A HONRA

PENSE NISSO · EP 660

A HONRA

3 Mar 2017 · DURAÇÃO 1:05
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<span style=''font-size: small;''>A HONRA<br /> <br /> Conta-se que um promotor p&uacute;blico, nomeado para uma cidade interiorana do Sul do Brasil, ali chegou jovem e entusiasta.<br /> Conhecedor da lei, amante da ordem e do direito, se prop&ocirc;s a realizar o melhor, naquela localidade.<br /> Um dos primeiros casos que lhe chegou &agrave;s m&atilde;os foi o de um homem que, em plena pra&ccedil;a, &agrave; vista de v&aacute;rios cidad&atilde;os, descarregara todas as balas do seu rev&oacute;lver em sua esposa.<br /> Fora um crime b&aacute;rbaro, cruel, presenciado por muitos. O jovem promotor estudou o caso e, com tranquilidade, se prop&ocirc;s a fazer a acusa&ccedil;&atilde;o daquele r&eacute;u.<br /> Para ele, n&atilde;o havia d&uacute;vidas. Tratava-se de um crime b&aacute;rbaro. O homem, tomado de ci&uacute;mes, pois descobrira que a esposa o tra&iacute;ra, a matara de forma fria, premeditada.<br /> Havia muitas testemunhas. O fato era not&oacute;rio. N&atilde;o havia erro. Aquele homem seria condenado.<br /> Contudo, no transcurso do processo, foi se tomando de surpresa o promotor.<br /> O advogado do r&eacute;u apresentou sua defesa baseado em que ele n&atilde;o deveria ser julgado culpado pois, afinal, fora brutalmente ofendido em sua honra.<br /> A surpresa foi maior ainda quando o j&uacute;ri chegou ao veredito de inocente. Entenderam os jurados daquela cidade que o homem tra&iacute;do mais n&atilde;o fizera do que lavar a sua honra. E honra se lava com sangue.<br /> N&atilde;o se tratava de uma quest&atilde;o de direito, de certo e de errado, mas de como aquela gente entendia que tudo deveria ser resolvido.<br /> E, no caso, somente a morte poderia lavar a honra daquele cidad&atilde;o.<br /> * * *<br /> Em v&aacute;rias localidades, em nosso pa&iacute;s e no mundo, muitos ainda acreditam que a honra se lava com sangue.<br /> Quando ouvimos relatos de fatos semelhantes, aqui e ali, tentando justificar atos de viol&ecirc;ncia, ficamos chocados.<br /> Compete-nos refletir e pesar nossos valores.<br /> Recordamos que, certa feita, Moandas Gandhi, o l&iacute;der pacifista da &Iacute;ndia, foi esbofeteado em pleno rosto.<br /> O golpe fora t&atilde;o rude que ele ca&iacute;ra. Levantou-se, limpou a poeira da roupa e, sereno, continuou o seu caminho.<br /> Uma jornalista londrina teve oportunidade de lhe perguntar:<br /> Senhor, o senhor n&atilde;o vai revidar?<br /> Por que deveria? - Perguntou, tranquilo.<br /> Mas, senhor, ele lhe esbofeteou a face. Feriu a sua honra.<br /> Gandhi a olhou, profundamente, nos olhos e respondeu:<br /> Minha jovem, minha honra n&atilde;o est&aacute; no rosto.<br /> Sim, sua honra como a de todos n&oacute;s, n&atilde;o est&aacute; no rosto. A honra est&aacute; na alma e essa ningu&eacute;m a pode remover, sen&atilde;o n&oacute;s mesmos.<br /> Manchamos nossa honra de filhos de Deus quando nos permitimos revidar agress&otilde;es, descer ao n&iacute;vel do agressor.<br /> Dilapidamos nossa honra quando nos permitimos compactuar com a mentira, com a corrup&ccedil;&atilde;o, com o crime de qualquer n&iacute;vel.<br /> Pensemos nisso e nos mantenhamos no bem, no caminho do reto dever, mesmo que as circunst&acirc;ncias pare&ccedil;am contra n&oacute;s.<br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso com base em fato narrado <br /> por Sandra Della Pola, em palestra proferida no Teatro da <br /> Federa&ccedil;&atilde;o Esp&iacute;rita do Paran&aacute;, no dia 11 de julho de 2010.<br /> Em 11.07.2012.<br /> </span><br />

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