NOTAS DO EPISÓDIO
<p><strong>Fórmula especial</strong><br /> <br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Maurice Druon, que foi Ministro da Cultura da França e pertenceu à Academia Francesa, em sua obra O menino do dedo verde apresenta o jardineiro Bigode como uma personalidade muito especial.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Ele descobre que o filho do patrão, Tistu possui o polegar verde. É uma qualidade maravilhosa. Um verdadeiro dom do céu, explica ele para a criança.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Você sabe: há semente por toda parte não só no chão, mas nos telhados das casas, no parapeito das janelas, nas calçadas das ruas, nas cercas e nos muros.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Milhares e milhares de sementes estão ali esperando que um vento as carregue para um jardim ou para um campo. Muitas vezes elas morrem entre duas pedras, sem ter podido transformar-se em flor.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Mas, se um polegar verde encosta numa delas, esteja onde estiver, ela brota no mesmo instante.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Então, um dia, Tistu, em seus oito anos, foi conhecer a cadeia da cidade. Viu uma enorme parede cinzenta sem uma única janela.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Depois, outras paredes com janelas cheias de grades pretas. Alguém lhe explicou que os pedreiros haviam colocado horríveis pontas de ferro por toda parte para que os prisioneiros não fugissem.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Explicaram também que os prisioneiros eram homens maus e que os colocavam naquele lugar para curar a sua maldade. Quer dizer, tentavam ensinar-lhes a viver sem matar e roubar.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Tistu viu, atrás das grades, prisioneiros caminhando em roda, de cabeça baixa e sem dizer uma palavra.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Pareciam infelizes, com a cabeça raspada, as roupas listradas e os sapatos grosseiros.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">O que estão fazendo? Perguntou.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">E lhe responderam que eles estavam em recreio.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Imagine, pensou o menino, se o recreio deles é assim, o que não serão as horas de aula. Esta prisão é muito triste, por isso é que eles querem fugir.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Naquela noite, às escondidas, Tistu foi até a cadeia e colocou o seu polegar verde por toda a parede da prisão. Colocou no chão, no ponto em que a parede se encontrava com a calçada, nos buracos entre as pedras, ao pé de cada haste das grades.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">No dia seguinte, quando os habitantes da cidade se levantaram, descobriram que a cadeia da cidade se transformara em um castelo de flores.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">O muro estava coberto de rosas. As trepadeiras subiam pelas grades e caíam de novo. As pontas de ferro foram substituídas por cactos.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Os prisioneiros, como já não viam grades em suas celas, nem pontas de ferro nos muros, se esqueceram de fugir.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Os resmungões pararam de reclamar, entusiasmados com a beleza do lugar.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Os maus perderam o costume de brigar e todos tomaram gosto pela jardinagem. Logo, logo, a cadeia da cidade era apontada como modelo no mundo todo.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Nenhuma fuga. Trabalho e disciplina, ordem e educação era o que nela se via. Os habitantes da cidade descobriram, enfim, que as flores não deixam o mal ir adiante.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">* * *</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Os malfeitores, aqueles que nos roubam a paz, são credores do perdão e da misericórdia de Deus, tanto quanto nós mesmos.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">São, também, nossos irmãos, como o melhor dos homens. Suas almas, transviadas e revoltadas, foram criadas, como nós, para se aperfeiçoar.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">A caridade prescreve que os devemos auxiliar a sair do lameiro e, se não podemos transformar as grades em trepadeiras e as pontas de ferro em roseirais, podemos lhes dirigir as nossas preces, a fim de que o arrependimento lhes chegue e eles desejem se melhorar.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Filhos de Deus, como nós, são credores da nossa compaixão e merecem tratamento humanitário e condições para que possam se reabilitar.</span><br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px">Afinal, poderiam ser nosso pai, nossos irmãos, nossos amigos, se esses tivessem, em algum momento, transgredido as leis.</span><br /> <br /> <span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(68, 68, 68); font-family:arial; font-size:16px"> </span></p> <div style="box-sizing: inherit; margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 16px; vertical-align: baseline; color: rgb(68, 68, 68); font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-stretch: normal; line-height: inherit; font-family: Arial; background-color: rgb(255, 255, 255);"><em>Redação do Pense Nisso, com base nos caps. 6, 7 e 9 do livro O<br /> menino do dedo verde, de Maurice Druon, ed. José Olympio e no item 14,<br /> do cap. XI do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.<br /> Em 14.01.2013.</em></div>
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