NOTAS DO EPISÓDIO
<strong> Peter Pan e a responsabilidade</strong><br /> <br /> O escocês J.M. Barrie criou, por volta do ano 1902, o seu personagem Peter Pan, representando uma criança que não desejava crescer.<br /> A temática envolvendo o jovem Pan está, sobretudo, na questão de evitar os desconfortos da vida adulta, as responsabilidades, os sofrimentos.<br /> A chamada Síndrome de Peter Pan tornou-se um termo psiquiátrico usado para descrever um adulto que receia os comprometimentos, e se recusa a agir conforme sua idade, a amadurecer.<br /> Responsabilidade é uma palavra que dói, só de dizer, só de pensar, para muitos jovens, nesses dias.<br /> Tudo parece mais leve, mais fácil, quando nos abrigamos na Terra do sonho, ou na Terra do Nunca, usando da localização criada pelo pai de Pan, Barrie.<br /> Compromissos são pesados, exigem isso, exigem aquilo. Por isso, é melhor não tê-los – pensam muitos.<br /> Amadurecimento parece sinônimo de tristeza, de prisão.<br /> Não há nada de mal em querer manter viva a sua porção criança, sua alma juvenil e sonhadora. A alma dos planos, da imaginação fértil, da criatividade – tudo isso é muito bom.<br /> Porém, o exagero, a falta de encarar a vida como uma responsabilidade séria, poderá trazer muitos prejuízos ao Espírito em desenvolvimento.<br /> Por que ter medo da responsabilidade? Do compromisso? São leis da natureza - caminhos necessários da vida.<br /> E a responsabilidade não precisa ser vista como algo pesado, penoso, que cerceia nossa liberdade. Pelo contrário: quanto mais responsáveis somos, e cumpridores de nossos deveres, mais livres seremos.<br /> Ser responsável é poder responder pelas próprias ações. É poder justificar as razões dos próprios atos. Assim, é da lei natural.<br /> Fugir da responsabilidade é fugir da vida, das Leis Divinas.<br /> É como se ousássemos dizer, em determinada manhã: Hoje não serei influenciado pela força da gravidade!<br /> Não há como escapar. a falta de responsabilidade aqui gera ali, pela lei universal de causa e efeito, o compromisso de reparação, de ajuste, de acerto.<br /> Assim, a fuga é apenas temporária, a responsabilidade apenas postergada, e novos comprometimentos adquiridos. Muitos deles, inclusive, que não seriam necessários.<br /> Em função de tudo isso perguntaríamos aos que clamam a liberdade sem responsabilidade: De que adianta fugir? De que adianta postergar?<br /> A vida adulta não precisa ser encarada com esse cenho carregado, com essa seriedade sisuda, cabisbaixa, amarga.<br /> Nossa porção criança – não a que não deseja crescer, mas a que não deseja amargar - sempre nos auxiliará a enxergar os acontecimentos sob o lado bom dos mesmos.<br /> Ela nos trará o humor saudável, a leveza nos relacionamentos com os outros, o coração aberto, sem as máculas dos preconceitos, o sorriso constante de gratidão pela oportunidade de viver.<br /> Que possamos levar, da figura simpática de Peter Pan, a leveza de seus voos, da porção criança que nos ajuda a nunca desistir dos sonhos almejados.<br /> Que possamos carregar em nós a criança que deseja crescer sim, em seu tempo, sem pressa, aproveitando cada fase da vida com tudo que tem a nos conceder de melhor.<br />
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