
ALÉM DA MORTE

PODCAST · 3051 EPISÓDIOS
Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.


O óbvio<br /> <br /> <br /> Certa vez, um amigo abordou o médium Chico Xavier e lhe perguntou:<br /> Chico, na sua opinião, qual é o homem mais rico?<br /> Para mim, respondeu ele, o homem mais rico é o que tenha menos necessidades.<br /> Arriscando nova pergunta, o companheiro quis saber:<br /> E o homem mais justo e sábio?<br /> Com o fraterno sorriso de sempre, ele voltou a responder:<br /> O homem mais justo e sábio é o que cumpre com o dever.<br /> Mas - voltou a insistir o homem, certamente querendo uma resposta ou revelação diferente - o que você está me dizendo é o óbvio!<br /> Sem parar o que estava fazendo e, com a espontaneidade de sempre, Chico terminou dizendo:<br /> Meu filho, tudo que está no Evangelho é o óbvio!<br /> Não existem segredos nem mistérios para o bem proceder. Nada mais óbvio que a verdade!<br /> O nosso problema é justamente este: queremos alcançar o céu, vivendo fora do óbvio na Terra!<br /> * * *<br /> A palavra óbvio vem do latim obvius e significa tudo aquilo que é evidente, à vista, lugar-comum.<br /> Ela é formada de ob, que representa à frente; e de via, que significa caminho.<br /> Assim, ela indica aquilo que está à nossa frente, sem ser segredo ou estar escondido, o que salta à vista.<br /> Chico Xavier, na sua humildade de sempre, mostrou excelsa sabedoria ao apontar uma característica humana dos dias atuais: a de complicar o que é extremamente simples.<br /> Assim criamos fórmulas, palavras mágicas, receitas e esquemas mil, para entender o que sempre esteve tão claro nas lições que há mais de dois mil anos são ensinadas.<br /> Por vezes, parece que a fuga do óbvio é fuga da responsabilidade.<br /> Responsabilidade de quem já sabe o que deve fazer, de quem já tem o conhecimento, mas deixa a ação, a mudança, a renovação sempre para amanhã.<br /> Por que relutamos tanto em entender o óbvio? Será entendimento o que falta? Acreditamos que não. Nossa geração já tem entendimento e inteligência suficientes.<br /> O que falta é o movimento interior da mudança, de deixar as paixões negativas para trás.<br /> As lições dos sacerdotes, pastores e palestrantes espíritas, embasadas no Evangelho, é o óbvio. O óbvio tão necessário para acalmar nossas almas angustiadas com as incertezas do mundo.<br /> É via segura à nossa frente, conduzindo à tão sonhada felicidade.<br /> Pense Nisso!<br /> <br /> Redação do Pense Nisso com base no texto do Momento Espírita<br />

Ser como se já não fôssemos<br /> <br /> É preciso não esquecer nada:<br /> nem a torneira aberta nem o fogo aceso,<br /> nem o sorriso para os infelizes,<br /> nem a oração de cada instante.<br /> É preciso não esquecer de ver a nova borboleta, nem o céu de sempre.<br /> O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.<br /> O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a ideia de recompensas e de glória.<br /> O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos, severos conosco, pois o resto... o resto não nos pertence.<br /> * * *<br /> Cecília Meirelles nos faz pensar e viajar por entre suas palavras singelas e profundas.<br /> Seria possível viver como se já não fôssemos, em um mundo de tangibilidade plena como o nosso?<br /> Seria possível como que viver em dimensões diferentes ao mesmo tempo? E, será que já não vivemos?<br /> Há uma parte de nós vivendo na esfera ponderável, da matéria, das necessidades de sobrevivência.<br /> Há outra, habitante do eterno, onde os espelhos do mundo não refletem nada, imponderável, espiritual.<br /> Viver como se já não fôssemos, pode significar estar no mundo, sem ser do mundo.<br /> Dependemos do material para a sobrevivência, para a manutenção da encarnação.<br /> Porém, nosso coração, nossas mais valiosas energias podem estar sendo investidas nessa vida maior, na vida eterna do Espírito imortal.<br /> Quando investimos no amor, na doação, no sorriso para os infelizes ao nosso redor, estamos sendo como se já não fôssemos, pois estamos vivendo o espiritual, o permanente, acima do efêmero, do passageiro.<br /> Quando investimos no autoconhecimento, buscando em nós, diariamente, o que precisa de reforma, estamos sendo como se já não fôssemos.<br /> Quando não esperamos as recompensas e glórias do mundo, vivendo com leveza o dia carregado de atos, estamos sendo como se já não fôssemos.<br /> Severos conosco, no sentido de vigiarmos nossos pensamentos e atos, dando conta de nossa própria administração.<br /> Não a severidade que pune, que enche de culpa, mas aquela que previne e que corrige sempre, evitando perdermos tempo em caminhos infelizes.<br /> E o resto... o resto não nos pertence.<br /> Pertencem a Deus a Lei e a Justiça. Pertence à consciência de cada um seu próprio julgamento.<br /> * * *<br /> Léon Denis, grande sábio do século 18, em sua obra Depois da morte, ensina:dolorosa, cheia de angústias para uns, a morte não é, para outros, senão um sono agradável seguido de um despertar silencioso.<br /> O desprendimento é fácil para aquele que previamente se desligou das coisas deste mundo, para aquele que aspira aos bens espirituais e que cumpriu os seus deveres.<br /> .<br /> Ainda há tempo de escolher. Ainda há tempo de se preparar. Pensemos nisso.<br /> <br /> <br /> Redação do Pense Nisso com base no poema É preciso não<br /> esquecer nada, do livro Poesia completa, de Cecília Meirelles, ed. Nova<br /> Fronteira e no cap. 30, do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb.<br />

A SERENIDADE<br /> <br /> Você já parou para observar, algum dia, como as pessoas andam pelas ruas apreensivas?<br /> <br /> O semblante sempre carregado e o cenho franzido traduzem a angústia íntima. A problemática em que se encontram mergulhados.<br /> <br /> Em alguns momentos, a impressão que se tem é que a maioria das gentes anda em batalha interior constante.<br /> <br /> E nos perguntamos: Onde a serenidade? Em especial daqueles de nós que ostentamos o adjetivo de sermos religiosos.<br /> <br /> Acaso teremos esquecido a exortação que diz: A cada dia basta o seu cuidado? <br /> <br /> É por essa razão que, com regularidade, a Providência Divina permite que Seus missionários visitem a Terra, travestidos em corpos humanos e nas mais variadas frentes de trabalho. <br /> <br /> Recordamos que em 1958, o Mundo assistiu à posse de mais um Papa. <br /> Aos 77 anos, Ângelo Giuseppe Roncalli assumiu o papado com o nome de João XXIII. Ângelo Roncalli era um homem que causava um impacto sempre favorável nas pessoas.<br /> <br /> Reconhecia claramente suas limitações e era dotado de um vivo senso de humor.<br /> <br /> Surpreendeu pela coragem de inaugurar debates sobre temas intocáveis até então. <br /> <br /> Em um documento asseverou que todos os homens têm direito de escolher a sua religião. <br /> <br /> Em 1960, num dos seus escritos, ele registrou uma página com notável sentimento de religiosidade universal.<br /> <br /> Chama-se O Decálogo da Serenidade e contém dez sugestões de conduta para o homem que deseja a paz.<br /> <br /> 1ª primeiro Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.<br /> <br /> 2ª segundo - Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência; cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.<br /> <br /> 3ª terceiro - Hoje, apenas hoje, serei feliz, na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro Mundo, mas também já neste.<br /> <br /> 4ª quarto - Hoje, apenas hoje, adaptar¬-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos.<br /> <br /> 5ª quinto - Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, assim a boa leitura é necessária para a vida da alma.<br /> <br /> 6ª sexto - Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação e não direi a ninguém.<br /> <br /> 7ª sétimo - Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.<br /> <br /> 8ª oitavo - Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei. E fugirei de dois males: a pressa e a indecisão.<br /> <br /> 9ª nono - Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no Mundo.<br /> <br /> 10ª décimo - Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor. De modo especial não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade.<br /> * * *<br />  <br /> <br /> <br /> O homem do futuro, que define as conquistas das virtudes nos esforços do presente, descobre o imenso prazer de ser bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.<br /> <br /> Pense nisso! Mas, pense agora. <br /> Redação do Pense Nisso, com base no texto O decálogo da serenidade,<br /> da Revista Reformador de agosto de 1996, ed. Feb. <br />

Acomodação<br /> <br /> O animal satisfeito dorme!<br /> Esta reflexão é de Guimarães Rosa, e nós traz , um profundo alerta existencial.<br /> O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital, toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão.<br /> Rende-se assim à sedução do repouso e imobiliza-se na perigosa acomodação.<br /> A advertência é preciosa, posto que, a satisfação conclui, encerra, termina.<br /> A satisfação não deixa margem para a continuidade, para prosseguimento, para a persistência, para desdobramento.<br /> A satisfação acalma, limita, amortece.<br /> Quando alguém nos fala: Fiquei muito satisfeito com você ou Estou muito satisfeito com seu trabalho, é algo assustador.<br /> Tal expressão pode ser entendida como uma barreira ao crescimento, dizendo que nada mais de nós desejam, ou que aquele é nosso limite, nossa possibilidade.<br /> O está bom como está pode nos acomodar à situação atual.<br /> Seria muito melhor a seguinte expressão: Meu trabalho é bom mas fiquei insatisfeito, e portanto, quero conhecer outras coisas.<br /> Percebamos que quando se utiliza da expressão insatisfeito, não é para criticar ou depreciar o trabalho, mas para incentivar a continuidade.<br /> Um bom filme, por exemplo, não é aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando quietos para a tela, enquanto passam os créditos, desejando que não acabe?<br /> Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos no colo, absortos e distantes, pensando que poderia não terminar?<br /> É desta forma que a vida de cada um também deve ser, afinal de contas, não nascemos prontos e acabados.<br /> Ainda bem, pois estar plenamente satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado, e assim, sem necessidades de avanços em novos conhecimentos.<br /> O animal satisfeito dorme, pois não tem objetivos de vida, não tem razão para sair do lugar.<br /> O ser insatisfeito, sedento por melhorar-se, pára por pouco tempo, avalia-se, celebra e valoriza o que já conseguiu. Depois, segue em frente, rumo ao inexplorado.<br /> * * *<br /> Como se acomodar perante um horizonte sem limites?<br /> Como parar de caminhar sabendo que muito nos aguarda à frente?<br /> Como deixar de buscar o aprimoramento constante, se percebemos que quanto mais conseguimos, mais temos por conquistar?<br /> Despertemos, aqueles de nós que ainda dormimos o sono da acomodação!<br /> Pense nisso, e liberte-se do sono pernicioso do comodismo.<br />

BONS SÃO MAIORIA<br /> <br /> Uma campanha de marketing nacional trouxe uma verdade bela e esperançosa.<br /> Espalhados pelas cidades, vários outdoors revelavam alguns dados estatísticos muito interessantes. Eis alguns deles:<br /> Para cada pessoa dizendo que tudo vai piorar, existem cem casais planejando ter filhos.<br /> Para cada corrupto existem oito mil doadores de sangue.<br /> Enquanto alguns destroem o meio ambiente, 98% das latinhas de alumínio já são recicladas no Brasil.<br /> Para cada tanque fabricado no mundo, são feitos cento e trinta e um mil bichos de pelúcia.<br /> Na Internet, a palavra amor tem mais resultados do que a palavra medo.<br /> Para cada muro que existe no mundo, se colocam duzentos mil tapetes escritos “bem-vindo”.<br /> Enquanto um cientista desenha uma nova arma, há um milhão de mães fazendo pastéis de chocolate.<br /> Existem razões para acreditar. Os bons são maioria.<br /> <br /> * * *<br /> <br /> Estamos precisando de visão otimista e positiva como esta em nosso mundo.<br /> Aqueles que desejam ver o mundo em pânico e se alimentam de notícias ruins – pois dizem que são essas que vendem – não podem mais controlar nossos sentimentos.<br /> Nós, como consumidores de notícias, de informações, devemos mostrar que desejamos também ver o lado bom do mundo, da vida, das pessoas.<br /> Se analisarmos qualquer noticiário, seja local ou nacional, iremos ainda perceber a grande dominação das notícias ruins, como se o mundo estivesse vivendo o caos absoluto.<br /> Não é bem assim. Muito de bom está sendo feito no mesmo instante em que ocorrem assassinatos, acidentes, crises políticas, etc.<br /> O bem está sendo construído no mundo, sim, mesmo os pessimistas e terroristas de plantão dizendo que não ou mesmo se negando a ver.<br /> O que acontece é que, muitas vezes, os bons ainda são tímidos e receosos. Isso os impede de se sobrepor aos maus bulhentos e arrojados.<br /> <br /> Por que, no mundo, os maus têm geralmente maior influência sobre os bons?<br /> <br /> Eis a resposta :<br /> <br /> É pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes últimos quiserem, dominarão.<br /> Permaneçamos refletindo sobre esta última afirmação: Quando os bons quiserem, dominarão.<br /> Reflitamos qual nosso papel nesta mudança. O que posso fazer para ter parte nesta dominação pacífica e definitiva do bem na face da Terra.<br /> Permitamos que nossos gestos de amor ganhem o mundo e mostrem à sombra que seus dias de dominação estão contados.<br /> Raia o sol de uma Nova Era. O tempo do amor finalmente chegou.<br /> Façamos parte desta transformação de alegria que tomará conta do orbe. Amemos mais. Participemos mais. Sorriamos mais.<br /> <br /> FAÇA ISSO, MAS FAÇA AGORA.<br />

Palavras e Ações<br /> <br /> O filósofo americano Ralph Waldo Emerson tem uma frase interessante quando trata a respeito das relações humanas. Diz o seguinte: Quem você é fala tão alto, que não consigo ouvir o que você está dizendo.<br /> Quantas vezes já pensamos a respeito disso? Quantas vezes já avaliamos o quanto nossas ações pesam no nosso cotidiano?<br /> Muitas vezes, gostaríamos de ter um mundo mais justo, respeitoso. Discursamos de maneira eloquente, usando raciocínio lógico e perspicaz.<br /> Doutras vezes exigimos do político, do chefe, do parente ações mais justas, posicionamento mais claro, atitude mais honesta.<br /> Indignamo-nos perante as injustiças sociais, escrevemos para os jornais, mandamos correios eletrônicos a uma infinidade de contatos, a fim de expressar nossa opinião.<br /> Tudo isso é muito justo e o correto exercício de cidadania cabe a cada um de nós de maneira impostergável.<br /> Porém, já refletimos o quanto nossas palavras são efetivamente coerentes com nossas ações? Quanto de nosso discurso faz eco com nossos atos?<br /> Ninguém tem o direito de exigir do outro aquilo que ainda não se esforça por oferecer.<br /> Se você recebe um troco a mais no caixa da padaria, e não se incomoda em devolver o que não lhe pertence, é furto.<br /> Se você não se incomoda em subornar o policial quando está sujeito a uma multa, está fomentando a corrupção.<br /> E se você falsifica documentações e recibos, a fim de forjar sua declaração de renda, está incorrendo em crime contra o Estado.<br /> Muito embora desejemos uma sociedade melhor, faz-se necessário uma análise do nosso proceder, a fim de que entendamos se nossas ações são coerentes com nosso discurso.<br /> Quem furta pouco, no troco do supermercado, furtaria muito, se tivesse oportunidade. Assim, se você deseja políticos mais honestos, que a honestidade comece por você.<br /> Quem suborna em uma aparentemente inocente multa, compraria consciências a qualquer preço, se assim tivesse condições.<br /> Desta forma, se você anseia por relações sociais justas e direitos iguais para todos, comece por não exigir privilégios que não têm cabimento.<br /> Quem não cumpre suas obrigações sociais, a partir da sua própria declaração de renda, não titubearia em forjar licitações, negociações ou desviar dinheiro público.<br /> * * *<br /> Se você sonha com governantes e homens de negócios que passem ao largo de conchavos e formação de quadrilhas de paletó, comece por você.<br /> Só teremos direito de exigir uma sociedade mais justa, a partir do momento em que nosso discurso se concretize em valores e ações.<br /> Até lá, correremos o risco de estarmos como o filósofo previu: nossas ações falarão tão alto, que ninguém conseguirá escutar o que estamos dizendo.<br /> <br /> PENSE NISSO, MAS PENSE AGORA!<br />

Utilidade e Ócio<br /> <br /> O ser humano possui inúmeras necessidades que precisam ser atendidas para se sentir pleno e feliz.<br /> Algumas são muito elementares e perceptíveis, como alimentação, saúde e segurança.<br /> Outras são mais sutis, mas nem por isso menos importantes.<br /> Por exemplo, sentir-se acolhido e valorizado.<br /> Dentre essas necessidades mais sofisticadas, encontra-se a de ser útil.<br /> Porém, no contexto da sociedade atual, abundam os passatempos e a busca pelo ócio.<br /> As pessoas gastam longas horas em jogos, reais ou virtuais, passatempos e diversões.<br /> De outro lado, valoriza-se bastante ter a cada dia mais tempo disponível.<br /> Idealizam-se feriados prolongados, viagens e passeios.<br /> A um olhar superficial, parece que a vida humana se destina primordialmente ao recreamento e ao nada fazer.<br /> Não se trata de negar a importância do descanso e das atividades lúdicas.<br /> Mas de situá-las em seu devido lugar.<br /> São o contraponto da atividade produtiva, não a finalidade do existir.<br /> A rigor, só descansa quem trabalha.<br /> O ócio, em si mesmo, é vazio e exasperante.<br /> Nada substitui a sensação de plenitude de quem cumpriu o dever, ao terminar uma tarefa.<br /> Quem logra tornar-se útil sente-se harmonizado com o coletivo.<br /> Assim, tarefas e deveres nobres não constituem obstáculo à felicidade.<br /> Não há lucro algum em evitá-los ou minimizá-los, enquanto se gasta a vida com futilidades.<br /> Os deveres são parte essencial de um existir equilibrado e pleno.<br /> De outro lado, é importante não confundir utilidade com grandeza.<br /> Quem busca a grandeza costuma se comparar com os semelhantes.<br /> Com isso, tende a se angustiar.<br /> Afinal, sempre há seres com maior e menor preparo e com tarefas correspondentes ao seu talento.<br /> Em vez de se tranquilizar ao atender seus deveres com competência, rói-se de inveja de quem é convocado para ocupar posições de maior destaque.<br /> Também corre o risco de desprezar aquele que desempenha tarefas singelas.<br /> Assim, o relevante é identificar os seus compromissos e empenhar-se em bem executá-los.<br /> Cuidar dos próprios deveres com seriedade e competência.<br /> Apreciar a sensação de ser útil e produtivo.<br /> Pense nisso.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso<br />