BRINQUEDO QUEBRADO, CRIANÇA FELIZ

PENSE NISSO · EP 661

BRINQUEDO QUEBRADO, CRIANÇA FELIZ

4 Mar 2017 · DURAÇÃO 4:27
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<span style=''font-size: small;''>BRINQUEDO QUEBRADO: CRIAN&Ccedil;A FELIZ<br /> <br /> Na qualidade de pais, nos preocupamos em ensinar aos filhos a cuidar dos seus pertences. Contudo, por vezes, vamos a extremos. Principalmente, quando se trata de brinquedos.<br /> Esquecemos que tudo se desgasta com o uso e brinquedos s&atilde;o feitos para brincar. Nunca para ficarem guardados em prateleiras e arm&aacute;rios, intoc&aacute;veis, aguardando o passar dos anos. N&atilde;o s&atilde;o trof&eacute;us, s&atilde;o brinquedos.<br /> A prud&ecirc;ncia e o zelo t&ecirc;m seu lugar. Tamb&eacute;m a experi&ecirc;ncia e a curiosidade e, grande sabedoria &eacute; saber a diferen&ccedil;a entre uns e outras.<br /> Um jovem pai aprendeu isso quando, certo dia, ap&oacute;s passar a tarde de ver&atilde;o brincando no parque e nadando na piscina do clube, seu filho de cinco anos apareceu com o corpo coberto de pintas vermelhas.<br /> A esposa pensou ser sarampo e como tinham agendado consulta com o pediatra, para o dia seguinte, n&atilde;o se preocuparam.<br /> Durante a consulta, os pais notaram v&aacute;rios hematomas nas pernas do menino.<br /> A m&eacute;dica os encaminhou ao hospital para exames mais detalhados. O medo invadiu o cora&ccedil;&atilde;o de pai e m&atilde;e.<br /> O diagn&oacute;stico foi p&uacute;rpura trombocitop&ecirc;nica idiop&aacute;tica, uma doen&ccedil;a que faz com que o ba&ccedil;o destrua as plaquetas respons&aacute;veis pela coagula&ccedil;&atilde;o do sangue.<br /> Se piorasse, o garoto poderia sangrar internamente at&eacute; a morte. S&oacute; o tempo diria se ele conseguiria superar a crise.<br /> Tr&ecirc;s dias depois da interna&ccedil;&atilde;o hospitalar, o pai decidiu ir comprar um brinquedo para o filho. Sabendo do seu gosto por carros, escolheu um convers&iacute;vel amarelo.<br /> Ao se encaminhar para o caixa, a fim de pag&aacute;-lo, pensou que nas m&atilde;os de um garoto de cinco anos, n&atilde;o duraria muito. Logo, concluiu:<br /> E da&iacute;, se as portas se quebrarem e as rodas ca&iacute;rem? Se isso acontecer, &eacute; porque ele est&aacute; vivo e saud&aacute;vel.<br /> O carrinho amenizou os longos dias de interna&ccedil;&atilde;o do menino. A crise foi superada.<br /> O convers&iacute;vel amarelo est&aacute; na prateleira do quarto dele. As rodas ca&iacute;ram, as portas est&atilde;o quebradas e o cromado todo descascado.<br /> O pai olha para o brinquedo e sorri. Nos &uacute;ltimos anos seu filho tem passado bem. Sua doen&ccedil;a misteriosa se foi.<br /> E ele aprendeu que h&aacute; objetos que podem ser substitu&iacute;dos, se necess&aacute;rio.<br /> Hoje, se um dos seus tr&ecirc;s filhos quebra alguma coisa ou gasta de tanto brincar, n&atilde;o o repreende. Prefere comemorar a sua inf&acirc;ncia.<br /> O esqueleto do que foi um lindo carrinho, o pneu careca da bicicleta, as pe&ccedil;as perdidas do jogo, tudo isso demonstra que naquela casa vivem meninos sadios e felizes.<br /> Aquele pai aprendeu que o seu relacionamento com seus filhos e sua mulher &eacute; o que deve durar para sempre. Com pequenas perdas, por excesso de uso, ele pode muito bem conviver.<br /> * * *<br /> Aprendamos, nas lides cotidianas, a prezar mais o conv&iacute;vio com os seres amados, o di&aacute;logo, a sadia troca de ideias.<br /> Utilizemo-nos dos tempinhos que sobram em um e outro momento para estar um pouco mais com nossos amores.<br /> Nada h&aacute; t&atilde;o gratificante quanto observar uma crian&ccedil;a crescer, dia a dia. Nada t&atilde;o compensador quanto lhe observar as conquistas di&aacute;rias.<br /> E, de todos os pr&ecirc;mios da Terra, o maior de todos ser&aacute; chegar ao final do dia, em casa, e ouvir uma voz gritar: Papai chegou! Mam&atilde;e chegou!, enquanto dois bra&ccedil;os se enrolam em seu pesco&ccedil;o, apertando forte.<br /> Isso se chama viver em abund&acirc;ncia.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base no artigo<br /> Inf&acirc;ncia e equil&iacute;brio, de Elliott Van Egmond, <br /> da revista Sele&ccedil;&otilde;es Reader&rsquo;s Digest, de agosto<br /> de 2003.<br /> Em 30.3.2015.<br /> <br /> </span><br />

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