DANDO O MELHOR

PENSE NISSO · EP 1152

DANDO O MELHOR

8 Ago 2019 · DURAÇÃO 3:55
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<strong>&nbsp;<br /> Dando o melhor</strong><br /> <br /> <br /> Muitas coisas se falam a respeito de Beethoven. O fato de ter composto extraordin&aacute;rias sinfonias, mesmo ap&oacute;s a total surdez, &eacute; sempre recordado.<br /> Exatamente por causa de sua surdez, ele era pouco soci&aacute;vel. Enquanto p&ocirc;de, escondeu o fato de sua audi&ccedil;&atilde;o estar comprometida.<br /> Evitava as pessoas porque a conversa se lhe tornara uma pr&aacute;tica dif&iacute;cil e humilhante. Era o atestado p&uacute;blico da sua defici&ecirc;ncia auditiva.<br /> Certo dia, um amigo seu foi surpreendido pela morte s&uacute;bita do filho. Assim que soube, o m&uacute;sico correu para a casa dele, pleno de sofrimento.<br /> Beethoven n&atilde;o tinha palavras de conforto para oferecer. N&atilde;o sabia o que dizer. Percebeu, contudo, que num canto da sala havia um piano.<br /> Durante trinta minutos, ele extravasou suas emo&ccedil;&otilde;es da maneira mais eloquente que podia. Tocou piano. Ao contato dos seus dedos, as teclas acionadas emitiram lamentos e melodiosa harmonia de consolo.<br /> Assim que terminou, ele foi embora. Mais tarde, o amigo comentou que nenhuma outra visita havia sido t&atilde;o significativa quanto aquela.<br /> Por vezes, n&oacute;s tamb&eacute;m, surpreendidos por not&iacute;cias muito tristes ou chocantes, n&atilde;o encontramos palavras para expressar conforto ou consola&ccedil;&atilde;o.<br /> Chegamos ao ponto de n&atilde;o comparecer ao enterro de um amigo, por sentir n&atilde;o ter jeito para dizer algo para a vi&uacute;va, ou aos filhos &oacute;rf&atilde;os.<br /> N&atilde;o vamos ao hospital, visitar um enfermo do nosso c&iacute;rculo de rela&ccedil;&otilde;es, porque nos sentimos inibidos. Como chegar? O que levar? O que dizer?<br /> Aprendamos com o gesto do imortal Beethoven. Na aus&ecirc;ncia de palavras, permitamos que falem os nossos sentimentos.<br /> Ofertemos o abra&ccedil;o silencioso e deixemos que a vertente das l&aacute;grimas de quem se veste de tristeza, escorra em nosso peito.<br /> Ofere&ccedil;amos os ombros para auxiliar a carregar a dor que extravasa da alma, vergastando o corpo.<br /> Sentemo-nos ao lado de quem padece e lhe seguremos a m&atilde;o, como a afirmar, com todas as letras e nenhum som: Estou aqui. Conte comigo.<br /> Sirvamos um copo d&rsquo;&aacute;gua, um suco &agrave;quele que secou a fonte das l&aacute;grimas e prossegue com a alma em frangalhos. Isso poder&aacute; trazer renovado alento ao corpo exaurido pela convuls&atilde;o das dores.<br /> Verifiquemos se n&atilde;o podemos providenciar um cantinho para um repouso, ainda que breve.<br /> Permane&ccedil;amos com o amigo, mesmo depois que todos se tenham retirado para seus lares ou se dirigido aos seus afazeres. As horas da solid&atilde;o s&atilde;o mais longas, quando os ponteiros avan&ccedil;am a madrugada.<br /> * * *<br /> S&ecirc; amigo conveniente, sabendo conduzir-te com discri&ccedil;&atilde;o e nobreza junto &agrave;queles que te elegem a amizade.<br /> A discri&ccedil;&atilde;o &eacute; tesouro pouco preservado nas amizades terrenas.<br /> Todas as pessoas gostam de companhias nobres e discretas, que inspiram confian&ccedil;a, favorecendo a tranquilidade.<br /> Ouve, v&ecirc;, acompanha e conversa com nobreza, sendo fiel &agrave; confian&ccedil;a que em ti depositem.<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base no cap. O dom de Beethoven, <br /> de Philip Yancey, do livro Hist&oacute;rias para o cora&ccedil;&atilde;o 2, de Alice Gray, ed.<br /> United Press <br /> Em 22.7.2018.</em></div>

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