GUERRA ÍNTIMA

PENSE NISSO · EP 870

GUERRA ÍNTIMA

27 Jan 2018 · DURAÇÃO 6:20
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<strong>&nbsp;GUERRA INTIMA<br /> </strong><br /> <span style=''font-size: small;''>Por religi&otilde;es, Por del&iacute;rio, Pela pol&iacute;tica, Pelo poder, por ego&iacute;smo e Pela ilus&atilde;o imposta atrav&eacute;s do medo e subordina&ccedil;&atilde;o...esses s&atilde;o alguns motivos para as guerras.<br /> E com voc&ecirc;? Sim, com voc&ecirc;, mesmo? Qual &eacute; o motivo da sua guerra:<br /> Da sua guerra com os seus pais, filhos, esposa, marido...<br /> Qual &eacute; a justificativa da sua guerra com o seu vizinho? Com o outro motorista no transito?<br /> Como vai sua a guerra intima? Quantos tiros de maledic&ecirc;ncias voc&ecirc; j&aacute; disparou nessa semana contra os seus colegas de trabalho?<br /> As grandes guerras n&atilde;o come&ccedil;am em grandes campos de batalhas. Elas se originam, como pequenas guerras, em nosso &iacute;ntimo.<br /> J&aacute; ouvimos que as guerras s&atilde;o necess&aacute;rias para manter a paz e a liberdade. Que contrassenso &eacute; esse? <br /> Ser&aacute; que n&atilde;o poderemos ter a paz pela paz?<br /> Ser&aacute; que s&oacute; os mortos conhecem o fim da guerra?<br /> O autor deste texto, por ser humanista, se recusa acreditar nisso.<br /> Nenhuma guerra pode justificar alguma coisa.<br /> Sim, &eacute; poss&iacute;vel que elas (as guerras), nos tragam algumas li&ccedil;&otilde;es.<br /> Li&ccedil;&otilde;es de como devemos ser solid&aacute;rios, benevolentes e usar do recurso da paci&ecirc;ncia e da toler&acirc;ncia para que n&atilde;o sejamos n&oacute;s o combust&iacute;vel para as grandes guerras.<br /> ******<br /> Foi durante a Primeira Guerra Mundial. De um lado, as trincheiras abrigavam alem&atilde;es. Do outro, norte-americanos. A troca de tiros era intensa.<br /> Separando os inimigos, havia uma faixa de terra muito estreita, que n&atilde;o pertencia a nenhum dos lados.<br /> Um jovem soldado alem&atilde;o, que tentara cruz&aacute;-la, foi baleado e acabou se enroscando na cerca de arame farpado.<br /> Come&ccedil;ou a gritar de desespero e de dor.<br /> Entre o barulho ensurdecedor do combate, os norte-americanos podiam ouvir seus gritos.<br /> N&atilde;o suportando mais aquela trag&eacute;dia, um dos soldados norte-americanos saiu da trincheira e rastejou na dire&ccedil;&atilde;o dele.<br /> Quando os colegas perceberam o que ele estava fazendo, suspenderam o fogo. Mas os alem&atilde;es continuavam a usar toda a artilharia.<br /> At&eacute; que um oficial alem&atilde;o viu o gesto altru&iacute;sta e ordenou que os seus comandados cessassem fogo.<br /> Um estranho sil&ecirc;ncio se estabeleceu. O norte-americano desenroscou o ferido do arame farpado.<br /> Em seguida, o levou aos bra&ccedil;os dos companheiros.<br /> Voltou-se e principiou a retornar para a sua trincheira. De repente, uma m&atilde;o pesada pousou em seu ombro. Olhou para tr&aacute;s e seus olhos mergulharam nos olhos do oficial alem&atilde;o que trazia na farda a Cruz de Ferro, a mais alta condecora&ccedil;&atilde;o alem&atilde; por bravura.<br /> Ele arrancou a medalha da farda e a colocou no rapaz norte-americano.<br /> E cada qual, sem dizer palavra, retornou para a sua trincheira.<br /> Certamente, os jovens soldados recome&ccedil;aram pouco depois a batalha, que a guerra impunha.<br /> Mas, naquele dia, todos receberam a li&ccedil;&atilde;o que guardariam e relatariam aos seus descendentes. A li&ccedil;&atilde;o do altru&iacute;smo, que fez com que um soldado esquecesse que o outro era o inimigo e arriscasse a sua para salvar a vida dele.<br /> * * *<br /> Dentre todas as calamidades que atingem a Humanidade, de forma peri&oacute;dica, a guerra &eacute; uma das piores.<br /> Vidas s&atilde;o destro&ccedil;adas, esperan&ccedil;as fenecem. Jovens que deveriam estar nos laborat&oacute;rios de ci&ecirc;ncias se encontram nos palcos da destrui&ccedil;&atilde;o.<br /> Namoradas que se preparavam para a concretiza&ccedil;&atilde;o do novo lar, passam noites insones perguntando-se se os seus amores ainda estar&atilde;o vivos, nos campos da guerra.<br /> Crian&ccedil;as que deveriam estar brincando, morrem &agrave; fome ou sucumbem nos bombardeios.<br /> Mulheres que deveriam estar plantando flores em seus jardins, abrem covas para enterrar os corpos dos seus maridos, e as regam com suas l&aacute;grimas.<br /> Infelizmente, o homem ainda n&atilde;o entendeu que o pre&ccedil;o da guerra &eacute; a destrui&ccedil;&atilde;o. Destrui&ccedil;&atilde;o da natureza, das cidades e das vidas. Destrui&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria dignidade humana.<br /> Gestos como o do soldado norte-americano, na Primeira Guerra Mundial, dizem-nos que os que s&atilde;o enviados para a guerra, s&atilde;o simplesmente criaturas que sentem, amam, t&ecirc;m compaix&atilde;o e, com certeza, t&ecirc;m as suas noites mal dormidas povoadas de cenas dantescas, onde o pavor se mistura ao horror da destrui&ccedil;&atilde;o que os envolve.<br /> * * *<br /> A guerra desaparecer&aacute; um dia do cen&aacute;rio do mundo. Contribuamos com a paz, com as nossas vibra&ccedil;&otilde;es especialmente endere&ccedil;adas aos promotores da guerra, a fim de que repensem seus posicionamentos.<br /> E envolvamos nas nossas ora&ccedil;&otilde;es os soldados de todas as na&ccedil;&otilde;es que vivem a crueldade dos combates, longe de casa, e dos seus amores.<br /> </span> <div style=''text-align: right;''><em><span style=''font-size: small;''><br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base no cap. Coragem, <br /> de autor desconhecido, do livro Hist&oacute;rias para o cora&ccedil;&atilde;o, <br /> v. 1, de Alice Gray, ed. United Press.<br /> Em 8.2.2016.</span></em></div>

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