A ULTIMA VIAGEM

PENSE NISSO · EP 1862

A ULTIMA VIAGEM

28 Ago 2026 · DURAÇÃO 4:08
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Era tarde da noite quando o taxista recebeu o chamado. Ao chegar, ele pensou em buzinar e aguardar, mas imaginou que alguém que chamasse o táxi tão tarde poderia estar com alguma dificuldade. Saiu do carro, foi até a porta e tocou a campainha. Uma senhora idosa, pequena, franzina, com um vestido estampado, abriu a porta. Equilibrava-se em uma bengala e, na outra mão, trazia uma pequena valise. Ele olhou para dentro e percebeu que todos os móveis estavam cobertos com lençóis. Ele apanhou a mala e ajudou a passageira a entrar no táxi. Ela forneceu o endereço e perguntou: — Podemos ir pelo centro da cidade? — Mas o caminho que a senhora sugere é mais longo — observou o taxista. — Não tenho pressa. Desejo olhar a cidade pela última vez. Estou indo para um asilo porque não tenho mais família, e o médico me disse que morrerei em breve. O taxista, que começara a dar a partida, desligou o taxímetro, sutilmente olhou para trás, fixou os olhos nela e perguntou: — Aonde mesmo a senhora gostaria de ir? Ele a levou até um prédio na área central da cidade. Ela mostrou o edifício onde fora ascensorista quando jovem. Depois, foram a um bairro onde ela morou recém-casada com seu marido. Apontou, mais adiante, o clube onde dançou com seu amor muitas vezes. De vez em quando, ela pedia que ele fosse mais devagar ou parasse em algum lugar. Parecia olhar na escuridão, no vazio. Suspirava e olhava para trás. Assim, as horas passaram, e ela manifestou cansaço. — Por favor, agora estou pronta. Vamos para o asilo. Era uma casa cercada de árvores e, apesar do horário, ela foi recepcionada de forma cordial por dois atendentes. Ela se despediu do taxista. — Quanto lhe devo? — Nada — disse ele. — É uma cortesia. — Mas você tem que ganhar a vida, meu rapaz. — Há outros passageiros — ele respondeu. Sensibilizado, ele a envolveu em um abraço afetuoso. Ela retribuiu com um beijo e palavras de gratidão. — Sabe, você deu a esta velhinha um grande presente. Deus o abençoe. Naquela madrugada, o taxista resolveu não trabalhar mais. Ficou a cismar: “E se ele apenas tivesse tocado a buzina duas ou três vezes? E se tivesse recusado a corrida pelo adiantado da hora? E se tivesse querido encerrar o turno de forma apressada para ir para casa?” Deus sabe da riqueza que é ser gentil. Por vezes, pensamos que grandes momentos são motivados por grandes feitos. Contudo, existem coisas mínimas que representam muito para uma vida. O importante é estar atento, a fim de não perder essas ricas oportunidades de dar felicidade a alguém. Mesmo que seja um simples passeio pela cidade, uma ida ao cinema, uma volta pelo jardim, um bate-papo num final de tarde ou atender um telefonema na calada da noite. Estejamos atentos para as coisas mínimas, os gestos quase insignificantes. Eles podem representar, para alguém, toda a felicidade. Pense nisso. Mas pense agora.

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