A VIDA, CORAGEM, BELEZA, MAGIA E ROMANTISMO

PENSE NISSO · EP 1077

A VIDA, CORAGEM, BELEZA, MAGIA E ROMANTISMO

16 Jan 2019 · DURAÇÃO 6:43
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<strong>&nbsp;A vida: coragem, beleza, magia e romantismo.</strong><br /> <br /> &ldquo;A vida &eacute; assim: esquenta e esfria, aperta e da&iacute; afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente &eacute; coragem.&rdquo;<br /> <br /> Com essa pequena cita&ccedil;&atilde;o de um dos maiores cl&aacute;ssicos da literatura brasileira; Grande Sert&atilde;o Veredas de Guimar&atilde;es Rosa, damos in&iacute;cio com a mensagem do Pense Nisso de hoje.<br /> <br /> Sempre me pego pensando sobre o sentido da vida. Pergunto-me se cumprimos um destino ou se fazemos o nosso pr&oacute;prio destino, se h&aacute; um sentido maior para tudo que fazemos ou se estamos apenas flutuando na brisa, se a vida vale &agrave; pena ou se &eacute; uma causa perdida. Estamos sempre com pressa, correndo aqui e acol&aacute;, em tentativas desesperadas de encontrar um lugar para nos encaixar, de sermos mais amados, de prolongar os instantes de eternidade que escoam pelas nossas m&atilde;os.<br /> A complexidade da vida n&atilde;o permite que consigamos defini-la em um &uacute;nico sentido, j&aacute; que somos prec&aacute;rios e finitos, de tal modo que nunca conseguiremos ter a totalidade do que a define. Assim como, nunca estivemos do outro lado para saber o que de fato na espera. Dessa maneira, a &uacute;nica certeza que possu&iacute;mos &eacute; que estamos vivos e que enquanto estamos vivos, devemos impor &agrave; vida, que por ora possu&iacute;mos, a grandeza que ela necessita.<br /> <br /> Se devemos ter uma vida grandiosa, consequentemente, algo, a meu ver, n&oacute;s podemos concluir: a vida n&atilde;o &eacute; uma causa perdida. Por mais que na maior parte do tempo encontremos um mundo duro e seco, que vai aos poucos minando o nosso interesse e, sobretudo, a nossa capacidade de sentir; a vida est&aacute; cheia de belezas e magia. O grande problema &eacute; que estamos sempre ocupados demais para perceber as alegrias que a vida nos proporciona. Possu&iacute;mos uma cegueira seletiva, a qual n&atilde;o nos permite enxergar o que &eacute; essencial na vida.<br /> <br /> As nossas vidas burocr&aacute;ticas e automatizadas retiram a sensibilidade e a poesia que possibilitam o olhar l&uacute;dico sobre as coisas e que nos permite reparar nos pequenos prazeres da vida, os quais escondem a verdadeira beleza e felicidades que esta possui. Por que uma crian&ccedil;a fica encantada com a chuva, com uma flor ou com um p&aacute;ssaro? Por que as crian&ccedil;as se divertem fazendo desenhos ou comendo um biscoito? Porque em tudo isso h&aacute; beleza, no entanto, conforme vamos &ldquo;crescendo&rdquo;, vamos deixando a crian&ccedil;a que h&aacute; em n&oacute;s morrer e, assim, deixamos de enxergar o mundo de forma po&eacute;tica, isto &eacute;, com o cora&ccedil;&atilde;o, para t&atilde;o somente v&ecirc;-lo com os olhos. &Eacute; por esse motivo que Saint-Exup&eacute;ry dedicou &ldquo;O Pequeno Pr&iacute;ncipe&rdquo; &agrave; crian&ccedil;a que seu amigo L&eacute;on Werth foi um dia, j&aacute; que para enxergar o que h&aacute; de belo no mundo, deve-se necessariamente se olhar com o cora&ccedil;&atilde;o.<br /> <br /> At&eacute; mesmo para aqueles que somos gestores, e vivemos o competetivo mundo corporativo, devemos colocar o encantamento, a paix&atilde;o, o romantismo para que de fato, consigamos melhores resultados financeiros.<br /> O olhar po&eacute;tico n&atilde;o torna o mundo mais belo por ser mais ing&ecirc;nuo, e sim por ser mais l&uacute;cido, uma vez que percebe todas as tristezas que retiram nossa pot&ecirc;ncia e nossa vontade de viver, bem como, enxerga as verdadeiras belezas da vida, desvinculadas das mentiras disfar&ccedil;adas de felicidade que n&oacute;s adultos compramos para preencher o nosso vazio. Sendo assim, &eacute; preciso coragem para ser crian&ccedil;a e explorar a vida, com curiosidade para descobrir o que ela esconde, permitindo-se estar sem a padroniza&ccedil;&atilde;o da vida adulta, apenas brincando de forma distra&iacute;da, j&aacute; que como bem atenta Guimar&atilde;es Rosa: &ldquo;Alegria s&oacute; em raros momentos de distra&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<br /> <br /> At&eacute; que o ciclo se encerre e os sinos toquem, a vida &eacute; como uma noite fria puxando o nosso cobertor, cheia de dor e pen&uacute;ria. &Eacute; o abismo que olha profundamente nossos olhos numa tentativa de sedu&ccedil;&atilde;o. &Eacute; tristeza, porque h&aacute; tanto para se fazer em apenas uma vida. Todavia, a vida &eacute; tamb&eacute;m um desafio que est&aacute; repleto de alegria. &Eacute; a aurora que vem sobre as colinas toda manh&atilde;, &eacute; o canto dos p&aacute;ssaros, &eacute; o cheiro da chuva, &eacute; a conversa gostosa, &eacute; o abra&ccedil;o apertado, &eacute; o riso demorado. At&eacute; a morte a vida pode n&atilde;o ter um sentido maior, mas ela n&atilde;o &eacute; uma causa perdida, porque o que &eacute; essencial est&aacute; a nossa espera em raros momentos de distra&ccedil;&atilde;o se estivermos atentos observando com os olhos po&eacute;ticos do cora&ccedil;&atilde;o.<br /> <br /> At&eacute; que o ciclo se encerre e os sinos toquem ou at&eacute; a morte, a vida &eacute; cheia de momentos tristes, de perdas e derrotas que nos levam para o fundo do po&ccedil;o, que tornam nosso cora&ccedil;&atilde;o t&atilde;o seco e quebradi&ccedil;o que perdemos a capacidade de sentir. Mas &eacute; tamb&eacute;m uma experi&ecirc;ncia maravilhosa, repleta de momentos de felicidades que representam a eternidade que possu&iacute;mos. At&eacute; a morte a vida &eacute; sinuosa e complexa, sem qualquer manual de instru&ccedil;&atilde;o, mas, como dito, para quem sabe prestar aten&ccedil;&atilde;o, ela est&aacute; repleta de alegria e &eacute; isso que a torna bela e grande. Assim, a grandeza da vida consiste em ter a coragem de nunca deixar a crian&ccedil;a que existe em n&oacute;s morrer para que sempre consigamos ter poesia nos olhos e enxergar as felicidades, pois lembrando mais uma vez Guimar&atilde;es Rosa:<br /> <br /> &ldquo;<em>A vida &eacute; assim: esquenta e esfria, aperta e da&iacute; afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente &eacute; coragem</em>.&rdquo;<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com cita&ccedil;&atilde;o do livro <br /> &ldquo;Grande Sert&atilde;o: Veredas&rdquo; de Guimar&atilde;es Rosa<br /> Base no artigo de Erick Mor&atilde;es<br /> &ldquo;A Vida precisa &eacute; de Coragem&rdquo;.<br /> Em 29/07/2016</em></div>

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