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PODCAST · 507 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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O QUEIJO É A ESTRELA DA NOITE.
29 Mai 20261:59EP 451

O QUEIJO É A ESTRELA DA NOITE.

Olá, bom dia. Que bom ter a sua companhia nesta manhã para falar de queijos e vinhos, que é sempre uma combinação gostosa. O queijo é a estrela da noite. Me pediram para voltar em assuntos de quatro anos atrás, mas que são sempre atuais. É que eu andei avançando muito e falando sobre vinhos de ilhas, uvas Negramaro, Sicarela e tudo mais. Então, vamos à dupla: queijos e vinhos. Hoje vai ser só a harmonização. Já falei de como montar e o que acompanhar. É só ir lá no site, que tem quase mil temas. Para os queijos mais fortes, como Roquefort e Gorgonzola, aqueles muito salgados, é bom você harmonizar com um vinho tinto mais forte. Ou fazer uma harmonização de contraponto: um queijo bastante salgado com vinhos muito doces. Pode ser um branco doce ou vinhos do Porto. Para os queijos de textura dura, como Parmesão e Grana Padano, os tintos, em geral, de médio corpo, harmonizam muito bem. Os de sabor suave, como Gouda e Reino, que têm até um certo adocicado, podem acompanhar tanto vinho branco quanto tinto, de médio corpo, como um Merlot ou um Chardonnay. Para os queijos mais cremosos, como Brie e Camembert, podem ser brancos ou tintos médios. E, por último, os queijos mais frescos, como os queijos de cabra ou cream cheese, podem ser acompanhados por um rosé ou um espumante, que ficam supergostosos. Os queijos são produtos de quase quatro mil anos de história. Dependendo do terroir onde são produzidos, passam por fermentação, envelhecimento ou maturação. Algumas regiões produtoras têm procedência, assim como os vinhos, com denominação de origem controlada. Há uma diversidade tão grande quanto a dos vinhos. É impossível provar e conhecer todos. Então, a harmonização perfeita é aquela que faz com que, a cada dia, a gente possa descobrir mais uma sensação e mais um prazer em uma boa harmonização entre queijos e vinhos.

COGUMELO E VINHO
28 Mai 20261:59EP 450

COGUMELO E VINHO

O Música e Vinho está no ar, e eu lhe desejo uma excelente manhã. A Itália é considerada a pátria dos cogumelos. São centenas de espécies, e o consumo é tão popular que virou atração turística o período da colheita, chamado de “andaria funghi”, quando todos vão em busca do tesouro nas florestas. O funghi porcini é o mais famoso e cresce ao norte da Itália. O cogumelo chamado cantarella tem a coloração laranja. Os cardoncelli são os mais populares ao sul da Itália e são servidos assados, fritos ou cozidos em azeite. As trufas crescem embaixo da terra e têm sabor único: ou você ama ou odeia. Todos fazem parte dos ingredientes de diversas receitas na Itália e pelo mundo, que pedem vinho para harmonizar. Pela variedade de sabores e intensidade dos cogumelos, não se pode generalizar e dizer que cogumelos combinam com pinot noir, como já ouvi dizer. Cogumelo paris é bem suave e fresco, enquanto as trufas negras ou brancas são uma explosão de sabores. Seguindo a intensidade de aromas e sabores, harmoniza-se o vinho, do pinot noir ao barolo de nebbiolo para as trufas. Além desses cogumelos italianos, que são mais raros por aqui, temos o shiitake e o shimeji, que parecem carne vermelha; o paris, que é bastante fresco; o portobello, que vai bem com carnes; o champignon, que eu amo fresco — e todos pedem vinho. A receita vai da sua criatividade, desde os cremes de cogumelos, fatiados na salada, assados, molhos de cogumelos e muito mais. Cogumelos são ricos em vitamina D e super combinam com vinhos. Lembre-se sempre de manter a moderação para criar a sua próxima harmonização.

UVA SAVAGNIN
27 Mai 20262:03EP 449

UVA SAVAGNIN

Que delícia ter a sua companhia nesta manhã para compartilhar informações sobre o mundo do vinho. Savagnin não é Sauvignon Blanc. Savagnin é uma uva branca tão antiga que pesquisas recentes, que analisaram 28 sementes de uvas antigas, ainda do período medieval, de 900 anos na França, identificaram a genética da uva Savagnin Blanc. Isso significa que a variedade foi plantada há pelo menos 900 anos. A origem é a região do Jura, que fica a leste da Borgonha, nas cadeias de montanhas já próximas aos Alpes. O nome Jura vem do período Jurássico, entre 210 e 140 milhões de anos atrás, quando os sedimentos viraram a cadeia de montanhas do Jura, com rochas calcárias. O Jura é conhecido pelos vinhos amarelos, ou Vin Jaune, elaborados com a uva Savagnin, uma variedade de grande intensidade, acidez e mineralidade. As uvas Savagnin são colhidas tardiamente e costumam estagiar em barricas pequenas de carvalho. Após dois a três anos, forma-se o véu de flor, similar ao que acontece com os Jerezes, porém os Vin Jaune não são fortificados. Outra particularidade é que, após seis anos e três meses, de acordo com a legislação, os vinhos são engarrafados em garrafas de 620 ml, chamadas de Clavelin. Os vinhos amarelos de Savagnin são muito parecidos com o Jerez, pela salinidade, intensidade de sabor, coloração, alta acidez, zero doçura e mineralidade do terroir calcário das cadeias montanhosas do Jura. Não é fácil encontrar vinhos do Jura, especialmente um Savagnin, mas vale a procura para se degustar vinhos tão particulares. Sushi de pancetta e foie gras. Santé!

 FINCA SOPHENIA
26 Mai 20261:30EP 448

FINCA SOPHENIA

Sophenia é a união dos nomes das filhas do fundador da Finca Sofênia: Sofia e Eugênia. Finca Sofênia é uma das mais reconhecidas vinícolas da Argentina, com vinhos de alta complexidade, elegância e riquezas aromáticas. A linha Sofênia Estate passa por 12 meses de carvalho francês. São cinco variedades disponíveis: os tintos Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, e o vinho branco da uva Chardonnay. Degustei o Sofênia Estate Malbec, de vinhedos de 1.200 metros de altitude. Mas será são de 15 dias para extrair mais estrutura e complexidade ao vinho. É um vinho super intenso, com a coloração violeta, daquelas de manchar a língua e a taça. Fruta madura no nariz, frutas secas, mas não frutas. Mentolado, têninos doces e volumosos, como um grande Maubeck. O Soufênia 2016 já chegou ao auge de 96 pontos pela revista inglesa The Canter, e a última safra disponível, a 2018, está em 92 pontos pelos críticos Tim Atkin e Jamie Suckling. Um super Maubeck para você degustar. Tá certo que a Argentina não é só de Maubecks, mas produz os melhores. Uma ótima sugestão para você. Lembre-se de manter a moderação.

TABALI PINOT NOIR
22 Mai 20261:31EP 446

TABALI PINOT NOIR

No famoso Vale do Limarí, no Chile, a temperatura é bem baixa devido aos ventos do Pacífico. Porém, há muita intensidade solar se comparada às demais regiões produtoras do Chile. Isso ajuda no amadurecimento lento das uvas e resulta em uma maior concentração de aromas e sabores. Outro fato marcante é o solo, repleto de carbonato de cálcio, o que traz grande mineralidade aos vinhos. Já citei alguns vinhos do Limarí e Sauvignon Blancs que são quase salgados. Desta vez, degustei um Pinot Noir. Eu não sei você, mas eu tenho dia de Pinot, dia de Sauvignon Blanc, de Syrah, de assemblage, de Vinhão, de vinho francês, de Porto. Eu não consigo ser fiel a nenhum vinho, nem marca, nem país, nem produtor. Como já dizia minha amiga Josiane: “Infiéis e aventureiras”. E é isso que traz toda a variedade do mundo do vinho. Degustei o Tabalí Pinot Noir. Delicado, sedoso, com notas aromáticas de cereja e um toque terroso, o que é comum em Pinot Noir, mas a mineralidade apareceu no frescor. Uma boa sugestão de Pinot Noir para você degustar. Lembre-se sempre de manter a moderação e, principalmente, de compartilhar conosco nas redes sociais, usando a hashtag #musicvinho. Eu quero saber o que você está degustando.

VINHOS DO VALE MAIPO ANDES
20 Mai 20262:22EP 444

VINHOS DO VALE MAIPO ANDES

Vamos para a região central do Chile, na sub-região do Maipo, de onde saem as melhores produções dos vinhos de Cabernet Sauvignon. Eu participei de uma degustação de seis rótulos de Cabernet Sauvignon, todos chilenos, e os dois rótulos que mais me chamaram a atenção foram os Cabernet Sauvignon da sub-região do Maipo-Andes. O Maipo-Andes é uma das novas classificações que o Chile criou para dividir melhor o país. A subdivisão de norte a sul permanece igual: são 1.300 km. Mas agora existe a subdivisão entre leste e oeste, que acontece com os nomes Andes, Entre Cordilheiras e Costas. São apenas 200 km, mas a diferença de solo e luminosidade é muito grande. Por isso a subdivisão: para identificar melhor esse tipo de vinho. O Maipo-Andes é a região mais próxima aos Andes e está sendo comparada ao Médoc, da região de Bordeaux, a Napa Valley, nos Estados Unidos, e à região de Bolgheri, na Itália. São regiões de grandes exemplares da uva Cabernet Sauvignon. Os solos têm grande profundidade e complexidade, com formações bem antigas dos quatro últimos períodos glaciais, com várias superposições e camadas de solos diferentes, e isso é o que traz a profundidade dos vinhos de Cabernet Sauvignon. Do Maipo-Andes, pode-se esperar vinhos com taninos menos agressivos, textura untuosa e aromas mais intensos. O Pérez Cruz Reserva Cabernet Sauvignon é uma perfeita harmonização para um risoto com filé: de cor vermelho-profunda, taninos bem redondos e fruta madura, e o melhor, um excelente custo-benefício. Já o Pérez Cruz Limited Edition Cabernet Sauvignon apresenta uma cor mais fechada, fruta madura, aromas de violeta e excelente persistência. Os sabores permanecem na boca por um longo período, exatamente do jeito que eu gosto: intenso, mas ainda gastronômico. Os vinhos do Maipo-Andes são perfeitos para acompanhar comida; são exatamente gastronômicos. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

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