Capa de Pense Nisso

PODCAST · 24 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

Compartilhar

Episódios

Ordenar por:Mais recentes
GENÉTICA NÃO TEM PRECONCEITO
24 Jul 20264:33EP 8

GENÉTICA NÃO TEM PRECONCEITO

Durante uma conferência de ciências, uma pergunta é feita por Lawrence Summers, um dos convidados e ex-presidente da Universidade de Harvard, que sugere que diferenças genéticas explicariam o fato de haver bem menos mulheres no campo da ciência do que homens. O mediador da conferência disse, alguém que queira falar sobre diferenças genéticas entre homens e mulheres? Um dos mais notáveis cientistas do nosso tempo, o astrofísico americano Neil de Grasse Tyson, se apresentou para responder a tal questão. Eis a resposta do famoso físico. Bem, senhoras e senhores, eu nunca fui uma mulher. Iniciou com bom humor o cientista. Houve muitos risos na plateia. E Tyson dá prosseguimento à sua resposta. Mas tenho sido negro a vida toda. Portanto, lhes ofereço uma perspectiva deste ponto de vista, pois há similaridade no tema ao acesso das oportunidades sociais que são dadas quando se fala sobre negros e as oportunidades às mulheres em uma sociedade dominada por homens brancos. E serei breve, pois quero ouvir outras questões. Durante toda a minha vida, eu sempre soube que queria ser um astrofísico. Desde os 9 anos, quando visitei um planetário, para ser mais exato. Então, eu tinha que ver como o mundo ao meu redor reagiria ao expressar as minhas ambições. E tudo que eu posso dizer é, o fato de eu querer ser um cientista astrofísico teve grande resistência da maioria. São as raízes das forças que naturalmente agem na sociedade. Toda vez que eu expressava este interesse, os professores diziam você não quer ser um atleta? Ou outra coisa? Porém, eu queria algo que estivesse fora dos paradigmas das expectativas das pessoas que estavam no poder. E por sorte, o meu interesse científico era tão profundo e tão rico em combustível que todas essas dificuldades e barreiras que tive que enfrentar, eu usava de mais combustível e continuava em frente. Agora aqui estou, creio, um dos cientistas mais reconhecidos. E quando olho para trás me pergunto, onde estão os outros que poderiam estar aqui como eu? E não estão. E eu me questiono, quem, ou o que se passou para que eu tenha sobrevivido e os outros não? Apenas porque as forças da sociedade estão resistindo em cada esquina, a cada lugar. Cada momento. Chegou ao ponto em que seguranças de mercado me perseguiram presumindo que eu era um ladrão. Eu saí de uma loja uma vez e o alarme disparou, então eles vieram para cima de mim. Eu passei pelo alarme ao mesmo tempo que um homem branco passou. E esse homem foi embora, com as mercadorias roubadas, sabendo que eles iam me parar e não a ele. Então, minha experiência de vida me conta que se não temos muitos cientistas negros e não temos muitas mulheres cientistas, é por uma questão de forças que a sociedade usa para estigmatizar as mulheres. Portanto, antes de começarmos a falar sobre diferenças genéticas, temos que encontrar um sistema onde as oportunidades sejam iguais. E aí sim, podemos falar de genética. Sim, caros ouvintes, quando se dá oportunidades, as diferenças genéticas são irrelevantes. Um exemplo disso é a mãe da física moderna, Marie Courrier. Famosa por sua pesquisa sobre a radioatividade, pela descoberta dos elementos polônio e rádio e por conseguir isolar isótopos desses elementos. Marie Courrier ganhou o prêmio Nobel de Química de 1911. A genialidade não está no sexo ou na raça, pois a genética não tem preconceitos. Pense nisso, mas pense agora.

NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL
23 Jul 20263:57EP 7

NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL

Marcella, revoltada por precisar trabalhar desde muito cedo, não conseguia entender o porquê de muitas situações em sua vida. Adolescente, se tornou babá de um pequenino em meio período, depois da escola. Mais tarde, trocou essa função pela de empregada doméstica, tarefa em que se manteve até o matrimônio, quando passou a cuidar da própria casa. Como precisasse colaborar com a renda familiar, tendo um filho pequeno, ela se sentiu obrigada a fazer salgadinhos para vender. Depois, conseguiu trabalho como teleoperadora. Um sentimento, no entanto, era sempre o mesmo: nada daquilo era o que desejava fazer. Optou por continuar os estudos e adentrou à universidade, cursando Psicologia. O qual, finalmente, sentiu que eram valorizados os seus talentos. Todavia, guardava certa mágoa pelos trabalhos que tivera anteriormente. Em um de seus momentos difíceis, foi conversar com uma professora em quem confiava e expôs seus conflitos. Analisada a situação, a professora propôs que ela passasse em revista detalhada seu passado e pensasse no que aprendera em cada profissão que exercera. E Marcela relatou que, como babá, aprendera a cuidar de criança e observar o seu desenvolvimento. Como empregada doméstica, aprendera a cozinhar, limpar, lavar e passar a ferro. Fazendo salgadinhos, aprendera a administrar o dinheiro e a lidar com pessoas diferentes. Como teleoperadora, conhecera muita gente, melhorara a sua conversação e aprendera, principalmente, a escutar. A professora, que a ouvira com interesse, lhe perguntou, então: — Você não percebeu que todas essas profissões estavam preparando você para o sucesso na área da Psicologia? Ser babá lhe adiantou, na prática, um ponto básico, considerando que o curso que frequenta estuda esse período da vida humana. Enquanto empregada doméstica, você se preparou para cuidar de sua própria casa, também a respeitar os desejos e vontades dos outros. Como vendedora de salgadinhos, aprendeu a lidar com pessoas diferentes e com o dinheiro, uma tarefa que nos acompanha a vida toda. Como teleoperadora, aprendeu a escutar, que é o ponto primordial no exercício da Psicologia. Marcela não teve opção senão concordar e concluir: — É verdade. O exercício de tarefas nos é sempre importante. Trabalho útil. É sempre trabalho abençoado que nos prepara para a vida. Todo trabalho que produz o bem e o belo tem o seu valor. Tanto o trabalho braçal como o trabalho mental são talentos que Deus nos concede para colaborarmos com o próximo e em prol do nosso melhoramento. Não existe profissão mais ou menos digna. Somos nós que valorizamos aquela em que nos encontramos, com nossa forma de executá-la. Pensemos: o que seria da salubridade do mundo sem os lixeiros? O que seria do centro cirúrgico sem quem se encarregasse da sua sepsia e dos instrumentos? Não importa a profissão, mas sim a dedicação com a qual a exercemos.

CERTEZAS DA VIDA
22 Jul 20264:04EP 6

CERTEZAS DA VIDA

CERTEZAS DA VIDA Possivelmente, em algum momento da sua vida, suas experiências te levaram a pensar sobre a morte. Talvez o medo de se encontrar com ela, ou a tristeza por perder alguém que você muito amava, alguém que fez história, deixou de existir nessa terra e hoje faz muita falta. Nos enganamos quando algo acontece e passamos a acreditar que a única certeza que temos é que um dia morreremos. Esse é um pensamento um tanto quanto pessimista. Não, essa não é a nossa única certeza. Nós temos outras confianças na vida. Por isso, decidi rever os meus conceitos. Essa mentalidade me gerava insegurança, medo, transtornos psicológicos. Hoje consigo ver que, até que a morte nos alcance, temos muitas histórias positivas para viver, muitas surpresas, conquistas, experiências inimagináveis para compartilhar. Quando passamos a enxergar a existência e a nós mesmos sob o ponto de vista espiritual, pessoal, além da casca material, ganhamos muitas outras certezas. A certeza de que o amor que cultivamos será colhido, em algum momento, seja no hoje ou no amanhã. A certeza de que os laços de amor que criamos ou fortificamos permanecem conosco para sempre. Nada se perde. Passamos a entender que o amor é importante que a herança. A herança é deixada por quem já morreu e, ao longo do tempo, se perde. O legado é deixado por alguém que fez a diferença em vida, ainda que não esteja mais presente. Alcança gerações com um brilho diferente. O pai que deixa o filho legado, ao invés de herança, transmite valores inegociáveis, princípios. E isso muda tudo. Quando nos permitimos desfrutar da vida na sua essência, cuidamos da nossa saúde. Saúde do corpo, da alma e também do espírito. Adquirimos a certeza de que há uma inteligência maior no leme, no comando de tudo, e que não precisamos nos desesperar quando as coisas saem do nosso controle. A certeza da vida antes da certeza da morte. A certeza de que cada minuto importa, de que cada dia é um tesouro inestimável. E, na fragilidade do nosso corpo, percebamos a resistência e a exuberância da vida. Um vírus imperceptível pode nos fazer adoecer e pode nos levar a passar pela morte a qualquer instante. Mas que isso não revele nossa fraqueza, e sim nossa grandiosidade. Estamos aqui de passagem. A terra é escola, é hospital, é campo de semeadura. Que possamos usar o tempo que temos para nos educar, para nos curar e para trabalhar sempre pelo bem. Não nos deixemos desanimar perante as crises, perante os momentos de sofrimento. Esta é mais uma certeza que temos: de que a dor não dura para sempre e de que podemos ser, hoje, melhores do que fomos ontem. Pense nisso, mas pense agora.

CONVERSAS VAZIAS
20 Jul 20263:51EP 4

CONVERSAS VAZIAS

Conversas Vazias Certo dia, enquanto passeava com seu filho, o pai perguntou: — Filho, você está ouvindo esse barulho? — Ah, sim, pai. É o som de uma carroça descendo pela estrada — respondeu o garoto. — Isso mesmo — disse o pai. — É uma carroça vazia. — Vazia? Mas como é que o senhor sabe que está vazia, se não a podemos ver? — perguntou o garoto, intrigado. — Ora, filho, é muito fácil. Podemos identificar que uma carroça está vazia pelo barulho que ela faz. Quanto mais vazia, mais barulhenta ela é. É muito comum, hoje em dia, entrarmos em conversas vazias. Conversas vazias de conteúdo, obviamente, mas também vazias de compreensão, interesse pelo outro, emoção, sinceridade e até de empatia. Há pessoas que são barulhentas, falam alto, gesticulam muito, não deixam ninguém falar, sempre querem ter razão, mas o conteúdo das conversas não tem qualidade. Na ânsia de disfarçar o vazio da alma, fazem muito barulho exterior, infelicitando-se e infelicitando os que as cercam. Quem faz barulho demais e diz o que não deve acaba escravizado pelas próprias palavras que, uma vez ditas, não podem mais ser apagadas. Quantas vezes pensamos a respeito disso? Quantas vezes avaliamos o quanto nossas conversas pesam no nosso cotidiano? Não é incomum vermos rodas de amigos e famílias sem praticarem uma reflexão profunda. As conversas são superficiais, sempre com algumas palavras aqui e outros trechos ali, mas todos sem sentido e sem significado profundos. Não discutem sobre a vida, os acontecimentos do mundo e os interesses do futuro. Vamos levando uma vida de frivolidade e não compreendemos nem conhecemos, de verdade, as pessoas do nosso convívio. Falar muito e dizer pouco é um fato comum. Muitas vezes queremos mudar o mundo, porém não refletimos o quanto nossas palavras são efetivamente coerentes, o quanto nossas conversas são profundas e de boa qualidade. Falar bem nunca significou falar muito. Pelo contrário, o poder da síntese é qualidade dos sábios. Quantas vezes, ao longo da vida, observamos as bênçãos e os estragos causados por uma única palavra? Ela pode fazer a diferença entre a guerra e a paz em nossas vidas. Palavras têm grandes efeitos. Pense bem no que você diz antes que saia da sua boca, porque, enquanto não as dizemos, temos sobre elas total domínio. A faculdade da fala nos foi dada por Deus para construir, para edificar, evoluir e promover o crescimento nosso e de quem nos rodeia. Dessa forma, antes de proferirmos palavras ao vento, lembremo-nos de que podemos ser identificados pelas nossas conversas e pela quantidade e qualidade das nossas palavras. Pense nisso, mas pense agora.

O MAIOR ÊXITO
16 Jul 20264:36EP 1

O MAIOR ÊXITO

30 anos se haviam passado. A turma do Ensino Médio programou um reencontro. Foi numa tarde quente, na enorme mansão de um deles. Não faltavam elogios ao anfitrião, que recebia os amigos. A arquitetura, a disposição dos móveis, tudo impressionava. Após o almoço, reunidos na ampla sala, a conversa passou para o relato das conquistas pessoais e do sucesso na carreira. Alguns eram médicos, engenheiros, advogados, professores de ensino superior. Falavam de seus casamentos, dos filhos. Era um longo desfile de alegrias. Comentavam sobre a empresa multinacional para a qual haviam sido contratados os filhos, dos altos cargos que ocupavam em hospitais, indústrias e por aí afora. Dava gosto constatar a felicidade que sentiam pelo êxito próprio, que incluía também o sucesso dos filhos. Deram-se conta, depois de muito falar, de que uma dentre eles se mantinha calada, apenas vibrando com a felicidade de cada colega. Voltaram-se para ela e perguntaram: — E você? Quais os grandes lances da sua vida? Ela sorriu e disse: — Amigos, nada tão eletrizante quanto os seus relatos. Vi meus irmãos se formarem, constituírem suas famílias e partirem em busca dos próprios destinos. A mim, finalizando o Ensino Médio, sucederam acontecimentos marcantes: a morte repentina de meu pai, um irmão menor sob meus cuidados e a necessidade de trabalhar para o sustento do lar. Dediquei-me à minha avó e à minha mãe, que enfermaram em anos sucessivos, exigindo de mim total dedicação. Não consegui entrar em uma universidade, tal o acúmulo de deveres para manter a família e atender aos problemas que surgiam, como uma avalanche a cada ano. Tive ofertas para crescer profissionalmente, transferindo-me para a capital federal, depois para o Rio de Janeiro e São Paulo. Mas a debilidade de minha avó e de minha mãe não me permitiu aceitar nenhum dos convites. Elas tinham somente a mim. Os anos se passaram. Não me casei. Não tenho filhos, senão os da alma, que assumi por questões próprias. Nunca empreendi grandes viagens, porque minhas economias eram, e ainda são, direcionadas aos que dependem de mim. Então, acho melhor vocês continuarem a falar de seus progressos, de suas glórias. A mim, tudo isso encanta, porque me parecem fenomenais os seus relatos. Fez-se silêncio na sala. Havia lágrimas em algumas faces. Todos ficaram olhando para a colega que, nos bancos do Ensino Médio, tinha grandes sonhos: viajar para o exterior, aprimorar-se em outro idioma, cursar uma faculdade, casar-se, ter filhos. Tudo lhe fora frustrado. No entanto, ali estava ela, alegrando-se com o sucesso dos amigos e regozijando-se com suas conquistas. Os olhares se cruzaram. Finalmente, um deles disse: — Já sabemos quem alcançou o prêmio de maior vencedor entre todos nós. Sim, há os que vencem no mundo e há os que vencem a si próprios, no silêncio da renúncia, servindo ao semelhante. Suas conquistas são tão importantes quanto as demais. Não se desespere porque a vida tomou um caminho que você não pretendia percorrer. O grande Criador do Universo conhece o nosso íntimo e sabe quais caminhos devemos trilhar para alcançarmos a perfeição da alma. Pense nisso. Mas pense agora.

Nada tocando
Pense Nisso
0:00
0:00