EU ACHAVA QUE O CHORO ERA RUIM

PENSE NISSO · EP 531

EU ACHAVA QUE O CHORO ERA RUIM

16 Ago 2016 · DURAÇÃO 4:14
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&nbsp;<span style=''font-size: small;''>EU ACHAVA QUE O CHORO ERA RUIM<br /> <br /> <br /> A experi&ecirc;ncia de uma m&atilde;e e seu beb&ecirc; nos traz reflex&otilde;es muito profundas e importantes. Diz-nos ela:<br /> &Eacute; que eu achava que o choro era ruim. Eu achava que o choro tinha que parar. E acho que &eacute; isso que aprendi: n&atilde;o precisa.<br /> Existem, sim, motivos para o choro: desconforto de temperatura, fome, fralda, refluxo, doen&ccedil;a, sono. Mas existe o choro que n&atilde;o cessa ap&oacute;s checar tudo o que pode estar errado.<br /> E esse choro, que pode durar horas at&eacute;, esse choro n&atilde;o &eacute; errado. E se hoje eu pudesse rever esses dias de maternagem, talvez me preocupasse menos em silenciar o choro de minha filha e mais em acolher suas l&aacute;grimas.<br /> Talvez eu me focasse menos em ficar dizendo &ldquo;shhhh&rdquo;, balan&ccedil;ando Clarinha de um lado pro outro do quarto, tentando todas as t&aacute;ticas poss&iacute;veis, me sentindo incapaz de consol&aacute;-la, e decidisse aceitar o seu choro, sua voz, como eu procuro aceitar a de qualquer amigo que me procura em prantos.<br /> Entender que n&atilde;o se pode resolver a dor do outro, mas sempre se pode acolh&ecirc;-la.<br /> Entender que o choro &agrave;s vezes n&atilde;o &eacute; dor, mas adapta&ccedil;&atilde;o a esse mundo de sons, cheiros, luzes e pessoas, a que o beb&ecirc; n&atilde;o est&aacute; acostumado.<br /> Entender que, quando n&atilde;o se fala, n&atilde;o se balbucia e n&atilde;o se gesticula, s&oacute; existe o choro como comunica&ccedil;&atilde;o.<br /> E quantas vezes as minhas tentativas de cessar o choro me impediram a verdadeira conex&atilde;o com a minha filha?<br /> O quanto o simples ato de abra&ccedil;&aacute;-la e permitir que ela chorasse o que precisava, sabendo que eu estava ali com ela, presente, integralmente presente, sem procurar distra&iacute;-la, teria sido t&atilde;o ou mais eficiente do que tentar t&aacute;ticas e truques para ela parar de chorar?<br /> O quanto aquele choro n&atilde;o era um pedido por mais presen&ccedil;a com inten&ccedil;&atilde;o e cora&ccedil;&atilde;o, uma necessidade de dar um basta nas inc&ocirc;modas visitas p&oacute;s-parto, um desejo de proximidade e o luto pela separa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o estar mais dentro de mim, segura e protegida?<br /> Choro &eacute; emo&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o quero ensinar a ela que o choro &eacute; errado. Que as emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o erradas, que sentir &eacute; inadequado. O choro &eacute; normal.<br /> * * *<br /> Se percebermos bem, adquirimos este h&aacute;bito de fazer tudo para que o choro cesse o quanto antes. Tanto o nosso chorar como o de algu&eacute;m que nos &eacute; caro.<br /> O choro &eacute; inc&ocirc;modo, &eacute; constrangedor, em nossa cultura, e ele precisa ser represado com uma urg&ecirc;ncia e um desespero injustific&aacute;veis &ndash; se pensarmos bem.<br /> N&atilde;o paramos para pensar que o choro tem seu momento. &Eacute; algo que precisa sair e precisa de tempo para isso.<br /> Melhor para fora do que para dentro, disse algu&eacute;m, um dia, consolando uma pessoa que se desculpava por n&atilde;o ter conseguido segurar as l&aacute;grimas.<br /> Sim, n&oacute;s pedimos desculpas por nos emocionarmos... Muito estranho. Como se fosse sinal de fraqueza.<br /> Chorar &eacute; bom. Chorar &eacute; importante. Chorar &eacute; terap&ecirc;utico. Aqueles que guardam anos e anos de l&aacute;grimas constroem doen&ccedil;as para si. &Eacute; isso mesmo: ficamos doentes porque represamos emo&ccedil;&otilde;es.<br /> E no que diz respeito &agrave; dor do outro, que muitas vezes n&atilde;o conseguimos resolver, que &agrave;s vezes ter&iacute;amos vontade de tirar com as m&atilde;os se pud&eacute;ssemos &ndash; quando &eacute; de um filho, de um pai, de uma m&atilde;e &ndash; essas dores podemos acolher. Podemos compartilhar l&aacute;grimas e dizer: Estou com voc&ecirc;.<br /> Acolher o choro de algu&eacute;m sempre ser&aacute; gesto profundo de amor. <br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base<br /> em texto de autoria de Gabriela Ruggiero Nor<br /> do site www.vilamamifera.com/cafemae,<br /> de 20 de julho de 2014.<br /> Em 16.9.2014.<br /> </span><br />

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