A ULTIMA VIAGEM

PENSE NISSO · EP 2248

A ULTIMA VIAGEM

13 Nov 2023 · DURAÇÃO 4:08
0:004:08

<br /> \nEra tarde da noite, quando o taxista recebeu o chamado. Ao chegar, ele pensou em buzinar e aguardar. Mas imaginou que alguém que chamasse o táxi, tão tarde, poderia estar com alguma dificuldade.<br /> \nSaiu do carro, foi até a porta e tocou a campainha.<br /> \nUma senhora idosa, pequena, franzina, com um vestido estampado, abriu a porta.<br /> \nEquilibrava-se em uma bengala, e, na outra mão, trazia uma pequena valise.<br /> \nEle olhou para dentro e percebeu que todos os móveis estavam cobertos com lençóis.<br /> \nEle apanhou a mala e ajudou a passageira a entrar no táxi. Ela forneceu o endereço e perguntou:<br /> \nPodemos ir pelo centro da cidade?<br /> \nMas o caminho que a senhora sugere é o mais longo, observou o taxista.<br /> \nNão tem importância, afirmou ela, resoluta. Não tenho pressa. Desejo olhar a cidade, pela última vez.<br /> \nEstou indo para um asilo, porque não tenho mais família e o médico me disse que morrerei breve.<br /> \nO taxista, que começara a dar partida, desligou o taxímetro, sutilmente. Olhou para trás, fixou-a nos olhos e perguntou:<br /> \nAonde mesmo a senhora gostaria de ir?<br /> \nEle a levou até um prédio, na área central da cidade.<br /> \nEla mostrou o edifício onde fora ascensorista, quando jovem.<br /> \nDepois, foram a um bairro onde ela morou, recém-casada, com seu marido. Apontou, mais adiante, o clube onde dançou, com seu amor, muitas vezes.<br /> \nDe vez em quando, ela pedia que ele fosse mais devagar ou parasse em frente a algum edifício.<br /> \nParecia olhar na escuridão, no vazio. Suspirava e olhava.<br /> \nAssim, as horas passaram e ela manifestou cansaço:<br /> \nPor favor, agora estou pronta. Vamos para o asilo.<br /> \nEra uma casa cercada de arvoredo e, apesar do horário, ela foi recepcionada, de forma cordial por dois atendentes.<br /> \nEla se despediu do taxista.<br /> \nQuanto lhe devo?<br /> \nNada, disse ele. É uma cortesia.<br /> \nVocê tem que ganhar a vida, meu rapaz!<br /> \nHá outros passageiros, respondeu ele.<br /> \nSensibilizado, a envolveu em um abraço afetuoso. Ela retribuiu com um beijo e palavras de gratidão:<br /> \nVocê deu a esta velhinha um grande presente. Deus o abençoe.<br /> \nNaquela madrugada, o taxista resolveu não mais trabalhar. Ficou a cismar: E se ele apenas tivesse tocado a buzina duas ou três vezes e ido embora?<br /> \nE se tivesse recusado a corrida, pelo adiantado da hora?<br /> \nE se tivesse querido encerrar o turno, de forma apressada, para ir para casa?<br /> \nDeu-se conta da riqueza que é ser gentil.<br /> \n*&nbsp; &nbsp;*&nbsp; &nbsp;*<br /> \nPor vezes pensamos que grandes momentos são motivados por grandes feitos.<br /> \nContudo, existem coisas mínimas que representam muito para uma vida.<br /> \nO importante é estar atento, a fim de não perder essas ricas oportunidades de dar felicidade a alguém.<br /> \nMesmo que seja um simples passeio pela cidade, uma ida ao cinema, uma volta pelo jardim, um bate-papo num final de tarde, atender um telefonema na calada da noite.<br /> \nEstejamos atentos para as coisas mínimas, os gestos quase insignificantes.<br /> \nEles podem representar, para alguém, toda a felicidade.<br /> \n<br /> \n<br /> \nRedação do Momento Espírita, com base em mensagem<br /> \nassinada por Don Rico e datada de 26.7.2005.<br /> \nEm 22.9.2023.

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