NOTAS DO EPISÓDIO
APENAS O ESSENCIAL<br /> \n<br /> \nEu contei os meus anos, e descobri que tenho menos tempo para viver daqui para frente, do que já vivi até agora.<br /> \nEu tenho muito mais passado, que futuro.<br /> \nEntão, não tenho mais tempo para lidar com a mediocridade.<br /> \nEu não quero reuniões, em que desfilam egos inflamados.<br /> \nInquieto-me com os invejosos, cobiçando lugar de quem eles admiram.<br /> \nEu já não tenho tempo para conversas inúteis, sobre vidas alheias, que nem fazem parte da minha.<br /> \nEu já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas idosas, mas ainda imaturas.<br /> \nEu detesto pessoas que não debatem conteúdos, mas apenas rótulos.<br /> \nEu quero viver ao lado de gente que sabe rir...sabe rir de seus tropeços. Quero viver ao lado de pessoas que não se encanta com os seus triunfos, não se considera eleita, antes da hora.<br /> \nQuero viver ao lado de gente que não foge da sua mortalidade...eu quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade;<br /> \nApenas o essencial faz a vida valer apena...e para mim, basta o essencial.<br /> \n<br /> \nÉ essencial livrar-se dos falsos valores que levam a julgamentos igualmente falsos; abandonar tolas crendices, filhas da angústia e do medo do desconhecido.<br /> \nExiste ainda o perigo do deslumbre que cega a mente e ilude nossa capacidade de julgar; a vaidade tola e a megalomania, caminhos que levam a bezerros de ouro, à paixão pela conquista do poder pelo poder, ou como forma de submeter o próximo.<br /> \nNossos olhos, muitas vezes, emprestam lentes de Narciso, capazes de distorcer nossa real imagem e os julgamentos que fazemos dos nossos atos.<br /> \nSó o tempo permite àqueles que dele fazem bom uso, cultivando o saber e examinando a vida em profundidade, perceber as coisas realmente importantes e belas.<br /> \nNós, humanos, como as flores, os pássaros e tudo que é vivo, temos um ciclo que se inicia com o nascimento, prossegue com o florescer da maturidade e termina com a morte.<br /> \nMorremos todos, sem a beleza ou o vigor físico. De nada adiantam nossas conquistas terrestres, todas são fugazes.<br /> \nSe algo for eterno, será apenas a consciência que adquirimos neste viver.<br /> \nEsse enorme mistério da vida e da morte é o mais tranquilo, límpido e belo espetáculo ao qual nenhum outro se compara, mas que só pode ser observado e compreendido com o tempo, com o passar do tempo. Esse é um privilégio reservado aos que usaram bem seu tempo de vida.<br /> \nÉ contraditório, mas é preciso aceitar a nossa morte para se entender e vislumbrar toda a beleza da vida.<br /> \nDaí, talvez, a sabedoria popular do velho ditado que diz: "Neste mundo, quem mais olha menos vê, quem não morre não vê Cristo."<br /> \nAcreditamos que, no ditado popular, a palavra Cristo significa "ter consciência do processo da vida".<br /> \nSe fôssemos capazes de menores ilusões e maior consciência, certamente seríamos muito mais felizes.<br /> \nTeríamos maior prazer no trabalho, trataríamos o próximo com mais amor e respeito; seríamos mesmo capazes de amá-lo, não por nossos interesses, mas sim por ele mesmo.<br /> \nNão teríamos a maioria das nossas preocupações, dormiríamos melhor, administraríamos melhor nossas energias e não permitiríamos que tolas fantasias e angústias desnecessárias se apossassem de nosso ser.<br /> \nViveríamos em paz, teríamos mais tempo para as crianças, as flores e os pássaros.<br /> \nNão necessitaríamos do consumo de drogas ou de bens supérfluos, usaríamos nosso tempo e nossa energia para coisas muito mais prazerosas: pensar e examinar a vida, livrar-nos de falsos valores, fantasias e miragens, encontrar a essência da vida, ver com os olhos da alma.<br /> \nApague as luzes, dilate as pupilas da alma e veja.<br /> \n<div style=''text-align: right;''><br /> \n<em>Redação do Pense Nisso, com base em texto de Mario de Andrade e do Professor Oriovisto Guimarães, do Centro Universitário Positivo - UNICENP.<br /> \nEm 04.01.2015.</em></div> \n<br />
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