NOTAS DO EPISÓDIO
<span style=''font-size: small;''>SER GENTIL<br /> <br /> Os procedimentos se faziam apressados para o embarque dos passageiros na aeronave.<br /> A preocupação para não haver atraso, o tempo exíguo, exigia um tanto mais.<br /> O bom andamento na entrada do avião, para que todos logo se acomodassem, preocupava a tripulação.<br /> Nesse afã de logo completar a tarefa e seguir viagem, se empenhavam os comissários de bordo.<br /> Estando acomodados um certo número de pessoas, adentrou o avião uma jovem.<br /> De compleição física robusta, alta, embora de aparência saudável, denotava em seu semblante que algo não estava bem.<br /> Vinha seguida pela mãe, idosa, miúda na sua constituição, que a encorajava a seguir em frente.<br /> Os passos se faziam titubeantes. As mãos, suadas, apoiavam-se lentamente, poltrona a poltrona, como a querer agarrar-se, fincar-se ao solo.<br /> Parecia tomada de pavor, como se algo fosse lhe acontecer.<br /> A mãe, bem próxima, a incentivava a dar os próximos passos a fim de chegar nas poltronas que lhes cabiam.<br /> Porém, a jovem não venceu mais do que três ou quatro fileiras.<br /> Ao vislumbrar o imenso corredor, as inúmeras poltronas, filas, pessoas, foi tomada de um medo colossal, e não pôde prosseguir.<br /> A face se fez pálida. As mãos agarraram a poltrona mais próxima e os pés estaquearam de vez.<br /> A mãe, entre acabrunhada e nervosa, tentava em vão pedir-lhe que prosseguisse. A fila dos passageiros se alongava, às suas costas.<br /> Vendo a cena, um comissário de bordo se aproximou. Ele tinha todo o treinamento necessário para lidar com essas situações.<br /> Sabia da sua obrigação de dar conta do embarque de todos os passageiros, para que o piloto pudesse dar início à decolagem.<br /> Conhecia as regras e a correta abordagem, sem perder a calma e a polidez.<br /> Porém, ele resolveu utilizar outra ferramenta, essa talvez mais rara nos manuais de treinamento.<br /> Aproximou-se da jovem, trêmula e parecendo apavorada.<br /> Suavemente apoiou sua mão sobre o ombro dela, e gentil, convidou:<br /> Vamos sentar na poltrona, minha flor?<br /> Aquelas palavras, que manifestavam compreensão pela dificuldade que ela enfrentava, soaram aos seus ouvidos como bálsamo.<br /> Tomada de nova coragem, envolvida pela gentileza do rapaz, ela retomou os passos até o local indicado, permitindo que o embarque retornasse ao fluxo normal.<br /> * * *<br /> Este é o poder da gentileza.<br /> Derrete a frieza das relações, supera obstáculos interpostos entre as pessoas, encoraja o mais frágil, fortalece o mais fraco.<br /> Muitas vezes, todas as técnicas, conhecimento e destreza não superam o que a doçura de uma palavra, um gesto suave, um olhar carinhoso são capazes de realizar.<br /> Ser gentil extrapola a polidez. Vai além da obrigação e mesmo do profissionalismo.<br /> Ser gentil é semear pequenas flores na estrada alheia, para que o próximo se impregne, mesmo que somente por curta distância, poucos passos apenas, de um leve perfume que extravasa solidariedade, fraternidade, preocupação pelo outro.<br /> <br /> <br /> Redação do Pense Nisso, com base em fato narrado por <br /> Suely Caldas Schubert, em palestra de 8.2.2015.<br /> Em 06.5.2015.<br /> </span><br />
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