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PODCAST · 3049 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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EU ME TORNAR AMOR
21 Set 20184:20EP 945

EU ME TORNAR AMOR

Eu me tornar amor<br /> <br /> Nenhum p&aacute;ssaro jamais saber&aacute; cantar, se a m&uacute;sica n&atilde;o existir em mim.<br /> Nenhum por do sol, nem a voz da crian&ccedil;a, a chuva, o abra&ccedil;o, a presen&ccedil;a, nada carregar&aacute; nenhum tipo de beleza se, em minha interioridade, predominar a escurid&atilde;o. <br /> <br /> N&atilde;o haver&aacute; luz que ilumine o caminho, esperan&ccedil;a em noites dif&iacute;ceis, serenidade para escolhas de paz, calma para enxergar com isen&ccedil;&atilde;o, sabedoria para discernir os dias, significado para projetar nos acontecimentos, sem que eu perceba que &eacute; dentro, em mim, onde moram todas as coisas.<br /> <br /> As montanhas ser&atilde;o apenas ac&uacute;mulos de terra, ou pedra e nada mais. Os oceanos, nada al&eacute;m de muita &aacute;gua e as flores, sem beleza, sem perfume, sem diversidade, n&atilde;o passar&atilde;o de caprichos da natureza, se, antes, em mim, n&atilde;o houver um extenso jardim, com montanhas formadas pelos aclives e declives da exist&ecirc;ncia, oceanos que me refrescam, me arejam, me espantam com seus estrondos que somente eu posso ouvir.<br /> <br /> Amor ser&aacute; sin&ocirc;nimo de fraqueza, de esp&iacute;rito pobre, amedrontado e servil. Jamais passar&aacute; de t&iacute;tulo de m&uacute;sica popular, inspira&ccedil;&atilde;o de algum poeta alienado, ou quem sabe gancho de novela, sem sentido, sem densidade, sem nenhuma utilidade, se minha alma estiver seca, se meu medo servir de bloqueio e continuar me impedindo de saltar, de correr riscos e assumir as implica&ccedil;&otilde;es de responder as demandas da vida em amor. Amor ser&aacute; apenas uma palavra a&ccedil;ucarada enquanto estiver fora de mim, enquanto n&atilde;o estiver claro que s&oacute; posso experiment&aacute;-lo quando de fato eu me tornar amor.<br /> <br /> Deus? O que ser&aacute; Deus al&eacute;m do chefe da religi&atilde;o, do &quot;cara l&aacute; de cima&quot;, fora, desconectado, cruel, mau, manipulador que se diverte com o sofrimento alheio, alienado enquanto ignora a pobreza, a fome, o abandono de seus filhos? Enquanto nos alimentarmos de nossas teologias, tentarmos encaixotar o que n&atilde;o cabe em nenhum lugar, a n&atilde;o ser no universo que somos n&oacute;s. <br /> <br /> Quem pode descrev&ecirc;-lo? Quem pode anunciar-se como representante divino, portador de alguma mensagem, dono da &quot;palavra de Deus&quot;, sem que se esvazie de si mesmo, que entregue-se ao mist&eacute;rio, que mergulhe na presen&ccedil;a e, perplexo, descubra Deus na gente, aqui, dentro, em mim e, sem condi&ccedil;&otilde;es de encar&aacute;-lo, renda-se ao Eu Sou em profunda gratid&atilde;o, humilde, reverente, em estado de quietude interior?<br /> <br /> Tudo o que voc&ecirc; enxerga no mundo, as cores que tingem sua realidade, s&atilde;o apenas reflexos. Nenhuma verdade, nenhum significado, nenhum valor, nenhuma esperan&ccedil;a. Sem sentido, sem absolutamente nenhuma conex&atilde;o com nada, caos, desordem, bagun&ccedil;a, loucura, assim ser&aacute; seu mundo, sempre, at&eacute; que voc&ecirc; mude a perspectiva e, finalmente entenda, que tudo mora dentro, que nada l&aacute; fora existe desconectado do que voc&ecirc; tem se tornado e, ainda que a vida continue dif&iacute;cil, interpret&aacute;-la a partir da pr&oacute;pria interioridade abre uma outra dimens&atilde;o, iluminada pela consci&ecirc;ncia de que, no fim das contas, todas as experi&ecirc;ncias, todas elas, tem por finalidade nos fazer aprender a amar.<br />

A ARTE DE EDUCAR
18 Set 20183:16EP 943

A ARTE DE EDUCAR

<span style=''font-size: small;''>A ARTE DE EDUCAR<br /> <br /> <br /> Michelangelo foi considerado um dos maiores artistas de seu tempo. Foi pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano. V&aacute;rias de suas cria&ccedil;&otilde;es est&atilde;o entre as mais c&eacute;lebres da arte ocidental.<br /> Ao longo dos s&eacute;culos e at&eacute; os dias de hoje, &eacute; considerado prot&oacute;tipo de g&ecirc;nio. <br /> Desenvolveu o seu trabalho art&iacute;stico por mais de setenta anos, entre as cidades italianas de Floren&ccedil;a e Roma. <br /> Projetou diversos edif&iacute;cios e escreveu grande n&uacute;mero de poesias. No entanto, muitos de n&oacute;s o conhecemos principalmente por sua habilidade como escultor, ocupa&ccedil;&atilde;o que ele mesmo apontava como a sua preferida.<br /> Dentre suas obras est&atilde;o a pintura do teto da Capela Sistina e as esculturas em m&aacute;rmore de David e a Piet&agrave;, esta que representa Maria com Jesus nos bra&ccedil;os ap&oacute;s a Sua crucifica&ccedil;&atilde;o.<br /> Ao observarmos suas esculturas, a sensa&ccedil;&atilde;o que nos invade &eacute; de que bastar&aacute; que uma leve brisa se apresente para que elas ganhem vida e movimento, tamanha perfei&ccedil;&atilde;o apresentam.<br /> Ele permanece como um dos poucos artistas capazes de expressar a experi&ecirc;ncia do belo e do sublime numa dimens&atilde;o t&atilde;o exata.<br /> Ele sabia que, dentro daquela pedra bruta, estava guardada a sua obra de arte. <br /> Onde estariam tantas de suas obras se ele tivesse sido complacente com o m&aacute;rmore?<br /> Essa imagem nos leva a fazer um paralelo com a educa&ccedil;&atilde;o dos nossos filhos. Refletirmos sobre a melhor maneira de conduzir esses seres maravilhosos que nos foram emprestados.<br /> Assim como Michelangelo foi capaz de usar as m&atilde;os com uma habilidade incompar&aacute;vel e com um toque divino, que n&oacute;s, pais, possamos encarar a educa&ccedil;&atilde;o como a arte de moldar o car&aacute;ter.<br /> E n&atilde;o existe nada mais contr&aacute;rio &agrave; arte do que deixar a mat&eacute;ria-prima do jeito em que est&aacute;.<br /> &Eacute; certo que tanto n&oacute;s quanto nossos filhos, j&aacute; trazemos uma beleza pr&oacute;pria, assim como a pedra bruta do m&aacute;rmore.<br /> Por&eacute;m, precisamos de lapida&ccedil;&atilde;o e modelagem para alcan&ccedil;ar o grande objetivo que &eacute; o progresso individual e a melhoria de si mesmo, e assim, fazer surgir com mais intensidade o brilho e a beleza.<br /> E aos pais foi confiada essa miss&atilde;o. <br /> Enquanto educadores, os pais n&atilde;o devem ter complac&ecirc;ncia em excesso com os filhos, devem saber usar ora com firmeza, ora com delicadeza, todas as ferramentas que a Divindade colocou &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para exercer a arte de educar.<br /> Indicar-lhes o caminho correto atrav&eacute;s do exemplo, orient&aacute;-los todo o tempo sobre os verdadeiros valores da vida, mostrar-lhes que podem pouco a pouco irem se transformando e vencendo suas pr&oacute;prias imperfei&ccedil;&otilde;es.<br /> Que, na qualidade de pais, possamos ser pintores, arquitetos e escultores das almas de nossos filhos, ajudando-os a se transformarem em verdadeiras obras de arte.<br /> Isso para que sejam criaturas que se dignifiquem por todas as dores que acalentam, pela paz que semeiam, por todos os sorrisos que despertam e por todo o bem que fa&ccedil;am.<br /> Pensemos nisso e fa&ccedil;amos do educar a arte de modelar car&aacute;ter,<br /> <br /> <br /> </span><br />

TER SEMPRE RAZÃO
13 Set 20184:35EP 940

TER SEMPRE RAZÃO

<span style=''font-size: small;''>&nbsp;TER SEMPRE RAZ&Atilde;O<br /> <br /> Quanto custa ter sempre raz&atilde;o?<br /> Em algum momento, paramos para analisar esta quest&atilde;o? J&aacute; pensamos quais s&atilde;o as consequ&ecirc;ncias de sempre querer provar que estamos certos?<br /> &Eacute; claro que defender um ponto de vista &eacute; corriqueiro. Colocar nosso posicionamento ou nossas ideias perante um fato, de maneira sensata, &eacute; mesmo saud&aacute;vel.<br /> Trocar ideias a respeito de um tema, argumentar a favor de um conceito no qual acreditamos, s&atilde;o posturas naturais e comuns nas nossas rela&ccedil;&otilde;es cotidianas.<br /> Por&eacute;m, quando essa atitude supera todas as barreiras, est&aacute; sempre como ponto de honra de nossa palavra, quando se torna fundamental ter a raz&atilde;o, qual o pre&ccedil;o a ser pago?<br /> Quantas vezes nos aborrecemos com algu&eacute;m pelo simples fato de querermos convenc&ecirc;-lo de que ele est&aacute; errado em sua forma de pensar?<br /> Quem de n&oacute;s n&atilde;o se pegou transformando uma discuss&atilde;o tranquila em um afrontamento pessoal?<br /> Ou ainda, quantas vezes n&atilde;o elevamos o tom da conversa, nos tornamos r&iacute;spidos no enfrentamento de ideias?<br /> Defendemos nosso ponto de vista como acreditamos ser o mais adequado. E, naturalmente, temos nossa maneira de ver a realidade, conforme nossos valores, conceitos e capacidades.<br /> Quatro pessoas, cegas de nascen&ccedil;a, ao serem colocadas junto a um elefante v&atilde;o conseguir relatar o que puderem tocar do animal.<br /> Se n&atilde;o lhes derem a oportunidade de perceber as diferen&ccedil;as entre orelha, cauda, tromba, corpo, ter&atilde;o apenas uma ideia parcial.<br /> N&atilde;o estar&atilde;o erradas, apenas cada uma ter&aacute; somente parte da raz&atilde;o.<br /> Muitas vezes isso acontece nos nossos relacionamentos. Temos a nossa percep&ccedil;&atilde;o, a nossa capacidade de an&aacute;lise.<br /> N&atilde;o quer dizer que estejamos errados ou que n&atilde;o tenhamos raz&atilde;o em nossos argumentos.<br /> Por&eacute;m n&atilde;o podemos esquecer de que o outro tem sua pr&oacute;pria forma de ver, seus valores, suas ideias.<br /> Enfrentar-se nessas situa&ccedil;&otilde;es, ser&aacute; o duelo de ideias, a briga de argumentos, em que, quase sempre, o que existe, de verdade, &eacute; o desejo de impor nosso racioc&iacute;nio, nossa argumenta&ccedil;&atilde;o.<br /> In&uacute;meras vezes, em nome de desejarmos provar que a raz&atilde;o nos pertence, usamos nossa palavra como quem est&aacute; numa batalha, n&atilde;o desejando nunca perder.<br /> Ter sempre raz&atilde;o &agrave;s vezes custa o pre&ccedil;o de uma amizade.<br /> Buscar impor aos outros nossos argumentos, repetidamente, pode ocasionar o desgaste da rela&ccedil;&atilde;o.<br /> Querer estar sempre certo, no campo das ideias e reflex&otilde;es, pode causar fissuras nas rela&ccedil;&otilde;es familiares.<br /> Assim, antes de buscarmos ter raz&atilde;o, melhor buscarmos a preserva&ccedil;&atilde;o da harmonia.<br /> Antes de querermos ser vencedores em nossa argumenta&ccedil;&atilde;o, melhor que tenhamos paz de esp&iacute;rito.<br /> A verdade, mais dia, menos dia, se far&aacute; presente, duradoura, perene.<br /> Assim, mesmo quando toda a raz&atilde;o nos perten&ccedil;a, vale refletirmos se devemos continuar nossos duelos de ideias.<br /> Talvez, o melhor, em determinadas situa&ccedil;&otilde;es, seja utilizarmos nossa capacidade pensante, nosso senso de valida&ccedil;&atilde;o para buscar compreender o pr&oacute;ximo.<br /> Ao assim procedermos, poderemos entender o porqu&ecirc; dos argumentos alheios, de sua forma de agir, facilitando e aprofundando nossas rela&ccedil;&otilde;es.<br /> Dessa maneira, evitaremos o granjear de atritos e dissabores, pesos desnecess&aacute;rios ao nosso cora&ccedil;&atilde;o.<br /> Pensemos nisso.<br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso.<br /> Em 17.9.2014</span><br />

RELACIONAMENTO DE UM SÓ
11 Set 20184:39EP 939

RELACIONAMENTO DE UM SÓ

&nbsp;<span style=''font-size: small;''>RELACIONAMENTO DE UM S&Oacute;<br /> <br /> Por mais que amemos, por mais que nos dediquemos e alimentemos esperan&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o aos nossos relacionamentos, por mais que queiramos, nem sempre o outro est&aacute; disposto a oferecer retorno. Ou tentamos ent&atilde;o manter uma rela&ccedil;&atilde;o unilateral, que pende somente sobre nossas cabe&ccedil;as, ou tomamos f&ocirc;lego e percebemos que chega de sermos tontos.<br /> N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil termos a no&ccedil;&atilde;o exata de quando estamos embarcando em um barco furado, quando j&aacute; fizemos tudo o que estava a nosso alcance, sem resultados consistentes. Da mesma forma, podemos nos enganar quanto &agrave;s reais inten&ccedil;&otilde;es do parceiro, caso sejamos o tipo de pessoa que espera demais, al&eacute;m da conta, sem prestar aten&ccedil;&atilde;o no que o outro tem para dar.<br /> Muitas vezes, idealizamos um romance a&ccedil;ucarado, esperamos que o outro corresponda &agrave;quilo que queremos, da forma como desejamos. No entanto, cada um tem a sua maneira pr&oacute;pria de se expressar e de se importar, ou seja, muitas vezes o parceiro n&atilde;o corresponder&aacute; de forma fidedigna &agrave;s expectativas que criamos e nem sempre isso quer dizer que ele n&atilde;o nos ama.<br /> No entanto, quando prestamos a aten&ccedil;&atilde;o devida e refletimos com sobriedade acerca da forma como o nosso relacionamento vem sendo constru&iacute;do, teremos, sim, a resposta aos nossos questionamentos, por mais dolorosa que seja. No fundo, sabemos bem se estamos recebendo amor verdadeiro, se estamos vivendo a troca, a partilha, a soma de que se devem constituir as trocas amorosas.<br /> Infelizmente, muitas pessoas mal percebem que o parceiro est&aacute; se despedindo a pouco e pouco, que os olhares deixaram de se cruzar, que as m&atilde;os pararam de se procurar, que o cora&ccedil;&atilde;o arrefeceu o ritmo e a intensidade de suas batidas, que o adeus h&aacute; muito j&aacute; se instalou. Ent&atilde;o, quando se d&atilde;o conta, o outro j&aacute; nem estava mais ali ao lado e tomou a decis&atilde;o de partir, em busca de ares menos densos onde pudesse respirar tranquilo, onde n&atilde;o fosse invis&iacute;vel. &Eacute; preciso se conscientizar de que a &uacute;nica coisa que o vazio nos devolve &eacute; o eco da nossa pr&oacute;pria e in&uacute;til insist&ecirc;ncia.<br /> &Eacute; assim que muitas pessoas se perdem umas das outras, ap&oacute;s o sofrimento calado e solit&aacute;rio da &uacute;nica parte que se entregou por inteiro, em v&atilde;o, por dias, meses, anos. E, quando tomamos a decis&atilde;o de sair dali, de nos libertarmos daquele vazio que suga e achata a nossa ess&ecirc;ncia, nada mais importar&aacute;, nada mais nos far&aacute; tentar de novo, porque o cansa&ccedil;o ent&atilde;o ter&aacute; varrido qualquer afetividade de dentro de n&oacute;s. J&aacute; n&atilde;o estaremos mais por ali, nem junto, nem perto de fato, apenas distantes o bastante para sobrevivermos longe do terreno arenoso da entrega in&uacute;til.<br /> Felizmente, seguiremos prontos para recome&ccedil;ar, pois estaremos levando conosco a nossa capacidade de amar com verdade, com entrega, de corpo e alma. <br /> ***<br /> Mas, para que esse amor n&atilde;o seja um relacionamento de um s&oacute;, devemos nos ater nos detalhes, nas pequenas observa&ccedil;&otilde;es, nas respostas &agrave;s perguntas mais simples que conseguimos alimentar a rela&ccedil;&atilde;o com demonstra&ccedil;&otilde;es de generosidade e de amor.<br /> Como um lubrificante a facilitar o movimento das engrenagens, esses sentimentos permitem que a vida a dois ganhe profundidade e solidez.<br /> Frente &agrave; resposta r&iacute;spida, utilizemo-nos da bondade da palavra suave e compreensiva.<br /> Substituamos o julgamento severo e r&iacute;gido, muitas vezes j&aacute; desgastado pelo tempo, pela generosidade de quem percebe e reconhece valores em quem nos acompanha.<br /> Pensemos nesses detalhes.<br /> <div style=''text-align: right;''><em>Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso.<br /> Em 21.9.2016.</em></div> <br /> <br /> <br /> </span><br />

DRIBLANDO A DOR
8 Set 20185:01EP 938

DRIBLANDO A DOR

<span style=''font-size: small;''>DRIBLANDO A DOR<br /> <br /> Mais de uma vez me recordo. Na inf&acirc;ncia, quando eu reclamava de alguma dor e como se costuma dizer fazia corpo mole para n&atilde;o cumprir alguma tarefa, escutava a hist&oacute;ria outra vez.<br /> Certa vez, a dor veio visitar a Terra. Vestiu-se de forma adequada e chegou a uma casa pobre. Havia crian&ccedil;as, uma mulher cansada de tantos afazeres e um homem marcado pelas horas de trabalho exaustivo.<br /> A dor gostou do lugar e se aninhou no ded&atilde;o do p&eacute; direito daquele pai de fam&iacute;lia. Naquele dia, quase noite, ele se recolheu e nem deu muita aten&ccedil;&atilde;o para a tal da dor porque o cansa&ccedil;o era maior do que ela.<br /> Mal despertou a madrugada o homem acordou, pulou da cama e come&ccedil;ou a se preparar para sair.<br /> N&atilde;o desejando despertar as crian&ccedil;as e a esposa, ele se ergueu no escuro e logo bateu o ded&atilde;o num brinquedo esquecido no ch&atilde;o.<br /> Ai, disse ele baixinho. Ui, que dor!<br /> Acariciou o dedo dolorido com a m&atilde;o calosa e enfiou o p&eacute; no cal&ccedil;ado. A dor lhe deu uma espetada. Afinal, ela n&atilde;o estava gostando nada de ficar ali, apertada.<br /> O homem, respons&aacute;vel, saiu mancando. O dedo latejava. Ele sentiu a dor diminuir um pouco quando tirou o p&eacute; do cal&ccedil;ado, no trajeto que fez de &ocirc;nibus.<br /> Contudo, logo mais chegou ao destino. Cal&ccedil;ou o sapato e andou.<br /> Assim foi o dia inteiro. A dor reclamando, o homem sentindo mas dizendo: Eu preciso continuar. N&atilde;o posso perder este emprego. Meus filhos dependem de mim.<br /> E tudo acontecia. Ora o ded&atilde;o topava na quina de um m&oacute;vel, ora o sapato apertava mais, ora...<br /> A noite surpreendeu o homem na labuta, suando, trabalhando. A dor j&aacute; n&atilde;o aguentava mais.<br /> E, quando ao ir para casa, o ded&atilde;o topou numa pedra do caminho, foi o fim. A dor ficou muito zangada e disse: Vou embora. Este homem n&atilde;o sabe me tratar bem.<br /> E l&aacute; se foi. Perto dali, ela encontrou uma casa muito bonita, confort&aacute;vel e entrou.<br /> Um homem estava largado no sof&aacute; da sala, assistindo televis&atilde;o. A dor gostou de tudo que viu e se instalou no ded&atilde;o do p&eacute;.<br /> Ai, gritou ele. Que coisa esquisita. Que dor terr&iacute;vel!<br /> J&aacute; providenciou uma almofada para acomodar o p&eacute;. Ao recolher-se para dormir, enfaixou o local e no dia seguinte, fez repouso.<br /> E no outro, e no outro.<br /> A dor adorou aquele tratamento vip e tomou uma resolu&ccedil;&atilde;o: N&atilde;o saio mais daqui!<br /> * * *<br /> Quando a hist&oacute;ria terminava, eu j&aacute; sabia que teria que dar conta das minhas responsabilidades.<br /> Era a forma que a freira do orfanato, onde fiquei por quatro anos, me ensinar que eu devia ser forte; que pequenas dores deviam ser suportadas e de forma alguma serem motivo para n&atilde;o se cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es.<br /> Essa atitude serviu para me tornar algu&eacute;m com maior capacidade de suportar reveses e dificuldades.<br /> Quando tudo parecia conspirar contra mim e eu tinha vontade de desistir, lembrava da hist&oacute;ria da dor. E retomava a luta.<br /> * * *<br /> A dor f&iacute;sica &eacute; sempre sinal de que algo n&atilde;o est&aacute; bem no organismo. O bom senso nos diz que se deve procurar aux&iacute;lio m&eacute;dico para a adequada verifica&ccedil;&atilde;o do que seja, antes que o mal avance.<br /> No entanto, pequenos inc&ocirc;modos levam algumas pessoas, por vezes, a logo optarem por aus&ecirc;ncias na atividade profissional e descumprimento de suas obriga&ccedil;&otilde;es.<br /> S&atilde;o desculpas, fugas com vistas a se furtar ao dever.<br /> Pensemos nisso e n&atilde;o nos permitamos entregar por pequenas coisas.<br /> Afinal, quem aprende a bem administrar pequenas quest&otilde;es f&iacute;sicas angaria fortaleza moral para eventuais dificuldades org&acirc;nicas graves que possa vir a ter e, mesmo, fortalecimento para as dores morais que tenha que enfrentar.<br /> Pensemos nisso.</span> <div style=''text-align: right;''><span style=''font-size: small;''><em><br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso com base na obra de og mandino<br /> Em 15.01.2013</em>.</span></div>

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