
EXAME DE CONSCIÊNCIA

PODCAST · 3049 EPISÓDIOS
Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.


<span style=''font-size: small;''>UM ANJO PARTIU<br /> <br /> Foi aos onze meses que os pais observaram que algo não estava muito bem com a pequena Luana.<br /> Com pouco mais de um ano, ela passou a ser atendida pelo setor de transplante de medula óssea e os diagnósticos foram os mais diversos. Nenhum muito preciso porque os sintomas eram incomuns.<br /> Ela recebeu transplante de medula. O sucesso inicial que deu esperanças e fez sorrir toda a família, logo se desvaneceria.<br /> A síndrome que apresentou, extremamente rara, foi se revelando quase insana. Os sangramentos intestinais levaram a muitas internações, a cauterizações por endoscopia, a transfusões inúmeras. Chegou a fazer quatro em um único dia.<br /> Tentou-se cirurgia no olho direito, pois a visão foi ficando comprometida. A falta de irrigação na retina fez com que o resultado fosse o insucesso.<br /> Sua mãe a chamava meu pequeno ipê amarelo, que floria o seu jardim.<br /> Luana nunca reclamava de coisa alguma. Encontrou alegria em meio à dor. Sem visão, ela enxergava muito bem com suas mãos miúdas. Com a alma via luz e vultos, o que lhe parecia extremamente suficiente para ser feliz.<br /> Rapidamente, ela ficou conhecida, conquistando médicos e enfermeiros.<br /> Não havia quem não a desejasse atender, sempre com um sorriso no rosto, mesmo entre procedimentos dolorosos que se faziam necessários.<br /> E logo, para amenizar tantas dores, mãe e filha criaram um código todo especial para se referirem às coisas do dia a dia.<br /> Um código que o pessoal do hospital logo aderiu: ver a pressão era fazer puf-puf; auscultar o coração era ouvir o tum-tum; o catéter se chamava caninho; as transfusões eram o papá do caninho e o clamp do caninho era o tic-tac que prendia o cabelo dele.<br /> E havia o Zé não qué para os dias em que Luaninha dizia não, não e não e a Maria reina para os dias em que ela fazia um pouco de birra.<br /> Ela não chegou a completar cinco anos. Partiu, tão docemente como chegara, sem aguardar o apagar das velinhas do aniversário, tão próximo.<br /> Na saudade, dias depois, escreveu-lhe a mãe:<br /> Minha linda. Já é seu aniversário! Parabéns!<br /> Aqui em casa, nada de barulho... Nem de preparativos. Nada de madrugadas enrolando brigadeiros, nem de manhãs enchendo balões.<br /> Nada de correria para entregar convites da princesa para outras princesas. Nada de café da manhã na cama, de roupa bonita, nem de velinha para o bolo.<br /> Aqui tudo silencia e sente sua ausência. Não tem o ranger do balanço, nem gargalhadas na varanda. Não haverá vizinhos dizendo, no dia seguinte, que ouviram sua vozinha o dia todo.<br /> Não tem caminhada na rua, nem florzinha colhida fresca para pôr na aguinha. Só o barulho incessante do ventilador e o ping da torneira se revezam com minhas lágrimas de saudade.<br /> Mas a rua está lá. Os vizinhos também. Ainda mora na varanda o seu balanço para que outras princesas possam brincar...<br /> Mora aqui também o seu riso e sua alegria e posso ouvir tudo isso, se fechar os olhos por um minuto! Mora aqui todo bem e as lições que você deixou. Mora aqui um coração de mãe aflito por saber se você vai apagar velinhas aí onde está.<br /> Amo você para sempre! Parabéns, meu anjo!<br /> <br /> Redação do Pense Nisso, em homenagem a<br /> Luana Costa Macedo, desencarnada em 15.11.2012.<br /> Em 15.3.2013.<br /> <br /> </span><br />

<span style=''font-size: small;''>A BENÇÃO DO TRABALHO<br /> <br /> Em todos os quadrantes das atividades humanas, é possível observar criaturas queixosas e insatisfeitas por terem que trabalhar.<br /> A maioria revolta-se contra o gênero de seu trabalho.<br /> Os que varrem a rua querem ser comerciantes.<br /> Os comerciantes desejam a condição de industriais.<br /> Os trabalhadores do campo preferem a existência na cidade.<br /> Quem obedece almeja mandar.<br /> Os convocados aos altos postos falam do peso de suas atribuições.<br /> O problema, contudo, não é de gênero de tarefa, mas de compreensão da oportunidade recebida.<br /> De modo geral, as queixas, nesse sentido, são filhas da preguiça inconsciente.<br /> O anseio pelas altas posições sinaliza uma visível vaidade.<br /> O desejo de muito ganhar e pouco fazer evidencia ganância e preguiça.<br /> Todo homem é herdeiro de si mesmo, em especial quanto a seus pendores e aptidões.<br /> Ele é sabiamente colocado pela vida nas posições mais adequadas ao próprio burilamento.<br /> Por certo o esforço individual tem o seu papel a cumprir nos destinos humanos.<br /> É sempre louvável o homem que vence as injunções de sua vida e supera todos os obstáculos.<br /> Contudo, enquanto atua em determinada área, deve honrá-la e honrar-se com o seu desempenho profissional.<br /> No contexto de uma única vida material, nem todos podem mandar ou deter as posições de fortuna.<br /> Estas se alteram conforme as necessidades de experiência das criaturas.<br /> As posições modestas costumam ser das mais úteis no aprendizado da obediência, da humildade e da frugalidade.<br /> Já as altas colocações são convites à doação ao semelhante.<br /> Não se destinam a satisfazer a vaidade, mas a realizar o bem coletivo.<br /> O importante é valorizar o trabalho, conforme se apresente.<br /> Trabalhar é uma bênção e um dever incontornável.<br /> Assim, quando sentir cansaço ou vontade de reclamar, lembre-se de que o universo trabalha incessantemente, e você, é o herdeiro das estrelas.<br /> A Humanidade começou ontem seu humilde labor.<br /> Mas o universo , a quanto tempo esta no trabalho para a nossa existência?<br /> Pense nisso.<br /> </span><br />

<span style=''font-size: small;''>LEVE VANTAGEM VOCÊ TAMBÉM. CERTO? <br /> <br /> O titulo do Pense Nisso de hoje, foi bordão de uma famosa propaganda de cigarro na década de 1970.<br /> No comercial, mostrava varias situações, em que o cidadão, em vez de usar da legitimidade, ele dava um jeitinho de levar vantagem sobre os outros.<br /> E Gerson, ex jogador da seleção brasileira tri campeã do mundo, fechava o comercial : “Gosto de levar vantagem em tudo, Leve vantagem você também.”<br /> Foi o fatídico comercial que deu origem à infeliz expressão "Lei de Gerson".<br /> “Numa democracia todo cidadão é um político também” e aqueles que ali nos representam não deixam de ser um reflexo do povo, afinal somos nós que o escolhemos! Sim os políticos são muito culpados pelo Brasil em que vivemos, mas é fácil apenas culpa-los e nos isentarmos da responsabilidade de mudar o Brasil. <br /> Se você tivesse a mesma visibilidade de um político e as mesmas chances de se corromper, faria igual? Ou melhor será que você não faz igual? O problema da corrupção infelizmente é uma herança cultural a ponto de nós acharmos normal de fazermos, cabe a cada um de nós mudarmos essa mentalidade!<br /> O Brasil não vai pra frente enquanto acharmos que a culpa é só deles, os políticos, e nunca da gente, Todos os dias presenciamos pequenas corrupções: quando você estaciona o seu carro em lugar proibido, você esta sendo corrupto, Quando você suborna um guarda para ele aliviar a multa, você esta corrompendo. Quando você combina uma porcentagem da indenização para que o colega de trabalho minta no tribunal, e assim, ganhar, de maneira injusta, uma causa trabalhista; você esta cometendo vários crimes, inclusive o de corrupção ativa.<br /> E o que dizer dos exemplos que estamos dando aos nossos filhos?<br /> Quando pais ou mães são abordados pelo guarda de trânsito, por terem cometido uma infração qualquer, e começam a inventar mentiras diante dos filhos, para se justificar, estão ensinando os filhos a ser desonestos.<br /> O certo é que deveriam admitir que agiram equivocadamente, e assumir a multa.<br /> O que se poderá esperar de um educando que recebe essas lições?<br /> Existem tantos outros exemplos, mas não é necessário relacionar todos eles para se chegar à conclusão de que o exemplo arrasta, e que é preciso pensar nisso.<br /> Quanta desonestidade deixaria de existir se os exemplos dos educadores fossem sempre de honestidade e honradez!?<br /> Se você concorda com essas argumentações, e está pensando que apenas o seu exemplo não adiantará, pense na autoridade moral que terá diante do seu filho, agindo certo.<br /> Ainda que todas as demais pessoas dessem maus exemplos, se você agir corretamente terá o respeito do seu filho, e é isso que importa.<br /> Pense nisso, e considere que uma criança poderá estar observando você e aprendendo com os seus exemplos, neste exato momento.<br /> Então... Pense Nisso, e leve vantagem você também. Faça a coisa certa e tenha uma sociedade mais pacifica, educada e justa. Certo?<br /> <br /> <br /> Texto da Equipe de Redação do Pense Nisso.<br /> Em 26.1.2015</span><br />

<span style=''font-size: small;''>NOSSAS INGRATIDÕES<br /> <br /> É possível que você pense que poderia ser mais inteligente e se aborreça com suas limitações pessoais e com os esforços necessários para estudar, aprender, avançar.<br /> Mas talvez nunca tenha pensado naqueles que renascem com profundas limitações na área do intelecto, desconectados da própria mente, imersos nessa ou naquela sequela física, em vidas de resgate e expiação. Talvez esses tenham dificuldades maiores do que as suas.<br /> Você já pensou que poderia ter um corpo mais harmonioso, mais elegante e condizente com os padrões de beleza instituídos.<br /> Mas, talvez nunca tenha pensado naqueles que trazem deformações, mutilações, limitações na veste orgânica, com dificuldades para andar, falar, ouvir ou enxergar. Esses desejariam muito ter o corpo exatamente igual ao seu.<br /> Você já pensou que poderia ter mais dinheiro, morar em uma casa maior, ter um carro da moda ou viajar para países distantes.<br /> Mas, talvez nunca tenha pensado naqueles que vivem da caridade alheia, sem a opção de um trabalho digno para se sustentar, sem garantia de moradia ou de alimentação diária.<br /> Esses, possivelmente, sonhem em ter a casa e o salário que você dispõe.<br /> Você já pensou que sua família é um peso imenso em seus ombros, que gostaria de ter os filhos semelhantes àqueles que você vê em outros lares e ter o cônjuge igual a outros casais que você conhece.<br /> Mas, talvez nunca tenha pensado naqueles que vivem sós, sem família, sem alguém para dizer oiao chegar em casa, para dividir suas frustrações e seus sonhos, ou para compartilhar a mesa de refeições.<br /> É possível que esses sonhem todos os dias em ter uma família como a sua, problemática e de difícil trato, mas pelo menos teriam seres próximos a quem pudessem entregar o seu amor, compartilhar suas carências.<br /> * * *<br /> Muitas vezes sonhamos com outra vida, outro corpo, outros entes queridos, outra trajetória.<br /> Sonhamos com aquilo que, infantilmente, imaginamos nos faria felizes.<br /> Mas, possivelmente, a beleza do corpo nos trouxesse a vaidade desmedida.<br /> A inteligência privilegiada nos tornasse arrogantes e pretensiosos.<br /> O dinheiro em excesso talvez nos conduzisse a vícios e comportamentos comprometedores.<br /> E nos destituirmos da família seria o caminho para o egoísmo e a solidão.<br /> Dessa forma, percebemos que a vida é feita de bênçãos, de oportunidades de aprendizado. Tudo ao nosso redor é aquilo que Deus provê para melhor aproveitarmos a oportunidade da vida.<br /> E os Seus desígnios são de sabedoria e amor irretocáveis.<br /> Assim, ao analisarmos tudo que temos, nosso corpo, nossa condição financeira, nossas capacidades e nossa família, agradeçamos a Deus por tudo isso.<br /> Afinal, de nossa existência, o que nos pertence mesmo é aquilo que podemos guardar no cofre do coração. Tudo o mais é empréstimo Divino para que possamos galgar a estrada rumo à perfeição.<br /> São empréstimos que nos cabe usufruir de forma consciente, deles extraindo o melhor.<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Redação do Pense Nisso.<br /> Em 8.4.2013.<br /> </em></div> </span><br />

<span style=''font-size: small;''>LIÇÃO BEM APRENDIDA<br /> <br /> O garoto tinha apenas cinco anos. Morava em uma cidade do interior gaúcho. Um local onde quase todos se conheciam.<br /> Casos de roubo ou outros crimes, quando aconteciam, revolucionavam a cidade, como se fosse o fim do mundo.<br /> Naquela localidade, os vizinhos se cumprimentavam e, quando viam crianças pela rua, logo tratavam de perguntar onde estavam os seus pais, o que faziam sozinhos, para onde iam.<br /> Em resumo, uns cuidavam dos outros.<br /> Foi, portanto, de forma natural, que dona Rute, ao sair para fazer compras, sabendo que iria se demorar algumas horas, olhou para o terreno da casa ao lado e vendo o menino a brincar, lhe disse:Cuide de minha casa, por favor.<br /> O menino ergueu os olhos e acenou, de forma afirmativa, com a cabeça.<br /> Em seguida, chamou seu cão, um amigo desde as horas primeiras da infância. Era seu companheiro de brincadeiras.<br /> O cão o seguia aonde quer que fosse. E os pais sabiam que o menino estaria seguro sob a guarda do animal fiel.<br /> Então, o garoto abriu o portão de sua casa, andou até a casa vizinha, ficou na ponta dos pés para conseguir alcançar a maçaneta do portão e entrou.<br /> Sentou-se na entrada cimentada, de acesso à casa e o cão se sentou ao lado. E ali ficaram por mais de três horas.<br /> A mãe, em vendo o garoto em terreno alheio, se preocupou que ele fosse aprontar alguma e o chamou diversas vezes para que viesse para casa.<br /> Mas, a cada chamada, ele acenava com a cabeça negativamente e dizia: Não posso!<br /> Quando dona Rute chegou, entendeu: o menino tomara ao pé da letra o cuidar da sua casa e montara guarda, parado, na frente de sua porta, por mais de três horas.<br /> Beijou-o, sorrindo, agradeceu e entrou em casa. Ele se levantou e com seu cão, retornou ao próprio lar.<br /> No cair da noite, a mãe foi surpreendida com a chegada de dona Rute procurando por seu filho.<br /> Sobressaltou-se: O que é que ele aprontara? Fizera alguma travessura?<br /> Mas a vizinha insistia que queria falar com o menino. Ele veio e, ante o espanto da mãe, a senhora o abraçou, beijou, agradeceu e lhe entregou um prato com doces que ela preparara.<br /> Só então a mãe teve a explicação do que seu filho fizera. Seu filho, a quem ela, desde muito cedo, ensinara a lição da responsabilidade e do dever.<br /> Ele entendera direitinho.<br /> * * *<br /> Invistamos na educação desde as primeiras horas de vida dos nossos filhos.<br /> Não acreditemos que eles sejam muito novos e que não compreenderão as regras da boa conduta, do que seja dever e responsabilidade.<br /> A criança assimila o que ouve e sobretudo, o que vê.<br /> Falemos a respeito do dever e o exemplifiquemos.<br /> Conscientes de que devemos preparar nossos filhos para o mundo, ofertemos a eles o melhor em termos de educação.<br /> Se somos dos que observamos a má educação alheia se apresentando, em algumas ocasiões, ofereçamos ao mundo cidadãos cumpridores de deveres, pessoas de bem, nossos filhos.<br /> Sejamos promotores da sociedade renovada, de pessoas comprometidas com a paz alheia e a própria paz, com o bem-estar do semelhante e a própria felicidade.<br /> Enfim, sejamos construtores do amanhã de bênçãos.<br /> <br /> <br /> </span> <div style=''text-align: right;''><span style=''font-size: small;''><em>Redação do Pense Nisso, com base em fato da vida<br /> familiar de Maria Helena Marcon.<br /> Em 5.4.2013.</em></span></div>

<span style=''font-size: small;''>CIÚME DESTRUIDOR<br /> <br /> A vida de Ana se tornara muito ruim, desde o momento em que começara a desconfiar que Artur, seu marido, tinha outra mulher.<br /> Ana olhava para ele e se sentia traída. Toda vez que Artur chegava atrasado do trabalho, mesmo que dissesse que fora o trânsito complicado ou uma reunião de última hora, ela pensava: Demorou por causa da outra. Devem ter se encontrado hoje. Por isso se atrasou.<br /> A paz do lar ficou comprometida. Ele chegava cansado, ela estava mal-humorada e procurava todos os motivos para reclamar.<br /> Por vezes, ela surpreendia Artur dispersivo. O pensamento distante. Era o suficiente para pensar consigo mesma: Olhe só como está pensativo! Aposto que está pensando nela.<br /> Finalmente, um dia, ela resolveu seguir o marido para o surpreender.<br /> Esperou-o na saída do trabalho. Ele pegou o carro, andou algumas quadras e parou na floricultura. Ela viu quando ele escolheu as maravilhosas flores e saiu carregando-as com carinho.<br /> Mau caráter, pensou ela. Gastando com outra.<br /> Aquilo a deixou de tal forma desconcertada, que começou a chorar. Foi para casa e se jogou na cama.<br /> Chorou muito.<br /> Pouco depois, ela ouviu a porta abrir e seu marido chegar. Escutou os passos dele na escada, subindo até o quarto do casal, onde ela estava.<br /> Mal o viu adentrar o quarto, ela se sentou na cama, os olhos vermelhos de chorar, os cabelos em desalinho e desabafou:<br /> Eu vi tudo. Você não pode negar. Comprou flores para ela. Rosas vermelhas maravilhosas. Você me traiu. Traiu o nosso amor.<br /> Alterada, ela se levantou e avançou na direção dele. Para sua surpresa, verificou que ele trazia nas mãos o lindo ramalhete de rosas vermelhas.<br /> Um pouco chateado, estendendo o ramalhete para ela, ele falou:<br /> Ana, hoje é dia do nosso aniversário de casamento. Você não lembrou?<br /> * * *<br /> O ciúme cria quadros exagerados, fomentando desconfiança. Atestado de insegurança, destrói o relacionamento pelo clima de tensão que cria a todo momento.<br /> Cultivador da infelicidade, o ciúme altera a correta visão dos fatos, aumentando a importância de pequenos atrasos, desejos não atendidos, esquecimentos de datas e compromissos a dois.<br /> Criando azedume, envenena a alma e desassossega o pensamento.<br /> Colocando óculos escuros na visão mental, tudo faz parecer sombrio, devastador.<br /> Uma distração é tida à conta de desinteresse. O atraso para um encontro é considerado desrespeito.<br /> Fora da realidade sempre, o ciúme provoca cenas desastrosas e desgastantes, em situações onde uma leve indagação ou uma conversa a dois, com toda a certeza, resolveria.<br /> * * *<br /> Nunca deixemos que o ciúme nos atormente. Ele é o responsável pela devastação de corações e de lares.<br /> Se nos sentimos inseguros, fortifiquemos a relação a dois com diálogos mais profundos, com saídas para um passeio ao luar ou um final de semana a sós.<br /> Se o outro estiver, verdadeiramente, permitindo que a relação esfrie, que o amor amorne, providenciemos o melhor para o estreitamento dos laços afetivos, guardando a certeza de que é nos pequenos gestos que a relação se fortalece.<br /> Redação do Pense Nisso, com base no cap. 48, <br /> do livro Para que minha vida se transforme, v. 1, de <br /> Maria Salete e Wilma Ruggeri, ed. Verus.<br /> Em 24.10.2014.<br /> <br /> </span><br />

<strong>ONDE MORA A PAZ</strong><br /> <br /> <span style=''font-size: small;''>Pedro mora próximo à Rua 13 de junho há 15 anos.<br /> Nos últimos tempos, está à beira de um ataque de nervos, pois não consegue mais suportar o barulho ininterrupto dos carros.<br /> Ele tem algumas escolhas: trabalhar pelo fechamento da avenida - ao menos à noite;<br /> pela modificação da legislação de poluição sonora ou uso de automóveis;<br /> ou ainda, mudar-se.<br /> É importante, porém, comentar também sobre seu vizinho, Bernardo. Bernardo vive ao lado de Pedro, também de frente para a Rua 23 de Maio.<br /> Perguntado a ele o que achava de viver naquele apartamento, a resposta foi surpreendente.<br /> Revelou que adora viver ali. Ele acha linda a vista que tem do apartamento. Disse que pode ver o maravilhoso nascer do sol de sua janela.<br /> Adora observar a cidade. Perceber os habitantes caminhando ou em seus carros, e os resistentes passarinhos que aprenderam a viver com a civilização.<br /> Numa conversa entre os dois, Pedro não aguentou, e questionou: Mas e o barulho? Você não se incomoda com toda esta barulheira que não tem fim?!<br /> Bernardo respondeu: Olhe, fico tão concentrado nos meus afazeres, que eu nem percebo o barulho.<br /> Pedro não podia acreditar. Achou, por um instante, que o vizinho tinha problemas auditivos, e falando bem baixo, tentou descobrir se ele era surdo.<br /> Mas não era. Ouvia muito bem.<br /> Como explicar isso? Ele ouvia muito bem e não se incomodava com o barulho?<br /> E à noite? - perguntou ainda Pedro, indignado - Como você faz para dormir?<br /> Vou ser bem sincero, caro amigo - respondeu Bernardo - à noite, ao deitar, sinto-me tão feliz com o dia vivido e com as coisas que tenho feito, que também não me incomodo com barulho algum.<br /> Pedro pôde ver sinceridade e pureza nos olhos e nas palavras do contérmino morador.<br /> Naquele momento ele percebeu a razão de se incomodar tanto com aquelas coisas: ele não era feliz com o dia que tinha, e nem com as coisas que fazia.<br /> * * *<br /> Um outro personagem também ilustra bem a reflexão proposta:<br /> Trata-se de Daniel. Jovem, de família abastada, casado, e morador de um condomínio fechado.<br /> Daniel foi presenteado por seus pais com uma casa no litoral. Ficou, a princípio, muito animado com a mudança.<br /> Afinal, haveria lugar mais tranqüilo e pacífico do que próximo ao mar?<br /> Os dias passaram, e ele percebeu, pouco a pouco, que não seria capaz de suportar aquele estilo de vida.<br /> Aquele barulho constante de ondas quebrando;<br /> gaivotas gritando logo cedo;<br /> aquela umidade de maresia;<br /> a areia que insistia em acompanhá-lo em seu carro e em sua casa.<br /> Daniel entrou em crise. Variava entre estados de irritação e depressão. Começou a tomar remédios, e decidiu: iria se mudar dali.<br /> * * *<br /> Onde mora a paz?<br /> Será que a paz está na ausência de ruídos externos?<br /> Será que para dormir em paz precisamos apenas de silêncio?<br /> A paz tem moradia em nosso íntimo, e enquanto não formos felizes com nossos dias, com as coisas que fazemos, não a encontraremos.<br /> Não basta mudar deste para aquele local. Faz-se necessário mudar-se na intimidade.<br /> Deixar para trás o lar das atividades fúteis, das conquistas passageiras, e fixar morada na casinha aconchegante da alegria de viver, do amor à família, do prazer de servir.<br /> Redação do Pense Nisso.<br /> Em 30.03.2015.</span><br />