Capa de Música e Vinho

PODCAST · 507 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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VINHOS VALPOLICELLA E AMARONE
19 Mai 20262:05EP 443

VINHOS VALPOLICELLA E AMARONE

O Música e Vinho de hoje desembarca na terra de Romeu e Julieta, a terra também dos vinhos Valpolicellas e Amarones, dos vinhos italianos do Vêneto, que são um assemblage entre três uvas: a Corvina, a Molinara e a Rondinella. Já falamos várias vezes sobre essa composição aqui no Música e Vinho e, na busca por vinhos diferentes, encontrei o Gema Corvina Veronese, um vinho da agrícola Cesare, que é feito 100% só com a uva Corvina. Difícil! Eu ainda não tinha provado esta uva sozinha. A uva é mais uma de coloração intensa, quase negra, que eu já falei aqui no Música e Vinho, e o nome vem das penas dos pássaros negros, dos corvos. Uma uva de coloração bem escura e intensa, com aromas de cereja e um toque amendoado. É uma uva autóctone do Vêneto, mais especificamente dos arredores de Verona. Por isso, é também conhecida como Corvina Veronese. Produz vinhos tânicos, bem estruturados e elegantes, com aromas marcados de couro, chocolate, amêndoas, cereja e café torrado, como o vinho Gema Corvina Veronese, que degustei da vinícola Cesare, estabelecida em 1936. Um supervinho, com 18 meses de carvalho francês e parte em carvalho esloveno, mais um ano de garrafa. Daqueles vinhos grandes, de corpo cheio na boca, aromas complexos, suave no paladar e com boa persistência. A Corvina é a uva principal dos Valpolicellas. Quase sempre é utilizado mais ou menos 70% só da uva Corvina, então um vinho 100% dessa uva não poderia ser ruim. Para acompanhar: massas, polentas, queijos maduros, caça e embutidos fortes. Mais um novo vinho para sua lista: Gema Corvina Veronese, do produtor Doutor Cesare. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

ARTE DA TANOARIA
18 Mai 20263:09EP 442

ARTE DA TANOARIA

E uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho. Hoje vamos à arte da tanoaria. “Tanoa” significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas hoje os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível rolar o barril. A madeira mais utilizada é o carvalho em todo o mundo, porque é a que apresenta melhor porosidade, possibilitando a micro-oxigenação, superimportante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho tem impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as barricas, resistência — podendo durar até 100 anos, e leveza para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes superimportantes, que vai aparecer no seu vinho, é a tosta do barril. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. A tosta pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, aromas mais adocicados. Outro fator é a qualidade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no seu vinho. O tamanho das barricas também é importante. O padrão é de 225 litros e, quanto menor o barril, maior a influência no estilo do vinho. O uso do barril de carvalho influencia, inclusive, a regulamentação da classificação de vinhos na região de Rioja, na Espanha. A classificação é feita com base no envelhecimento em madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas só para lembrar: os vinhos mais jovens podem não ter estágio em madeira ou ter um período inferior; os Crianza passam 12 meses na madeira e mais tempo em garrafa; os Reserva ficam 12 meses em madeira e mais quatro anos em garrafa; e os Gran Reserva passam 24 meses em madeira e seis anos em garrafa antes de serem comercializados. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos tintos, além da estrutura, da textura, da evolução dos aromas e também do sabor do vinho. Por trás de cada barrica há uma história. Uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

MARQUEZ DE CASA CONCHA.
16 Mai 20262:03EP 441

MARQUEZ DE CASA CONCHA.

Você já deve ter degustado um dos vinhos do enólogo “papa” do Chile, super reconhecido pelos seus vinhos sempre com notas acima de 90 pontos. É Marcelo Papa, enólogo-chefe de sucesso, que começou sua trajetória na Concha y Toro. Liderou a Casillero del Diablo, do mesmo grupo, e há 17 anos está no comando da vinícola Marqués de Casa Concha. E ainda coordena a Maycas del Limarí, uma marca chilena de que eu gosto muito. A marca foi fundada em 2005, a 400 km de Santiago, no Vale do Limarí, uma região com grande influência marítima e solo mineral, com grande concentração de calcário. É considerado o vale perfeito para os destaques da vinícola: Chardonnay e Pinot Noir. Porém, produzem também um Syrah espetacular. Eu degustei o Reserva Especial Syrah, que foi desenvolvido em 2007. Degustei primeiro o vinho sozinho, para sentir o gosto dele sem harmonização, e depois harmonizei com esfirrinhas de carne e pasta de alho. Um vinho 100% Syrah, profundo, de coloração púrpura intensa. Muita fruta vermelha e negra, e delicadas notas apimentadas. É um vinho que dá para curtir sozinho, sem nada de comida, de tão saboroso e persistente. Mas combina também com carne vermelha, com uma picância que, desta vez, eu não busquei na pimenta, e sim na pasta de alho. O que eu gosto muito do Maycas é que, além de não ser um vinho tão caro, é fresco, tem vida e uma acidez gostosa. E não tem muitos aromas amadeirados, porque foi feito usando carvalho sem tosta. Mais uma sugestão de vinho chileno para sua harmonização: Syrah Maycas del Limarí. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

 HARMONIZAR NÃO É UMA CIÊNCIA EXATA
15 Mai 20261:55EP 440

HARMONIZAR NÃO É UMA CIÊNCIA EXATA

Alguém tem dúvida da harmonia entre chá com bolo, arroz e feijão, café com leite, queijo e goiabada? Mas o que explica essa harmonia? Eu não sei de nenhuma regra ou livro que explique ou oriente a bela parceria entre o chá com bolo, por exemplo. Mas eles combinam. Não é uma simples mistura. Se for o bolo de queijo e arroz da nossa capital, então, tem muita história. A receita, o carinho e a imagem de simplicidade e hospitalidade vêm junto. No vinho também é assim. Harmonizar não é uma ciência exata. Não é só misturar. É a sensibilidade e a experiência criada que geram prazer e conforto ao paladar. Mas eu posso compartilhar algumas experiências sobre o que já deu certo comigo. Pratos com cogumelo combinam com vinhos da uva Pinot Noir. Peixes de rio combinam com vinhos brancos da uva Chardonnay. O churrasco fica perfeito com os vinhos tintos da uva Malbec. Se a receita do dia for um ossobuco, nem vou citar nomes de uvas, mas, principalmente, vinhos tintos mais fortes e alcoólicos. Camarão combina com vinhos rosés franceses, especialmente. Um ceviche, com aquela acidez gostosa, pode ser harmonizado com um Sauvignon Blanc. Tortas de frutas combinam com espumantes da uva Moscatel; chocolates, com Vinho do Porto; saladas e soufflés, ou todos os pratos à base de vegetais, com um bom Pinot Grigio bem geladinho. Massas italianas à bolonhesa podem ser harmonizadas com um Chianti ou um Valpolicella. Carnes com temperos mais apimentados pedem a uva Syrah. Cordeiro combina com Tempranillo ou Carménère. E a carne de panela, ou o famoso Bife Bourguignon, pode ser harmonizada com uma Cabernet Franc com Merlot, ou o próprio corte bordalês da França: a mistura entre as três uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot.

PÁTRIA DOS COGUMELOS
14 Mai 20261:59EP 439

PÁTRIA DOS COGUMELOS

O Música e Vinho está no ar, e eu lhe desejo uma excelente manhã. A Itália é considerada a pátria dos cogumelos. São centenas de espécies, e o consumo é tão popular que virou atração turística o período da colheita, chamado de “andare a funghi”, quando todos vão em busca do tesouro nas florestas. O funghi porcini é o mais famoso e cresce ao norte da Itália. O cogumelo chamado cantarella tem a coloração laranja. Os cardoncelli são os mais populares ao sul da Itália e são servidos assados, fritos ou cozidos em azeite. As trufas crescem embaixo da terra e têm sabor único: ou você ama ou odeia. Todos fazem parte dos ingredientes de diversas receitas na Itália e pelo mundo, que pedem vinho para harmonizar. Pela variedade de sabores e intensidade dos cogumelos, não se pode generalizar e dizer que cogumelos combinam com pinot noir, como já ouvi dizer. O cogumelo Paris é bem suave e fresco, enquanto as trufas negras ou brancas são uma explosão de sabores. Seguindo a intensidade de aromas e sabores, harmoniza-se o vinho: do pinot noir ao barolo de nebbiolo para as trufas. Além desses cogumelos italianos, que são mais raros por aqui, temos o shiitake e o shimeji, que parecem carne vermelha; o Paris, que é bastante fresco; o portobello, que vai bem com carnes; e o champignon, que eu amo fresco. E todos pedem vinho. A receita vai da sua criatividade: desde cremes de cogumelos, fatiados na salada, assados, molhos de cogumelos e muito mais. Cogumelos são ricos em vitamina D e super combinam com vinhos. Lembre-se sempre de manter a moderação para criar a sua próxima harmonização.

VINÍCOLAS NA FRANÇA
13 Mai 20261:23EP 438

VINÍCOLAS NA FRANÇA

Cada região da França é cheia de pequenas aldeias, e todas têm a sua particularidade, como Vinsobres, que fica a 40 km ao norte da famosa região vinícola de Châteauneuf-du-Pape. Vinsobres é especial para a produção de vinhos elaborados a partir da uva Syrah. Degustei o Vinsobres Le Cornud da Famille Perrin, proprietária do icônico Château de Beaucastel. O Vinsobres da Famille Perrin tem 50% de Syrah e 50% da uva tinta Grenache. As vinhas são plantadas em socalcos de aproximadamente 300 metros de altitude, em um terroir bem pedregoso. Cada uva é vinificada separadamente: a Grenache em inox, e a Syrah em tanques de madeira. Depois, apenas a Syrah envelhece em barricas por um ano. O resultado é um vinho fino e intenso, com notas de violeta, carne defumada, amoras e café, muita fruta madura e toques de especiarias. Um vinho super gastronômico. Harmonizei o meu Vinsobres da Famille Perrin com filé au poivre, e ficou perfeito. Ótimo Vinsobres para você!

ZIBBIBO
12 Mai 20261:46EP 437

ZIBBIBO

Zee Bibo. Lá vem ela com esses nomes esquisitos. Eu sei que você pensa assim, mas o que eu descubro já fico louca para compartilhar com vocês. Essa tal uva branca é da família das moscatos e recebe também o nome de moscato de Alexandria. É uma uva muito antiga e cultivada na Austrália, na África do Sul, na Itália, para fazer os vinhos doces de Panteleria, e na Espanha, na região de Málaga. Na Sicília, ao sul da Itália, ela é conhecida como Zee Bibo. É uma uva normalmente usada para fazer vinhos de sobremesa, além de servir também para fazer uva passa. Mas, na Sicília, tem um vinho seco elaborado com essa uva. O barone Montalto é uma colecione de famílias de Zee Bibo. Terres Siciliani. Tem todo o perfume exuberante e doce de um moscato, de flores e frutas exóticas, mas é encorpado, rico, macio e de um amarelo dourado, uma coloração própria das uvas, mas escoltado pela passagem da madeira. Um vinho branco de solo vulcânico, clima quente e passagem de madeira só pode ser gastronômico. A sugestão de harmonização é um atum selado com crosta de gergelim, mix de cogumelos na manteiga de ervas ou um risoto amilanês com açafrão, caldo de frango e queijas. Se você está aberto a novos vinhos, o Musique Vinho te inspira a mergulhar em novas experiências. E eu quero saber o que você está degustando. Compartilhe conosco usando a hashtag Musique Vinho através das redes sociais.

MELATONINA NAS UVAS
11 Mai 20262:08EP 436

MELATONINA NAS UVAS

Eu não sei para você, mas vinho me dá um sono... Segundo matéria recente da revista Adega, uma tacinha de vinho à noite ajuda a relaxar e dormir. O Jornal de Ciências do Alimento e da Agricultura publicou um estudo, em 2006, que já falava sobre a presença da melatonina nas uvas e identificou a uva Nebbiolo com a maior quantidade da substância. Depois, seguida das uvas Croatina, Barbera, Cabernet Sauvignon, Sangiovese e Merlot. A melatonina é o hormônio que regula o sono. Como cada organismo reage de maneira distinta, é importante consultar o seu médico, já que algumas pessoas podem desenvolver uma tolerância em apenas três noites e precisar aumentar a dose para conseguir o efeito do sono, o que pode causar dependência química, interrupções do sono durante a noite ou até o efeito contrário: a insônia. Para mim, super funciona. O vinho me acalma, relaxa e traz um sono tranquilo. A melatonina é um hormônio que age à noite, quando não há luminosidade, estímulos sonoros, e atua como regulador do sono. Regula também o funcionamento do organismo e ainda age como antioxidante. Por isso, dizemos que dormir faz bem à pele, ao corpo, e que uma boa noite de sono rejuvenesce. O vinho tem melatonina na sua composição. Pode ser uma opção para unir o útil ao agradável, desde que seja usado com moderação. Uma taça é o suficiente para relaxar e dormir, além, é claro, da sua rotina e de outros alimentos que contribuem para uma boa noite de sono, como nozes, leite, azeite, espinafre, laranja, morango e acelga, além da preparação do local de repouso. Para mim, nem precisa muito. Só uma tacinha de vinho e eu já tenho uma qualidade de sono excelente. Lembrando sempre, sempre, de manter a moderação e consultar o seu médico para poder aproveitar a sua próxima degustação.

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