NOTAS DO EPISÓDIO
<span style=''font-size: small;''>GESTO DE AMOR<br /> <br /> Aquele era mais um dia normal na cidade de Cuiabá,<br /> A urgência habitual fazia com que as calçadas ficassem repletas de pessoas, que corriam, nas suas preocupações do dia a dia.<br /> Com ela não era diferente. Apressava-se na saída do ônibus, visando desembocar na grande avenida que a levaria aos seus compromissos.<br /> E eram tantos. Pela memória, ia repassando o roteiro das tarefas que lhe competia realizar nas próximas horas.<br /> Depois de atravessar a congestionada avenida, que a conduzia para o outro lado... e para um encontro inesperado.<br /> Justo em sua frente, um jovem. O rosto se escondia atrás da sujeira. Os olhos saltados das órbitas denunciavam o consumo de entorpecentes. As roupas maltrapilhas indicavam o abandono de tudo.<br /> Sua primeira reação foi de medo, de defesa.<br /> Lançou-lhe um olhar assustado, ao mesmo tempo em que levava as duas mãos à bolsa, num movimento de proteção.<br /> Ele a olhou com o resto de lucidez que ainda tinha, e lhe disse: Eu não quero nada, não vou lhe tomar nada.<br /> A reação do rapaz a surpreendeu. Esperava que ele fosse lhe arrancar a bolsa, dar voz de assalto, fazer algum gesto de violência.<br /> A surpresa a fez mudar de postura corporal. Mudou também seu olhar.<br /> Ele então completou a frase: Eu só queria algum dinheiro para a próxima dose.<br /> A dor com que aquela frase foi dita lhe cortou o coração. Pensou em como aquela vida estava se esvaindo na dependência infeliz.<br /> O que fazer por ele?<br /> De imediato, ocorreram-lhe à mente as boas lições que aprendera com um antigo amigo.<br /> Ao pensamento, veio-lhe a frase à boca, quase sem raciocínio, mas cheia de sentimento: Eu não posso, não quero lhe dar o dinheiro para a próxima dose, mas posso lhe dar um abraço.<br /> Sem que o jovem pudesse compreender o que se passava, ela o abraçou. E ficou assim, envolvendo-o, demoradamente.<br /> Foram alguns segundos eternos, que a ambos emocionou até às lágrimas.<br /> Ela, condoída pelo jovem desiludido. Ele, impactado pelo gesto de amor inesperado.<br /> Ao afastar-se do abraço, ainda surpreso pelo gesto fraterno, carinhoso, que recebeu, confessou:<br /> Eu estava a ponto de me matar. Nada mais valia na minha vida. Já não me reconhecia como gente. Vivia uma vida de bicho, e era tratado como tal.<br /> Você me lembrou de que sou gente, você me tratou, como há muito não acontecia: como gente. Muito obrigado!<br /> E do mesmo modo como apareceu, sumiu entre a multidão. Ela ficou ali, deixando-se inundar pelas lágrimas, feliz por ter seguido seu impulso de amor.<br /> * * *<br /> Assim se aprende a amar. Tratar aos outros, não importa quem, como gostaríamos que fizessem conosco, ou com algum dos nossos.<br /> Vencer o medo, oferecer o que temos de melhor no coração, nem que seja pelo tempo de um abraço.<br /> Às vezes, é apenas isso que um desconhecido precisa de nós. Uma palavra de otimismo, um sorriso generoso, um olhar de compreensão.<br /> Pequenos carinhos, capazes de amenizar dores e de tratar feridas, dessas que todos trazemos na alma.<br /> Pense Nisso e pratique um gesto de amor.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso, com base em fato<br /> narrado na XIX Conferência Estadual Espírita, por <br /> Divaldo Pereira Franco, em Pinhais, Paraná,<br /> em março de 2017.<br /> Em 06.6.2017. <br /> <br /> </span><br />
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