NOTAS DO EPISÓDIO
<p><strong>Deixe o outro falar</strong></p> <p>Vivemos um momento em que nossas demandas diárias consomem demais o nosso tempo. Nossos compromissos profissionais, sociais, o horário na academia, a consulta médica, o trânsito… tudo de alguma forma exige um pouco de nós. E equilibrar tudo isso numa agenda não é uma tarefa fácil.</p> <p>Por muitas vezes, falamos com tanta gente, resolvemos os problemas... delegamos... mas erramos quando deixamos de ouvir, quando permitimos entrar no automático…</p> <p>Barbara sentiu isso na pele.</p> <p>Ela relacionava-se muito mal com sua filha Samanta. O relacionamento se deteriorava pouco a pouco.</p> <p>Samanta, que fora uma criança serena e complacente, tornou-se avessa à cooperação, às vezes provocadora. A mãe passava-lhe sermões, ameaçava-a, punia, sem sucesso.</p> <p>Certo dia, contou Barbara: “simplesmente desisti”.</p> <p>Samanta tinha desobedecido a mãe. Foi para a casa de uma amiga antes de terminar seus afazeres domésticos. Quando voltou, Barbara estava prestes a estourar com a filha pela milésima vez, mas não teve forças para isso. Limitou-se a dizer:</p> <p>"Por que, Samanta, por quê?"</p> <p>Samanta percebeu o estado em que a mãe se encontrava e, com uma voz calma, perguntou: "Quer mesmo saber?"</p> <p>Barbara disse sim com a cabeça e Samanta contou, primeiro hesitando, depois com uma fluência impressionante.</p> <p>A mãe fez uma reflexão e concluiu que nunca deu a devida atenção a Samanta. Nunca a ouvira. Sempre lhe dizia para fazer isso ou aquilo.</p> <p>Quando sentia necessidade de conversar com a mãe sobre as coisas dela, sentimentos, ideias, era interrompida com mais ordens. E então Barbara começou a compreender que a filha precisava mais da mãe - não como uma mãe mandona, mas como uma confidente, uma saída para suas confusões de adolescente.</p> <p>E tudo o que fazia era falar, falar, quando deveria ouvir. Nunca a ouvira.</p> <p>A partir daquele momento, a mãe passou a ser uma perfeita ouvinte. Hoje, a filha conta o que lhe passa pela cabeça, e o relacionamento entre as duas melhorou de maneira imensurável.</p> <p>* * *</p> <p>Quantos pais neste mundo têm problemas similares com seus filhos? Problemas que seriam amenizados se soubéssemos apenas ouvir um pouco mais.</p> <p>Como pais, como educadores, por vezes temos a falsa impressão de que precisamos falar, ensinar, proferir lições etc, e eles, os filhos, precisam apenas ouvir.</p> <p>Quantos pais reclamam que seus filhos não os ouvem e tudo parece que entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas será que esses pais sabem ouvir seus filhos?</p> <p>Será que esses pais não sabem que o aprendizado não se dá apenas por sermões, por conselhos? Um tempo de qualidade pode fazer toda a diferença. E pra muitos, esta é uma importante linguagem de amor.</p> <p>O processo de aprendizado, e mais, o processo de construção de uma boa relação familiar, tem que passar pelo diálogo. E quando estamos no campo do diálogo, precisamos entender que este é uma via de mão dupla. Falamos, mas também ouvimos...</p> <p>Ouvir exige autocontrole, disciplina, respeito ao outro e humildade. Por isso, talvez, ainda seja tão difícil para a Humanidade.</p> <p>Ouvir nos pede reflexão, paciência e empatia.</p> <p>Desta forma, procuremos sempre deixar o outro falar. Ouçamos as razões do outro, suas explicações ...</p> <p>Elas podem não justificar certos atos, mas explicam as razões da outra alma e nos fazem compreendê-la melhor.</p> <p>Pais, deixemos os filhos falarem! Filhos, deixemos nossos pais falarem!</p> <p>Famílias, conversem mais. O amor e a paz familiar sairão lucrando sempre.</p> <p>Pense nisso, mas…</p> <p>Pense agora.</p> <p><em><strong>Pense Nisso baseado em texto do Momento Espírita, com trechos do cap. 6, pt. III, do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie, ed. Companhia Editora Nacional. Em 25.1.2021</strong></em></p>
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