8 Jan 20163:57EP 384TOCANDO
<strong>SER GENTIL</strong><br />
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<span style=''font-size: small;''>Os procedimentos se faziam apressados para o embarque dos passageiros na aeronave.<br />
A preocupação para não haver atraso, o tempo exíguo, exigia um tanto mais.<br />
O bom andamento na entrada do avião, para que todos logo se acomodassem, preocupava a tripulação.<br />
Nesse afã de logo completar a tarefa e seguir viagem, se empenhavam os comissários de bordo.<br />
Estando acomodados um certo número de pessoas, adentrou o avião uma jovem.<br />
De compleição física robusta, alta, embora de aparência saudável, denotava em seu semblante que algo não estava bem.<br />
Vinha seguida pela mãe, idosa, miúda na sua constituição, que a encorajava a seguir em frente.<br />
Os passos se faziam titubeantes. As mãos, suadas, apoiavam-se lentamente, poltrona a poltrona, como a querer agarrar-se, fincar-se ao solo.<br />
Parecia tomada de pavor, como se algo fosse lhe acontecer.<br />
A mãe, bem próxima, a incentivava a dar os próximos passos a fim de chegar nas poltronas que lhes cabiam.<br />
Porém, a jovem não venceu mais do que três ou quatro fileiras.<br />
Ao vislumbrar o imenso corredor, as inúmeras poltronas, filas, pessoas, foi tomada de um medo colossal, e não pôde prosseguir.<br />
A face se fez pálida. As mãos agarraram a poltrona mais próxima e os pés estaquearam de vez.<br />
A mãe, entre acabrunhada e nervosa, tentava em vão pedir-lhe que prosseguisse. A fila dos passageiros se alongava, às suas costas.<br />
Vendo a cena, um comissário de bordo se aproximou. Ele tinha todo o treinamento necessário para lidar com essas situações.<br />
Sabia da sua obrigação de dar conta do embarque de todos os passageiros, para que o piloto pudesse dar início à decolagem.<br />
Conhecia as regras e a correta abordagem, sem perder a calma e a polidez.<br />
Porém, ele resolveu utilizar outra ferramenta, essa talvez mais rara nos manuais de treinamento.<br />
Aproximou-se da jovem, trêmula e parecendo apavorada.<br />
Suavemente apoiou sua mão sobre o ombro dela, e gentil, convidou:<br />
Vamos sentar na poltrona, minha flor?<br />
Aquelas palavras, que manifestavam compreensão pela dificuldade que ela enfrentava, soaram aos seus ouvidos como bálsamo.<br />
Tomada de nova coragem, envolvida pela gentileza do rapaz, ela retomou os passos até o local indicado, permitindo que o embarque retornasse ao fluxo normal.<br />
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Este é o poder da gentileza.<br />
Derrete a frieza das relações, supera obstáculos interpostos entre as pessoas, encoraja o mais frágil, fortalece o mais fraco.<br />
Muitas vezes, todas as técnicas, conhecimento e destreza não superam o que a doçura de uma palavra, um gesto suave, um olhar carinhoso são capazes de realizar.<br />
Ser gentil extrapola a polidez. Vai além da obrigação e mesmo do profissionalismo.<br />
Ser gentil é semear pequenas flores na estrada alheia, para que o próximo se impregne, mesmo que somente por curta distância, poucos passos apenas, de um leve perfume que extravasa solidariedade, fraternidade, preocupação pelo outro.<br />
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Redação do Pense Nisso, com base em fato narrado por <br />
Suely Caldas Schubert, em palestra de 8.2.2015.<br />
Em 06.5.2015.</span><br />