NOTAS DO EPISÓDIO
apaixonados queimando-se naquele recíproco sentimento, pensamos vitoriosos que nada de mau nos alcança. Exceto os nossos próprios enganos.<br /> O autoengano é peça-chave para a nossa sobrevivência. Mentimos não só para os outros, mas, principalmente, para nós mesmos. Mesmo protegidos na redoma da interatividade, continuamos sós, ali, onde apenas a solidão nos alcança. Enquanto teclamos a torto e a direito, sugerindo que estamos sempre ON, a vida verdadeira continua OFF. E nunca nos damos conta de que, no fim, toda a solidão que nos rodeia, essa sim, é real. Porque bytes, bits e pixels não transmitem calor. E o verbo sem o hálito quente é apenas palavra morta.<br /> E no final, só informamos as nossas quimeras, as nossas fantasias...e nós comunicamos cada vez menos como pessoas reais. E é a isso, que chamamos de “solidão interativa”.<br /> <br /> Assim, não será a tecnologia que nos afastará da solidão. Ela ainda se faz presente, em nosso existir, porque não vivenciamos os valores da solidariedade, da compaixão, da fraternidade.<br /> E, por mais que a tecnologia se desenvolva, por mais recursos nos ofereça, jamais eliminará a solidão de dentro de nós.<br /> Poderá, sim, agregar milhares de nomes em nossas redes de relacionamento. Porém, para preencher as necessidades de nosso coração, para que nele não haja mais espaço para a solidão, necessitamos cultivar a fraternidade, que pode até se iniciar no mundo virtual, mas terá que inevitavelmente, migrar para a realidade das ações de nosso coração.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso.<br /> Com base no livro Informar não é Comunicar de Dominique Wolton. <br /> Editora Sulina 2010.<br /> Redigido em 10.06.2011.<br /> Atualizado em 05.09.2016<br /> <br />
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