciclos das estações se repetem e trazem oportunidades de aprendizado para todos nós. Semelhante às estações, o nosso viver também tem primaveras, verões, outonos e invernos. Mas nem sempre percebemos as lições que cada estação enseja e nos desesperamos diante dos dias frios e cinzentos dos invernos existenciais. Que a primavera é agradável, não há dúvidas. Flores e perfumes tornam nossos dias mais alegres. No entanto, se as flores surgem na primavera, é no inverno que acumulam as horas de frio necessárias para fazer brotar a gema floral, com o choque térmico no início da nova estação. Sim, se não fosse o frio, não teríamos alguns tipos de flores e frutos. O frio quebra a dormência das gemas, que dão origem à folhagem e aos frutos na primavera, quando folhas e flores enfeitam a paisagem. É assim que nós também podemos utilizar os invernos existenciais para favorecer a floração das virtudes que embelezam nossa vida e nos trazem alegria. É assim que árvores e plantas perdem galhos e folhas, mas garantem floradas em todas as primaveras. Por vezes, nós também passamos pelos invernos existenciais e perdemos, temporariamente, a nossa exuberância. Não há dúvidas de que os dias ensolarados e alegres são encantadores, mas aprenda: são os dias difíceis que mais desafiam as nossas potencialidades e quebram a concha da nossa acomodação. Assim, diante dos açoites do inverno, pense nas preciosas lições da natureza. Observe as árvores desfolhadas. Note que, apesar da vista cinzenta e sem brilho, elas seguem em pé, firmes e cheias de esperança. Suportam os ventos, as chuvas, o frio e a falta de luz, mas conservam a seiva da vida na sua intimidade. Instintivamente, aguardam o retorno da primavera que, com sua brisa morna, vem acariciar as flores e fazê-las frutificar. Interessante, não é mesmo? Pense nisso e aproveite os dias ensolarados para armazenar o vigor que lhe sustentará nos invernos existenciais. Quando os dias escuros surgirem na sua vida, não permita que a tristeza lhe roube a esperança de ver surgir, outra vez, a primavera. Lembre-se de que, mesmo em dias nublados, o sol está sempre à espreita, esperando sua vez de brilhar e espalhar vida por sobre toda a natureza.

26/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:44

FISSURAS

Imagine uma parede que era robusta e aparentemente inabalável, que suportava ventos fortes e chuvas intensas há anos. Ela fazia parte de uma grande fortaleza que ninguém arriscava atacar, porque parecia ser inconquistável. No entanto, na sua face sul, onde o sol raramente tocava, havia uma irregularidade quase imobiliária. Imperceptível. Era o resultado da pressa em sua execução ou, quem sabe, do descuido de um dos executores da obra. Agora, porém, isso pouco importava. Afinal, aquela muralha foi erguida há muito tempo, e os responsáveis por ela nem mais andavam sobre a terra. No entanto, aquela imperfeição foi servindo de depósito natural da água da chuva e dos detritos trazidos pelo vento. A água foi se infiltrando no muro e trilhando um caminho próprio, em busca de uma saída entre as rochas reunidas por espessar da massa. Com o passar do tempo, uma fissura surgiu onde antes havia uma depressão quase invisível. Alimentada pelas águas das chuvas e pelo limo que invadira a parede, úmida e fria, foi se expandindo até tornar-se uma sustadora rachadora. Agora era vista mesmo à distância e parecia ameaçar a solidez de toda a estrutura. O tempo corria veloz, sem que providência alguma fosse tomada. A rachadura corrompeu a parte inferior do muro que, atingido pela umidade, deteriorava-se a olhos vistos. Em uma noite fria, quando o temporal ruidoso e inclemente avançava sobre a praia próxima, a ventania atingiu a muralha com violência. E ela, que suportara ventos ainda mais fortes, dessa vez não resistiu. Corrompida pela água, que a agredir a sua base e parte de seus materiais, a grande parede tombou, pesadamente, como se estivesse cansada de resistir. Como um robusto carvalho se permite, um dia, tombar depois de anos de majestade, também ela, traída pela pequena fissura, entregou-se à ação do tempo. Uma simples fissura, decorrente de uma imperfeição aparentemente insignificante, causou a queda do grande muro. Os que passam ao lado das ruínas daquilo que um dia foi uma imponente fortaleza ignoram que a destruição daquele monumento grandioso se iniciou com uma mera e banal rachadura. Assim também somos nós com os nossos vícios. Nos perdemos em meio a alguns hábitos infelizes, considerados muitas vezes como atitudes comuns na sociedade, que podem corromper as nossas mentes. Hoje são fofoquinhas a servir de passar tempo aos desocupados; amanhã serão mentiras ardilosas a destruir lares e prejudicar vidas. Hoje são apenas alguns goles de bebida alcoólica para descontrair; amanhã serão drogas pesadas a arruinar centros nervosos e a lesionar profundamente os destinos. Os vícios surgem como pequeninas fissuras na conduta humana. Em um primeiro momento, não despertam grandes receios e chegam até a ser ignorados pelos menos avisados. No entanto, com o passar do tempo, vão se agigantando e invadindo o espaço que deveria ser da virtude. Abalam estruturas que pareciam sólidas e destroem futuros venturosos. Portanto, estejamos sempre atentos e pensemos nisso. Mas pensemos agora, e com seriedade.

25/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:08

IMPRESSÕES NEGATIVAS

Impressões negativas. Conduzir os jovens e adolescentes a um templo religioso muitas vezes não é uma tarefa fácil. Talvez seja em virtude da situação conflitante que a nossa sociedade tem passado. Isso faz recordar uma experiência vivida por um casal de amigos. Eles tinham um filho de 14 anos que não se interessava em frequentar as reuniões religiosas junto com os pais. Todas as vezes que eles foram a reuniões, falavam sobre a necessidade de buscar ajuda de Deus para enfrentar, com fé e confiança, as aflições da vida, e o filho se mantinha calado, dedilhando sua guitarra, da qual poucas vezes se separava. Um dia, já cansados de tentar convencê-lo, os pais aproximaram-se do rapaz e começaram a lhe falar da importância de ele os acompanhar ao templo religioso. O garoto, que até então estava calado, segurou as cordas da guitarra com uma das mãos, olhou para eles firmemente e disse: meus queridos pais, há quanto tempo vocês professam essa religião? O pai, imediatamente, respondeu que já fazia vinte anos, e a mãe disse que ela professava desde o berço. O jovem abaixou a cabeça e continuou a acariciar a sua guitarra, mas os pais insistiram. Então ele disse: eu não queria magoá-los, mas, já que insistem, vocês acabaram de falar os anos que cada um frequenta o templo religioso, e eu, que na verdade já sabia disso, peço que me digam com toda a sinceridade: para que serve a religião, se vocês vivem brigando dentro de casa? De que adianta buscar um Deus que não consegue fazer com que vocês se entendam e se perdoem, ao invés de viverem aos gritos um com o outro? Eu realmente não vou perder o meu tempo com coisas que não são eficientes nem para vocês mesmos. A história desses amigos vale como um motivo de sérias reflexões para todos nós. Esquecidos de que os filhos são portadores de inteligência e bom senso, os pais querem que eles acreditem no que falam, e não no que eles acabam observando no dia a dia. Devemos entender e aprender que é importante ensinar pelo exemplo e não tentar convencer ninguém com teorias vazias. Geralmente, os responsáveis pelo distanciamento dos jovens e o seu Criador são aqueles que se cercam com a sua falta de fé ou hipocrisia. Por isso, para apontar um caminho correto aos seus filhos e filhas, ou para quem quer que seja, é importante que você esteja nele também. É necessário que, além de crer e falar, você possa viver para impressionar. Pense nisso e viva de acordo com os conceitos que acredita.

24/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:03

APRESSADA AVALIAÇÃO

Apressada avaliação. Conta-se que um açougueiro trabalhava em um dia normal, quando entrou no estabelecimento um cachorro. Ele se preparou para enxotá-lo, quando percebeu que o animal trazia um saco à boca. Verificou que, dentro do saco, havia um bilhete. Atendeu ao que estava ali escrito, devolvendo ao cão o saco com carne bem acondicionada e o troco dos valores que encontrava. O animal, com o saco à boca, saiu tranquilamente do açougue e foi andando pela calçada. O açougueiro ficou intrigado com quem seria aquele cão tão bem treinado e resolveu segui-lo. O cão chegou à esquina, levantou-se nas patas traseiras e apertou o botão do semáforo para a travessia de pedestres, parando o trânsito. Então, atravessou a rua na faixa de pedestres. Mais adiante, outro semáforo estava vermelho, e o cão parou. Quando o sinal ficou verde, o cão atravessou a rua. Chegando a um ponto de ônibus, esperou. Quando o primeiro ônibus parou, o cão olhou para o letreiro e não entrou. Quando outro ônibus parou, um pouco depois, o animal voltou a olhar o letreiro. Dessa vez, entrou e ficou perto da porta, acompanhando o trajeto com atenção. O açougueiro estava perplexo. Nunca viu nada igual. Depois de várias quadras, o cão desceu do ônibus e andou um pequeno trecho. Em frente a uma casa, abriu o pequeno portão e entrou. Parou à porta e começou a bater com a cabeça na madeira. Depois, foi à janela e tornou a bater a cabeça contra o vidro várias vezes. Finalmente, a porta se abriu. Um homem grande e zangado veio para fora e começou a agredir o cão, chamando-o de bobão, inútil, traste. O açougueiro não aguentou, deteve a agressão e falou ao dono do cão: — Que é isto? Você tem um animal extraordinário, treinado, inteligente, e o agride desta maneira? — Inteligente? — gritou o dono. — Ele é um tonto! Já falei um milhão de vezes, e este inútil ainda não aprendeu a abrir a porta! Naturalmente, o conto é fictício, mas vale a reflexão. Quantas vezes agimos como o dono desse cão? As pessoas nos servem, nos agradam, e nós só reclamamos. Reclamamos da mãe que não nos preparou a sobremesa que pedimos e esquecemos de agradecer a roupa limpa, impecável, no armário, os pratos preparados com amor, as frutas, o suco, o cereal no café da manhã. Reclamamos dos pais que não entendem nossos sonhos, nosso papo, nossa turma legal, e não lembramos dos braços que nos carregaram depois das brincadeiras na praia, das horas exaustivas de trabalho deles para nos garantir a escola, o lazer, as viagens. Reclamamos do funcionário que não atendeu a uma ordem em todos os detalhes. Lembramos das mil coisas que ele faz todos os dias, sem errar, diligente, atento, vendendo sempre muito bem o bom nome da nossa empresa. Reclamamos sempre, numa atitude tola de quem não tem capacidade de avaliar o real valor dos que nos cercam. Pensemos nisso e tomemos ciência, primeiro, de que, por vezes, nos tornamos pessoas um tanto desagradáveis com esse tipo de atitudes. Segundo, perguntemo-nos se nós mesmos faríamos melhor. É possível que a nossa incapacidade, preguiça ou acomodação nos digam que estamos reclamando, na verdade, por nos darmos conta de como somos dependentes dessas pessoas. Pensemos nisso e foquemos no que realmente importa.

23/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:13

TUDO É TRANSITÓRIO

Tudo é transitório. Um relator de importante revista nacional escreveu, em um de seus artigos, algo que nos levou a reflexões a respeito da vida que levamos. Escreveu ele que pode até não ser verdade. Talvez a história não comprove o fato. Contudo, é uma excelente ideia. Na Roma Antiga, quando um general voltava de uma campanha vitoriosa no estrangeiro, fazia-se uma grande procissão pela cidade. O povo saía às ruas da cidade para assistir ao desfile triunfal do comandante vencedor e homenagear a grandeza que ele trazia para a pátria. Era a honra máxima que um cidadão romano podia almejar. Mas, para chegar a isso, ele devia ter trabalhado muito por Roma. Ele devia ter matado, em combate, pelo menos cinco mil soldados inimigos. Tinha de mostrar os chefes derrotados, que desfilavam atrás do seu carro. Devia ter enfrentado um exército, no mínimo, equivalente ao seu. E, acima de tudo, devia trazer a sua tropa de volta para casa, porque um líder é responsável pelos seus liderados. Entretanto, os romanos, que passaram à história como os símbolos do orgulho, paradoxalmente, tinham em alta conta a modéstia pessoal. Como, então, receber toda essa homenagem? Desfilar vitorioso pela multidão como um rei? Ser ovacionado como grande triunfador? E não se encher de soberba? É aí que aparece a grande ideia. Logo atrás do general vitorioso, no mesmo carro puxado por quatro cavalos que ele conduzia, ficava um escravo. De tanto em tanto tempo, ele dizia baixinho no ouvido do triunfador: memento mori. Ou seja, lembre-se de que você vai morrer um dia. Com certeza, nada melhor para baixar a soberba de qualquer alta autoridade que começa a se achar o bom, o melhor. Lembre-se de que você vai morrer um dia. Essa reflexão que, de tempos em tempos, seria oportuno nos permitirmos. Não somos imortais na carne, embora alguns, antecipando novas e surpreendentes conquistas da ciência médica, apregoem que chegará o dia em que não mais teremos de morrer. Seria trágico. E enfadonho. Isso se chama dinamismo e renovação. Mas lembrar que teremos fim um dia, que nossos eventuais inimigos também haverão de morrer, que tudo passa, é medida salutar. Nada é perene sobre a Terra. Passam as questões corriqueiras, o poder, a autoridade humana, a vida física. O que hoje é, amanhã poderá deixar de ser. Assim, reflexionando, não ficaremos agarrados a pretensos cargos, a fortunas, a interesses mesquinhos. Tudo é transitório na Terra. Hoje detemos o cargo. Amanhã estará em outras mãos. Hoje comandamos centenas de pessoas. Amanhã, essas mesmas pessoas poderão estar acompanhando o nosso funeral. Assim sendo, semeemos o bem. Façamos nosso melhor como se hoje fosse nosso último dia neste mundo. Amemos, abracemos, façamos o nosso melhor, porque o amanhã poderá nos surpreender nos campos de uma realidade que apenas supomos, mas da qual temos certeza absoluta. Pensemos nisso, mas pensemos agora.

21/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:22

SÍNDROME DO ELEFANTE PRESO

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20/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 6:22

SOMOS RESPONSAVEIS PELO MUNDO

Somos responsáveis pelo mundo. Em tudo que fazemos, afetamos as pessoas de três modos: alteramos o seu tempo, a sua memória e as suas reações. Os mínimos comportamentos podem interferir na história da humanidade. Quando alguém, em uma região isolada da Amazônia, abate um pássaro, ele afeta a história. O pássaro não porá ovos, chocados, e não gerarão descendentes. Isso afetará o consumo das sementes, dos predadores e toda a cadeia alimentar. Afetará o ecossistema, a biosfera terrestre. A ausência do pássaro abatido afetará o processo de observação dos biólogos, interferindo em suas pesquisas, seus livros, sua universidade e sua sociedade. Quando um aluno tem problemas na leitura perante uma classe e é obrigado a repetir muitas vezes o mesmo trecho, sob deboche dos colegas, registra a experiência. Isso pode se transformar em um bloqueio da sua inteligência. Pode gerar gagueira, insegurança, afetando de forma drástica seu futuro como pai e como profissional. Eventualmente, poderá nunca mais conseguir falar em público. Quem se suicida altera o tempo dos amigos e dos parentes. Ele despedaçará a emoção e a memória deles. Terão lembranças tristes, pensamentos perturbadores que afetarão as suas histórias. Consequentemente, cada um deles interferirá na história de outras pessoas, alterando o futuro da sociedade. Quando Hitler se mudou para Viena, em 1908, tinha o objetivo de se tornar um pintor. Rejeitado pelo professor da Academia de Belas Artes, ele teve afetada a sua afetividade, a sua emotividade. Tudo isso influenciou sua compreensão do mundo, suas reações, sua luta no partido nazista, sua prisão e seu livro. O processo interferiu na Segunda Guerra Mundial, afetando a Europa, o Japão, a Rússia e os Estados Unidos. Os rumos da humanidade foram alterados. É possível que, se Hitler tivesse sido aceito na Escola de Belas Artes, tivéssemos um artista plástico medíocre, mas não um dos maiores sociopatas da história. Não que a sociopatia de Hitler seria resolvida pelo seu ingresso nas artes, mas poderia ter sido abrandada, ou até mesmo deixado de se manifestar. E, como consequência, se teria poupado quase 70 milhões de vidas que foram perdidas nos 6 anos da Segunda Guerra Mundial. Não somos uma ilha. Somos uma grande família, uma única espécie. Dessa forma, cada um de nós é responsável, em maior ou menor proporção, pela violência do mundo, pelo terrorismo, pela fome. O que fazemos influencia as pessoas que influenciam outras, que alimentam os sistemas e desencadeiam reações. Somos mutuamente afetados pelas reações uns dos outros. Assistir a um filme, conversar com um amigo, elogiar alguém, promover um ato cívico, auxiliar a outra pessoa em acolher uma criança pode mudar pouco ou muito o curso de nossas vidas. O que fazemos afeta a nossa vida e a de outras pessoas. Pensemos, assim, em tudo que dizemos e fazemos. Em meio a um incêndio, podemos usar nosso verbo para acalmar as pessoas ou para aumentar o desespero. Da nossa forma de agir poderão resultar muitas mortes ou muitas vidas salvas. Pensemos nisso, antes de agir no próximo minuto. Somos responsáveis pelo mundo.

19/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:08

A SOLIDÃO DE UMA VIDA LÍQUIDA

A Solidão de uma Vida Líquida A primeira vez que ouvi os termos Mundo Líquido, Vida Líquida, Tempos Líquidos, eu confesso que não entendi, até conhecer a obra do sociólogo e filósofo polunês Zygmunt Bauman, morto em 2017, aos 91 anos, com suas faculdades mentais intactas. Em seus livros, ele fala sobre a comunicação através das mídias sociais e suas dificuldades. Zygmunt chamou a história, momento pós-moderno, de relações líquidas, isto é, relações efêmeras, sem laços sólidos de afetividades. E um dos maiores efeitos colaterais das mídias sociais, isso já abordamos aqui no Pense Nisso, é a solidão interativa. O sociólogo afirma que podemos passar horas, dias na internet e sermos incapazes de ter uma verdadeira relação humana, ser seja com quem for. A solidão interativa se espalha nas redes sociais, especialmente no Facebook. São fotos e fotos postadas, a maioria forjando uma felicidade, quando, na verdade, é tudo fake. As mais usuais são aquelas em que o autor se autofotografa, as famosas selfies, e sai espalhando-as de um dia para o outro, quando não de uma hora para o outro. E aquelas dos momentos felizes. Sim, tem gente que acha que os seus instantes de lazer e diversão têm que, obrigatoriamente, ser vistos por todos. E lá vai mais um poste ao lado do namorado ou namorada, dos amigos, geralmente com áreas de forçação de barra. Porque a gaiola do tempo, forjada por nós mesmos, só pode ser aberta pela chave da felicidade plena. Temos milhares de amigos nessa cornucópia virtual, nessa caixa de pandora do século XXI. Eis-nos diante de mais uma quimera: o alto engano. O alto engano é peça-chave para a nossa sobrevivência. Mentimos não só para os outros, mas, principalmente, para nós mesmos. Mesmo protegidos na redoma da interatividade, continuamos sós, ali, onde apenas a solidão nos alcança. E, enquanto declamamos a torto e a direito, sugerindo que estamos sempre on, a vida verdadeira continua off. E nunca nos damos conta de que, no fim, toda a solidão que nos rodeia, essa sim, é real. Porque bytes, bits e pixels não transmitem calor, e o verbo sem o hálito quente é apenas palavra morta. E, no final, só informamos as nossas quimeras, as nossas fantasias, e nos comunicamos cada vez menos como pessoas reais. E é a isso que chamamos de solidão interativa. Sigmund Baumann definiu o mundo líquido em que vivemos com estas palavras: é uma situação muito ambivalente e consecutiva, frequentemente um fenômeno curioso dessa pessoa solitária numa multidão de solitários. Estamos todos numa solidão, inseridos numa multidão, ao mesmo tempo. Assim, não será a tecnologia que nos afastará da solidão. Ela ainda se faz presente em nosso existir, porque não vivenciamos os valores da solidariedade, da compaixão, da fraternidade. E, por mais que a tecnologia se desenvolva, por mais recursos nos ofereça, jamais eliminará a solidão de dentro de nós. Poderá, sim, agregar milhares de nomes em nossas redes de relacionamento. Porém, para preencher as necessidades do nosso coração, para que nele não haja mais espaço para a solidão, necessitamos cultivar a fraternidade, que pode até se iniciar no mundo virtual. Mas será que, inevitavelmente, migrar para a realidade das ações do nosso coração? Desta forma, a felicidade não será líquida, e sim sólida. Pense nisso. Mas pense agora.

18/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:27

PARA AQUELES QUE NÃO PODEM VER

Para aqueles que não podem ver. Aquela parecia ser apenas mais uma cerimônia de formatura de grau superior. Muitas pessoas reunidas para celebrar a conquista de seus amores. Nomes gritados com empolgação. Convenções ritualísticas antigas. Enfim, tudo que sempre se encontra nessas celebrações. Excelentíssimos, ilustríssimos, dissentes, docentes. Todos estavam lá. Os formandos, um a um, desciam de suas cadeiras, organizadas em fileiras atrás da mesa principal. A cada nome, ouvia-se uma pequena algazarra de 10, 15, 20 pessoas, homenageando aquele jovem, em meio ao grande público, que só prestava atenção quando ouvia o nome do formando que estavam prestigiando. Seguia o cerimonial: mais um nome chamado e um silêncio. A formanda demorou um pouco mais para chegar à mesa de autoridades e o fez com o apoio de um auxiliar da empresa organizadora do evento. Ela recebeu o diploma simbólico, e o público, que até agora apenas esperava um momento de felicitar seus parentes, iniciou uma demorada salva de palmas. As pessoas estavam surpresas. Uma jovem com deficiência visual, recebendo o grau de pedagoga das mãos do representante da universidade. Pensamentos ganharam os ares do anfiteatro. Os mais objetivos e práticos pensavam como ela conseguia, como conseguiu estudar, como fazia as provas. Outros, céticos e insensíveis, com a ideia de que ninguém consegue sucesso por merecimento próprio, pensavam: ah, ela deve ter recebido ajuda dos professores que se apiedaram da sua condição, ou deve ter facilitado sua vida para que ela pudesse conseguir. Muitos estavam simplesmente com uma expressão de admiração em suas faces. Sensibilizados, compreendiam que aquilo era possível: uma deficiente visual se formar na universidade. Sua comemoração, com o diploma nas mãos, foi vibrante, digna de uma autêntica vencedora. Prosseguiu a cerimônia, iniciando-se as homenagens. Na homenagem a Deus, lá estava ela novamente, levantando-se e sendo guiada até o púlpito. Havia um brilho especial em sua face. Uma alegria radiante, vinda de um espírito que enxergava melhor do que todos aqueles que estavam ali, que viam apenas com o sentimento da visão. Sua homenagem a Deus foi emocionante e sergela. Seus dedos passavam suavemente sobre os pequenos pontos em relevo da folha de discurso. Pontos criados por um outro jovem, o francês Louis Braille, no século XIX, e que se tornaram uma das janelas de acesso ao mundo para os deficientes visuais. Suas palavras eram claras, sua dicção perfeita e sua mensagem, divina. Ela agradecia a Deus por estar ao seu lado naquela conquista. Seu coração mostrava ao mundo o verdadeiro amor ao Criador, através da sua resignação e perseverança na existência. Para aqueles que não podem ver, que tudo é possível se persistirem, se lutarem e não desanimarem. E, sem palavras, apenas com sua presença, dizia que há muito mais beleza neste mundo do que podemos imaginar e que sonhar sempre será preciso. Ela dizia isso para aqueles que ali estavam e que ainda não haviam aprendido realmente a ver. Pense nisso, mas pense agora.

17/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:41

A DOR QUE CAUSAMOS

A dor que causamos. Na nossa vida passamos por muitas situações felizes, mas também enfrentamos momentos tristes. Conhecemos a dor. Alguns dizem que a dor é ruim, outros falam da sua importância e do seu valor. Talvez você não tenha parado pra pensar que a dor física, de um modo geral, é um aviso da natureza que procura nos preservar dos excessos. Sem ela, abusaríamos de nossos órgãos até ao ponto de os destruirmos antes do tempo. Quando um mal aparece no corpo, são os efeitos desagradáveis da dor que nos informam de que algo não está bem, e podemos buscar o tratamento, a medicação adequada. Em se falando da coletividade, a dor tem um grande papel. Foi graças a ela que se constituíram os primeiros agrupamentos humanos. Foi a ameaça das feras, da fome, que obrigou o indivíduo a procurar o seu semelhante para constituir o grupo. Isso permitiu que, da vida comum, dos sofrimentos comuns, da inteligência e do trabalho comuns, saísse toda a civilização, com suas artes, ciências e indústrias. A dor ainda tem um efeito terapêutico para a alma, desde que, através dela, possamos resgatar faltas cometidas em passado próximo ou distante. A dor será uma bênção quando bem sofrida, ou seja, sem revolta e indignação. No entanto, existem dores e dores. Se há a necessidade da dor para tratar determinadas faltas, não está na mão de nenhuma pessoa impor sofrimento ao outro. Nenhum de nós tem o direito de ferir a quem quer que seja. E, se o fizermos, seremos responsabilizados. Bom pensarmos quantas vezes ferimos o nosso irmão, nosso familiar, nosso colega de trabalho. Quantas vezes erguemos a voz, irados, para reclamar de alguma coisa que desejamos que fosse diferente. Reclamamos da falta de sal no arroz, do prato que não ficou muito bom, até do cardápio ser feito sempre o mesmo. Quantos de nós reclamamos do companheiro de trabalho por não realizar a tarefa exatamente da forma que a idealizamos, como nós a faríamos? Quantas vezes esmagamos corações que buscaram fazer o seu melhor, mas não deram mais porque têm suas limitações? Toda dor que causamos ao nosso semelhante nos será computada em nossa carga de débitos. Devemos considerar também o quão fundo agredimos nosso próximo em sua sensibilidade. Não podemos avaliar a fragilidade do outro. Pode ser que ele não dê muita atenção às nossas reclamações, ou pode ser que a nossa migalha de dor lhe seja um acréscimo a tantas outras dores que sofre, e ele venha a se desequilibrar, física e psicologicamente. Não temos o direito de ferir. Tenhamos prudência com nossas palavras, faladas ou escritas. Escritas, ditas pessoalmente ou enviadas pelas redes sociais, de qualquer forma. O nosso papel nessa terra não é ferir. Que possamos semear paz, acolhimento e alegria através de nossas ações e palavras. É disso que o mundo precisa. Pense nisso, mas pense agora.

16/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:39

BRUNO GIORDANO

Bruno Giordano. Um voo à liberdade. A cidade de Roma estava abarrotada de gente. Eram peregrinos vindos de toda a Europa para as celebrações do jubileu do ano de 1600, que aconteceriam durante o ano todo. Especialmente naquele dia, a população se aglomerava para contemplar um espetáculo singular. As tochas acesas ao longo do caminho iluminavam a pala e da manhã de fevereiro. O filósofo e monge de 52 anos caminhava lentamente sobre as pedras frias, descalço e acorrentado pelo pescoço. Vestiam lençol branco estampado com cruzes, demônios e chamas verneiras. Aquele homem magro vencia, a passos lentos, os 800 metros desde a Torre Nona, onde estiver encarcerado, e o Campo das Flores, ampla praça onde seria executado. Alguns monges seguiam ao seu lado, convidando-o ao arrependimento. De tempos a tempos aproximavam o crucifixo dos seus lábios, dando-lhe oportunidade de salvar-se. A população se acotovelava para ver um herége famoso morrer na fogueira. Chegando à praça, onde a morte o aguardava, o filósofo se negou mais uma vez a beijar a cruz. Então foi amordaçado, despido, atado a uma estaca de ferro e coberto com lenhas e palhas até o queixo. O fogo foi ateado, e enquanto as labaredas chamuscavam-lhe a barba e seus pulmões se enchiam de fumaça, Giordano Bruno tinha um olhar fixo no infinito. Enquanto a pele estalava sob o calor das chamas e o sangue fervia nas veias, o notável filósofo ainda guardava uma convicção: não iria para o inferno. A certeza de que veria outros inúmeros mundos celestiais e viajaria através do infinito lhe dava uma paz indescritível. Em seu julgamento, no ano de 1592, em Veneza, Giordano Bruno disse aos seus julgadores que a terra não era o único planeta criado por Deus e cada estrela possuía vários planetas. Bruno foi morto na fogueira por defender a ideia de que a terra não era o único planeta que existia no universo e que muitos orbitam outras estrelas. Ironicamente, ele acreditava que suas ideias apenas engrandeciam a glória do Criador. O monge Giordano Bruno escreveu: Deus é reverenciado não apenas em um, mas em muitos incontáveis sóis. Não em uma única terra, num único mundo, mas em milhares, milhões, numa infinidade de planetas. Isso é um convite para que todos nós celebremos um Criador muito maior, o Criador do universo infinito. Foi graças às suas convicções que Bruno não titubeou ante a fogueira que o aguardava. Bastaria apenas beijar a cruz, mas ele preferiu a liberdade da verdade. Sabia que as chamas nada mais fariam do que enviar sua alma na direção de outros sóis, onde poderia viajar através do infinito. Há muitas moradas na casa de meu pai. Se assim não for, eu vou. Diz que a casa do Pai, o universo, é um local de muitos lares, de muitas humanidades. Não estamos sós neste imenso universo. Nossa terra não é o único planeta habitado. A vida é farta e infinita no cosmos, que é a casa do nosso Pai. Do nosso Pai. Somos herdeiros. Pense nisso.

14/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:37

RESPEITO PELA VIDA

Respeito pela vida. O respeito pela vida abrange o sentimento de alta consideração por tudo quanto existe. Não apenas se detém na pessoa, mas em todas as expressões da natureza. Quando não existe essa manifestação, os valores éticos se enfraquecem e todos os anseios superiores perdem o significado. A criatura humana, impulsionada por ilusões, tem se esquecido disso, sem se dar conta da gravidade de tal atitude. O egoísmo tem controlado os sentimentos, impondo seu interesse em detrimento de todos os valores mais dignos. Os membros da sociedade têm sido separados, lamentavelmente, dividindo-se em classes, considerando os recursos sociais e econômicos, porém nunca os morais. Surge, então, um abismo entre os seres. As emoções e anseios individuais se convertem em ódios tolos, abrindo campo para as batalhas da violência doméstica e urbana. Alguns acreditam que, possuindo dinheiro e desfrutando de projeção política ou social, serão capazes de conseguir afeição e companheirismo. Amargo engano. Afeto e amizade não se compram, nem tampouco se impõem. Alguns se deixam seduzir por esses recursos transitórios e, lá na frente, se frustram. Iludem-se pensando que a criatura pode ser identificada pelo que possui e não pelo que realmente é. Todas essas fantasias, no entanto, são passageiras, porque as riquezas trocam de mãos rapidamente. A beleza e o poder não enfeitam as mesmas faces por longos anos. Tocadas pela brisa do tempo, elas desaparecem e cedem lugar à verdadeira essência, que pode ser boa ou ruim. Ninguém consegue ser feliz individualmente no deserto que cria para si mesmo ou numa ilha isolada de convivência social. Tentando ignorar essa verdade, muitos se valem de práticas infelizes. Tornam-se pessoas agressivas, insensatas. Esse é outro equívoco que conduz a tragédias ainda mais dolorosas. A vida só se faz digna e próspera quando se estrutura na pedra fundamental do respeito. O respeito pela vida eleva o padrão de conduta, dignificando aqueles a quem é direcionado e elevando moralmente quem assim se comporta. A honestidade, por sua vez, indispensável no sucesso dos relacionamentos humanos, proporciona confiança e bem-estar aos seres. Nesse dia, temos a oportunidade de refletir: quais são os desafios íntimos que nos levam a situações embaraçosas? Trabalhemos item a item, a cada dia, experimentando as alegrias que decorrem do respeito pela vida. Assim, vamos redescobrir o amor e a satisfação de compartilhar os júbilos com os outros. Respeitando a vida, passaremos a ser respeitados e estimados. Notaremos em nós mesmos a satisfação de estar em paz com a própria consciência. A vida é a sublime concessão de Deus, que não pode ser desconsiderada por quem quer que seja. Pense nisso, mas pense agora!

13/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:29

SOLIDARIEDADE ENTRE AS GERAÇÕES

Solidariedade entre as gerações. De um modo geral, temos uma grande tendência para reclamar da vida. Reclamação que não se restringe apenas a pequenas desventuras individuais. Reclamamos do país onde vivemos, dos políticos, das escolas, dos vizinhos. Comparamos a nossa estrutura social com outras que julgamos melhores e nos sentimos injustiçados. Alguns países do primeiro mundo parecem um paraíso. Lá, há educação e saúde de qualidade, bons empregos, segurança. Há menos violência e desonestidade. Ocorre que a vida não é feita de acasos. Bênçãos e desgraças não são sorteadas de forma aleatória. Como protagonistas do próprio destino, temos liberdade de atuação, mas devemos assumir as consequências dos próprios atos. As opções do passado influenciam decisivamente o presente. Dessa forma, vivemos no ambiente que ajudamos a construir. Quem nasce em um meio social bem estruturado certamente teve alguém que colaborou para que ele assim se tornasse. Se o mundo que nos rodeia não é agradável, constitui nosso dever agir para torná-lo melhor. Muitas vezes, colocamos a culpa do caos social na falta de atuação precisa das gerações passadas. Ocorre, porém, que nós mesmos deixamos de buscar alternativas para melhorar a nossa realidade. Se ontem agimos de forma indigna e egoísta, hoje experimentamos o resultado desse agir. Assim, é importante assumir o papel que nos cabe na construção de uma sociedade melhor. É de nosso interesse direto que nossa cidade, estado e país melhorem, que as criaturas que nos rodeiam evoluam em todos os sentidos. Muitas vezes, ouvimos com desinteresse notícias relativas ao meio ambiente. Equivocadamente, pensamos que isso não nos diz respeito. Afinal, estaremos mortos há muito tempo quando não houver mais água no planeta ou o ar se tornar difícil de respirar. Trata-se de um erro enorme de planejamento. Não nos atentamos que nossas ações e omissões produzirão um efeito. Devemos cuidar do planeta, educar as pessoas, vigiar o governo. As gerações são solidárias, muito mais do que pensamos. Pensemos na herança que estamos deixando para as gerações futuras. Sim, pense nisso, mas pense agora.

12/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:31

SEJA PATRÃO

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11/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:19

NÃO VENHA ROUBAR A MINHA SOLIDÃO

Não venha roubar minha solidão, se não tiver algo mais valioso para o meu destino. O título do Pensemisso de hoje foi transcrito da frase proferida pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, conhecido como o filósofo da afirmação da vida. Nos tempos atuais, tempos de vidas líquidas, onde tudo é descartável, as pessoas se agarram cada vez mais à solidão e têm na solidão um estilo de vida positivo. Dia desses, numa enquete feita por um programa radiofônico, foi feita a seguinte pergunta: você acha que é possível ser feliz vivendo sozinho? Pelas respostas, percebemos que a solidão, nos dias de hoje, seja mais atraente do que imaginamos. Pessoas diziam que, com tanta gente fútil que nos cerca, a solidão está mais para um remédio. Havia aqueles que opinavam dizendo que a solidão é luxo nos dias atuais. Muitos afirmavam que preferem a solidão como um modo de se protegerem da infâmia do politicamente correto, onde você corre o risco de ser processado por dizer “oi”. E arrematam: é melhor viver num casulo do que ter uma dor de cabeça explicando o inexplicável. O que fica claro diante dessas afirmações é que a solidão se tornou uma amiga protetora para nossa sociedade, onde tudo é tão líquido, que vê no relacionamento interpessoal um problema que somente a solidão resolve. Em suma, estamos nos tornando misantropos, isto é, vivemos com desconfianças da sociedade da qual fazemos parte. Existe em nós o dilema dos porcos-espinhos, criado pelo filósofo Arthur Schopenhauer. Quando sentimos frio, nos aproximamos, por necessidade, das pessoas. Mas, ao fazermos isso, espetamos e somos espetados pelos espinhos. E assim vivemos essa tensão: eu quero calor, eu quero proximidade com outras pessoas, mas essas pessoas têm ideias diferentes, gostos diferentes, opiniões dissonantes das minhas. Essas pessoas têm espinhos, e desta forma nos afastamos, para logo mais sentirmos a necessidade de nos aquecer de novo. Aqui fica a lição de que devemos viver em comunhão, mas sem ocupar o espaço sagrado de cada um. Sim, isso é uma arte que poucos dominam. É por isso que, em nossos dias, as redes sociais fazem tanto sucesso. Elas te aproximam das pessoas, mas sem que fiquem tão próximas a ponto de te espetarem com seus espinhos. Então, com o smartphone nas mãos, eu controlo as distâncias. Com o celular resolvemos o dilema do porco-espinho: ele aproxima, mas sem o risco de ser espetado. E, por outro lado, eu consigo um certo calor humano — tépido, tênue — mas com algum calor. E, ao mesmo tempo, mantenho a minha solidão controlada. Não venha roubar minha solidão, se não tiver algo mais valioso para oferecer em troca. Ofertamos, então, aquelas coisas, entre aspas, antiquadas, como, por exemplo, as visitas entre amigos, com os intermináveis bate-papos que hoje se extinguiram, graças a dispositivos tecnológicos que permitem contatos na nossa aldeia global sem sair da frente de um visor. Cultivar amizades, distribuir afagos, buscar companheiros para o entretenimento sadio, aplaudir um teatro, sair com colegas de trabalho para uma tarde de lazer junto à natureza são atos a que todos podemos nos propor. Aprendamos a desfrutar da companhia do outro, mesmo que, de vez em quando, haja alguns espinhos. Isso faz parte de uma relação menos líquida. No contato humano é que burilamos experiências e sentimentos. Aprendemos a disciplina do próprio proceder. Portanto, vamos viver uma vida menos líquida e parar de solicitar que a solidão seja sólida. Pense nisso, mas pense agora.

10/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:24

PATO OU AGUIA

Pato ou águia? Estávamos no aeroporto quando um taxista se aproximou. A primeira coisa que notamos foi um táxi limpo e brilhante. O motorista, vestido de forma simples, mas como diziam os antigos, estava bem “nulinho”: camisa branca, bem passada, e com gravata. O taxista saiu, nos abriu a porta e disse: “Eu sou Willy, seu chauffeur. Enquanto guardo sua bagagem, gostaria que o senhor lesse nesse cartão qual é a minha missão.” Então estava escrito: Missão de Willy: levar meus clientes a seu destino de forma rápida, segura e econômica, oferecendo um ambiente amigável. Ficamos impressionados. O interior do táxi estava igualmente limpo. Willy nos perguntou: “O senhor aceita um café?” Brincando com ele, dissemos: “Não, preferimos um suco.” Imediatamente ele respondeu: “Sem problema. Eu tenho uma térmica com suco normal e também um diet, bem como água.” E continuou: “Se desejar ler, tenho o jornal de hoje e também algumas revistas.” Ao começar a corrida, Willy nos disse: “Essas são as estações de rádio que tenho e esse é o repertório que elas tocam.” Como se já não fosse muito, Willy ainda me perguntou se a temperatura do ar-condicionado estava boa. Daí nos avisou qual era a melhor rota para nosso destino e se queríamos conversar com ele ou se preferíamos ficar em silêncio. Perguntamos: “Você sempre atendeu seus clientes assim?” “Não”, ele respondeu. “Sempre somente nos últimos dois anos. Nos meus primeiros anos como taxista, passei a maior parte do tempo me queixando, igual aos demais taxistas. Um dia ouvi um doutor especialista em desenvolvimento pessoal. Ele escreveu um livro que dizia: ‘Se você levanta pela manhã esperando ter um péssimo dia, certamente o terá. Não seja um pato, seja uma águia.’” “Os patos só fazem barulho e se queixam. As águias se elevam acima do grupo. Eu estava todo o tempo fazendo barulho e me queixando. Então decidi mudar minhas atitudes e ser uma águia.” “Olhei os outros táxis e motoristas: os táxis sujos, os motoristas pouco amigáveis e os clientes insatisfeitos. Decidi fazer algumas mudanças. Quando meus clientes responderam bem, fiz mais algumas mudanças.” “No meu primeiro ano como águia, dupliquei meu faturamento. Este ano já quadrupliquei. O senhor teve sorte de tomar meu táxi hoje. Já não estou mais na parada de táxis. Meus clientes fazem reserva pelo meu celular ou mandam mensagens. Se não posso atender, consigo um amigo taxista águia confiável para o serviço.” Willy era fenomenal. Oferecia um serviço de limusine em um táxi normal. Willy, o taxista, decidiu deixar de fazer ruído e queixar-se, como fazem os patos, e passou a voar por sobre o grupo, como fazem as águias. Não importa se você trabalha em um escritório, com manutenção, professor, servidor público, político, executivo, empregado ou profissional liberal. Você se dedica a fazer barulho e se queixar? Ou está se elevando acima dos demais? A concorrência sempre vai existir, e ela é positiva. Faz com que as coisas e as pessoas progridam. A decisão é sua, e cada vez você tem menos tempo para mudar. Afinal, você é um pato ou uma águia? Pense nisso, mas pense agora.

09/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:36

A SABEDORIA DO SAMURAI

A sabedoria do samurai. Conta-se que, perto de Tóquio, capital do Japão, vivia um grande samurai. Já muito idoso, ele agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, apareceu por ali um jovem guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos. Assim que soube da reputação do velho samurai, propôs-se a não sair dali sem antes derrotá-lo e aumentar sua fama. Todos os discípulos do samurai se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. E, diante dos olhares espantados, o jovem guerreiro começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, ofendendo inclusive seus ancestrais. Mas o velho permaneceu sereno e impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado calado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: — Mestre, como o senhor pode suportar tanta indignidade? O sábio ancião olhou calmamente para os alunos e, fixando o olhar em um deles, perguntou: — Se alguém chega até você com um presente e lhe oferece, mas você não o aceita, com quem fica o presente? — Com quem tentou entregá-lo — respondeu o discípulo. — Pois bem, o mesmo vale para qualquer outro tipo de provocação, e também para a inveja, a raiva e os insultos — disse o mestre. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo. Assim, aceitar provocações ou deixá-las com quem nos oferece é uma decisão que cabe exclusivamente a cada um de nós. Pensemos nisso.

07/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 2:54

STEPHEN HAWKING - UM HOMEM NOTAVEL

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06/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 6:04

GENTILEZA VIRILIZADA

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05/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:48