NOTAS DO EPISÓDIO
<strong>CABOS E LUZES EM UMA CAIXA</strong><br /> <br /> <span style=''font-size: small;''>Há cerca de cinquenta anos, um discurso tornou-se célebre no ambiente de rádio e telejornalismo americanos.<br /> Tratava-se da fala do âncora Edward Murrow sobre rádio e televisão.<br /> As transmissões de TV ainda davam seus primeiros passos, e traziam à tona muitas discussões no que dizia respeito à programação, e ao objetivo dessa nova mídia na época.<br /> Na ocasião, o jornalista da rede CBS falou a uma grande plateia de membros e diretores das principais empresas do setor, nos Estados Unidos.<br /> Afirmou que, se dentro de meio século, historiadores analisassem vídeos das grandes redes americanas, encontrariam provas da decadência, escapismo e alienação das realidades do mundo que vivemos.<br /> No discurso, que ficou conhecido como Cabos e luzes em uma caixa, Murrow expressava receio de que o poder do rádio e da TV fosse usado de maneira danosa à sociedade e à cultura.<br /> Especialmente sobre a TV, ele foi ainda mais fundo.<br /> Disse ele: Este veículo pode ensinar, iluminar. Sim, pode até inspirar. Mas só pode fazê-lo se os seres humanos estiverem determinados a usá-lo para estes fins.<br /> De outro modo – acrescentava ele – são meramente cabos e luzes em uma caixa.<br /> O âncora ainda acrescentou: Há uma grande batalha e talvez decisiva, a ser travada contra a ignorância, a intolerância e a indiferença. Esta arma, a televisão, poderia ser útil.<br /> * * *<br /> Meio século se passou, e como estamos em relação a essa questão no mundo?<br /> A televisão passou a fazer parte da vida diária de bilhões de pessoas.<br /> Porém, será que está sendo utilizada com esses fins nobres, idealistas, apontados pelo jornalista?<br /> Será que colocamos essas descobertas da ciência, as novas facilidades na obtenção de informação, rapidez de comunicação, a serviço de nossa evolução moral?<br /> Ou tudo isso, em grande parte, foi seduzido pelo antigo desejo do homem velho, de ter cada vez mais e mais?<br /> É importante que reflitamos.<br /> Deus permite que conquistemos as melhorias materiais das ciências, da tecnologia, do conhecimento, com um único fim: o nosso crescimento moral.<br /> São instrumentos que facilitam a vida material do homem – ou, deveriam facilitar – para que esse se preocupe mais com a conquista das virtudes da alma.<br /> A verdade é que acabamos nos hipnotizando pela caixa com cabos e luzes. De meio, de instrumento, ela virou veículo de alienação, de escapismos.<br /> E assim vimos fazendo com tantas outras conquistas da tecnologia, pois a alma humana ainda está vazia, perdida.<br /> Vale a pena repensar tudo isso. Vale a pena procurar saber se não estamos alimentando uma indústria de inutilidades mil.<br /> A mudança desse panorama virá de cada um de nós, primeiramente como receptores mais exigentes que precisamos ser.<br /> Depois, como transmissores, na esfera que nos caiba, dessa ideia de que todos esses meios de comunicação devem ser veículos do bem.<br /> É tempo de despertar, mudar de canal ou desligarmo-nos das tomadas do mundo, e nos religarmos a Deus e aos nossos objetivos maiores aqui.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso.<br /> Em 10.12.2014.</span><br />
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