OS MISERÁVEIS

PENSE NISSO · EP 1295

OS MISERÁVEIS

15 Jul 2020 · DURAÇÃO 4:28
0:004:28

<strong>Os miser&aacute;veis </strong><br /> <br /> Conta-nos Victor Hugo, em seu livro Os miser&aacute;veis que, na Fran&ccedil;a, no s&eacute;culo dezoito, viveu um homem que se chamava Jean Valjean.<br /> Na pris&atilde;o passou boa parte de sua juventude, embrutecendo seu esp&iacute;rito, acostumando-se a ser tratado como uma fera e agindo como tal.<br /> Quando foi posto em liberdade, ap&oacute;s o cumprimento da pena, recebeu um documento que, segundo lhe disseram, informava seu nome e mencionava que ele era um ex-condenado muito perigoso.<br /> Na verdade, seu crime fora ter quebrado uma janela e ter roubado um p&atilde;o para se alimentar e aos filhos de sua falecida irm&atilde;, que estavam sob seus cuidados.<br /> Embora livre, seu futuro era incerto.<br /> Vagava entre um vilarejo e outro, quando, numa noite muito fria, atreveu-se a bater na porta de uma casa que algu&eacute;m lhe indicou como sendo de um homem piedoso.<br /> Um senhor de express&atilde;o bondosa e serena o atendeu e, sem fazer perguntas, convidou-o para entrar e comer.<br /> Valjean entrou, sem acreditar que algu&eacute;m o pudesse receber com t&atilde;o poucas reservas e de forma t&atilde;o acolhedora.<br /> Quem assim o recebia era o Monsenhor Benvindo, homem caridoso e bom.<br /> Era assim que ele tratava qualquer criatura que batesse &agrave; sua porta, a qualquer hora e em qualquer circunst&acirc;ncia.<br /> Sem questionamentos, servia o que de melhor tinha e tratava o mais simples viajante como se fosse um irm&atilde;o muito querido.<br /> Era esse o tratamento que oferecia a Valjean que, embora desconfiado, comeu sem cerim&ocirc;nias e aceitou, sem hesita&ccedil;&atilde;o, a oferta para dormir ali.<br /> Na calada da noite, por&eacute;m, abandonou o vilarejo correndo, carregando um pequeno embrulho e levando em seu cora&ccedil;&atilde;o muita culpa.<br /> Traindo a confian&ccedil;a e a bondade do monsenhor, Valjean roubara-lhe os talheres de prata e partira sem destino, nem rumo certo.<br /> Na manh&atilde; seguinte, entretanto, foi levado por guardas &agrave; presen&ccedil;a do seu anfitri&atilde;o, uma vez que, tendo sido preso portando tais preciosidades, alegou t&ecirc;-las recebido de presente do bondoso senhor.<br /> O monsenhor recebeu soldados e acusado com tranquilidade dizendo que deveriam soltar Valjean porque ele havia lhe dado toda sua prataria e que, embora Valjean tivesse levado os talheres, havia esquecido de levar os casti&ccedil;ais.<br /> Os guardas, espantados, partiram, deixando Valjean com o monsenhor que, sem demora, colocou junto aos talheres os casti&ccedil;ais de prata que possu&iacute;a.<br /> O ex-condenado, ante aquela atitude, arrependeu-se ainda mais de sua vergonhosa conduta da madrugada.<br /> O doador, por&eacute;m, segurou-o pelos bra&ccedil;os e olhando-o fixamente nos olhos, disse-lhe:<br /> Jean Valjean, empregue o dinheiro obtido com a venda dessa prataria no esfor&ccedil;o de tornar-se um homem de bem.<br /> Tomado de espanto pela atitude inesperada, Valjean partiu sem jamais esquecer aquela promessa que, embora n&atilde;o tivesse partido de seus pr&oacute;prios l&aacute;bios, guiou seus passos pelo resto de sua exist&ecirc;ncia.<br /> * * *<br /> A humanidade auxilia os homens atrav&eacute;s dos pr&oacute;prios homens.<br /> Vale-se daqueles que se disp&otilde;em a ser instrumentos, na tarefa de aux&iacute;lio e conforto aos seus irm&atilde;os.<br /> Por vezes, gestos inesperados e at&eacute; singelos, s&atilde;o capazes de verdadeiros prod&iacute;gios para aqueles que os recebem, modificando-os para sempre, conduzindo-os de forma definitiva para o caminho do bem.<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base no<br /> livro Os miser&aacute;veis, de Victor Hugo, ed. FTD.<br /> Em 12.6.2013</em></div>

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