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PODCAST · 190 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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A RIQUEZA MAIOR
12 Fev 20264:37EP 38

A RIQUEZA MAIOR

Havia um senhor muito rico que era dono de terras de valor incalculável. Vivia num palácio, rodeado de servos e amigos. Era um homem bom e utilizava sua riqueza para atender a fome alheia. Providenciava abrigo a quem precisasse, agasalho a quem pedisse. Costumava orar todos os dias e, em suas preces, agradecia sempre pelos bens que possuía, em especial aqueles que nem o tempo, nem a ferrugem e nem a traça destrói. Do lado oposto da aldeia vivia um camponês. Habitava uma gruta e, para sobreviver, plantava legumes e hortaliças que regularmente levava ao senhor do palácio a fim de vendê-las. Toda vez que se dirigia para as terras do homem rico, ia resmungando consigo mesmo sobre o que considerava uma grande injustiça, pois aquele homem tinha tanto, enquanto ele era tão pobre. Certo dia, chegou a notícia aos portões do palácio avisando que malfeitores estavam a caminho, provocando mortes e violência. Temendo que algo pudesse acontecer aos seus familiares, amigos e servidores, o senhor do palácio logo providenciou para que todos buscassem lugares seguros. Quando o último grupo se retirou, os desordeiros estavam muito perto das portas do palácio, e o seu dono verificou que não havia sobrado nenhum cavalo para que pudesse fugir. Recordou-se do vendedor de hortaliças, das tantas vezes que o auxiliara e, apressado, buscou a gruta. Lá chegando, contou-lhe tudo e pediu abrigo. O agricultor viu ali a sua oportunidade dourada e ofereceu-se para repartir a sua gruta com o rico senhor, desde que aquele lhe doasse todos os seus bens. Sem pensar duas vezes, o rico lhe disse que tudo lhe pertencia desde então: terras, palácio, tesouros. O nobre senhor foi repousar, enquanto o camponês, impaciente por tomar posse do que era seu por direito, correu ao palácio, enquanto orava a Deus, dizendo: nunca mais vou reclamar, obrigado meu Deus, agora tenho tudo que sempre quis. Os malfeitores chegaram, destruíram algumas peças, levaram outras e surraram, maltrataram e abandonaram o novo proprietário. Passados alguns dias, o nobre, que não parava de agradecer a Deus por ter salvado sua vida, dos seus amigos, parentes e familiares, com os quais logo iria se juntar, foi levar um cesto de verduras ao palácio. Que bom, pensou ao chegar. Os malfeitores quase não estragaram nada. O homem que me salvou a vida, recolhendo-me em seu teto, deve estar feliz com os tesouros que restaram. Percorrendo as galerias do palácio, começou a se mostrar preocupado. Poças de sangue marcavam um caminho. Acompanhando as marcas, ele chegou até o enorme salão de piso de mármore e colunas douradas. Lá estava o camponês, caído, semi-morto, sozinho. Estava cego e inválido. Apesar de toda a riqueza, não tivera ninguém que o levasse ao leito, que o tratasse e lhe aliviasse as dores do corpo e da alma. O homem nobre abraçou o corpo machucado, transformado em farrapo humano, e intimamente orou: obrigado, Senhor, ainda sou mais rico por tudo que me destes. De todos os bens que a divindade nos proporciona no caminho terreno, sem dúvida, a maior fortuna é a da vida, que possibilita o nosso aperfeiçoamento. Pense nisso, mas pense agora.

RENOVAÇÃO INTELIGENTE
11 Fev 20264:15EP 37

RENOVAÇÃO INTELIGENTE

Você já observou que, de repente, as folhas das árvores começam a nascer, as flores aparecem e tudo passa a ter tons de roxo, amarelo, rosa, branco, uma infinidade de cores, de vida, que começa a substituir o marrom do inverno e, sem perceber, mais uma estação acabou e um novo ciclo começou? A primavera chegou com suas cores e o perfume inigualável das flores no ar e, observando o seu colorido e aproveitando os dias, esquecemos que, algum tempo atrás, tudo estava sem cor e sem vida. O curioso é que nossas vidas são como as passagens das estações. Em algumas delas, estamos felizes e realizados e, em outras, estamos tristes e com dor no coração. Porque uma estação acabou, e as estações da vida de alguém que amamos acabaram. E esses invernos são tristes, sem cor, sem vida, desolados. Sentimos frio e, aparentemente, nada aquecerá nossos corações. Mas tudo é efêmero. Assim como as estações, a vida tem ciclos. E, no transcorrer dos anos, muitas mudanças ocorrem. As estações nos dão a oportunidade de redescobrirmos o significado da vida, de renovarmos o nosso sentido, a nossa cor, e passamos a viver e não apenas existir. Quando os ciclos mudarem e novas estações chegarem, viva o momento. Abrace o inverno; não há mal algum em sofrer. Sorria na primavera, colhe os frutos do outono e aprecie o calor do verão. A vida é uma dádiva divina que nos permite experimentar todas as nuanças. Cada uma delas tem sua beleza, sua lição, seu propósito. Cada uma delas nos prepara para a próxima estação, nos fortalece, nos amadurece, nos enriquece. A cada amanhecer, é uma chance para que um novo ciclo comece. Mas tenha sempre em mente que a renovação é um processo contínuo e pessoal. Cada um tem o seu ritmo e seu estilo de se renovar. O importante é não deixar que ninguém estrague o dom divino de se reinventar. Não tenha medo das mudanças; elas são inevitáveis e necessárias. Não se apegue ao que se foi, mas agradeça o que foi vivido. Não se entristeça pelo que não pode mais ter, nem por aquele que não se pode mais abraçar. Mas alegre-se pelos momentos e memórias que aquecem a alma. Cultive as estações! Aproxime-se das pessoas que te amam e te apoiam. Demonstre o seu amor e o seu apoio a elas, pois o amor é o alimento da vida. Compartilhe momentos bons e ruins. Seja gentil, compreensivo, generoso, seja inteiro. Viva todas as estações e não apenas exista nelas. Renove-se a cada ciclo, porque as almas mais lindas do mundo são moldadas pelas sabedorias dos anos. Pense nisso, mas pense agora.

TER SEMPRE RAZÃO
5 Fev 20264:16EP 32

TER SEMPRE RAZÃO

Ter sempre razão. Quanto custa ter sempre razão? Em algum momento paramos para analisar essa questão? Já pensamos quais são as consequências de sempre querer provar que estamos certos? É claro que defender um ponto de vista é corriqueiro. Colocar nosso posicionamento ou nossas ideias perante um fato, de maneira sensata, é mesmo saudável. Trocar ideias a respeito de um tema. Argumentar a favor de um conceito. No qual acreditamos, são posturas naturais e comuns nas nossas relações cotidianas. Porém, quando essa atitude supera todas as barreiras, está sempre como ponto de honra de nossa palavra, quando se torna fundamental ter a razão, qual o preço a ser pago? Quantas vezes nos aborrecemos com alguém pelo simples fato de queremos convencê-lo de que ele está errado em sua forma de pensar? Quem de nós não se pegou transformando uma discussão tranquila em um afrontamento pessoal? Ou ainda, quantas vezes não elevamos o tom da conversa, nos tornamos ríspidos no enfrentamento de ideias? Defendemos nosso ponto de vista como acreditamos ser o mais adequado e, naturalmente, temos nossa maneira de ver a realidade conforme nossos valores, conceitos e capacidades. Quatro pessoas cegas de nascença, ao serem colocadas junto a um elefante, vão conseguir relatar o que puderem tocar do animal. Se não lhes derem a oportunidade de perceber as diferenças entre orelha, cauda, tromba, corpo, terão apenas uma ideia parcial. Não estarão erradas. Apenas cada uma terá somente parte da razão. Muitas vezes isso acontece nos nossos relacionamentos. Temos a nossa percepção, a nossa capacidade de análise. Não quer dizer que estejamos errados ou que não tenhamos razão em nossos argumentos. Porém, não podemos esquecer de que o outro tem sua própria forma de ver, seus valores, suas ideias. Enfrentar-se nessas situações será o duelo de ideias, a briga de argumentos, em que quase sempre o que existe de verdade é o desejo de impor nosso raciocínio, nossa argumentação. De desejarmos provar que a razão nos pertence, usamos nossa palavra como quem está numa batalha, não desejando nunca perder. Ter sempre razão, às vezes, custa o preço de uma amizade. Buscar impor aos outros nossos argumentos repetidamente pode ocasionar o desgaste da relação. Querer estar sempre certo no campo das ideias e reflexões pode causar fissuras nas relações familiares. Assim, antes de buscarmos ter razão, melhor buscarmos a preservação da harmonia. Antes de querermos ser vencedores em nossa argumentação, melhor que tenhamos paz de espírito. A verdade, mais dia menos dia, se fará presente, duradoura, perene. Assim, mesmo quando toda a razão nos pertença, vale refletirmos se devemos continuar nossos duelos de ideias. Talvez, o melhor, em determinadas situações, seja utilizarmos nossa capacidade pensante, nosso senso de validação, para buscar compreender o próximo. Ao assim procedermos, poderemos entender o porquê dos argumentos alheios, de sua forma de agir, facilitando e aprofundando nossas relações. Dessa maneira, evitaremos o granjear de atritos e de sabores, pesos desnecessários ao nosso coração. Pensemos nisso, mas pensemos agora.

TELHA DE VIDROS
4 Fev 20264:45EP 31

TELHA DE VIDROS

Nem sempre a vida segue o curso que se deseja, que se espera. Assim foi com Raquel. Depois da morte de seus pais, ela, ainda bem moça, deixou a cidade em que nascera para morar na fazenda, com os tios que mal conhecia. Morava na casa que havia sido construída por seu bisavô há muito tempo. Era uma casa muito antiga, e a maior parte dos móveis eram peças pesadas e escuras que ali estavam há mais tempo do que as pessoas saberiam dizer. Seus tios eram pessoas simples, acostumados com a vida que sempre viveram, desconfiados com tudo que pudesse alterar a rotina que lhes dava a segurança. A chegada de Raquel representou para eles um certo transtorno. Onde ficaria instalada a sobrinha? Como não havia um cômodo mais apropriado, deram-lhe um quarto pequeno, que ficava no sótão. Nem o tamanho reduzido, nem o cheiro de mofo incomodaram Raquel. O que há entristecia naquele quartinho abafado era apenas o fato de não ter janelas. Não se podia ver o sol, nem o céu, nem as árvores do quintal ou as flores do jardim. A luz limitava-se a entrar timidamente pela porta. A falta de claridade parecia encher ainda mais de tristeza o coração dolorido daquela moça. Até que um dia, depois de muito ter chorado em silêncio, decidida a voltar a sorrir, ela pediu que lhe trouxessem da cidade uma telha de vidro. Um pouco desconfiados, seus tios acabaram cedendo. Daí, um milagre aconteceu. Mesmo sem janelas, o quarto de Raquel, antes tão sombrio, passou a ser a peça mais alegre da fazenda, que, ao meio dia, aparecia uma renda de arabesco de sol nos ladrilhos vermelhos que, só a partir de então, conheceram a luz do dia. A lua branda e fria também se mostrava, às vezes, pelo clarão da telha milagrosa. E algumas estrelas audaciosas arriscaram surgir no espelho onde a moça se penteava. O quartinho que era feio e sem vida, fazendo os dias de Raquel cinzentos, frios, sem luar e sem clarão, agora estava diferente. Passou a ser cheio de claridade, luzes e brilho. Raquel voltou a sorrir. Toda essa mudança só porque um dia ela, insatisfeita com a própria tristeza, decidiu colocar uma telha de vidro no telhado daquela casa antiga, trazendo para dentro da sua vida a luz e a alegria que faltavam. Muitas vezes, presos a hábitos de vida e em situações consolidadas, deixamos de lado verdades que nos fazem felizes. Deixamos que a ausência de janelas em nossa vida escureça nossas perspectivas, enchendo de sombras o nosso sorriso e o nosso cotidiano. Vamos nos acomodando, aceitando estruturas que sempre foram assim e que ninguém pensou em alterar, ou que não se atreveu a tanto. Mudanças e reformas são necessárias e sadias. Nem todas dão certo ou surtem o efeito que desejaríamos. Porém, cabe nos avaliar a realidade em que nos encontramos e traçar metas para buscar as melhorias pretendidas. Não podemos esquecer, porém, que em busca de nossos sonhos de felicidade não devemos simplesmente passar por cima dos direitos dos outros. Nesse particular, cabe nos seguir a orientação de que ninguém precisa, precisa passar por cima dos outros para ter o que quer, ou para ser feliz. Não devemos desistir dos nossos sonhos, a menos que esse sonho custe a felicidade de outrem. Tornarmos pessoas más e agir de forma fria e calculista só trará consequências nefastas, pois sabemos que o que plantamos sempre colhemos, o que vai sempre volta. É lei, é certo. Se for para ser feliz, que seja de uma forma honesta e justa. Pense nisso, mas pense agora.

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