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PODCAST · 3392 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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NÃO ENVERGONHE SUA MÃE
23 Ago 20164:46EP 536

NÃO ENVERGONHE SUA MÃE

&nbsp;<span style=''font-size: small;''>N&Atilde;O ENVERGONHE SUA M&Atilde;E<br /> <br /> A hist&oacute;ria que vamos contar, aparentemente, n&atilde;o tem nada a ver com o t&iacute;tulo do Pense Nisso de hoje. Eu disse &ldquo;aparentemente&rdquo;.<br /> Antes de contar a hist&oacute;ria, quero fazer uma pergunta...<br /> E voc&ecirc;, eu, todos n&oacute;s, vamos responder de maneira intima e honesta: - Voc&ecirc; j&aacute; envergonhou a sua m&atilde;e?<br /> <br /> Em 2012, durante uma maratona na Espanha, Ian Fernandez Anaya surpreendeu o mundo.<br /> Ele era o segundo colocado da prova, quando viu o queniano, Abel Mutai, que liderava com folga, diminuir o ritmo a poucos metros da vit&oacute;ria, por achar que j&aacute; havia cruzado a linha de chegada. Abel Mutai, n&atilde;o entendeu a sinaliza&ccedil;&atilde;o e achou que havia vencido a maratona.<br /> O que fez o Espanhol Fernandez?<br /> Inv&eacute;s de aproveitar a oportunidade e vencer a corrida, ele alertou o queniano e o empurrou at&eacute; a vit&oacute;ria.<br /> O p&uacute;blico presente n&atilde;o acreditava no que estava vendo. Talvez, muitos de n&oacute;s, estaria chamando o espanhol de tolo...Como pode perder uma oportunidade dessa? Poderia se consagrar campe&atilde;o e embolsar uma quantia bem maior do pr&ecirc;mio.<br /> Em entrevista coletiva o jornalista perguntou: - por que voc&ecirc; fez o que fez?<br /> E o maratonista espanhol disse: -&ldquo; fiz o que?&rdquo;,,,<br /> Ele n&atilde;o compreendeu a pergunta. Ele tem valores e conduta que essa pergunta n&atilde;o faz sentido;<br /> O jornalista insistiu na pergunta -&ldquo;Mas por que voc&ecirc; fez isso?<br /> -Isso o que? &ndash; devolveu a pergunta. O corredor espanhol, n&atilde;o achou que tinha outra coisa a fazer do que aquilo que ele houvera feito.<br /> O jornalista retruca &ndash;&ldquo;Voc&ecirc; deixou o queniano ganhar!<br /> Fernandez disse &ndash; Eu n&atilde;o deixei ele ganhar. Ele ia ganhar.<br /> Sim, mas ele estava distra&iacute;do.<br /> -Ent&atilde;o, se eu ganhasse desta forma, qual seria o m&eacute;rito da minha vit&oacute;ria? &ndash;e continuo &ndash; O que eu iria pensar de mim mesmo?<br /> E o atleta disse algo mais interessante ainda:<br /> - Se eu subisse no lugar mais alto do p&oacute;dio, qual seria a honra da minha vit&oacute;ria? Qual seria a dignidade do meu feito?<br /> E agora vem, o que talvez seja a frase de maior impacto do atleta.<br /> Disse ele: - Se eu fizesse isso, o que eu iria falar pra minha m&atilde;e?<br /> A figura da m&atilde;e &eacute; o &uacute;ltimo reduto que n&atilde;o queremos envergonhar.<br /> Seja a nossa m&atilde;e quem for, se essa pessoa que nos trouxe ao mundo se envergonhar de n&oacute;s, &eacute; por que h&aacute; algo de muito errado em nosso car&aacute;ter.<br /> Se a nossa se envergonha das nossas atitudes, tenha certeza, n&atilde;o prestamos para ser um gestor p&uacute;blico ou privado, <br /> N&atilde;o prestamos pra sermos um professor, bom marido ou esposa,<br /> N&atilde;o prestamos para sermos um bom amigo ou amiga.<br /> A m&atilde;e &eacute; o &uacute;ltimo reduto da nossa reden&ccedil;&atilde;o.<br /> Pode parecer rom&acirc;ntico, mas a vergonha tem uma fonte matricial, que &eacute; o mais profundo do seu &ldquo;eu&rdquo;, que &eacute; aquilo que te gerou.<br /> N&atilde;o estamos falando ou fazendo um elogio barato para a quest&atilde;o da maternidade em s&iacute;. Estamos falando de outra coisa; estamos falando daquilo que voc&ecirc; n&atilde;o quer envergonhar.<br /> O filosofo alem&atilde;o Immanuel Kant, que viveu no s&eacute;culo 18 disse: &rdquo;Tudo que n&atilde;o puder contar como fez, n&atilde;o fa&ccedil;a&rdquo;.<br /> N&atilde;o estamos falando aqui sobre sigilos e privacidades, mas sim daquelas coisas que fazemos e que podemos nos envergonhar, e pior, envergonhar a nossa m&atilde;e. <br /> No livro sagrado dos crist&atilde;os, a b&iacute;blia, existe umas das express&otilde;es mais fortes com respeito &agrave; &eacute;tica. Est&aacute; em uma das cartas do apostolo Paulo aos Cor&iacute;ntios &ndash; capitulo seis, vers&iacute;culo 12, que diz: &ldquo;tudo me &eacute; l&iacute;cito, mas nem tudo me conv&eacute;m&rdquo;.<br /> Sim, somos livres para fazer qualquer coisa, mas tamb&eacute;m n&atilde;o devemos fazer tudo que nos d&aacute; vontade.<br /> O que n&atilde;o devemos fazer? <br /> N&atilde;o devemos fazer aquilo que manche a nossa hist&oacute;ria, aquilo que agrida a nossa comunidade, que envergonhe a n&oacute;s mesmos...que entriste&ccedil;am e envergonhem as nossas m&atilde;es.<br /> E voc&ecirc;, (pequena pausa) j&aacute; envergonhou a sua m&atilde;e?<br /> Pense Nisso, mas pense agora.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso<br /> Com base em <br /> Reportagem televisiva em 2012.<br /> <br /> Em 16.8.2016.<br /> <br /> <br /> </span><br />

SOLIDÃO VERSUS AUTO-ESTIMA
22 Ago 20163:25EP 535

SOLIDÃO VERSUS AUTO-ESTIMA

<span style=''font-size: small;''>SOLID&Atilde;O VERSUS AUTO-ESTIMA<br /> <br /> <br /> Uma das coisas de que talvez mais tenhamos medo &eacute; a solid&atilde;o.<br /> <br /> A sensa&ccedil;&atilde;o de estarmos completamente s&oacute;s pode ser apavorante, a ponto mesmo de nos sujeitarmos &agrave;s companhias mais ma&ccedil;antes para termos, ao menos, a garantia de haver algu&eacute;m por perto.<br /> <br /> H&aacute; dias em que nos sentimos n&atilde;o apenas sozinhos, mas abandonados pelo mundo, divorciados do resto da humanidade.<br /> <br /> Em momentos assim, todos parecem ter alguma coisa divertida para fazer, um lugar aonde ir; algu&eacute;m com quem conversar, rir, talvez amar &mdash; menos n&oacute;s. Todos parecem ter um destino, somente n&oacute;s n&atilde;o encontramos nosso espa&ccedil;o no mundo. Temos a impress&atilde;o de que estamos sobrando, de que n&atilde;o somos importantes para ningu&eacute;m &mdash; e &eacute; ent&atilde;o que o espectro da solid&atilde;o nos encurrala e apavora.<br /> <br /> O fato &eacute; que, quando nos assusta tanto ficar sozinhos, n&atilde;o estamos verdadeiramente satisfeitos com o que somos. Preferimos, ent&atilde;o, qualquer companhia que n&atilde;o a nossa, pois parece amedrontar-nos ficar a s&oacute;s em nossa pr&oacute;pria presen&ccedil;a.<br /> <br /> No entanto, para que algu&eacute;m deseje aproximar-se de n&oacute;s, &eacute; preciso que, antes, n&oacute;s mesmos nos estimemos e nos tornemos nossos amigos. &Eacute; preciso que reconhe&ccedil;amos nosso valor, que apreciemos nossas qualidades e nos sintamos bem dentro de nossa pele. &Eacute; preciso percebermos que somos bons o suficiente para dispensar muletas; para n&atilde;o precisarmos t&atilde;o desesperadamente da proximidade constante de quem quer que seja.<br /> &Eacute; claro que a companhia do semelhante faz bem ao ser humano &mdash; mas o que h&aacute; de t&atilde;o desagrad&aacute;vel em ficarmos, eventualmente, a s&oacute;s?<br /> <br /> Ser&aacute; que n&atilde;o podemos passar um m&iacute;sero dia sem ceder a essa necessidade neur&oacute;tica de ter sempre algu&eacute;m ao lado?<br /> <br /> Se somos t&atilde;o desagrad&aacute;veis a ponto de n&atilde;o conseguirmos tolerar nossa pr&oacute;pria companhia, como ent&atilde;o esperarmos que os outros desejem ficar perto de n&oacute;s?<br /> <br /> Se realmente ansiamos despertar interesse e viver cercados de gente, que ent&atilde;o mostremos uma disposi&ccedil;&atilde;o en&eacute;rgica e alegre. Ficarmos a nos lamentar feito velhinhos confinados num asilo n&atilde;o servir&aacute; sen&atilde;o para afastar as pessoas ainda mais: o mundo busca a companhia dos que realizam com alegria. Aqueles que nada fazem exceto mendigar aten&ccedil;&atilde;o s&atilde;o condenados &agrave; indiferen&ccedil;a, sem nenhuma compaix&atilde;o.<br /> <br /> Na verdade, n&atilde;o precisamos pedir ou mendigar nada a ningu&eacute;m, tampouco ter medo da solid&atilde;o. O fundamental &eacute; nos convencermos de nosso valor e import&acirc;ncia; &eacute; descobrirmos o quanto podemos ser pessoas interessantes.<br /> <br /> Conquistar a aten&ccedil;&atilde;o dos outros e despertar-lhes o desejo por nossa companhia n&atilde;o &eacute; mais do que mera consequ&ecirc;ncia dessa descoberta. Pense Nisso.<br /> <br /> Gostou da mensagem de hoje? Acesse o nosso novo site, e ou&ccedil;a essa e muitas outras mensagens do Pense Nisso: centroamericafm.com.br<br /> <br /> <br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso<br /> Em 10.05.2014.<br /> <br /> </span><br />

O  SENTIDO DA VIDA
19 Ago 20162:33EP 534

O SENTIDO DA VIDA

<span style=''font-size: small;''>O SENTIDO DA VIDA<br /> <br /> H&aacute; um sentido profundo na superficialidade das coisas.<br /> Uma ordem inalter&aacute;vel no caos aparente dos mundos.<br /> Vibra um trabalho silencioso e incessante dentro da imobilidade das plantas:<br /> no crescer das ra&iacute;zes, no desabrochar das flores,<br /> no sazonar dos frutos.<br /> H&aacute; um aperfei&ccedil;oamento invis&iacute;vel dentro do sil&ecirc;ncio de nosso eu:<br /> nos sentimentos que florescem, nas ideias que voam,<br /> nas m&aacute;goas que sangram.<br /> Uma folha morta n&atilde;o cai inutilmente. A l&aacute;grima n&atilde;o rola em v&atilde;o.<br /> Uma invis&iacute;vel m&atilde;o misericordiosa suaviza a queda da folha. Enxuga o pranto da face.<br /> * * *<br /> A poetisa paranaense Helena Kolody nos leva, de forma magistral, a uma breve viagem pela busca de sentido na exist&ecirc;ncia.<br /> Ela apresenta a postura humilde da criatura perante o universo, aceitando suas raz&otilde;es, suas leis, mesmo n&atilde;o tendo pleno entendimento delas.<br /> O homem, ainda na adolesc&ecirc;ncia do intelecto e na inf&acirc;ncia da moral, come&ccedil;a a descobrir que h&aacute; um sentido profundo e maior em tudo.<br /> N&atilde;o h&aacute; o acaso nem o caos na reg&ecirc;ncia Divina do Universo.<br /> A lei do trabalho diz que tudo trabalha no Cosmo. Um operar silencioso e incessante encontrado desde os seres mais simples at&eacute; os mais complexos.<br /> Tudo trabalha rumo &agrave; harmonia, &agrave; ordem, ao entendimento.<br /> Tudo se aperfei&ccedil;oa com o passar do tempo.<br /> A lei do progresso estabelece o crescimento inevit&aacute;vel. &Eacute; uma for&ccedil;a viva, que pode ser apenas retardado por um tempo, mas nunca evitado indefinidamente.<br /> A cada instante na vida temos oportunidades de melhorar, de nos tornarmos mais maduros. Essas conquistas v&atilde;o nos trazendo, naturalmente, a felicidade.<br /> Os bons sentimentos florescem. As ideias nobres ganham asas. As m&aacute;goas sangram e se curam, cedo ou tarde.<br /> Nossas l&aacute;grimas n&atilde;o rolam em v&atilde;o.<br /> Quando, com sabedoria, olhamos para nossa pr&oacute;pria dor e perguntamos: O que voc&ecirc; deseja me ensinar? - estamos dando passo decisivo para a liberta&ccedil;&atilde;o do sofrimento que ainda devassa nosso &iacute;ntimo aprendiz.<br /> Uma invis&iacute;vel por&eacute;m, sempre presente for&ccedil;a misteriosa, suaviza a queda da folha, enxuga o pranto da face.<br /> A Provid&ecirc;ncia Divina &eacute; a solicitude da Intelig&ecirc;ncia Suprema para com as criaturas.<br /> Independentemente da religi&atilde;o que professamos, ou mesmo aqueles de n&oacute;s, que dizemos ateus, nunca ficamos sem consolo, sem amparo e sem abra&ccedil;o.<br /> Pense nisso, mas pense agora.</span><br />

ONDE VIVE O NOSSO EU VERDADEIRO
17 Ago 20164:25EP 532

ONDE VIVE O NOSSO EU VERDADEIRO

ONDE VIVE O NOSSO EU VERDADEIRO<br /> <br /> <br /> Tua vida, meu irm&atilde;o, &eacute; uma casa afastada de todas as outras casas, onde vive teu eu verdadeiro, bem diferente das apar&ecirc;ncias que os homens chamam com teu nome.<br /> Se essa casa for escura ou vazia, n&atilde;o poder&aacute;s ilumin&aacute;-la com as l&acirc;mpadas de teu vizinho nem ench&ecirc;-la com os seus bens.<br /> E se estiver no deserto, n&atilde;o a poder&aacute;s transferir para um jardim plantado por outros, e se estiver no pico de uma montanha, n&atilde;o poder&aacute;s baix&aacute;-la para um vale onde os caminhos foram abertos por outros p&eacute;s.<br /> Nossas vidas interiores, meu irm&atilde;o, s&atilde;o rodeadas pelo isolamento e a solid&atilde;o. Sem eles, tu n&atilde;o serias tu e eu n&atilde;o seria eu.<br /> Sem eles, confundirias tua voz com a minha voz, e quando olhasses no espelho, n&atilde;o saberias se estavas vendo-te a ti mesmo ou a mim.<br /> * * *<br /> As palavras de Khalil Gibran calam fundo na alma...<br /> N&atilde;o somos a imagem que vemos no espelho. N&atilde;o somos as apar&ecirc;ncias. Nessa casa, afastada de todas as outras, vive nosso eu real, eu Esp&iacute;rito.<br /> E cada um deve iluminar a sua casa com suas pr&oacute;prias conquistas. As l&acirc;mpadas dos vizinhos nos seduzem, at&eacute; nos inspiram, mas nossa ilumina&ccedil;&atilde;o precisa vir de dentro.<br /> N&atilde;o adianta casar com algu&eacute;m bom para viver a bondade. N&atilde;o adianta receber um amor infinito para termos amor para sempre. N&atilde;o adianta estarmos pr&oacute;ximos a pessoas felizes para vivermos a felicidade.<br /> Os bens do outro s&atilde;o do outro. Podemos at&eacute; usufruir deles, pela bondade divina, mas apenas como forma de motiva&ccedil;&atilde;o, para que tenhamos for&ccedil;as e exemplo para lograr os nossos pr&oacute;prios, ao nosso tempo.<br /> Se essa nossa casa estiver ainda no deserto, caber&aacute; a n&oacute;s, apenas a n&oacute;s, transformar a aridez em jardim florido.<br /> E todos os caminhos precisam ser abertos por nossos pr&oacute;prios p&eacute;s...<br /> Somos individualidades. N&atilde;o h&aacute; um ser igual ao outro neste Universo. E dentro de cada individualidade h&aacute; uma esp&eacute;cie de solid&atilde;o, um lugar onde todos estamos s&oacute;s.<br /> Solid&atilde;o que machuca enquanto ainda somos mais sombra do que luz, mas que depois se harmoniza e se transforma em solitude &ndash; uma unidade saud&aacute;vel da criatura com o Criador, seja l&aacute; como voc&ecirc; define ou imagina esse &ldquo;Criador&rdquo;.<br /> &Eacute; reservado um plano especial no Universo para cada um de n&oacute;s. N&atilde;o h&aacute; insignific&acirc;ncia alguma no Cosmo, por menor que possamos nos imaginar.<br /> Acreditar-se pequeno, ou insignificante &eacute;, ainda, t&iacute;pico de quem n&atilde;o se encontrou em profundidade, de quem n&atilde;o conhece sua pr&oacute;pria casa no Universo.<br /> Somos grandes, somos capazes, somos parte de um todo perfeito, por isso somos fadados &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o individual.<br /> * * *<br /> Quando a sombra de um des&acirc;nimo qualquer desejar bater &agrave; porta de nossa casa, lembremos da grandiosidade do Universo e de que fazemos parte disso tudo. Lembremos de que somos importantes.<br /> N&atilde;o permitamos que as distra&ccedil;&otilde;es ou as vicissitudes da vida enfraque&ccedil;am nossas for&ccedil;as. Elas s&atilde;o parte do ensino apenas, do ensino desta grande escola chamada Terra.<br /> * * *<br /> Tua vida, meu irm&atilde;o, &eacute; uma casa afastada de todas as outras casas, onde vive teu eu verdadeiro, bem diferente das apar&ecirc;ncias que os homens chamam com teu nome.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso,com base em trecho<br /> do texto Isolamento e solid&atilde;o, do livro Curiosidades <br /> belezas, de Khalil Gibran, ed. ACIGI.<br /> Em 11.7.2014<br /> <br />

EU ACHAVA QUE O CHORO ERA RUIM
16 Ago 20164:14EP 531

EU ACHAVA QUE O CHORO ERA RUIM

&nbsp;<span style=''font-size: small;''>EU ACHAVA QUE O CHORO ERA RUIM<br /> <br /> <br /> A experi&ecirc;ncia de uma m&atilde;e e seu beb&ecirc; nos traz reflex&otilde;es muito profundas e importantes. Diz-nos ela:<br /> &Eacute; que eu achava que o choro era ruim. Eu achava que o choro tinha que parar. E acho que &eacute; isso que aprendi: n&atilde;o precisa.<br /> Existem, sim, motivos para o choro: desconforto de temperatura, fome, fralda, refluxo, doen&ccedil;a, sono. Mas existe o choro que n&atilde;o cessa ap&oacute;s checar tudo o que pode estar errado.<br /> E esse choro, que pode durar horas at&eacute;, esse choro n&atilde;o &eacute; errado. E se hoje eu pudesse rever esses dias de maternagem, talvez me preocupasse menos em silenciar o choro de minha filha e mais em acolher suas l&aacute;grimas.<br /> Talvez eu me focasse menos em ficar dizendo &ldquo;shhhh&rdquo;, balan&ccedil;ando Clarinha de um lado pro outro do quarto, tentando todas as t&aacute;ticas poss&iacute;veis, me sentindo incapaz de consol&aacute;-la, e decidisse aceitar o seu choro, sua voz, como eu procuro aceitar a de qualquer amigo que me procura em prantos.<br /> Entender que n&atilde;o se pode resolver a dor do outro, mas sempre se pode acolh&ecirc;-la.<br /> Entender que o choro &agrave;s vezes n&atilde;o &eacute; dor, mas adapta&ccedil;&atilde;o a esse mundo de sons, cheiros, luzes e pessoas, a que o beb&ecirc; n&atilde;o est&aacute; acostumado.<br /> Entender que, quando n&atilde;o se fala, n&atilde;o se balbucia e n&atilde;o se gesticula, s&oacute; existe o choro como comunica&ccedil;&atilde;o.<br /> E quantas vezes as minhas tentativas de cessar o choro me impediram a verdadeira conex&atilde;o com a minha filha?<br /> O quanto o simples ato de abra&ccedil;&aacute;-la e permitir que ela chorasse o que precisava, sabendo que eu estava ali com ela, presente, integralmente presente, sem procurar distra&iacute;-la, teria sido t&atilde;o ou mais eficiente do que tentar t&aacute;ticas e truques para ela parar de chorar?<br /> O quanto aquele choro n&atilde;o era um pedido por mais presen&ccedil;a com inten&ccedil;&atilde;o e cora&ccedil;&atilde;o, uma necessidade de dar um basta nas inc&ocirc;modas visitas p&oacute;s-parto, um desejo de proximidade e o luto pela separa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o estar mais dentro de mim, segura e protegida?<br /> Choro &eacute; emo&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o quero ensinar a ela que o choro &eacute; errado. Que as emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o erradas, que sentir &eacute; inadequado. O choro &eacute; normal.<br /> * * *<br /> Se percebermos bem, adquirimos este h&aacute;bito de fazer tudo para que o choro cesse o quanto antes. Tanto o nosso chorar como o de algu&eacute;m que nos &eacute; caro.<br /> O choro &eacute; inc&ocirc;modo, &eacute; constrangedor, em nossa cultura, e ele precisa ser represado com uma urg&ecirc;ncia e um desespero injustific&aacute;veis &ndash; se pensarmos bem.<br /> N&atilde;o paramos para pensar que o choro tem seu momento. &Eacute; algo que precisa sair e precisa de tempo para isso.<br /> Melhor para fora do que para dentro, disse algu&eacute;m, um dia, consolando uma pessoa que se desculpava por n&atilde;o ter conseguido segurar as l&aacute;grimas.<br /> Sim, n&oacute;s pedimos desculpas por nos emocionarmos... Muito estranho. Como se fosse sinal de fraqueza.<br /> Chorar &eacute; bom. Chorar &eacute; importante. Chorar &eacute; terap&ecirc;utico. Aqueles que guardam anos e anos de l&aacute;grimas constroem doen&ccedil;as para si. &Eacute; isso mesmo: ficamos doentes porque represamos emo&ccedil;&otilde;es.<br /> E no que diz respeito &agrave; dor do outro, que muitas vezes n&atilde;o conseguimos resolver, que &agrave;s vezes ter&iacute;amos vontade de tirar com as m&atilde;os se pud&eacute;ssemos &ndash; quando &eacute; de um filho, de um pai, de uma m&atilde;e &ndash; essas dores podemos acolher. Podemos compartilhar l&aacute;grimas e dizer: Estou com voc&ecirc;.<br /> Acolher o choro de algu&eacute;m sempre ser&aacute; gesto profundo de amor. <br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base<br /> em texto de autoria de Gabriela Ruggiero Nor<br /> do site www.vilamamifera.com/cafemae,<br /> de 20 de julho de 2014.<br /> Em 16.9.2014.<br /> </span><br />

NUVENS NEGRAS
15 Ago 20162:26EP 530

NUVENS NEGRAS

<span style=''font-size: small;''>NUVENS NEGRAS<br /> <br /> H&aacute; dias que nos sentimos t&atilde;o cansados, inseguros e com a nossa b&uacute;ssola quebrada.<br /> E como uma naus a deriva em um mar de tormentas, nos sentimos fracos e sozinhos.<br /> A nossa vida, nesses momentos, n&atilde;o nos tem muita import&acirc;ncia.<br /> E &eacute; a&iacute; que nos damos conta da nossa fraqueza, e nos ajoelhamos.Deixamos a nossa alma murmurar as nossas dores ao Pai Celestial.<br /> ***<br /> <br /> Me guarde esta noite, estou caindo nas profundezas<br /> Estou exausto e agora quero dormir<br /> Ent&atilde;o feche meus olhos e me absorva<br /> Me lan&ccedil;arei na noite como o vento<br /> Eu deixo meu corpo, deixo minha espada<br /> Ent&atilde;o me guarde Deus Pai<br /> <br /> Me guarde esta noite, meu cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; fraco<br /> Muito para dar e para pedir<br /> Irei mergulhar num mar son&iacute;fero<br /> Este mar de sonhos, t&atilde;o vermelho e profundo<br /> Eu deixo meu esp&iacute;rito, deixo minhas palavras<br /> Ent&atilde;o me guarde M&atilde;e Terra<br /> <br /> Me guarde esta noite, estou me entregando<br /> Deixe as li&ccedil;&otilde;es de vida come&ccedil;arem<br /> Suas li&ccedil;&otilde;es de gra&ccedil;a<br /> Senhor da Crian&ccedil;&atilde;o! Me entrego em sua pr&oacute;pria paz.<br /> Me aben&ccedil;oe Deus Pai , me conforte M&atilde;e Terra.<br /> <br /> ****<br /> Quando as nuvens negras dos pensamentos tormentosos cobrirem com escuro v&eacute;u o horizonte de tuas esperan&ccedil;as, e a barca de teu cora&ccedil;&atilde;o agitar-se, desgovernada, sobre as ondas...<br /> Quando as obriga&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias, as dificuldades e os problemas, as surpresas - nem sempre agrad&aacute;veis - levarem-te a dizer: - Que dia!<br /> Lembra-te... Acorda a mensagem da esperan&ccedil;a adormecida em ti e... Acalma-te!<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso.<br /> <br /> Em 13.06.2012.<br /> </span><br />

AO MEU QUERIDO PAI
13 Ago 20164:01EP 529

AO MEU QUERIDO PAI

&nbsp;<span style=''font-size: small;''>AO MEU QUERIDO PAI&nbsp;<br /> <br /> Ol&aacute;, pai! Eu, que j&aacute; fui crian&ccedil;a um dia e que agora sou jovem, quase adulto, gostaria de dizer o que vai aqui dentro do meu cora&ccedil;&atilde;o, neste dia especial. Eu sei que temos tido alguns desentendimentos, mas creia papai, voc&ecirc; &eacute; e sempre ser&aacute; meu grande her&oacute;i. Sabe, pai, quando observo suas m&atilde;os fortes, embora algumas marcas feitas pelo tempo, penso no quanto elas significam para mim, pois foram as primeiras a acariciar as minhas, inseguras na inf&acirc;ncia. Quando vejo seus passos firmes, n&atilde;o esque&ccedil;o de que foram eles que orientaram meus primeiros passos... Quando voc&ecirc; me pede para ler algumas palavras que seus olhos j&aacute; n&atilde;o conseguem ver com precis&atilde;o, fa&ccedil;o isso com carinho, pois n&atilde;o esque&ccedil;o das palavras que voc&ecirc; repetiu in&uacute;meras vezes para que eu aprendesse a falar. Percebo que hoje suas decis&otilde;es s&atilde;o mais lentas, mas sei tamb&eacute;m que minhas primeiras decis&otilde;es foram por elas balizadas. Talvez voc&ecirc; n&atilde;o esteja t&atilde;o atualizado, quanto &agrave;s novas tecnologias, mas eu me lembro bem que voc&ecirc; pensou muito pouco em si mesmo, para fazer de mim uma pessoa de bem. Se hoje sua sa&uacute;de anda um pouco debilitada, sei que muito do seu desgaste foi para garantir a minha sa&uacute;de. E se voc&ecirc; n&atilde;o pronuncia corretamente alguma palavra, eu entendo, pois se esqueceu de si mesmo para que eu pudesse cursar uma universidade. Se hoje sua mem&oacute;ria o trai, n&atilde;o esque&ccedil;o das tantas vezes que advogou a meu favor, nas situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis em que me envolvia. Hoje eu cresci, papai, j&aacute; n&atilde;o sou mais aquela crian&ccedil;a indefesa, gra&ccedil;as a voc&ecirc;. Hoje a juventude me empolga as horas... Mas eu n&atilde;o esqueci minha inf&acirc;ncia... Acredite que tudo est&aacute; bem vivo em minha mem&oacute;ria, e eu sei que nesse seu peito, j&aacute; cansado, ainda pulsa o mesmo cora&ccedil;&atilde;o amoroso de outrora... &Eacute; verdade que o tempo passou, mas eu nem me dei conta, pois voc&ecirc; esteve sempre ao meu lado, disposto a me proteger e a me ensinar... Sabe velho, embora eu n&atilde;o tenha muito jeito para falar coisas bonitas, desejo lhe dizer o quanto voc&ecirc; t&ecirc;m sido importante em minha vida. Hoje voc&ecirc; pode n&atilde;o ser mais aquele mo&ccedil;o forte, quanto ao corpo, mas tem um certo ar de sabedoria que na sua imagem de ontem n&atilde;o existia. Eu sei, pai, que apesar de o tempo ter passado, em seu peito o cora&ccedil;&atilde;o ainda pulsa no mesmo compasso... Por isso tudo, e muito mais, eu quero lhe agradecer de todo meu cora&ccedil;&atilde;o: &quot;Pela amizade que voc&ecirc; me devota... Pela minha f&eacute; que voc&ecirc; alimenta... Por este p&atilde;o de amor que repartimos... Pelo sil&ecirc;ncio que diz quase tudo... Por esse olhar que me reprova mudo... Pela pureza dos seus sentimentos... Pela presen&ccedil;a em todos os momentos... Por ser presente, mesmo quando ausente... Por ser feliz quando me v&ecirc; contente... Por ficar triste, quando estou tristonho... Por rir comigo, quando estou risonho... Por repreender-me quando estou errado... Por meus segredos, sempre bem guardados...... Por esse amor fraterno sempre t&atilde;o constante...&quot; Meu pai, meu mestre, Deus te guarde. Especialmente nesta &eacute;poca em que os pais s&atilde;o recordados pelos filhos, que os brindam com presentes.<br /> <br /> <br /> <br /> </span> <br />

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