NOTAS DO EPISÓDIO
<span style=''font-size: small;''>BRINQUEDO QUEBRADO: CRIANÇA FELIZ<br /> <br /> Na qualidade de pais, nos preocupamos em ensinar aos filhos a cuidar dos seus pertences. Contudo, por vezes, vamos a extremos. Principalmente, quando se trata de brinquedos.<br /> Esquecemos que tudo se desgasta com o uso e brinquedos são feitos para brincar. Nunca para ficarem guardados em prateleiras e armários, intocáveis, aguardando o passar dos anos. Não são troféus, são brinquedos.<br /> A prudência e o zelo têm seu lugar. Também a experiência e a curiosidade e, grande sabedoria é saber a diferença entre uns e outras.<br /> Um jovem pai aprendeu isso quando, certo dia, após passar a tarde de verão brincando no parque e nadando na piscina do clube, seu filho de cinco anos apareceu com o corpo coberto de pintas vermelhas.<br /> A esposa pensou ser sarampo e como tinham agendado consulta com o pediatra, para o dia seguinte, não se preocuparam.<br /> Durante a consulta, os pais notaram vários hematomas nas pernas do menino.<br /> A médica os encaminhou ao hospital para exames mais detalhados. O medo invadiu o coração de pai e mãe.<br /> O diagnóstico foi púrpura trombocitopênica idiopática, uma doença que faz com que o baço destrua as plaquetas responsáveis pela coagulação do sangue.<br /> Se piorasse, o garoto poderia sangrar internamente até a morte. Só o tempo diria se ele conseguiria superar a crise.<br /> Três dias depois da internação hospitalar, o pai decidiu ir comprar um brinquedo para o filho. Sabendo do seu gosto por carros, escolheu um conversível amarelo.<br /> Ao se encaminhar para o caixa, a fim de pagá-lo, pensou que nas mãos de um garoto de cinco anos, não duraria muito. Logo, concluiu:<br /> E daí, se as portas se quebrarem e as rodas caírem? Se isso acontecer, é porque ele está vivo e saudável.<br /> O carrinho amenizou os longos dias de internação do menino. A crise foi superada.<br /> O conversível amarelo está na prateleira do quarto dele. As rodas caíram, as portas estão quebradas e o cromado todo descascado.<br /> O pai olha para o brinquedo e sorri. Nos últimos anos seu filho tem passado bem. Sua doença misteriosa se foi.<br /> E ele aprendeu que há objetos que podem ser substituídos, se necessário.<br /> Hoje, se um dos seus três filhos quebra alguma coisa ou gasta de tanto brincar, não o repreende. Prefere comemorar a sua infância.<br /> O esqueleto do que foi um lindo carrinho, o pneu careca da bicicleta, as peças perdidas do jogo, tudo isso demonstra que naquela casa vivem meninos sadios e felizes.<br /> Aquele pai aprendeu que o seu relacionamento com seus filhos e sua mulher é o que deve durar para sempre. Com pequenas perdas, por excesso de uso, ele pode muito bem conviver.<br /> * * *<br /> Aprendamos, nas lides cotidianas, a prezar mais o convívio com os seres amados, o diálogo, a sadia troca de ideias.<br /> Utilizemo-nos dos tempinhos que sobram em um e outro momento para estar um pouco mais com nossos amores.<br /> Nada há tão gratificante quanto observar uma criança crescer, dia a dia. Nada tão compensador quanto lhe observar as conquistas diárias.<br /> E, de todos os prêmios da Terra, o maior de todos será chegar ao final do dia, em casa, e ouvir uma voz gritar: Papai chegou! Mamãe chegou!, enquanto dois braços se enrolam em seu pescoço, apertando forte.<br /> Isso se chama viver em abundância.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso, com base no artigo<br /> Infância e equilíbrio, de Elliott Van Egmond, <br /> da revista Seleções Reader’s Digest, de agosto<br /> de 2003.<br /> Em 30.3.2015.<br /> <br /> </span><br />
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