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PODCAST · 3188 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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TECNOLOGIA DA DISTÂNCIA
27 Fev 20153:09EP 196

TECNOLOGIA DA DISTÂNCIA

&nbsp;Tecnologia da Dist&acirc;ncia.<br /> <br /> <br /> Estava uma noite quente, o que &eacute; habitual em Mato Grosso, ou&ccedil;o a minha esposa me chamar: &ndash; amor vem ver a lua, ela esta linda, brilhante!<br /> Contrariado, deixo de lado o teclado do computador, e atendo o chamado, mas com inten&ccedil;&atilde;o de voltar brevemente e continuar a navegar na internet.<br /> Realmente a lua estava linda, resplandecente. Ficamos ali, juntos, admirando o sat&eacute;lite natural do nosso planeta por horas.<br /> Enquanto observava o c&eacute;u, pusemo-nos a pensar o quanto, hoje, somos escravos de certas tecnologias.<br /> Vejamos a Internet. Num primeiro momento, a novidade enriqueceu rela&ccedil;&otilde;es por tornar poss&iacute;vel a comunica&ccedil;&atilde;o em tempo real e de f&aacute;cil acesso a quase todos.<br /> Podemos nos comunicar com algu&eacute;m, inclusive visualizando-o, diariamente, amenizando a saudade.<br /> Enviamos fotos, informa&ccedil;&otilde;es, realizamos pesquisas, tudo t&atilde;o f&aacute;cil e agilmente.<br /> No entanto, toda essa tecnologia est&aacute;, exatamente, nos tornando pessoas isoladas. Conectados a redes, a comunidades virtuais, estamos esquecendo dos que se encontram ao nosso lado.<br /> Estamos realizando tanto virtualmente que nos esquecemos de abra&ccedil;ar fisicamente, de enla&ccedil;ar o outro, de olh&aacute;-lo nos olhos.<br /> Estamos desaprendendo a falar, a conversar. <br /> &emsp;<br /> Assim, as crian&ccedil;as e adolescentes viajam com seus pais mas, no banco de tr&aacute;s, utilizam constantemente os dedos no celular. Enviam mensagens, respondem e-mails, fazem download disso e daquilo, jogam.<br /> Di&aacute;logo? Olhar a paisagem? Admirar a natureza que vai bordando exuber&acirc;ncias, em colorido variado? Nem pensar!<br /> * * *<br /> Se voc&ecirc; &eacute; escravo de qualquer m&iacute;dia que o esteja isolando, por hoje, ao menos, pare.<br /> Pare e observe. Redescubra o valor de abra&ccedil;ar seu amor, de conversar com ele, de sorrir para ele.<br /> Veja seu filho que ensaia desenhos no papel, que rabisca montanhas e rios...<br /> Esque&ccedil;a o celular, o teclado do computador e viva um dia diferente.<br /> Um dia de amor, de entrega, de doa&ccedil;&atilde;o e de muitas surpresas maravilhosas.<br /> S&oacute; hoje! Depois? Depois temos a certeza que gostar&aacute; tanto deste hoje que desejar&aacute; repetir a dose.<br /> <br /> Pense nisso, mas pense agora.<br />

SER TRANSPARENTE
26 Fev 20154:39EP 195

SER TRANSPARENTE

&nbsp;SER TRANSPARENTE<br /> <br /> &Agrave;s vezes, nos perguntamos por que &eacute; t&atilde;o dif&iacute;cil ser transparente.<br /> Costumamos acreditar que ser transparente &eacute; simplesmente ser sincero e n&atilde;o enganar os outros. No entanto, &eacute; muito mais do que isso.<br /> &Eacute; ter coragem de se expor, de ser fr&aacute;gil, de chorar, de falar do que sentimos. &Eacute; desnudar a alma, deixar cair as m&aacute;scaras e baixar as armas.<br /> &Eacute; destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em levantar e permitir que toda a nossa do&ccedil;ura aflore, desabroche e transborde.<br /> Infelizmente, quase sempre, a maioria de n&oacute;s decide n&atilde;o correr esse risco. Preferimos a dureza da raz&atilde;o &agrave; leveza que exporia toda a fragilidade humana.<br /> Preferimos o n&oacute; na garganta &agrave;s l&aacute;grimas que brotam da profundeza do nosso ser.<br /> Preferimos nos perder na busca insensata por respostas imediatas a simplesmente nos entregar diante de Deus e admitir que n&atilde;o sabemos todas as respostas, que somos fr&aacute;geis, que temos medo.<br /> Por mais doloroso que seja construir uma m&aacute;scara que nos distancia cada vez mais do que realmente somos e de Deus, preferimos manter uma imagem que nos d&ecirc; a sensa&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o.<br /> E vamos nos afogando mais e mais em atitudes, palavras e sentimentos que n&atilde;o condizem com o nosso verdadeiro eu.<br /> N&atilde;o porque sejamos pessoas falsas, mas porque nos perdemos de n&oacute;s mesmos e j&aacute; n&atilde;o sabemos onde est&aacute; nossa brandura, nosso amor mais intenso.<br /> Com o passar dos anos, um vazio escuro nos faz perceber que j&aacute; n&atilde;o sabemos oferecer e nem pedir aos que nos cercam o que de mais precioso temos a compartilhar: a do&ccedil;ura, a compaix&atilde;o e a compreens&atilde;o.<br /> Muitas vezes sofremos e nos sentimos s&oacute;s, imensamente tristes e choramos sozinhos, num sil&ecirc;ncio que nos remete &agrave; saudade de n&oacute;s mesmos.<br /> Saudade daquilo que pulsa e grita dentro de n&oacute;s e que n&atilde;o temos coragem de mostrar &agrave;queles que nos querem bem e que nos amam.<br /> Aprendemos que nos mostrar com transpar&ecirc;ncia &eacute; sinal de fraqueza, &eacute; ser menos do que o outro. Na verdade, se ag&iacute;ssemos deixando que a nossa raz&atilde;o ouvisse o nosso cora&ccedil;&atilde;o, poder&iacute;amos evitar muita dor.<br /> <br /> Ao partilhar as dores com os nossos afetos, tenhamos a certeza que elas ser&atilde;o abrandadas, pois dividir as ang&uacute;stias, medos e afli&ccedil;&otilde;es, as torna menores.<br /> Quando partilharmos as alegrias, estaremos fazendo felizes tamb&eacute;m aqueles a quem estimamos, pois a alegria dos amigos &eacute; nossa tamb&eacute;m.<br /> Expor a nossa fragilidade aos amigos e amores jamais ser&aacute; sinal de fraqueza. <br /> Procuremos, pois, de forma equilibrada, n&atilde;o prender tanto o choro, n&atilde;o conter a demonstra&ccedil;&atilde;o da alegria, n&atilde;o esconder tanto o nosso medo e nossas afli&ccedil;&otilde;es. Enfim, abandonemos essa ideia de desejarmos parecer t&atilde;o invenc&iacute;veis.<br /> <br /> Pense Nisso, mas pense agora.<br />

A FAMILIA
25 Fev 20153:26EP 194

A FAMILIA

&nbsp;A Fam&iacute;lia.<br /> <br /> Sabemos que &eacute; na fam&iacute;lia que est&aacute; a base da constru&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter e tamb&eacute;m a educa&ccedil;&atilde;o dos sentimentos da crian&ccedil;a e do jovem.<br /> O lar &eacute;, por excel&ecirc;ncia, uma grande e aben&ccedil;oada escola, uma institui&ccedil;&atilde;o humana educativa na qual aprendemos a amar pais, filhos e irm&atilde;os para, um dia, ampliarmos esse amor a toda a Humanidade.<br /> O processo de educa&ccedil;&atilde;o &eacute; relativo pois, ao mesmo tempo em que pais e m&atilde;es est&atilde;o educando seus filhos, est&atilde;o tamb&eacute;m crescendo individualmente.<br /> A ingenuidade infantil facilita a tarefa de modelagem do car&aacute;ter e o direcionamento adequado das m&aacute;s tend&ecirc;ncias.<br /> &Eacute; ent&atilde;o na adolesc&ecirc;ncia que costumam surgir as grandes dificuldades. &Eacute; nessa fase que o jovem est&aacute; buscando construir a sua pr&oacute;pria identidade, estabelecendo-se facilmente um conflito entre as gera&ccedil;&otilde;es.<br /> As diferentes vis&otilde;es de mundo podem ser uma das causas desse conflito. Salutar entender que a diversidade de opini&otilde;es &eacute; necess&aacute;ria para o avan&ccedil;o e procurarmos n&atilde;o fazer dessas diferen&ccedil;as motivo de disc&oacute;rdia.<br /> Elas passam a se tornar motivo de choque quando as partes envolvidas, pais e jovens, sobretudo os mais velhos, tentam impor a sua vis&atilde;o de mundo.<br /> Para que n&atilde;o ocorra essa imposi&ccedil;&atilde;o, por nenhuma das partes, deve haver muito di&aacute;logo, nos relacionamentos, objetivando a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova vis&atilde;o e o aprendizado de que o ponto de vista do outro deve ser respeitado.<br /> Outra quest&atilde;o que leva a essas diverg&ecirc;ncias &eacute; a diferen&ccedil;a de valores e interesses entre as gera&ccedil;&otilde;es.<br /> &Eacute; certo que h&aacute; valores que s&atilde;o perenes e devem fazer parte da constru&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter de pessoas de bem. Honestidade, respeito, aprendizado de uma ocupa&ccedil;&atilde;o &uacute;til, &eacute;tica e esfor&ccedil;o pessoal s&atilde;o aquisi&ccedil;&otilde;es inquestion&aacute;veis.<br /> Por&eacute;m, se nos mantivermos cristalizados em nossas pr&oacute;prias experi&ecirc;ncias, tendemos a transferi-las para nossos filhos, n&atilde;o abrindo espa&ccedil;o para que eles desenvolvam seus pr&oacute;prios interesses.<br /> O tipo de educa&ccedil;&atilde;o recebida pelos pais pode colaborar nesse processo. Opress&atilde;o demais e processos de intoler&acirc;ncia geralmente n&atilde;o causam resultados positivos. A flexibilidade &eacute; necess&aacute;ria em certos momentos.<br /> Deve-se cuidar tamb&eacute;m com a permissividade em excesso.<br /> Na busca de uma nova defini&ccedil;&atilde;o para si mesmo, o jovem passa a apresentar caracter&iacute;sticas que antes desconhec&iacute;amos, muitas das quais prefer&iacute;amos que eles n&atilde;o as tivessem, mas temos que aprender a respeit&aacute;-las.<br /> &Eacute; fundamental diferenciar o que &eacute; espec&iacute;fico da personalidade do indiv&iacute;duo, como os gostos e prefer&ecirc;ncias, e o que precisa ser moldado e orientado. <br /> * * *<br /> Para que no lugar de um conflito entre as gera&ccedil;&otilde;es, possamos estabelecer um encontro entre elas, &eacute; importante o cultivo de profundo respeito entre pais e filhos.<br /> &Eacute; indispens&aacute;vel tamb&eacute;m que o di&aacute;logo esteja sempre presente e que as concess&otilde;es ocorram quando necess&aacute;rio.<br /> Mas sobretudo, o que deve prevalecer &eacute; o amor, traduzido na express&atilde;o de cuidado e afeto.<br /> <br /> Pensemos nisso.<br />

CALAR A DISCÓRDIA
24 Fev 20153:52EP 193

CALAR A DISCÓRDIA

&nbsp;Calar a Disc&oacute;rdia<br /> <br /> <br /> Se todos os homens pensassem do mesmo modo, o marasmo e a mesmice tomariam conta do mundo.<br /> Ocorre que conviver em harmonia com o diferente pressup&otilde;e maturidade.<br /> Em qualquer g&ecirc;nero de relacionamento humano, &eacute; necess&aacute;rio respeitar o pr&oacute;ximo. <br /> No &acirc;mbito profissional, busca-se o crescimento da empresa na qual se participa.<br /> Na esfera familiar, colima-se a educa&ccedil;&atilde;o e o preparo de seus membros para a vida, em um contexto de dignidade.<br /> O fato de algu&eacute;m discordar de suas id&eacute;ias n&atilde;o significa que esteja contra voc&ecirc;.<br /> A conviv&ecirc;ncia humana raramente deixa de produzir algum atrito.<br /> Mas &eacute; preciso saber calar a disc&oacute;rdia.<br /> Se o embate de id&eacute;ias e posi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; ruim, a agressividade e o radicalismo sempre o s&atilde;o.<br /> Pense sobre as institui&ccedil;&otilde;es que voc&ecirc; integra.<br /> Sua presen&ccedil;a em tais ambientes visa ao interesse coletivo, ou &agrave; exalta&ccedil;&atilde;o de seu ego?<br /> &Eacute; melhor afastar-se delas do que, por mesquinharia, ser causa de desestabiliza&ccedil;&atilde;o e brigas.<br /> Mas o ideal &eacute; aprender a sacrificar seu interesse pessoal em prol de uma causa maior.<br /> Se uma controv&eacute;rsia surge, reflita com serenidade sobre os pontos de vista envolvidos.<br /> Caso sua posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seja defens&aacute;vel, abdique dela.<br /> Procure ser um elemento pacificador nos meios em que se movimenta.<br /> H&aacute; pouca coisa t&atilde;o cansativa quanto um altercador contumaz.<br /> Certas posturas s&atilde;o toler&aacute;veis apenas em pessoas muito jovens.<br /> Na maturidade, a rebeldia e a vaidade sistem&aacute;ticas s&atilde;o rid&iacute;culas.<br /> N&atilde;o canse seus semelhantes, com posi&ccedil;&otilde;es inflex&iacute;veis e injustific&aacute;veis.<br /> Aprenda a ceder e a compatibilizar, quando isso n&atilde;o comprometer sua honestidade e sua &eacute;tica.<br /> De que lhe adianta vencer um debate, se a causa que voc&ecirc; defende sofre com isso?<br /> O homem s&aacute;bio identifica quando deve avan&ccedil;ar e quando deve recuar.<br /> Mas sempre o faz de forma sincera e digna.<br /> De nada adianta afetar concord&acirc;ncia e semear a disc&oacute;rdia nos bastidores.<br /> A dissimula&ccedil;&atilde;o e a intriga s&atilde;o indignas de uma pessoa honrada.<br /> Reflita sobre isso, quando se vir envolvido em debates e contendas.<br /> Quando se engajar em uma causa, sirva-a com desinteresse.<br /> Jamais se permita servir-se dela para aparecer.<br /> Mas principalmente nunca a prejudique por radicalismo e imaturidade.<br /> Pense nisso, mas pense agora.<br />

SÓCRATES E A IMORTALIDADE DA ALMA
23 Fev 20155:14EP 192

SÓCRATES E A IMORTALIDADE DA ALMA

&nbsp;S&oacute;crates e a imortalidade da alma<br /> <br /> <br /> No ano 399 antes da era crist&atilde;, o Tribunal dos Heliastas, composto por representantes das dez tribos que compunham a democrata Atenas, reunia-se com seus 501 membros para cumprir uma obriga&ccedil;&atilde;o bastante dif&iacute;cil.<br /> Representantes do povo, escolhidos aleatoriamente, estavam ali para julgar o fil&oacute;sofo S&oacute;crates.<br /> O pensador era acusado de recusar os deuses do Estado, e de corromper a juventude.<br /> Figura muito controversa, S&oacute;crates era admirado por uns, criticado por outros.<br /> Tinha costume de andar pelas ruas com grupos de jovens, ensinando-os a pensar, a questionar seus pr&oacute;prios conhecimentos sobre as coisas e sobre si mesmos.<br /> S&oacute;crates desenvolveu a arte do di&aacute;logo, sempre na procura da verdade no interior do homem.<br /> Seus dizeres &ldquo;S&oacute; sei que nada sei&rdquo; representam a sapi&ecirc;ncia maior de um ser, reconhecendo sua ignor&acirc;ncia, reconhecendo que precisava aprender, buscar a verdade.<br /> Por isso foi s&aacute;bio, e al&eacute;m de s&aacute;bio, deu exemplos de conduta moral inigual&aacute;veis.<br /> Viveu na simplicidade e sempre refletiu a respeito do mundo materialista, dos valores ilus&oacute;rios dos seres, e das cren&ccedil;as vigentes em sua sociedade.<br /> Frente a seus acusadores foi capaz de lhes deixar li&ccedil;&otilde;es important&iacute;ssimas, como quando afirmou:<br /> &ldquo;N&atilde;o tenho outra ocupa&ccedil;&atilde;o sen&atilde;o a de vos persuadir a todos, tanto velhos como novos, de que cuideis menos de vossos corpos e de vossos bens do que da perfei&ccedil;&atilde;o de vossas almas.&rdquo;<br /> O grande fil&oacute;sofo foi condenado &agrave; morte por cerca de 60 votos de diferen&ccedil;a.<br /> A grande maioria torcia para que ele tentasse negociar sua pena, assumindo o crime, e tentasse livrar-se da puni&ccedil;&atilde;o capital, com pagamento de algumas moedas.<br /> Com certeza, todos sairiam com as consci&ecirc;ncias menos culpadas.<br /> Todos, menos S&oacute;crates que, de forma alguma, permitiu-se ir contra seus princ&iacute;pios de moralidade &iacute;ntimos. Assim, aceitou a pena imposta.<br /> Preso por cerca de 40 dias, teve chance de escapar, dado que seus amigos conseguiram uma forma il&iacute;cita de dar-lhe a liberdade.<br /> N&atilde;o a aceitou. N&atilde;o permitiu ser desonesto com a lei, por mais que esta o houvesse condenado injustamente. Mais uma vez exemplificou a grandeza de sua alma.<br /> E foram extremamente tranq&uuml;ilos os &uacute;ltimos instantes de S&oacute;crates na Terra.<br /> Uma calma espantosa invadia seu semblante, e causava admira&ccedil;&atilde;o em todos que iam visit&aacute;-lo.<br /> Indagado a respeito de tal sentimento, o pensador revelou o que lhe animava o esp&iacute;rito:<br /> &ldquo;Todo homem que chega aonde vou agora, que enorme esperan&ccedil;a n&atilde;o ter&aacute; de que possuir&aacute; ali o que buscamos nesta vida com tanto trabalho!<br /> Este &eacute; o motivo de que esta viagem que ordenam me traz t&atilde;o doce esperan&ccedil;a.&rdquo;<br /> Sim, S&oacute;crates tinha a certeza &iacute;ntima da imortalidade da alma, e deixou isso bem claro em v&aacute;rios momentos de seus di&aacute;logos.<br /> A perspic&aacute;cia de seus pensamentos e reflex&otilde;es j&aacute; haviam chegado a tal conclus&atilde;o l&oacute;gica.<br /> O grande fil&oacute;sofo partia, certo de que continuaria seu trabalho, de que prosseguiria pensando, dialogando, e de que desvendaria um novo mundo, uma nova perspectiva da vida, que &eacute; uma s&oacute;, sem morte, sem destrui&ccedil;&atilde;o.<br /> * * *<br /> Que possamos todos, a exemplo de S&oacute;crates, deixar este mundo com o cora&ccedil;&atilde;o repleto de esperan&ccedil;a e sem medo.<br /> Pense Nisso, mas pense agora!<br /> <br /> <br /> Texto da Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso com base no livro O F&eacute;don, de Plat&atilde;o, Cole&ccedil;&atilde;o Filosofia &ndash; Textos n&ordm; 4. ed. Porto e no livro Apologia de S&oacute;crates, de Plat&atilde;o, Cole&ccedil;&atilde;o Aos pensadores, ed. Nova Cultural. <br />

O NOSSO DESAMOR DE CADA DIA
21 Fev 20153:49EP 191

O NOSSO DESAMOR DE CADA DIA

&nbsp;O Nosso desamor de cada dia.<br /> <br /> <br /> Dia desses passamos por uma rua e nos chamou a aten&ccedil;&atilde;o um grande muro, &agrave; frente de uma casa.<br /> <br /> Com todo capricho, o muro estava pintado com uma cor clara e, pequenos canteiros, com flores mi&uacute;das, haviam sido colocados &agrave; beira da cal&ccedil;ada.<br /> <br /> Um primor! Infelizmente, bem no meio do muro, havia sido escrito em letras pretas, tortas, grotescas, destoando totalmente da beleza e bom gosto do dono da casa: Jesus te ama!<br /> <br /> A mensagem &eacute; positiva, no entanto, pichar propriedade alheia mostra, em primeira m&atilde;o, que n&oacute;s ainda n&atilde;o aprendemos a amar nosso irm&atilde;o.<br /> <br /> N&atilde;o respeitar a propriedade alheia, n&atilde;o preservar o que outro gastou em economias, em trabalho, em esfor&ccedil;o, para conseguir &eacute; falta total de amor.<br /> E o pior do nosso desamor ao pr&oacute;ximo, &eacute; quando somos religiosos, e a pretexto de levar &ldquo;A palavra de Deus&rdquo;, colocamos o volume do som do templo no ultimo, incomodando outros irm&atilde;os da vizinhan&ccedil;a, que n&atilde;o professam da mesma f&eacute; .<br /> E quando colocamos o nosso carro na frente de nossa casa e abrimos as portas, para ouvir musicas do nosso gosto em volume t&atilde;o alto, que o nosso vizinho &eacute; obrigado ouvir o que n&oacute;s gostamos, sem respeitar a liberdade que o mesmo tem, de n&atilde;o ouvir as musicas de nossa prefer&ecirc;ncia.E muitas vezes nos esquecemos, que pode haver uma pessoa enferma e que necessita de repouso nessa mesma casa. <br /> <br /> <br /> E nosso desamor ao pr&oacute;ximo continua. Basta olharmos para nosso planeta. Aplaudimos os discursos dos que nos conclamam ao mundo sustent&aacute;vel, &agrave; reciclagem do lixo, &agrave; coleta seletiva e tudo o mais.<br /> <br /> Comparecemos a caminhadas que objetivam conscientizar a todos a respeito da correta postura ecol&oacute;gica. Contudo, muitos de n&oacute;s vamos deixando pelo caminho as marcas da nossa passagem: copos e garrafas descart&aacute;veis, pap&eacute;is de bala...<br /> <br /> E n&atilde;o estaremos amando nosso pr&oacute;ximo enquanto nos &ocirc;nibus as pessoas idosas, gestantes, com crian&ccedil;as ao colo estiverem em p&eacute; e n&oacute;s fingirmos dormir para n&atilde;o lhes dar o lugar.<br /> <br /> Nem mesmo quando alardeamos que temos TV a cabo em casa, mas nada pagamos por ela, porque puxamos o cabo da casa do vizinho.<br /> <br /> Enquanto n&atilde;o houver o m&iacute;nimo respeito pela propriedade do outro, pelos bens p&uacute;blicos, ainda estaremos estacionados no desamor.<br /> <br /> Enquanto acreditarmos que o bom mesmo &eacute; ser esperto e passar o outro para tr&aacute;s e ainda nos vangloriarmos do feito, n&atilde;o estaremos no caminho do amor.<br /> <br /> Enquanto ensinarmos, por nossos atos, &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras que o bom &eacute; ficar rico, da noite para o dia, n&atilde;o importando os m&eacute;todos; que o bom &eacute; sempre levar vantagem em tudo, ainda estacionamos no desamor.<br /> <br /> Pensemos nisso: quem ama serve ao semelhante, ajuda a planta e socorre o animal.<br /> <br /> Quem ama, preserva o mundo em que vive e que o seu irm&atilde;o tamb&eacute;m vive.<br /> <br /> Todos desejamos um mundo melhor, mais justo, sadio e agrad&aacute;vel.<br /> <br /> Lembremos que tudo depende de n&oacute;s, de cada um de n&oacute;s.<br /> Pensemos nisso.<br /> <br /> <br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso.<br />

TUDO É TRANSITORIO
19 Fev 20154:27EP 190

TUDO É TRANSITORIO

&nbsp;Tudo &eacute; transit&oacute;rio<br /> <br /> Um redator de importante revista nacional escreveu, em um de seus artigos, algo que nos levou a reflex&otilde;es a respeito da vida que levamos.<br /> Escreveu ele que pode at&eacute; n&atilde;o ser verdade. Talvez a Hist&oacute;ria n&atilde;o comprove o fato, contudo, &eacute; uma excelente ideia.<br /> Na Roma antiga, quando um general voltava de uma campanha vitoriosa no estrangeiro, fazia-se uma grande prociss&atilde;o pela cidade.<br /> O povo sa&iacute;a &agrave;s ruas para assistir o desfile triunfal do comandante vencedor e homenagear a grandeza que ele trazia para a p&aacute;tria.<br /> Era a honra m&aacute;xima que um cidad&atilde;o romano podia almejar. Mas, para chegar a isso, ele devia ter trabalhado muito por Roma.<br /> Ele devia ter matado em combate pelo menos cinco mil soldados inimigos; tinha de mostrar os chefes derrotados, que desfilavam atr&aacute;s do seu carro; devia ter enfrentado um ex&eacute;rcito, no m&iacute;nimo, equivalente ao seu.<br /> E, acima de tudo, devia trazer a sua tropa de volta para casa porque um l&iacute;der &eacute; respons&aacute;vel pelos seus liderados.<br /> Entretanto, os romanos, que passaram &agrave; Hist&oacute;ria como os s&iacute;mbolos do orgulho, paradoxalmente tinham em alta conta a mod&eacute;stia pessoal.<br /> Como, ent&atilde;o, receber toda essa homenagem, desfilar vitorioso pela multid&atilde;o como um rei, ser ovacionado como o grande triunfador e n&atilde;o se encher de soberba?<br /> &Eacute; a&iacute; que aparece a grande ideia. Logo atr&aacute;s do general vitorioso, no mesmo carro puxado por quatro cavalos, que ele conduzia, ficava um escravo.<br /> De tanto em tanto tempo, ele dizia baixinho, no ouvido do triunfador: Memento mori. Ou seja:Lembre-se de que voc&ecirc; vai morrer um dia.<br /> Com certeza, nada melhor para baixar a soberba de qualquer alta autoridade que come&ccedil;a a se achar o bom, o melhor.<br /> <br /> Lembre-se de que voc&ecirc; vai morrer um dia. Essa a reflex&atilde;o que, de tempos em tempos, seria oportuno nos permitirmos.<br /> N&atilde;o somos imortais na carne, embora alguns, antecipando novas e surpreendentes conquistas da ci&ecirc;ncia m&eacute;dica, apregoem que chegar&aacute; o dia em que n&atilde;o mais haveremos de morrer. Seria tr&aacute;gico e enfadonho.<br /> Isso se chama dinamismo e renova&ccedil;&atilde;o. Mas, lembrar que teremos fim um dia, que nossos eventuais inimigos tamb&eacute;m haver&atilde;o de morrer, que tudo passa, &eacute; medida salutar.<br /> Nada &eacute; perene, sobre a Terra. Passam as quest&otilde;es corriqueiras, o poder, a autoridade humana, a vida f&iacute;sica.<br /> O que hoje &eacute;, amanh&atilde; poder&aacute; deixar de ser.<br /> Assim reflexionando, n&atilde;o ficaremos agarrados a pretensos cargos, a fortunas, a interesses mesquinhos. Tudo &eacute; transit&oacute;rio na Terra.<br /> Hoje detemos o cargo, amanh&atilde; estar&aacute; em outras m&atilde;os. Hoje comandamos centenas de pessoas,amanh&atilde; essas mesmas pessoas poder&atilde;o estar acompanhando nosso funeral.<br /> Assim sendo, semeemos o bem, fa&ccedil;amos nosso melhor como se hoje fosse nosso &uacute;ltimo dia neste mundo. Amemos, abracemos, fa&ccedil;amos nosso melhor porque o amanh&atilde; poder&aacute; nos surpreender nos campos de uma realidade que apenas supomos, mas temos a certeza absoluta.<br /> Pensemos nisso.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com dados iniciais colhidos no<br /> artigo de J. R. Guzzo, publicado na revista Veja, de 29 de agosto de<br /> 2012.<br />

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