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PODCAST · 190 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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O ESSENCIALISMO
24 Jun 20263:52EP 142

O ESSENCIALISMO

Você já ouviu falar sobre o essencialismo? É uma teoria do escritor norte-americano Greg Mc Quinn, que fala sobre o que realmente é essencial na nossa vida. Talvez você seja uma dessas pessoas que tem tentado desesperadamente fazer de tudo ao mesmo tempo e que diz sim para tudo e todos. É igual àquele armário de roupas que está com superlotação. Não cabe mais nada, mas 80% das roupas que estão nele só estão ali ocupando um espaço. São aquelas peças que não são necessárias e que não deveriam estar mais ali. Nossa vida, muitas vezes, é esse armário de roupas cheio. Tentamos colocar a nossa rotina, os estudos, o trabalho, os afazeres da casa, uma atividade, aquela outra tarefa ali, mais uma outra aqui. Temos que responder os e-mails, as mensagens nos aplicativos, ir treinar, aquele projeto que tem que sair do papel, a outra reunião importante e, quando vemos, não temos tempo para mais nada. Mesmo assim, seguimos enchendo o armário de roupa. Ou melhor, enchendo a nossa agenda e vida de coisas para fazer. Aliás, é isso que as redes sociais e a sociedade atual pregam: a produtividade excessiva e totalmente tóxica. E você sabe o que deve fazer quando o armário está cheio de roupas consideradas sem serventia? Escolher. Escolher quais roupas usamos e quais já não cabem mais. Doar e se desfazer delas para que o armário tenha somente o que realmente é útil e necessário. Precisamos escolher quais atividades nos levam para a frente, as que nos levam para o nosso objetivo principal. Às vezes, tentamos dividir a nossa energia para tentarmos ser bons em várias coisas e dar conta de tudo, enquanto poderíamos focar nossa energia em apenas uma coisa, uma por vez, no que, de fato, é essencial, ter mais foco para podermos colher um resultado melhor. Por isso, precisamos eliminar as outras atividades que estão apenas nos sugando a energia, fazendo com que o único resultado seja o esgotamento e o cansaço. Só conseguiremos chegar nessa lista de prioridade quando aprendermos a dizer não. Estamos acostumados a dizer sim para tudo, até porque, dizem, não ainda é visto culturalmente como falta de educação. Mas dizer não não tem nada a ver com isso. É assim, sobretudo: entender o que é importante fazer hoje, agora. O essencialismo ensina a disciplina de buscar por menos. Mas não há falta de produtividade, mas o que de fato é essencial que você produza e gaste sua energia. Se você está cheio de coisas não essenciais para fazer, pense no que realmente é essencial agora na sua vida. O que tem apenas gastado sua energia e não tem te levado a lugar nenhum? É hora de vivermos mais o essencialismo para podermos desfrutar e aproveitar a vida. De que adianta fazer infinitas coisas e não ter tempo para o que realmente é importante? O que é importante que você realize hoje? Pense nisso. Pense agora.

A SUTIL ARTE
23 Jun 20264:21EP 141

A SUTIL ARTE

Você já recebeu um convite para reexaminar as suas prioridades e abraçar as imperfeições e problemas da vida? Parece estranho, não é mesmo? Afinal, as coisas tem que dar certo pra gente. Tudo deve ocorrer bem e sair como planejado. A resposta é não. Nem tudo na nossa vida vai sair como planejado. E sabe o que devemos fazer muitas vezes? Aceitá-las. O autor do bestseller norte-americano Mark Manson fala sobre isso em seu livro de Subtle Art of Nottingham. A sutil arte de não dar a mínima. Ele aborda que não devemos buscar desenfreadamente por sucesso e perfeição. Assim, focar naquilo que verdadeiramente nos traz sentido e significado. A vida é repleta de desafios e adversidades. Muitas vezes tentamos negá-los para podermos seguir. Só que para podermos seguir de fato é necessário aceitar as adversidades. Aceitar que não deu certo e talvez nem dê. É preciso enfrentá-los com coragem e responsabilidade para depois disso, sim, poder seguir em frente. Hoje ouvimos muito se falar de sucesso, alta performance, ganhar, ganhar, ganhar. Não que isso seja um problema. Na verdade seria uma maravilha se a vida fosse somente isso. E ela de fato não é assim. Só nos aceitando e aceitando a vida como de fato ela é, descobriremos que a verdadeira felicidade está em aprender a lidar com os altos e baixos da vida. Encare a vida como uma montanha-russa. Às vezes ela está no alto, embaixo e até de cabeça para baixo. E sabe o que você faz enquanto está na montanha-russa? Aceita o trajeto. Na vida é assim. Devemos entender que dessa vez não deu certo, que estamos embaixo. Mas assim como a montanha-russa, ela uma hora volta a subir e em outra situação as coisas podem fluir. Ainda no livro de Mark é explicado que se faz necessário não nos levarmos tão a sério, que precisamos rir de nossas próprias imperfeições e a encontrar significado na simplicidade da vida. Aceitar que nem tudo está sob nosso controle nos permite liberar a ansiedade e nos concentrar no que podemos mudar. Como já mencionado, a sociedade moderna muitas vezes nos pressiona a buscar sucesso, felicidade e perfeição. Mas na verdade, encontrar sentido na vida é mais sobre aceitar nossas limitações, enfrentar nossos problemas e aprender a lidar com as adversidades. Muitas vezes alimentamos o narcisismo puro que as coisas precisam dar certo para a gente. Que o caminho da felicidade é cheio de acertos e conquistas, ao invés de obstáculos e abatimento. Ou até adotamos a positividade excessiva em acreditar que tudo tem que dar certo. Às vezes não vai dar certo. E o mais saudável é aceitar isso. Só entendendo isso, conseguiremos de fato prosseguir em meio ao caos que pode aparecer na nossa jornada. Estamos todos na montanha russa da vida, cheios de altos e baixos. Não se compare. Se cobre ou ache que tudo deve ser perfeito, a vida não é assim. Como você tem encarado a vida e lidado com os problemas? Você os tem negado? Persistindo neles? Ou tem aprendido e deixando ir? Pense nisso. Mas, pense agora.

PEDRAS E PÃES
22 Jun 20265:09EP 140

PEDRAS E PÃES

Conta-se que Frey Bartolomeu dos Mártires viveu para servir. Era português, da cidade de Braga. Certa a feita, na comunidade em que oferecia seu trabalho, resolveram construir uma catedral monumental. Um templo de grandes proporções, que pudesse abrigar multidões. Para isso, os nobres se reuniram e acertaram de, anualmente, contribuírem com elevadas somas. Começou a construção. Ergueram-se as colunas, as paredes, chegou-se ao teto. Foi então que Frey Bartolomeu percebeu que uma crise havia chegado ao país, atingindo o povo. Os menos favorecidos lutavam contra a fome, a miséria, as doenças. Como chefe daquela comunidade religiosa, ele tinha à sua disposição todo aquele dinheiro arrecadado, cuja administração lhe competia. Especialmente, é claro, para a construção da catedral. Naquele ano, ele deixou a catedral parada. Ela tinha teto, pensou. Podia esperar. Os nobres, no entanto, prosseguiram a entregar elevadas somas. No segundo ano, a construção continuou parada. Também no terceiro, no quarto, no quinto. No quinto. Dez anos depois, a catedral estava do mesmo jeito. Nada de ficar pronta. Embora confiassem em Frey Bartolomeu, os nobres se reuniram, organizaram uma comissão e seis deles foram conversar com o Frey. Amigo de todos, ele os recebeu fraternalmente e os escutou. Por fim, respondeu. De acordo com a minha contabilidade, há mais de duas mil famílias em necessidade. Como pai espiritual de todas elas, não posso permitir que meus filhos passem fome. Tudo tem sido gasto com a nossa própria gente. Um deles disse, mas Frey, está certo que o senhor ajude essas criaturas. Poderia retirar uma pequena percentagem da soma que lhe entregamos? O velho Frey suspirou, ergueu os ombros, uniu as mãos e respondeu. Os senhores me fazem uma proposta muito curiosa. Vejam bem, lê-se no Evangelho que Jesus no deserto foi convidado a transformar pedras em pães. Os senhores, entretanto, estão me pedindo justamente ao contrário. Que eu transforme pães em pedras. Tinha razão o pastor daquelas almas. A vida humana nos merece todo o respeito. Em se falando sobre direito, o primeiro de toda criatura é o de viver. Portanto, alimentar corpos, prover as necessidades básicas dos nossos irmãos, se constitui não em caridade, mas em dever de irmão para conseguir mão. Toda moral se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. No que diz respeito à caridade e a que não importa se você tem ou não uma crença religiosa, o Evangelho de Mateus coloca claramente como condição absoluta da felicidade. Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era estrangeiro e me hospedastes. Estava nu e me vestistes. Adoeci e me visitastes. Estive na prisão e me fostes ver. Em verdade vos digo que quando o fizestes a um desses meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. E sintetizando a lição, Jesus recomendou, Amai-vos uns aos outros. Praticai o bem sem ostentação. Fazei aos outros o que quererias que vos fizessem. Pense nisso. Pense nisso. Mas, pense agora.

TÉDIO
20 Jun 20264:25EP 139

TÉDIO

Muitas pessoas estabelecem objetivos de vida que passam a ser buscados com intensa determinação. Limitam seus interesses à conquista de seus sonhos e, quando os alcançam, nem sempre encontram neles o sentido e o significado que esperavam. A meta, que por tanto tempo representou a razão de viver, cede lugar ao tédio, empurrando os seres para os abismos da depressão ou dos vícios. Por vezes, são pais que colocam na vida dos filhos os próprios sonhos. Projetam no futuro de seus rebentos os desejos que eles próprios não puderam realizar. No entanto, os filhos crescem e devem enfrentar as próprias lutas e dar curso às próprias vidas. Por vezes, a constatação dessa verdade causa nos pais mais despreparados amarga aflição. Outros, ainda, anseiam por alcançar um patamar elevado na carreira para amealhar, assim, consideráveis recursos financeiros. Porém, quando seus objetivos se realizam, sentem-se desestimulados. Há aqueles que se esforçam para ter fama e destaque na sociedade e que, quando os alcançam, amargurados e vazios, entregam-se às drogas e aos abusos do sexo. Inquietação e desequilíbrio costumam servir de base na busca por objetivos imediatos de prazer e de satisfação. Tais metas são frutos do egoísmo que ainda move os seres e, quando alcançadas, produzem tão somente rápida e passageira satisfação. Em pouco tempo, a antiga e conhecida sensação de aborrecimento e de vazio volta a exercer forte influência no cotidiano, como se todo o esforço tivesse sido vão. Como se toda a luta não tivesse valido a pena. Nos lábios, a impressão de que alguma palavra ficou faltando. Na boca, a permanente sensação de sede. É a fome de realização plena. É uma sensação de que, em sonho, tudo era mais belo e satisfatório. É o tédio, terrível flagelo que consome existências. Silencioso e ardiloso, penetra suavemente no comportamento, instalando-se na mente e no sentimento, depauperando e dominando os indivíduos. Quando te perceberes a um passo do tédio, assume nova postura e busca uma atividade que te preencha o tempo físico e mental de forma útil. Nunca te consideres impossibilitado de trabalhar, de agir no bem e de produzir. Considera o esforço dos artistas sem braços ou sem pernas, que se revelaram excelentes pintores, escultores e desenhistas, ricos de inspiração e de alegria de viver. Reflete sobre a vida de outros deficientes que se transformaram em mensageiros da renovação interior, tornando-se membros indispensáveis da economia moral e social no mundo. O esforço que lhes foi exigido não lhes concedeu tempo para qualquer forma de tédio ou de desinteresse, nem para se entregarem à lamentação ou ao desencanto. Não cesses de edificar, nem te permitas contemplar a retaguarda do já feito. Examina a perspectiva do quanto ainda necessitas realizar. Aspira à conquista do infinito e nunca te sentirás entediado com os logros conseguidos. Quem se basta com as aquisições meramente materiais ainda não alcançou a real maturidade, nem descobriu as prioritárias metas existenciais. Pela alegria de viver, e não apenas pelo que consiga deter nas mãos, jamais será vítima do tédio, porque estará sempre em ação, sentindo-se útil e pleno. Pense nisso, mas pense agora.

RELACIONAMENTO FAMILIAR
17 Jun 20264:00EP 138

RELACIONAMENTO FAMILIAR

O maior problema no relacionamento familiar é que cada um acredita que a razão lhe pertence. A esposa reclama porque o marido acredita que é doutor em tudo, está sempre certo. Não admite que ninguém lhe diga que está errado. O marido, por sua vez, fala que a mulher é muito impertinente, gosta de confusão, faz tempestade em copo d'água. O filho reclama que os pais estão totalmente por fora do mundo e querem governar a sua vida. Talvez falte um pouco de amor para iluminar o relacionamento afetivo e nos inspirar maneiras de convivermos com menos egoísmo. Conta o escritor Tom Anderson que, certa vez, ouviu alguém afirmar que o amor deve ser exercitado como um ato da vontade. Pode-se demonstrar amor através de gestos simples. Impressionou-se com o que ouviu. Reconheceu-se egoísta e que havia se tornado insensível ao amor familiar. Ficou imaginando o que poderia melhorar o relacionamento afetivo se deixasse de criticar tanto a esposa e os filhos, se não ligasse a televisão somente no canal de seu interesse, se deixasse de se concentrar na leitura do jornal e desse um pouco de atenção aos familiares. Durante as férias de duas semanas em que estavam juntos na praia, decidiu ser um marido e pai carinhoso. No primeiro dia, beijou a esposa e falou como ela estava bem vestindo aquele suéter amarelo. — Você reparou? falou, admirada. Logo que chegaram à praia, Tom pensou em descansar. Mas a esposa o convidou para dar um passeio junto ao mar. Ia recusar, mas lembrou da promessa que fizera a si mesmo, por isso foi com ela. No outro dia, a esposa o convidou a visitar um museu de conchas. Ele detestava museus, mas foi. Numa das noites, não reclamou quando a esposa demorou demais para se arrumar e eles chegaram atrasados a um jantar. E assim se passaram 12 dias. As férias estavam por terminar. Entretanto, Tom fizera a promessa de continuar com aquela disposição de expressar amor. Foi então que surpreendeu a esposa muito triste. Porque lhe perguntasse o motivo, ela lhe indagou: — Você sabe de alguma coisa que eu não sei? — Por que pergunta? disse o marido. — Bem, é que eu fiz aqueles exames rotineiros há algumas semanas. Segundo me disse o médico, estava tudo bem. Mas, por acaso, ele disse alguma coisa diferente para você? — Não! afirmou. — Claro que não! Por que deveria? — É que você... respondeu a esposa — está sendo tão bom para mim, que imaginei estar com uma doença grave, que iria morrer. — Não, querida. tornou a falar Tom, sorrindo. — Você não está morrendo. Eu é que estou começando a viver. Ao admitir que não somos infalíveis, nos habilitamos a iniciativas maravilhosas que põem água na fervura dos desentendimentos. Existem expressões mágicas em favor da harmonia doméstica: "Cometi um erro"; "Você tem razão"; "Peço perdão"; "Fui indelicado"; "Prometo mudar". Que tal começar hoje mesmo a tentar utilizar uma dessas expressões a favor da paz em nosso lar? Pense nisso, mas pense agora.

PREOCUPAÇÕES
16 Jun 20263:53EP 137

PREOCUPAÇÕES

Quando lidamos com diversos desafios do cotidiano, por vezes nos surpreendemos em estado de preocupação. São as questões domésticas, as profissionais, as sociais. São muitas coisas apesar sobre nossos sentimentos, nossos pensamentos, nosso humor. São problemas que envolvem os filhos. Onde vão morar? A viagem para o exterior? O novo curso que ele deve começar? São tantas incertezas. Será que vão conseguir superar todas as etapas? E se não conseguir, como vão reagir? A filha começou a namorar. Dará certo dessa vez? E se não der, como vai ficar o coração dela? O chefe tem ideias diferentes das nossas a respeito de muitas coisas. Como isso refletirá em nossa carreira? Nossas finanças como vão ficar? Os nossos projetos sairão do papel nos próximos meses? E os eventos que estavam programados para este ano? Será que vão mesmo acontecer? Vale parar um pouco e meditar a respeito desse fenômeno que se chama preocupação e que consone muitas de nossas energias. Se a causa for válida, convertamos a preocupação em ação positiva, em vez de ficar a remoer o desafio que se apresenta. Se a causa da preocupação não for legítima, se nosso estado psicológico se prende ao desejo de posse, ao se unir, à falta de fé ou qualquer capricho nocivo à saúde da alma, desliguemo-nos dessa sintonia, que somente nos trará desespero, mágoa e indiferença. Se persistirmos num estado de preocupação, poderemos adoecer ou realizar atos de que, mais tarde, nos arrependeremos. Quando alimentamos exagerado desejo de posse, ou quando elegemos objetos como pontos de felicidade, poderemos perder o exato objetivo de nossa vida na Terra. Afinal, não nos encontramos aqui para usufruir, mas para nos disciplinarmos, para nos educarmos e bem utilizar o que nos chegue e como chegue. Desse modo, estudemos com clareza os motivos das nossas preocupações e consideremos que o Celeste Amigo já prescreveu há muito tempo que a cada dia já basta o seu mal. Na certeza de que estamos no mundo a fim de aprender, crescer e amar, não nos permitamos sucumbir ante problemas de saúde, dificuldades financeiras, mal entendidos ou questões familiares. Aprendamos a resolver um após outros problemas, recordando que, às vezes, o tempo é o melhor remédio para as dificuldades. Entreguemos as nossas preocupações ao Criador e marchemos adiante, aguardando as luzes dos novos dias, que sempre brilham após as horas de sombras e desalento. O Criador nunca deixa ao abandono os que nele confiam. Se nem sempre nos dá o auxílio material, sempre inspira as boas ideias para que encontremos os meios de sair da dificuldade. É a Divina Providência, sempre alerta e apostos. Pense nisso, mas pense agora.

UM SIMPLES BOLO DE ANIVERSÁRIO
15 Jun 20264:16EP 136

UM SIMPLES BOLO DE ANIVERSÁRIO

Existem acontecimentos que fazem uma diferença enorme em nossas vidas. Por vezes, um aceno em meio ao trânsito, algumas palavras carinhosas recebidas no WhatsApp, um pequeno gesto de gentileza, dão ânimo a alguém desanimado. Uma iniciativa que tomamos para um colega, um conhecido, um amigo, em determinado momento, pode marcar corações, mexer com as emoções. Foi o que aconteceu com o jovem Michael, no supermercado onde trabalha. Ele é estimado pelos companheiros por sua educação e disposição para ajudar a quem precise. Quando os colegas ficaram sabendo que Michael estava aniversariando, juntaram dinheiro e compraram um bolo para comemorar o dia dele, quando entregaram o bolo e cantaram parabéns a você, o rapaz se emocionou, agradeceu muito e não segurou as lágrimas. Disse que era a primeira vez que comemorava o aniversário. Sua mãe não podia dar-se ao luxo de comprar um bolo, era de uma família muito simples, com poucos recursos. E ele agora estava com um bolo nas mãos, presente dos seus colegas. Ninguém imaginava que essa comemoração fosse inédita na vida do rapaz e todos se emocionaram junto com ele. O ser humano, por mais que se considere bem resolvido e pense não ligar para certas coisas como um gesto de carinho, sempre descobre que esta é uma necessidade. Quem diz não se importar de sentir-se aceito, respeitado, querido, em verdade acaba por se descobrir carente de tudo isso. A carência afetiva atinge todas as faixas etárias, culturais e sociais. É um mal que vai consumindo devagarinho, entristecendo o ser, deixando marcas. Mas quando se é um bom amigo, bom irmão, bom companheiro, torna-se fácil ofertar as manifestações de apreço, de amizade. Na vida prática de Jesus, observamos o quanto ele prestava atenção aos sentimentos dos que o rodeavam. Quando ele entra na cidade de Naim e viu passar o homem descarregando um corpo para o seu sofrimento, observou a dor da mãe viúva que o acompanhava. Então, por identificar aquele sofrimento, resolveu devolver a mãe o filho com vida. Em outro momento, quando Jesus entra na casa de Simão Pedro, percebendo a preocupação da família, ora e cura a sogra do amigo tomada por febre. Ele, o Mestre, nos ensinou a nos mantermos atentos ao nosso entorno, descobrirmos as dores do próximo e fazer ao outro o que gostaríamos que nos fosse feito. Comecemos, pois, esse exercício haveremos de descobrir quanta alegria poderemos espalhar com muito pouco. O nosso papel é descobrir quem anda desanimado, entristecido. Pode ser que lhe baste um cumprimento saber que alguém se importa com ele. Talvez um café, um bolinho, uma flor, possa tornar diferente o seu dia. Com certeza, não haveríamos de resolver os problemas do mundo, mas se colaborarmos para a felicidade de alguém a cada dia, nós mesmos haveremos de nos sentir muito realizados. É assim isso, mas pense agora.

 RELACIONAMENTO DE UM SÓ
13 Jun 20264:40EP 135

RELACIONAMENTO DE UM SÓ

Por mais que amemos, por mais que nos dediquemos e alimentemos esperanças em relação aos nossos relacionamentos, por mais que queiramos, nem sempre o outro está disposto a oferecer retorno. Ou tentamos, então, manter uma relação unilateral que pede somente sobre nossas cabeças, ou tomamos fôlego e percebemos que chega de sermos tontos. Não é fácil termos a noção exata de quando estamos embarcando em um barco furado, quando já fizemos tudo que estava ao nosso alcance sem resultados consistentes. Da mesma forma, podemos nos enganar quanto às reais intenções do parceiro, caso sejamos o tipo de pessoa que espera demais, além da conta, sem prestar atenção no que o outro quer. Tem para dar. Muitas vezes, idealizamos um romance açucarado. Esperamos que o outro corresponda àquilo que queremos, da forma como desejamos. No entanto, cada um tem a sua maneira própria de se expressar e de se importar, ou seja, muitas vezes o parceiro não corresponderá de forma fidedigna às expectativas que criamos, e nem sempre isso quer dizer que ele não nos ama. No entanto, quando prestamos atenção devida e refletimos com sobriedade acerca da forma como nosso relacionamento vem sendo construído, teremos, sim, a resposta aos nossos questionamentos, por mais dolorosa que seja. No fundo, sabemos se estamos recebendo amor verdadeiro, se estamos vivendo a troca, a partilha, a soma que se devem constituir as trocas amorosas. Infelizmente, muitas pessoas mal percebem que o parceiro está se despedindo, a pouco e pouco, que os olhares deixaram de se cruzar, que as mãos pararam de se procurar, que o coração arrefeceu o ritmo e a intensidade de suas batidas, que o adeus há muito já se instalou. Então, quando se dão conta, o outro já nem estava mais ali ao lado e tomou a decisão de partir, em busca de ares menos densos, onde pudesse respirar tranquilo, onde não fosse invisível. É preciso se conscientizar de que a única coisa que o vazio nos devolve é o eco da nossa própria e inútil insistência. É assim que muitas pessoas se perdem umas das outras, após o sofrimento calado e solitário da única parte que se entregou por inteiro, em vão, por dias, meses, anos. E quando tomamos a importância de evitarmos daquele vazio que suga e achata a nossa essência. Nada mais importará, nada mais nos fará tentar de novo, porque o cansaço então terá varrido qualquer afetividade de dentro de nós. Já não estaremos mais por ali, nem junto, nem perto de fato, apenas distantes o bastante para sobrevivermos longe do terreno arenoso da entrega inútil. Felizmente, seguiremos prontos para recomeçar, pois estaremos levando conosco a nossa capacidade de amar com verdade, com entrega de corpo e alma. Mas, para que esse amor não seja um relacionamento de um só, devemos nos ater nos detalhes, nas pequenas observações, nas respostas às perguntas mais simples que conseguimos alimentar a relação com demonstrações de generosidade e de amor. Como um lubrificante a facilitar o movimento das engrenagens, esses sentimentos de amor. Os movimentos permitem que a vida a dois ganhe profundidade e solidez. Frente à resposta ríspida, utilizemo-nos da bondade da palavra suave e compreendê-la. Substituamos o julgamento severo e rígido, muitas vezes já desgastado pelo tempo, pela generosidade de quem percebe e reconhece valores em quem nos acompanha. Pensemos nesses detalhes, mas pensemos agora.

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