
HOMENS OU FERAS

PODCAST · 3185 EPISÓDIOS
Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.


<span style=''font-size: small;''>O HOMEM QUE NÃO SE IRRITAVA<br /> <br /> Em cidade interiorana havia um homem que não se irritava e não discutia com ninguém.<br /> Sempre encontrava saída cordial, não feria a ninguém, nem se aborrecia com as pessoas.<br /> Morava em modesta pensão, onde era admirado e querido.<br /> Para testá-lo, seus companheiros combinaram levá-lo à irritação e à discussão, numa determinada noite em que o levariam a um jantar.<br /> Trataram todos os detalhes com a garçonete que seria a responsável por atender a mesa reservada para a ocasião. Assim que iniciou o jantar, como entrada foi servida uma saborosa sopa, que o homem gostava muito.<br /> A garçonete chegou próxima a ele, pela esquerda, e ele prontamente, levou seu prato para aquele lado, a fim de facilitar a tarefa.<br /> Mas ela serviu todos os demais e, quando chegou a vez dele, foi embora para outra mesa.<br /> Ele esperou calmamente e em silêncio, que ela voltasse. Quando ela se aproximou outra vez, agora pela direita, para recolher o prato, ele levou outra vez seu prato na direção da jovem, que novamente se distanciou, ignorando-o.<br /> Após servir todos os demais, passou rente a ele, acintosamente, com a sopeira fumegante, exalando saboroso aroma, como quem havia concluído a tarefa e retornou à cozinha.<br /> Naquele momento não se ouvia qualquer ruído. Todos observavam discretamente, para ver sua reação.<br /> Educadamente ele chamou a garçonete, que se voltou, fingindo impaciência e lhe disse: O que o senhor deseja?<br /> Ao que ele respondeu, naturalmente: A senhora não me serviu a sopa.<br /> Novamente ela retrucou, para provocá-lo, desmentindo-o: Servi, sim senhor!<br /> Ele olhou para ela, olhou para o prato vazio e limpo e ficou pensativo por alguns segundos...<br /> Todos pensaram que ele iria brigar... Suspense e silêncio total. <br /> Mas o homem surpreendeu a todos, ponderando tranquilamente: A senhorita serviu sim, mas eu aceito um pouco mais! <br /> Os amigos, frustrados por não conseguir fazê-lo discutir e se irritar com a moça, terminaram o jantar convencidos de que nada mais faria com que aquele homem perdesse a compostura.<br /> * * *<br /> Bom seria se todas as pessoas agissem sempre com discernimento em vez de reagir com irritação e impensadamente.<br /> Ao protagonista da nossa singela história não importava quem estava com a razão, e sim evitar as discussões desgastantes e improdutivas.<br /> Muitas brigas surgem motivadas por pouca coisa, por coisas tão sem sentido, mas que se avolumam e se inflamam com o calor da discussão.<br /> Isso porque algumas pessoas têm a tola pretensão de não levar desaforo para casa, mas acabam levando para a prisão, para o hospital ou para o cemitério.<br /> Por isso a importância de aprender a arte de não se irritar, de deixar por menos ou encontrar uma saída inteligente como fez o homem no restaurante.<br /> * * *<br /> A pessoa que se irrita aspira o tóxico que exterioriza em volta, e envenena a si mesma.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso, com base em história de autoria ignorada.<br /> Em 02.09.2012.<br /> </span> <br />

MUSICA, A VOZ DO MUNDO<br /> <br /> Conta-se que, um dia, ao ouvir o silvo do vento passar pelo tronco oco de uma árvore, o homem o desejou imitar. E inventou a flauta.<br /> Tudo na natureza tem musicalidade. O vento dedilha sons na vasta cabeleira das árvores e murmura melodias enquanto acarinha as pétalas das flores e os pequenos arbustos.<br /> Quando se prepara a tempestade, ribombam os trovões, como o som dos tambores marcando o passo dos soldados, em batidas ritmadas e fortes.<br /> Quando cai a chuva sobre a terra seca pela estiagem, ouve-se o burburinho de quem bebe com pressa.<br /> Cantam os rios, as cachoeiras, ulula o mar bravio.<br /> Tudo é som e harmonia na natureza. Mesmo quando os elementos parecem enlouquecidos, no prenúncio da tormenta.<br /> E lembramos das poderosas harmonias do Universo, gigantesca harpa vibrando sob o pensamento de Deus, do canto dos mundos, do ritmo eterno que embala a gênese dos astros e das humanidades.<br /> Em tudo há ritmo, harmonia, musicalidade.<br /> Em nosso corpo, bate ritmado o coração, trabalham os pulmões em ritmo próprio, escorre o sangue pelas veias e artérias.<br /> Tudo em tempo marcado. Harmonia.<br /> Nosso passo, nosso falar é marcado pelo ritmo.<br /> A música está na natureza e, por sermos parte integrante dela, temos música em nossa intimidade. Somos música.<br /> Por isso é que o homem, desde o princípio, compôs melodias para deliciar as suas noites, amenizar a saudade, cantar amores, lamentar os mortos.<br /> Também aprendeu que, através das notas musicais, podia erguer hinos de louvor ao Criador de todas as coisas.<br /> E surgiu a música mística, a música sacra, o canto gregoriano.<br /> Entre os celtas, era considerada bem inalienável a harpa, junto ao livro e à espada.<br /> Eles viam na música o ensinamento estético por excelência, o meio mais seguro de elevar o pensamento às alturas sublimes.<br /> Os cristãos primitivos, ao marcharem para o martírio, o faziam entre hinos ao Senhor. Verdadeiras preces que os conduziam ao êxtase e os fortaleciam para enfrentar o fogo, as feras, a morte, sem temor algum.<br /> A música é a mais sublime de todas as artes. Desperta na alma impressões de arte e de beleza. Melhor do que a palavra, representa o movimento, que é uma das leis da vida. Por isso ela é a própria voz do mundo superior.<br /> Ela pode expressar os estados de espírito, todas as sensações de alegria e da dor, desde a invocação de amor até às entonações mais trágicas do desespero.<br /> A música é a linguagem dos espíritos.<br /> Cantemos.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso, com trechos do cap. VII do livro<br /> O espiritismo na arte, de Léon Denis, ed. Arte e cultura.<br /> Em 19.07.2012.<br /> <br />

<strong><span style=''font-size: small;''> Partida e chegada</span></strong><span style=''font-size: small;''><br /> <br /> <br /> O texto de hoje, é a visão religiosa deste autor.Mas, sem a pretensão de fazer com que o ouvinte compartilhe dela.E sim, de refletir dessa grande possibilidade, da qual acreditamos sem a menor duvida. <br /> Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.<br /> O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. <br /> Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram. <br /> Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: Já se foi.<br /> Terá sumido? Evaporado? <br /> Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.<br /> O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós.<br /> Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.<br /> O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo.<br /> E talvez, no exato instante em que alguém diz: Já se foi, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: Lá vem o veleiro.<br /> Assim é a morte.<br /> Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: Já se foi.<br /> Terá sumido? Evaporado? <br /> Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.<br /> O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.<br /> Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado.<br /> E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: Já se foi, no mais Além, outro alguém dirá feliz: Já está chegando.<br /> Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena.<br /> A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.<br /> Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.<br /> A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.<br /> Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.<br /> Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajores da Imortalidade que somos todos nós.<br /> Tec.:Troca o BG.<br /> * * *<br /> Victor Hugo, poeta e romancista francês, que viveu no Século XIX, falou da vida e da morte dizendo:<br /> A cada vez que morremos ganhamos mais vida. As almas passam de uma esfera para a outra sem perda da personalidade, tornando-se cada vez mais brilhante.<br /> Eu sou uma alma. Sei bem que vou entregar à sepultura aquilo que não sou.<br /> Quando eu descer à sepultura, poderei dizer, como tantos: Meu dia de trabalho acabou. Mas não posso dizer: minha vida acabou.<br /> Meu dia de trabalho se iniciará de novo na manhã seguinte. <br /> O túmulo não é um beco sem saída, é uma passagem. Fecha-se ao crepúsculo e a aurora vem abri-lo novamente.<br /> Redação do Pense Nisso, com base no texto da FEP, com pensamentos finais de <br /> Victor Marie Hugo, do livro A reencarnação através dos<br /> séculos, de Nair Lacerda, ed. Pensamento.<br /> Em 09.08.2012</span><br />

<strong>CONTEMPLAÇÃO DO EXCELENTE</strong><br /> <br /> <span style=''font-size: small;''>Atravessamos na Terra, fase de dificuldades sem conta, nas áreas de cultura geral.<br /> Desconhece-se a estrutura da própria linguagem que se fala. Usam-se gírias ou expressões chulas que denunciam a pobreza dos falantes relativamente à formação cultural.<br /> Ignoram-se os fatos históricos que envolvem a sociedade em que se vive.<br /> Espalham-se infames zombarias, inventam-se lendas sem beleza e sem sentido, refletindo a pouca madureza social.<br /> Não se cogita de penetrar as razões desse ou daquele monumento, sentindo-se, tantos, impulsionados pelo instinto destruidor e vândalo, que, incapazes de compreender, por descaso, preferem pichar, destroçar ou poluir de modo drástico, o que encontram pela frente.<br /> O gosto pelas Bibliotecas, pelas salas de arte, por Museus, por Teatros e pela literatura excelente de todos os tempos, tudo tem ficado na retaguarda das preferências.<br /> Os desportos nobres e educativos ainda contam com poucos adeptos.<br /> Temos, ao revés, um quadro enorme dos que procuram os exercícios desportivos excitantes e violentos, que pouco ou nada acrescentam no âmbito das conquistas do Espírito.<br /> Encontram-se, com maior frequência, muitos que se ajustam a espetáculos pornográficos, do palco ou da tela, em franco deboche à sensibilizante arte.<br /> * * *<br /> Diante de tudo isso, precisamos com urgência de educação e de boas referências.<br /> O bom gosto se forma pela contemplação do excelente e não do sofrível, dizia Goethe, compreendendo com perfeição a construção do aprendizado na alma humana.<br /> Cabe aos pais e aos educadores mostrarem o excelente, preencher os educandos de boas referências desde cedo, se desejarem desenvolver neles uma cultura rica e útil.<br /> As crianças, os jovens, precisam estar mergulhados num caldo cultural que favoreça o desenvolvimento de uma massa crítica, que proporcione a contemplação do belo, que os ensine a pensar e a sentir.<br /> As grandes mídias estão repletas de um verdadeiro lixo cultural, se podemos chamar assim, porque nós, a grande maioria, consumimos isso.<br /> Aliás, a palavra consumo é uma das preferidas nos tempos atuais, inclusive invadindo áreas em que não há como se conjugar o verbo consumir, na essência, pois o que não é material, o que não é tangível, não se consome.<br /> Na verdadeira arte nada se consome. A arte se contempla, se admira. Ela alimenta a todos quando é instrumento do belo e do bem e nunca se acaba, pois o que se consome, se finda.<br /> Podemos consumir um CD, um arquivo de MP3, mas nunca uma bela música.<br /> É tempo de retirar as cascas e máscaras que criamos através de nossos vícios morais, e nos permitir enxergar tudo como realmente é.<br /> O que verdadeiramente importa para mim? Não sou um consumidor, sou um ser, e estou aqui para crescer moral e intelectualmente.<br /> Quero aprender com quem já esteve aqui, com a História do meu povo, com os grandes, com os missionários, com aqueles que deram a vida para que hoje tivesse o conforto de que desfruto.<br /> Estou aqui para me tornar mais sábio, não o sábio de Biblioteca apenas, mas o que tem condições de aplicar em sua vida tudo aquilo que aprende, que faz de seu conhecimento uma mola propulsora para que possa amar mais e melhor.<br /> Cultura e amor. Eis o que precisamos com urgência.<br /> <br /> </span> <div style=''text-align: right;''><em><span style=''font-size: small;''>Redação do Pense Nisso, com base no cap. Juventude e cultura, <br /> do livro Cântico da juventude, pelo Espírito Ivan de Albuquerque, <br /> psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter.<br /> Em 31.3.2015</span></em></div>

<strong> Grandeza da renúncia</strong><br /> <br /> Alberto Dürer, o excelente pintor alemão, antes de ser famoso, necessitando estudar, combinou com um jovem amigo, igualmente artista, sobre a necessidade de procurarem um núcleo de maior cultura.<br /> Mudariam de cidade para que ambos pudessem aprimorar seu estilo.<br /> Porque não dispusessem de um mecenas, ou seja, um financiador ou padrinho que os ajudasse, estabeleceram um plano: um trabalharia como lavador de pratos, enquanto o outro iria estudar pintura.<br /> Assim, com a venda dos primeiros quadros, o que trabalhava passaria também a estudar.<br /> Chegando ao local pretendido, Alberto afirmou: Eu me dedicarei ao trabalho de lavar pratos. Contudo, o companheiro respondeu: Não. Eu sou mais velho e já tenho emprego no restaurante.<br /> Dessa forma, graças à disposição do amigo, Dürer começou a estudar e a pintar.<br /> Depois de um tempo, Alberto reunira uma soma que permitiria que o companheiro estudasse. Ele deixou o trabalho no restaurante e se dirigiu à escola.<br /> Percebeu, porém, que a atividade rude lhe destruíra a sensibilidade táctil, desequilibrara o ritmo motor.Deu-se conta de que nunca atingiria a genialidade, ainda mais, descobrindo a qualidade superior de Dürer.<br /> Dotado de sentimentos nobres, renunciou à carreira e retornou ao trabalho de lavador de pratos.<br /> Numa noite em que Dürer voltou ao estúdio, ao abrir silenciosamente a porta, estacou na sombra, vendo pela claraboia do teto o reflexo do luar que adentrava pelo cômodo.<br /> A luz alumiava duas mãos postas em atitude de prece.<br /> Era o amigo, ajoelhado, que rogava bênçãos para o companheiro triunfar na pintura.<br /> O artista, comovido ante a cena, imortalizou-a numa pequena tela, que passou à posteridade como Estudo para as mãos de um Apóstolo, para o altar de Heller, hoje na galeria Albertina, em Viena.<br /> * * *<br /> E nós ouvintes, será que somos capazes de viver tal grau de renúncia?<br /> Em dias em que a competição nos desespera e afoga, exigindo que sejamos sempre melhores do que os outros, senão não somos ninguém – será que já descobrimos o caminho seguro da renúncia?<br /> A renúncia é a emoção dos Espíritos superiores transformada em bênçãos pelo caminho dos homens.<br /> Quem renuncia estabelece, para o próximo, a diretriz do futuro em clima de paz.<br /> A renúncia é melhor para quem a oferta.<br /> Poder ceder, quando é fácil disputar; reconhecer o valor de outrem, quando se lhe está ao lado, ensejando-lhe oportunidade de crescimento; ajudar sem competir, são expressões elevadas da renúncia que dá à vida um sentido de significativa grandeza.<br /> Felizes aqueles que hoje cedem para amanhã receber; os que agora doam para mais tarde enriquecer-se; os que compreendem que a verdadeira felicidade consiste em ajudar e passar, sem impor nem tomar.<br /> Quem renuncia, enfloresce a alma de paz, granjeando a gratidão da vida pelo que recebe.<br /> <br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Redação do Pense Nisso, com base no cap. 8, do livro Receitas de paz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal<br /> Em 04.10.2012.</em></div>

<strong> A MELODIA DO AMOR</strong><br /> <br /> <span style=''font-size: small;''>Ataques terroristas, independente de onde sejam realizados, são violências contra a Humanidade inteira.<br /> Assombro, destruição, medo. Ameaças invisíveis que levam para longe a pouca paz de que dispomos, instaurando um reinado de insegurança.<br /> Representam o que há de mais triste e baixo no ser humano. É o mal representado em ações, o mal que ainda encontra guarida em tantas almas no globo.<br /> Ao longo dos tempos, tentamos combater o mal com outro mal maior. Vimos que não deu certo. A dor só aumentou.<br /> Vestimos a vingança de justiça e saímos por aí como loucos, cheios de justificativas, tentando aplacar nossa sede de paz, de amor, repletos de ódio no coração.<br /> Ainda hoje, tanto no plano material, como no mundo espiritual, grande quantidade de Espíritos se enraiza na raiva, na indignação e na mágoa, acreditando ser o revide a solução que irá lhes acalmar o íntimo desequilibrado.<br /> Não... Esse não pode ser o único caminho.<br /> Causar dor ao outro nos traz paz? Anula ou faz desaparecer o que nos fizeram? Acalma o coração desesperado?<br /> Será que séculos e séculos de sofrimento não nos fizeram enxergar a verdade ainda?<br /> Os que tentaram nos dar as respostas foram calados de súbito. Ouvir falar em perdão, compreensão e bem, quando estamos feridos, chega a ser ofensivo. Escondemo-nos da verdade.<br /> A verdade pode ser difícil num primeiro instante. Lutar contra nossos ímpetos e tendências milenares exige esforço fora do comum.<br /> Porém, compensa, tenhamos certeza. A verdade liberta.<br /> Ela sempre esteve ao nosso alcance. O caminho alternativo sempre esteve em nossas rotas, nos chamando.<br /> A outra face. A outra face...<br /> A face do amor frente ao ódio. A face dos braços abertos que aceitam, frente à intolerância que repudia. A face da caridade que constrói frente às bombas que despedaçam.<br /> A outra face. Não a face da indiferença, mas a da ação inteligente no bem, pois se o mal é ardiloso, perspicaz, sorrateiro, o bem é articulado, amoroso e vigilante.<br /> Assim, quando atacados, de que forma for, apresentemos uma face diferente daquela que nos atingiu. O ódio e a violência podem persistir por um tempo, mas não resistem ao poder absoluto e superior do amor.<br /> Quando do terrível ataque sofrido pela cidade de Paris, em 2015, foram muitos que resolveram oferecer a face do amor.<br /> Um pianista anônimo ousou trazer seu piano de cauda para a rua, posicionou o instrumento em frente a um dos locais onde diversas pessoas haviam morrido, e tocou lindamente para todos que passavam.<br /> Ao som de Imagine, de John Lennon, lágrimas se misturavam a sorrisos através da arte. A música, como oração e canto de esperança, convidava todos a refletirem sobre seu futuro, sobre suas vidas e objetivos maiores.<br /> Nos dedos do pianista misterioso não havia ódio nem desejo de vingança. Havia empatia para com a dor de seus conterrâneos e um profundo desejo de paz.<br /> Naquele lugar de tanta aflição, ao som dos tiros e bombas, que ainda ecoavam cruéis pelas construções, misturava-se agora a melodia do amor.<br /> * * *<br /> Imagine todas as pessoas partilhando todo o mundo.<br /> Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único.<br /> Espero que algum dia você se junte a nós.<br /> E o mundo viverá como um só.<br /> <br /> </span> <div style=''text-align: right;''><em><span style=''font-size: small;''>Redação do Pense Nisso, com citação de<br /> versos da música Imagine, de John Lennon.<br /> Em 7.3.2016</span></em></div>

<strong> A Vida Depois dos 50 </strong><br /> <br /> Quando ultrapassamos a barreira dos 50 anos, se tem a consciência que indubitavelmente, temos mais passado que futuro. Mas que isso não se transforme em neurose desfreada, ou pelo menos, que essa neurose seja tratável.<br /> Completar 50 anos de vida é um privilégio.<br /> Ao chegarmos nesta idade é certo que perdemos algumas coisas, mas ganhamos outras tantas.<br /> Perdemos cabelos; ganhamos discernimento e nos tornamos mais condescendentes com os outros.<br /> Perdemos massa muscular; ganhamos vitalidade emocional.<br /> Perdemos um pouco da visão física; e adquirimos uma visão mais clara do que realmente é importante na vida.<br /> A partir dos 50 anos de idade, ganhamos alguns quilos, e perdemos a vergonha de dizer “eu te amo”.<br /> Ao passar dos anos, ganhamos, perdemos, descartamos, e depois do cinquenta, nos reciclamos.<br /> Fazendo um balanço geral e minucioso, chegamos à conclusão que perder ou ganhar, não é o cerne da questão. O que de fato importa, é o que podemos passar de bom para os nossos filhos, amigos e a todos os companheiros de jornada.<br /> Que possamos cantar a canção da esperança, a palavra que enleva e consola. E quando não temos a palavra certa, que o nosso silencio se torne verbo de solidariedade para com a dor dos nossos semelhantes.<br /> É preciso tocar mais a harpa da ternura, e menos o tambor da guerra.<br /> Que culpemos menos as pessoas pelas nossas dores, e que compartilhemos mais as nossas alegrias.<br /> Que sejamos mais gratos pelo amor que recebemos, e menos rancorosos pelas maledicências recebidas.<br /> Sim, ao longo dos 50 anos acumulamos tristezas, magoas, raiva e decepções. Mas, é preciso enfrentar os nossos demônios para crescer e encarar a vida como ela é. E que, de nada adiantará se jogar nos cantos e lamentar. O jeito é tentar ser feliz e escrever uma nova história da nossa vida. As provações nos amadurecem e acabamos por enxergar algo de bom...de positivo, que estava escondido. A cada dia uma nova experiência, uma nova história, sempre foi assim e sempre será.<br /> Enfim, que tenhamos os anos de vida que precisamos. Porém, sempre com música no coração.<br /> Que os cinquenta anos de vida sejam de uma feliz idade... e que tenhamos os anos de vida que precisamos.<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Redação do Pense Nisso, com base nas experiências do <br /> Autor deste texto. <br /> Em 11.05.2017.</em></div> <br />