O ESPORTE E A GUERRA

PENSE NISSO · EP 285

O ESPORTE E A GUERRA

25 Jul 2015 · DURAÇÃO 4:50
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<strong>&nbsp;O esporte e a guerra</strong><br /> <br /> Cerca de cinquenta homens de cada lado. Homens preparados para lutar, para matar. Vindos de lugares diferentes. O que eles t&ecirc;m em comum &eacute; que s&atilde;o loucos por futebol.<br /> O clima deveria ser natalino, mas as circunst&acirc;ncias os colocaram em campos opostos. O lugar onde se encontram &eacute; terra de ningu&eacute;m.<br /> O apito soa em algum lugar. O que eles fazem?<br /> Eles se divertem com a bola improvisada. Chutam e brincam de marcar gols, de dar passes e de driblar. Eles s&atilde;o soldados alem&atilde;es, de um lado, e soldados ingleses, do outro.<br /> Ningu&eacute;m perde, todos ganham. Depois de meia hora de brincadeira s&atilde;o convocados a voltar para as trincheiras.<br /> Era 25 de dezembro de 1915 e a Primeira Guerra Mundial mataria a maioria deles. Mas, naquela improv&aacute;vel confraterniza&ccedil;&atilde;o de Natal, eles foram felizes.<br /> Quem deu a ordem para a brincadeira acabar foi o major brit&acirc;nico, que ordenou o retorno da tropa para a trincheira lembrando, aos gritos, que estavam l&aacute; para matar os alem&atilde;es, n&atilde;o para fazer amizade com eles.<br /> N&atilde;o h&aacute; registros oficiais dessa partida, mas houve alguns relatos dos participantes. A &ldquo;Tr&eacute;gua de 1915&rdquo; est&aacute; nos livros de Hist&oacute;ria, n&atilde;o &eacute; um conto de Natal.<br /> Um dos soldados acabou conhecido por ter vivido muito. Viveu para contar e fez um relato singelo daquele Natal.<br /> Afirmou que, na noite de 24 de dezembro, ele e seus colegas ouviram can&ccedil;&otilde;es de Natal, vindas do lado alem&atilde;o e responderam cantando.<br /> Naquele Natal de 1915, houve diversas tr&eacute;guas improvisadas e informais, ao longo das frentes de batalha. Por&eacute;m, aquela breve partida de futebol, um futebol alegre, sem resqu&iacute;cios de batalha, foi inesquec&iacute;vel.<br /> * * *<br /> Nestes tempos em que as arenas de futebol parecem verdadeiros campos de batalha, campos de &oacute;dio e viol&ecirc;ncia, vale a pena refletir sobre algumas quest&otilde;es:<br /> Ser&aacute; que estamos entendendo a verdadeira fun&ccedil;&atilde;o dos esportes em nossa sociedade?<br /> Ser&aacute; que perdemos o esp&iacute;rito esportivo, quando transformamos essas atividades em simples neg&oacute;cios, onde n&atilde;o h&aacute; mais espa&ccedil;o para divers&atilde;o e confraterniza&ccedil;&atilde;o?<br /> Ser&aacute; que estamos voltando &agrave;s arenas para assistir massacres? Depois de tanto tempo? Ser&aacute; que ainda temos na alma esse prazer doentio?<br /> No que nos tornamos quando vestimos a camisa desse ou daquele time? Ser&aacute; que uniformes t&ecirc;m o poder de nos transformar em primitivos novamente?<br /> N&atilde;o podemos permitir isso. N&atilde;o mais. Fomos t&atilde;o cru&eacute;is durante tanto tempo e agora, que temos a chance de viver a Nova Era, a era de amor, de amizade, insistimos nesses v&iacute;cios destruidores?<br /> Esporte &eacute; vida. Esporte &eacute; sa&uacute;de do corpo e da alma. Esporte &eacute; supera&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima. Esporte n&atilde;o &eacute; destrui&ccedil;&atilde;o ou um simples instrumento para colocarmos para fora nossos animais internos.<br /> O prazer de reunir um grande grupo para torcer por essa ou aquela equipe, nessa ou naquela modalidade, deve estar na confraterniza&ccedil;&atilde;o.<br /> O esporte perde seu sentido quando abandona a divers&atilde;o, o l&uacute;dico. E mais, quando abandona a paz.<br /> Ele deve ser instrumento da paz, e n&atilde;o da guerra.<br /> Reflitamos sobre isso tudo. Eduquemos nossas crian&ccedil;as. Alteremos os costumes b&aacute;rbaros ainda t&atilde;o presentes nos esportes da Terra.<br /> Esporte &eacute; vida. Esporte &eacute; sa&uacute;de, confraterniza&ccedil;&atilde;o e ve&iacute;culo da paz.<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base em reportagem<br /> de Marleth Silva, do jornal Gazeta do Povo,<br /> de 15.12.2013.<br /> Em 16.3.2014.</em></div>

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