NOTAS DO EPISÓDIO
O MUNDO É MAIS "EASY"<br /> <br /> Chicago, 04 de agosto de 1948, numa casa simples um cartaz anunciava uma venda.<br /> As mercadorias estavam expostas nos degraus da escada: Sue Ellen de dois anos, Milton de quatro, Rae Ann de 5, e Lana de seis anos. Todas crianças brancas.<br /> Sim, a placa anunciava a venda de quatro crianças por dois dólares cada uma. Os pequenos estavam em liquidação pela própria mãe, Lucille Chalifoux, (xalifú) que esconde o rosto do fotografo, gravida do quinto filho que se chamaria David.<br /> Uma reportagem no jornal The Times, de Indiana, mostrou, em 2015, que a foto marcava o começo de uma impressionante história de falta de amor e maus-tratos às crianças. Vendidas ou adotadas, os irmãos se dispersaram para só voltarem a se encontrar adultos. “Fui vendida por 2 dólares, e como meu irmão, Milton, estava ao meu lado chorando, o casal resolveu levá-lo também”- disse.<br /> Eles eram muitas vezes acorrentados em um celeiro e forçados a trabalhar longas horas no campo. Milton se lembra de ter sido chamado de "escravo" por sua nova figura paterna, um rotulo que ele aceitou na época porque não entendia o que significava -conta Rae Ann, hoje com mais de 70 anos.<br /> Apenas em 2013, os irmãos dispersos se reencontraram, e suas histórias são de sobrevivência crua de maus tratos e escravizados por aqueles que as compraram. <br /> . Em 2013, Rae Ann Mills, então com 70 anos de idade, se reuniu com Sue Ellen , sua irmã de 67 anos, pela primeira vez desde que tinham sete e quatro anos. Sue Ellen morreu de câncer de pulmão meses depois.<br /> Lana, a irmã mais velha, morreu em 1998, sem nunca reencontrar os seus irmãos. Pouco se sabe do que aconteceu com ela, depois de ser vendida.<br /> David, que na época estava no útero de sua mãe, parece ter tido a experiência mais parecida com a de um lar feliz. Ele foi legalmente adotado por Harry e Luella McDaniel. David, que diz que seus pais adotivos eram rígidos, mas amorosos e solidários.<br /> Essa história nos chocam, certamente. Mas, naqueles anos pós-guerra, as pessoas não viam isso como algo chocante. <br /> É de nos perguntarmos: “Antigamente as pessoas eram melhores? O mundo era melhor?<br /> Talvez, o mundo fosse mais simples, mais preto no branco. Mas, certamente esse mundo, que muitos de nós sentimos falta, era muito mais cruel.<br /> É fato que ainda há notícias de abusos, de crianças sendo mortas em guerras insanas. A diferença, é que hoje há um batalhão de pessoas anônimas que se importam e lutam para salvar essas crianças. Não toleramos mais práticas desumanas, que antigamente era tão comum e aceita com uma certa normalidade.<br /> A história dessas 5 crianças, que foram vendidas pela própria mãe, é um exemplo de como o mundo já foi muito mais cruel que hoje.<br /> <br /> Embora de forma lenta, a Humanidade vem refinando seus valores.A escravidão, a prisão por dívidas e o assassinato como forma de defesa da honra. Sem falar da segregação racial, que antigamente era tão aceito, e hoje, isso é crime.<br /> A igualdade da mulher perante o homem constitui conquista recente da Civilização.<br /> E o que falar das nossas crianças, que hoje recebem uma maior atenção e proteção: - Nenhuma criança deverá sofrer por pouco caso dos responsáveis ou do governo, nem por crueldade e exploração. Nenhuma criança deverá trabalhar antes da idade mínima, nem será levada a fazer atividades que prejudiquem sua saúde, educação e desenvolvimento. <br /> <br /> Uma determinada coisa não é boa por ser antiga, nem é má por ser atual.<br /> Aprendamos a rechaçar a impostura negativa de ontem como a de agora, evitando apegos indevidos a tradições retrógradas e perturbadoras, ou a inovações descabidas e às vezes criminosas.<br /> * * *<br /> Que possamos, mesmo com os nossos conceitos, preconceitos e atavismos, enxergar que o mundo está melhor. As pessoas estão melhores.<br /> Esperamos, que a mensagem do Pense nisso de hoje, possa abrir as portas do otimismo com relação ao futuro da humanidade; sejamos mais esperançosos e menos escatológicos.<br /> Por mais que o passado lhe seja saudoso, se permita dizer: - “Hoje, o mundo é mais Easy”.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso, com base na reportagem do jornal New York Post<br /> Edição de 14 de julho de 2013 e do The Times edição de outubro de 2015 .<br /> Em 27.04.2017<br /> <br />
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