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PODCAST · 3051 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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UTILIDADE E ÓCIO
4 Mar 20163:21EP 347

UTILIDADE E ÓCIO

<strong>UTILIDADE E &Oacute;CIO</strong><br /> <br /> <span style=''font-size: small;''>O ser humano possui in&uacute;meras necessidades que precisam ser atendidas para se sentir pleno e feliz.<br /> Algumas s&atilde;o muito elementares e percept&iacute;veis, como alimenta&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e seguran&ccedil;a.<br /> Outras s&atilde;o mais sutis, mas nem por isso menos importantes.<br /> Por exemplo, sentir-se acolhido e valorizado.<br /> Dentre essas necessidades mais sofisticadas, encontra-se a de ser &uacute;til.<br /> Por&eacute;m, no contexto da sociedade atual, abundam os passatempos e a busca pelo &oacute;cio.<br /> As pessoas gastam longas horas em jogos, reais ou virtuais, passatempos e divers&otilde;es.<br /> De outro lado, valoriza-se bastante ter a cada dia mais tempo dispon&iacute;vel.<br /> Idealizam-se feriados prolongados, viagens e passeios.<br /> A um olhar superficial, parece que a vida humana se destina primordialmente ao recreamento e ao nada fazer.<br /> N&atilde;o se trata de negar a import&acirc;ncia do descanso e das atividades l&uacute;dicas.<br /> Mas de situ&aacute;-las em seu devido lugar.<br /> S&atilde;o o contraponto da atividade produtiva, n&atilde;o a finalidade do existir.<br /> A rigor, s&oacute; descansa quem trabalha.<br /> O &oacute;cio, em si mesmo, &eacute; vazio e exasperante.<br /> Nada substitui a sensa&ccedil;&atilde;o de plenitude de quem cumpriu o dever, ao terminar uma tarefa.<br /> Quem logra tornar-se &uacute;til sente-se harmonizado com o coletivo.<br /> Assim, tarefas e deveres nobres n&atilde;o constituem obst&aacute;culo &agrave; felicidade.<br /> N&atilde;o h&aacute; lucro algum em evit&aacute;-los ou minimiz&aacute;-los, enquanto se gasta a vida com futilidades.<br /> Os deveres s&atilde;o parte essencial de um existir equilibrado e pleno.<br /> De outro lado, &eacute; importante n&atilde;o confundir utilidade com grandeza.<br /> Quem busca a grandeza costuma se comparar com os semelhantes.<br /> Com isso, tende a se angustiar.<br /> Afinal, sempre h&aacute; seres com maior e menor preparo e com tarefas correspondentes ao seu talento.<br /> Em vez de se tranquilizar ao atender seus deveres com compet&ecirc;ncia, r&oacute;i-se de inveja de quem &eacute; convocado para ocupar posi&ccedil;&otilde;es de maior destaque.<br /> Tamb&eacute;m corre o risco de desprezar aquele que desempenha tarefas singelas.<br /> Assim, o relevante &eacute; identificar os seus compromissos e empenhar-se em bem execut&aacute;-los.<br /> Cuidar dos pr&oacute;prios deveres com seriedade e compet&ecirc;ncia.<br /> Apreciar a sensa&ccedil;&atilde;o de ser &uacute;til e produtivo.<br /> Pense nisso.<br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso<br /> Em 18.05.2012</span><br />

OS PAIS ENVELHECEM
3 Mar 20163:39EP 346

OS PAIS ENVELHECEM

<strong>OS PAIS ENVELHECEM</strong><br /> <br /> T<span style=''font-size: small;''>alvez a mais rica, forte e profunda experi&ecirc;ncia da caminhada humana seja a de ter um filho.<br /> Quando nascem, os filhos comovem por sua fragilidade, seus imensos olhos, sua inoc&ecirc;ncia e gra&ccedil;a.<br /> Basta v&ecirc;-los para que o cora&ccedil;&atilde;o se alargue em riso e cor. Um sorriso &eacute; capaz de abrir as portas de um para&iacute;so.<br /> Eles chegam &agrave; nossa vida com promessas de amor incondicional. Dependem de nosso amor, dos cuidados que temos. E retribuem com gestos que enternecem.<br /> Mas os anos passam e os filhos crescem. Escolhem seus pr&oacute;prios caminhos, parceiros e profiss&otilde;es. Trilham novos rumos, afastam-se da matriz.<br /> O tempo se encarrega da forma&ccedil;&atilde;o de novas fam&iacute;lias. Os netos nascem. Envelhecemos. E ent&atilde;o algo come&ccedil;a a mudar.<br /> Os filhos j&aacute; n&atilde;o t&ecirc;m pelos pais aquela atitude de antes. Parece que agora s&oacute; os ouvem para fazer cr&iacute;ticas, reclamar, apontar falhas.<br /> J&aacute; n&atilde;o brilha mais nos olhos deles aquela admira&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia e isso &eacute; uma dor imensa para os pais.<br /> Por mais que disfarcem, todo pai e m&atilde;e percebe as m&iacute;nimas fa&iacute;scas no olho de um filho.<br /> &Eacute; quando pais idosos, dizem para si mesmos: Que fiz eu? Por que o encanto acabou? Por que meu filho j&aacute; n&atilde;o me tem como seu her&oacute;i particular?<br /> Apenas passaram-se alguns anos e parece que foram esquecidos os cuidados e a sabedoria que antes era refer&ecirc;ncia para tudo na vida.<br /> Aos poucos, a atitude dos filhos se torna cada vez mas impertinente. Praticamente n&atilde;o ouvem mais os conselhos.<br /> A cada dia demonstram mais impaci&ecirc;ncia. Acham que os pais t&ecirc;m opini&otilde;es superadas, antigas.<br /> Pior &eacute; quando implicam com as manias, os h&aacute;bitos antigos, as velhas m&uacute;sicas. E tentam fazer os velhos pais se adaptarem aos novos tempos, aos novos costumes.<br /> Quanto mais envelhecem os pais, mais os filhos assumem o controle. Quando eles est&atilde;o bem idosos, j&aacute; n&atilde;o decidem o que querem fazer ou o que desejam comer e beber. Raramente s&atilde;o ouvidos quando tentam fazer algo diferente.<br /> Passeios, comida, roupas, m&eacute;dicos - tudo passa a ser decidido pelos filhos.<br /> E, no entanto, os pais est&atilde;o apenas idosos. Mas continuam em plena posse da mente. Por que ent&atilde;o desrespeit&aacute;-los?<br /> Por que trat&aacute;-los como se fossem in&uacute;teis ou crian&ccedil;as sem discernimento?<br /> Sim, &eacute; o que a maioria dos filhos faz. D&aacute; ordens aos pais, trata-os como se n&atilde;o tivessem opini&atilde;o ou capacidade de decis&atilde;o.<br /> E, no entanto, no fundo daqueles olhos cercados de rugas, h&aacute; tanto amor. Naquelas m&atilde;os tr&ecirc;mulas, h&aacute; sempre um gesto que aben&ccedil;oa, acaricia.<br /> * * *<br /> A cada dia que nasce, lembre-se, est&aacute; mais perto o dia da separa&ccedil;&atilde;o. Um dia, o velho pai j&aacute; n&atilde;o estar&aacute; aqui.<br /> O cheiro familiar da m&atilde;e estar&aacute; ausente. As roupas favoritas para sempre dobradas sobre a cama, os chinelos em um canto qualquer da casa.<br /> Ent&atilde;o, valorize o tempo de agora com os pais idosos. Paci&ecirc;ncia com eles quando se recusam a tomar os rem&eacute;dios, quando falam interminavelmente sobre doen&ccedil;as, quando se queixam de tudo.<br /> Abrace-os apenas, enxugue as l&aacute;grimas deles, ou&ccedil;a as hist&oacute;rias (mesmo que sejam repetidas) e d&ecirc;-lhes aten&ccedil;&atilde;o, afeto...<br /> Acredite: dentro daquele velho cora&ccedil;&atilde;o brotar&atilde;o todas as flores da esperan&ccedil;a e da alegria.<br /> VOC&Ecirc; FILHO; PENSE NISSO, MAS PENSE AGORA.</span><br />

BALADA DAS MÃOS
2 Mar 20162:24EP 345

BALADA DAS MÃOS

<strong>&nbsp;BALADA DAS M&Atilde;OS</strong><br /> <br /> <span style=''font-size: small;''>M&Atilde;OS.<br /> NA ANATOMIA , &Eacute; APENAS MAIS UM MEMBRO QUE COMP&Otilde;E A MAQUINA, QUE &Eacute; O CORPO HUMANO.<br /> MAS ATRAV&Eacute;S DOS GESTOS DAS M&Atilde;OS PODEMOS SER CONSOLADOS E CONSOLADORES,.<br /> ATRAV&Eacute;S DAS M&Atilde;OS PODEMOS LEVANTAR UM IRM&Atilde;O CAIDO.<br /> UM POEMA COMPOSTO E INTERPRETADO POR MOACYR FRANCO EM 1969, FALA SOBRE AS M&Atilde;OS DE UMA MANEIRA BASTANTE EMOCIONANTE.A SEGUIR REPRODUZIREMOS ESSE POEMA:<br /> <br /> Se os teus olhos faltaram um instante da vida,<br /> Se o cora&ccedil;&atilde;o vacilar, retardando a batida,<br /> Se o teu corpo cansado, curvar-se vencido,<br /> Na estrada comprida,<br /> Na batalha perdida.<br /> Tuas m&atilde;os,<br /> S&oacute;, tuas m&atilde;os,<br /> G&ecirc;meas no riso e na dor,<br /> Manter&atilde;o, sempre acesa a luz,<br /> Votiva do amor,<br /> M&atilde;os que se juntam na prece,<br /> Num momento supremo,<br /> Quando no altar duas vidas se juntam tamb&eacute;m,<br /> M&atilde;os que aben&ccedil;oam o filho<br /> Que parte talvez, para sempre,<br /> E depois v&atilde;o tecer um casaco de l&atilde;,<br /> Para o neto que vem,<br /> M&atilde;os que d&atilde;o lenitivo,<br /> Aos que foram vencidos na vida,<br /> M&atilde;os que nunca recusam,<br /> Num gesto o perd&atilde;o.<br /> M&atilde;os que arrancam das cordas,<br /> De um violino ,<br /> A m&uacute;sica divina<br /> Que torna todos os homens irm&atilde;os.<br /> M&atilde;os que ap&oacute;s o sil&ecirc;ncio que cai<br /> Sobre a vida que cai<br /> Juntam o sil&ecirc;ncio &agrave;quelas que um dia tamb&eacute;m foram m&atilde;os.</span><br />

GUERRA INTIMA
1 Mar 20166:17EP 344

GUERRA INTIMA

<strong>&nbsp;GUERRA INTIMA<br /> </strong><br /> <span style=''font-size: small;''>Por religi&otilde;es, Por del&iacute;rio, Pela pol&iacute;tica, Pelo poder, por ego&iacute;smo e Pela ilus&atilde;o imposta atrav&eacute;s do medo e subordina&ccedil;&atilde;o...esses s&atilde;o alguns motivos para as guerras.<br /> E com voc&ecirc;? Sim, com voc&ecirc;, mesmo? Qual &eacute; o motivo da sua guerra:<br /> Da sua guerra com os seus pais, filhos, esposa, marido...<br /> Qual &eacute; a justificativa da sua guerra com o seu vizinho? Com o outro motorista no transito?<br /> Como vai sua a guerra intima? Quantos tiros de maledic&ecirc;ncias voc&ecirc; j&aacute; disparou nessa semana contra os seus colegas de trabalho?<br /> As grandes guerras n&atilde;o come&ccedil;am em grandes campos de batalhas. Elas se originam, como pequenas guerras, em nosso &iacute;ntimo.<br /> J&aacute; ouvimos que as guerras s&atilde;o necess&aacute;rias para manter a paz e a liberdade. Que contrassenso &eacute; esse? <br /> Ser&aacute; que n&atilde;o poderemos ter a paz pela paz?<br /> Ser&aacute; que s&oacute; os mortos conhecem o fim da guerra?<br /> O autor deste texto, por ser humanista, se recusa acreditar nisso.<br /> Nenhuma guerra pode justificar alguma coisa.<br /> Sim, &eacute; poss&iacute;vel que elas (as guerras), nos tragam algumas li&ccedil;&otilde;es.<br /> Li&ccedil;&otilde;es de como devemos ser solid&aacute;rios, benevolentes e usar do recurso da paci&ecirc;ncia e da toler&acirc;ncia para que n&atilde;o sejamos n&oacute;s o combust&iacute;vel para as grandes guerras.<br /> ******<br /> Foi durante a Primeira Guerra Mundial. De um lado, as trincheiras abrigavam alem&atilde;es. Do outro, norte-americanos. A troca de tiros era intensa.<br /> Separando os inimigos, havia uma faixa de terra muito estreita, que n&atilde;o pertencia a nenhum dos lados.<br /> Um jovem soldado alem&atilde;o, que tentara cruz&aacute;-la, foi baleado e acabou se enroscando na cerca de arame farpado.<br /> Come&ccedil;ou a gritar de desespero e de dor.<br /> Entre o barulho ensurdecedor do combate, os norte-americanos podiam ouvir seus gritos.<br /> N&atilde;o suportando mais aquela trag&eacute;dia, um dos soldados norte-americanos saiu da trincheira e rastejou na dire&ccedil;&atilde;o dele.<br /> Quando os colegas perceberam o que ele estava fazendo, suspenderam o fogo. Mas os alem&atilde;es continuavam a usar toda a artilharia.<br /> At&eacute; que um oficial alem&atilde;o viu o gesto altru&iacute;sta e ordenou que os seus comandados cessassem fogo.<br /> Um estranho sil&ecirc;ncio se estabeleceu. O norte-americano desenroscou o ferido do arame farpado.<br /> Em seguida, o levou aos bra&ccedil;os dos companheiros.<br /> Voltou-se e principiou a retornar para a sua trincheira. De repente, uma m&atilde;o pesada pousou em seu ombro. Olhou para tr&aacute;s e seus olhos mergulharam nos olhos do oficial alem&atilde;o que trazia na farda a Cruz de Ferro, a mais alta condecora&ccedil;&atilde;o alem&atilde; por bravura.<br /> Ele arrancou a medalha da farda e a colocou no rapaz norte-americano.<br /> E cada qual, sem dizer palavra, retornou para a sua trincheira.<br /> Certamente, os jovens soldados recome&ccedil;aram pouco depois a batalha, que a guerra impunha.<br /> Mas, naquele dia, todos receberam a li&ccedil;&atilde;o que guardariam e relatariam aos seus descendentes. A li&ccedil;&atilde;o do altru&iacute;smo, que fez com que um soldado esquecesse que o outro era o inimigo e arriscasse a sua para salvar a vida dele.<br /> * * *<br /> Dentre todas as calamidades que atingem a Humanidade, de forma peri&oacute;dica, a guerra &eacute; uma das piores.<br /> Vidas s&atilde;o destro&ccedil;adas, esperan&ccedil;as fenecem. Jovens que deveriam estar nos laborat&oacute;rios de ci&ecirc;ncias se encontram nos palcos da destrui&ccedil;&atilde;o.<br /> Namoradas que se preparavam para a concretiza&ccedil;&atilde;o do novo lar, passam noites insones perguntando-se se os seus amores ainda estar&atilde;o vivos, nos campos da guerra.<br /> Crian&ccedil;as que deveriam estar brincando, morrem &agrave; fome ou sucumbem nos bombardeios.<br /> Mulheres que deveriam estar plantando flores em seus jardins, abrem covas para enterrar os corpos dos seus maridos, e as regam com suas l&aacute;grimas.<br /> Infelizmente, o homem ainda n&atilde;o entendeu que o pre&ccedil;o da guerra &eacute; a destrui&ccedil;&atilde;o. Destrui&ccedil;&atilde;o da natureza, das cidades e das vidas. Destrui&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria dignidade humana.<br /> Gestos como o do soldado norte-americano, na Primeira Guerra Mundial, dizem-nos que os que s&atilde;o enviados para a guerra, s&atilde;o simplesmente criaturas que sentem, amam, t&ecirc;m compaix&atilde;o e, com certeza, t&ecirc;m as suas noites mal dormidas povoadas de cenas dantescas, onde o pavor se mistura ao horror da destrui&ccedil;&atilde;o que os envolve.<br /> * * *<br /> A guerra desaparecer&aacute; um dia do cen&aacute;rio do mundo. Contribuamos com a paz, com as nossas vibra&ccedil;&otilde;es especialmente endere&ccedil;adas aos promotores da guerra, a fim de que repensem seus posicionamentos.<br /> E envolvamos nas nossas ora&ccedil;&otilde;es os soldados de todas as na&ccedil;&otilde;es que vivem a crueldade dos combates, longe de casa, e dos seus amores.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base no cap. Coragem, <br /> de autor desconhecido, do livro Hist&oacute;rias para o cora&ccedil;&atilde;o, <br /> v. 1, de Alice Gray, ed. United Press.<br /> Em 8.2.2016.</span><br />

PARA AQUELES QUE NÃO PODEM VER
29 Fev 20164:34EP 343

PARA AQUELES QUE NÃO PODEM VER

<strong>PARA AQUELES QUE N&Atilde;O PODEM VER</strong><br /> <br /> Aquela parecia ser apenas mais uma cerim&ocirc;nia de formatura de grau superior.<br /> Muitas pessoas reunidas para celebrar a conquista de seus amores. Nomes gritados com empolga&ccedil;&atilde;o. Conven&ccedil;&otilde;es ritual&iacute;sticas antigas, enfim, tudo que sempre se encontra nessas celebra&ccedil;&otilde;es.<br /> Excelent&iacute;ssimos, ilustr&iacute;ssimos, discentes, docentes, todos estavam l&aacute;.<br /> Os formandos, um a um, desciam de suas cadeiras organizadas em fileiras atr&aacute;s da mesa principal. A cada nome, ouvia-se uma pequena algazarra de dez, quinze, vinte pessoas, homenageando aquele jovem, em meio ao grande p&uacute;blico, que s&oacute; prestava aten&ccedil;&atilde;o quando ouvia o nome do formando que estavam prestigiando.<br /> Seguia o cerimonial. Mais um nome chamado e um sil&ecirc;ncio profundo.<br /> A formanda demorou um pouco mais para chegar &agrave; mesa de autoridades. E o fez com o apoio de um auxiliar da empresa organizadora do evento.<br /> Ela recebeu o diploma simb&oacute;lico e o p&uacute;blico, que at&eacute; agora apenas esperava o momento de felicitar seus parentes, iniciou uma demorada salva de palmas.<br /> As pessoas estavam surpresas: uma jovem com defici&ecirc;ncia visual recebendo o grau de pedagoga das m&atilde;os do representante da universidade.<br /> Pensamentos ganharam os ares do anfiteatro. Os mais objetivos e pr&aacute;ticos pensavam: Como ela conseguiu? Como conseguiu estudar? Como fazia as provas?<br /> Outros, c&eacute;pticos e insens&iacute;veis, com a ideia de que ningu&eacute;m consegue sucesso por merecimento pr&oacute;prio, pensavam: Ela deve ter recebido ajuda dos professores, que se apiedaram de sua condi&ccedil;&atilde;o.Ou devem ter facilitado sua vida para que ela pudesse conseguir.<br /> Muitos estavam simplesmente com uma express&atilde;o de admira&ccedil;&atilde;o em suas faces. Sensibilizados, compreendiam que aquilo era poss&iacute;vel: uma deficiente visual se formar na universidade.<br /> Sua comemora&ccedil;&atilde;o, com o diploma nas m&atilde;os, foi vibrante, digna de uma aut&ecirc;ntica vencedora.<br /> Prosseguiu a cerim&ocirc;nia, iniciando-se as homenagens. Na homenagem a Deus, l&aacute; estava ela novamente, levantando-se e sendo guiada at&eacute; o p&uacute;lpito.<br /> Havia um brilho especial em sua face. Uma alegria radiante vinda de um Esp&iacute;rito que enxergava melhor do que todos aqueles que estavam ali, que viam apenas com o sentido da vis&atilde;o.<br /> Sua homenagem a Deus foi emocionante e singela.<br /> Seus dedos passavam suavemente sobre os pequenos pontos em relevo da folha de discurso, pontos criados por um outro jovem, o franc&ecirc;s Lu&iacute;s Braille, no s&eacute;culo dezenove, e que se tornaram uma das janelas de acesso ao mundo para os deficientes visuais.<br /> Suas palavras eram claras, sua dic&ccedil;&atilde;o perfeita e sua mensagem divina. Ela agradecia a Deus por estar ao seu lado naquela conquista. Seu cora&ccedil;&atilde;o mostrava ao mundo o verdadeiro amor ao Criador, atrav&eacute;s de sua resigna&ccedil;&atilde;o e perseveran&ccedil;a na exist&ecirc;ncia.<br /> Ela dizia, para aqueles que n&atilde;o podem ver, que tudo &eacute; poss&iacute;vel se persistirem, se lutarem e n&atilde;o desanimarem.<br /> E, sem palavras, apenas com sua presen&ccedil;a, dizia que h&aacute; muito mais beleza neste mundo do que podemos imaginar, e que sonhar sempre ser&aacute; preciso.<br /> Ela dizia isso para aqueles que ali estavam e que ainda n&atilde;o haviam aprendido realmente a ver.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso.<br /> Em 17.2.2015.<br />

SER UM HOMEM
27 Fev 20164:22EP 342

SER UM HOMEM

<strong>&nbsp;SER UM HOMEM</strong><br /> <br /> <span style=''font-size: small;''>Qual ser&aacute; a melhor defini&ccedil;&atilde;o de ser um homem? Para alguns, ser um homem significa muitas conquistas e &eacute; o que a m&iacute;dia passa como verdade, nos dramas das novelas, nos programas de variedades e nas revistas semanais, que as bancas exibem &agrave;s dezenas.<br /> Importante tamb&eacute;m ter um bom carro, porque as mulheres apreciam andar no &uacute;ltimo tipo, na cor da moda, no mais elegante.<br /> Quem sabe ter um iate, a possibilidade de f&eacute;rias regulares no Exterior, em lugares que mais parecem irrealidade de t&atilde;o maravilhosos.<br /> Ser um homem &eacute; gozar do prest&iacute;gio dos seus pares, sendo considerado um profissional de destaque, mesmo que n&atilde;o se queira saber a que pre&ccedil;o galgou os degraus de tal sucesso.<br /> Ser um homem &eacute; ter dinheiro para ser independente e mandar no seu pr&oacute;prio nariz, indo e vindo para onde bem deseje, sem dar satisfa&ccedil;&otilde;es a quem quer que seja.<br /> Ser um homem...<br /> Bom, existem muitos outros conceitos que variam, de acordo com a &eacute;poca, as circunst&acirc;ncias, os valores locais.<br /> Contudo, um conceito que transcende o tempo, a sociedade, que &eacute; v&aacute;lido em qualquer pa&iacute;s, em qualquer &eacute;poca, &eacute; o que o poeta Rudyard Kipling sintetizou nos seguintes versos do seu poema Se:<br /> Se voc&ecirc; &eacute; capaz de manter a calma quando todos ao seu redor j&aacute; a perderam e o culpam por isso;<br /> Se voc&ecirc; &eacute; capaz de confiar em si mesmo quando todos est&atilde;o duvidando, mas levar em considera&ccedil;&atilde;o essa desconfian&ccedil;a;<br /> Se voc&ecirc; &eacute; capaz de esperar e n&atilde;o se cansar da espera;<br /> Ou, ao ser v&iacute;tima de mentiras, n&atilde;o mentir para se defender;<br /> Ou, sendo odiado, n&atilde;o deixar se levar pelo &oacute;dio;<br /> E ainda assim n&atilde;o parecer bom demais, nem muito s&aacute;bio;<br /> Se voc&ecirc; pode sonhar sem deixar que os sonhos o dominem;<br /> Se pode pensar sem deixar que o pensamento seja o seu &uacute;nico objetivo;<br /> Se pode lidar com o triunfo e a desgra&ccedil;a, esses dois impostores, da mesma maneira;<br /> Se pode aguentar a dor de ouvir a sua verdade ser transformada em mentira para enganar os tolos;<br /> Ou ver destru&iacute;das todas as coisas que voc&ecirc; dedicou a vida para construir, e empenhar-se em refaz&ecirc;-las com os poucos recursos que lhe restam;<br /> Se &eacute; capaz de for&ccedil;ar seu cora&ccedil;&atilde;o, nervos e m&uacute;sculos exaustos a servirem seus objetivos, e a persistir quando nada mais h&aacute; em voc&ecirc; sen&atilde;o sua vontade que lhe diz: &ldquo;Prossiga&rdquo;;<br /> Se voc&ecirc; pode falar &agrave;s multid&otilde;es sem perder sua virtude, ou estar entre reis sem perder a sua naturalidade;<br /> Se nem seus inimigos nem seus melhores amigos podem lhe fazer mal. E se todos podem contar com voc&ecirc;, mas ningu&eacute;m depende de voc&ecirc;;<br /> Se voc&ecirc; &eacute; capaz de se dedicar os sessenta segundos de cada minuto ao trabalho ent&atilde;o, a Terra ser&aacute; sua, com tudo o que existe no mundo;<br /> E voc&ecirc;, o que &eacute; mais importante, ser&aacute; um homem, meu filho!<br /> * * *<br /> Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o bi&oacute;tipo do homem integral, por haver desenvolvido todas as aptid&otilde;es herdadas de Deus, na condi&ccedil;&atilde;o de Ser mais perfeito de que se tem not&iacute;cia.<br /> Toda a Sua vida &eacute; modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da plenitude, de quem deseja liberta&ccedil;&atilde;o real.<br /> Pense nisso.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com transcri&ccedil;&atilde;o do poema Se, de<br /> Rudyard Kipling e pensamentos da introdu&ccedil;&atilde;o do livro O homem integral, pelo<br /> Esp&iacute;rito Joanna de &Acirc;ngelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.<br /> Em 6.6.2013.<br /> </span> <br />

PARTIDA E CHEGADA
26 Fev 20164:52EP 341

PARTIDA E CHEGADA

<strong>&nbsp;PARTIDA E CHEGADA</strong><span style=''font-size: small;''><br /> <br /> <br /> O texto de hoje, &eacute; a vis&atilde;o religiosa deste autor.Mas, sem a pretens&atilde;o de fazer com que o ouvinte compartilhe dela.E sim, de refletir dessa grande possibilidade, da qual acreditamos sem a menor duvida. <br /> <br /> Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espet&aacute;culo de beleza rara.<br /> O barco, impulsionado pela for&ccedil;a dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. <br /> N&atilde;o demora muito e s&oacute; podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o c&eacute;u se encontram. <br /> Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamar&aacute;: J&aacute; se foi.<br /> Ter&aacute; sumido? Evaporado? <br /> N&atilde;o, certamente. Apenas o perdemos de vista.<br /> O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava pr&oacute;ximo de n&oacute;s.<br /> Continua t&atilde;o capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.<br /> O veleiro n&atilde;o evaporou, apenas n&atilde;o o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo.<br /> E talvez, no exato instante em que algu&eacute;m diz: J&aacute; se foi, haver&aacute; outras vozes, mais al&eacute;m, a afirmar: L&aacute; vem o veleiro.<br /> Assim &eacute; a morte.<br /> Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro e o vemos sumir na linha que separa o vis&iacute;vel do invis&iacute;vel dizemos: J&aacute; se foi.<br /> Ter&aacute; sumido? Evaporado? <br /> N&atilde;o, certamente. Apenas o perdemos de vista.<br /> O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental n&atilde;o se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.<br /> Conserva o mesmo afeto que nutria por n&oacute;s. Nada se perde, a n&atilde;o ser o corpo f&iacute;sico de que n&atilde;o mais necessita no outro lado.<br /> E &eacute; assim que, no mesmo instante em que dizemos: J&aacute; se foi, no mais Al&eacute;m, outro algu&eacute;m dir&aacute; feliz: J&aacute; est&aacute; chegando.<br /> Chegou ao destino levando consigo as aquisi&ccedil;&otilde;es feitas durante a viagem terrena.<br /> A vida jamais se interrompe nem oferece mudan&ccedil;as espetaculares, pois a natureza n&atilde;o d&aacute; saltos.<br /> Cada um leva sua carga de v&iacute;cios e virtudes, de afetos e desafetos, at&eacute; que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecess&aacute;rio.<br /> A vida &eacute; feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.<br /> Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros &eacute; a chegada.<br /> Um dia partimos do mundo espiritual na dire&ccedil;&atilde;o do mundo f&iacute;sico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajores da Imortalidade que somos todos n&oacute;s.<br /> <br /> Victor Hugo, poeta e romancista franc&ecirc;s, que viveu no S&eacute;culo XIX, falou da vida e da morte dizendo:<br /> A cada vez que morremos ganhamos mais vida. As almas passam de uma esfera para a outra sem perda da personalidade, tornando-se cada vez mais brilhante.<br /> Eu sou uma alma. Sei bem que vou entregar &agrave; sepultura aquilo que n&atilde;o sou.<br /> Quando eu descer &agrave; sepultura, poderei dizer, como tantos: Meu dia de trabalho acabou. Mas n&atilde;o posso dizer: minha vida acabou.<br /> Meu dia de trabalho se iniciar&aacute; de novo na manh&atilde; seguinte. <br /> O t&uacute;mulo n&atilde;o &eacute; um beco sem sa&iacute;da, &eacute; uma passagem. Fecha-se ao crep&uacute;sculo e a aurora vem abri-lo novamente.<br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base no texto da FEP, com pensamentos finais de <br /> Victor Marie Hugo, do livro A reencarna&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s dos<br /> s&eacute;culos, de Nair Lacerda, ed. Pensamento.<br /> Em 09.08.2012</span><br />

APENAS UMA CORDA
25 Fev 20164:02EP 340

APENAS UMA CORDA

<strong>APENAS UMA CORDA<br /> </strong><br /> <span style=''font-size: small;''>Era uma vez um grande violinista chamado Paganini. Alguns diziam que ele era muito estranho, outros, que ele era sobrenatural.<br /> <br /> As notas m&aacute;gicas que sa&iacute;am de seu violino tinham um som diferente, por isso ningu&eacute;m queria perder a oportunidade de assistir seu espet&aacute;culo.<br /> <br /> Certa noite, o palco de um audit&oacute;rio repleto de admiradores estava preparado para receb&ecirc;-lo.<br /> <br /> A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro, ovacionado. Mas quando surgiu a figura de Paganini, triunfante, o p&uacute;blico delirou.<br /> <br /> Nicolo Paganini colocou seu violino no ombro, e o que se assistiu em seguida foi indescrit&iacute;vel.<br /> <br /> Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias, pareciam ter asas e voar com o delicado toque daqueles dedos virtuosos.<br /> <br /> De repente, por&eacute;m, um som estranho interrompe o devaneio da plat&eacute;ia: uma das cordas do violino de Paganini arrebentara.<br /> <br /> O maestro parou. A orquestra parou. Mas Paganini n&atilde;o parou.<br /> <br /> Olhando para sua partitura ele continuava a tirar sons deliciosos de um violino com problemas.<br /> <br /> O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar.<br /> <br /> Mal o p&uacute;blico se acalmou quando, de repente, um outro som perturbador: uma outra corda do violino se rompe.<br /> <br /> O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo. Paganini n&atilde;o parou.<br /> <br /> Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avan&ccedil;ou, tirando sons do imposs&iacute;vel.<br /> <br /> O maestro e a orquestra, impressionados, voltam a tocar.<br /> <br /> Mas o p&uacute;blico n&atilde;o poderia imaginar o que aconteceria a seguir: todas as pessoas, pasmas, gritaram: Oohhh!<br /> <br /> Uma terceira corda do instrumento de Paganini se quebra.<br /> <br /> O maestro p&aacute;ra. A orquestra p&aacute;ra. A respira&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico p&aacute;ra. Mas Paganini... Paganini n&atilde;o p&aacute;ra.<br /> <br /> Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da &uacute;nica corda que sobrara daquele violino destru&iacute;do.<br /> <br /> Paganini atinge a gl&oacute;ria. Seu nome corre atrav&eacute;s do tempo.<br /> <br /> Ele n&atilde;o &eacute; apenas um violinista genial, mas o s&iacute;mbolo do ser humano que continua diante do imposs&iacute;vel.<br /> * * *<br /> Este &eacute; o esp&iacute;rito da perseveran&ccedil;a, da criatividade e habilidade perante os obst&aacute;culos naturais da vida no Mundo.<br /> <br /> Lembremos desta hist&oacute;ria, todas as vezes que as cordas de nossos instrumentos se romperem.<br /> <br /> Afirmemos no &iacute;ntimo: Eu sei que posso continuar!<br /> <br /> Afirmemos para a alma: N&atilde;o &eacute; qualquer adversidade que ir&aacute; me derrubar, que ir&aacute; me fazer desistir!<br /> <br /> Perceberemos ent&atilde;o, com encanto, que muitas vezes nossas m&atilde;os calejadas, obrigadas a retirar sons de uma &uacute;nica corda, est&atilde;o sendo amparadas por m&atilde;os invis&iacute;veis de Miseric&oacute;rdia.<br /> <br /> Nunca estamos sozinhos no concerto da vida na Terra.<br /> <br /> &Agrave; maneira de um p&uacute;blico empolgado que incentiva o artista, o Invis&iacute;vel nos d&aacute; for&ccedil;as, nos alimenta o &acirc;nimo, e nos aplaude cada vez que nos superamos.<br /> <br /> Continuemos... Sem medo, sem hesita&ccedil;&atilde;o.<br /> <br /> Toquemos nossa m&uacute;sica da alma para o c&eacute;u azul ou para as estrelas. Contando com as quatro cordas , ou apenas com uma delas.<br /> <br /> Pensemos nisso e n&atilde;o deixemos de tocar.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso com base em texto<br /> de autor desconhecido, recebido pela Internet.<br /> Em 18.05.2012</span><br />

Nada tocando
PENSE NISSO
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