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PODCAST · 1807 EPISÓDIOS

MÚSICA E VINHO

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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VINHOS SUIÇOS
1 Nov 20251:57EP 1567

VINHOS SUIÇOS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. E uma ótima manhã pra você, que é apaixonado por vinhos! Vinhos suíços... Eu nunca degustei. E você? Mas só pelas paisagens das vinhas da região de Lac Léman, já me deu vontade de encontrar um vinho suíço pra conhecer. O Lac Léman é o maior lago da Europa Ocidental e tem um clima muito particular. Está protegido do frio de inverno, pois o lago e os muros de pedra armazenam calor, e, no verão, o próprio lago ajuda a refrescar. A exposição solar é de nascente, o que é propício à viticultura. São duas as regiões mais importantes dos vinhos na Suíça: La Côte e Lavaux. La Côte quer dizer “encosta”, pela sua localização em uma suave colina. Produz vinhos brancos como os da Europa, de uma uva de coloração dourada, lembrando a Chardonnay, e aromas de frutas como pêssego, maçã, além de nozes e mel. Perfeito para um fondue de queijos ou massas com molhos brancos. Além da Chasselas, a região produz ainda vinhos com as uvas Chardonnay, Müller-Thurgau, Sylvaner, Pinot Gris e tintos mais leves, como Pinot Noir e Gamay. A outra região vinícola da Suíça é Lavaux, considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 2007. O motivo de tal título são as paisagens incríveis dos vinhedos. Dizem sobre a região de Lavaux que ela tem a sorte de amadurecer sob um sol triplo: um sol que vem de cima, generoso e acolhedor; um sol que vem de baixo, reflexo do lago espelhado; e um sol retido nos velhos muros de pedra, que é liberado à noite.

UVA SYRAH
31 Out 20251:22EP 1566

UVA SYRAH

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música & Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Cada região da França é cheia de pequenas aldeias, e todas têm a sua particularidade, como Vansobre, que fica a 40 km ao norte da famosa região vinícola de Châteauneuf-du-Pape. Vansobre é especial para a produção de vinhos elaborados a partir da uva Syrah. Degustei o Vansobre do vinhedo Le Cornu, da Família Perrin, proprietária do ícone Château de Beaucastel. O Vansobre da Família Perrin tem 50% de Syrah e 50% da uva tinta Grenache, plantadas em socalcos de mais ou menos 300 metros, em um terroir bem pedregoso. Cada uva é vinificada separadamente: a Grenache em inox, e a Syrah em tanques de madeira. Depois, só a Syrah envelhece em carvalho por um ano. Ganhamos, assim, um vinho fino, intenso, com notas de violeta, carne defumada, amoras e café, com muita fruta madura e toques de especiarias. Super gastronômico! Harmonizei o meu Vansobre da Família Perrin com um filé au poivre, que ficou perfeito. Ótimo Vansobre pra você!

VINHO SEM SAFRA
30 Out 20251:49EP 1565

VINHO SEM SAFRA

E que bom ter a sua companhia em mais uma manhã para falar de música e vinho! Hoje, vamos falar sobre os vinhos sem safra. Na hora de escolher um vinho, você já decidiu o estilo, o país, a uva, o preço... e ainda tem a safra! Mas olha só como tudo na vida envolve escolhas: se você for comprar um simples presunto, tem que escolher se é de peru ou de porco, a espessura, a quantidade, o defumado... entendeu? Então, não é só o vinho, o vinho também exige escolhas. Os vinhos têm no rótulo o ano em que a uva foi colhida. O ciclo da videira é de um ano, e o desenvolvimento da uva pode mudar de acordo com as condições climáticas. Por isso vem o ano: a safra é bem importante. Os vinhos não safrados são apenas os vinhos do Porto, Champanhe e Jerez, que podem, podem fazer mesclas de safras, e só destacam uma única safra quando acontece um ano excepcional. Aí, ele recebe o nome de vintage. Nos demais casos, precisa ter a safra, sim. Vinhos brancos e rosés, por exemplo, precisam ser bem jovens, entre dois e três anos, no máximo. Para os vinhos em geral, tem exceções, mas são poucas. E os vinhos tintos, na maioria, entre quatro e cinco anos no máximo também. Mas precisa ser o vinho certo, se for de cinco ou seis anos, ainda há exceções, mas são poucas. Se achar um vinho barato, sem madeira e sem safra... desconfie. E foi o que aconteceu: chegou às minhas mãos um Pinot Noir. Na descrição dizia que o vinho era bem jovem, mas não tinha safra. O vinho já estava oxidado. Desconfie dos vinhos sem safra.

VINHO E CHOCOLATE
29 Out 20251:41EP 1564

VINHO E CHOCOLATE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Quem ouve pensa que sou chocólatra, já que cito vinho e chocolate fora da Páscoa várias vezes ao longo do ano. E, se harmonizar vinho e chocolate é considerado um desafio... eu adoro desafios! E já que vai rolar uma degustação de vinhos e chocolates, comecei a testar várias harmonizações. O primeiro é o chocolate branco. Testei um brigadeiro de chocolate branco com castanhas brasileiras, tipo macadâmia. Ficou perfeito com espumante e Moscatel branco, unindo a superdoçura dos dois elementos. Em seguida, harmonizei o chocolate ao leite. Coloquei com frutas: chocolate com morango ou com physalis. A acidez da fruta, com a doçura do chocolate, forma um delicioso contraponto, e se complementam com um belo vinho do Porto. Por último, um assemblage de três chocolates: um creme com três tipos, massa de biscoitos intercalando camadas de chocolate ao leite, chocolate amargo e chocolate branco. Tudo junto e misturado vira um verdadeiro assemblage de chocolates, com uma boa complexidade de sabores e aromas. Chocolates são intensos em boca e precisam de vinhos mais encorpados e complexos para harmonizar. Você pode testar em casa um vinho do Porto, um Colheita Tardia, um Sauternes ou ainda um belíssimo Amarone. Precisa de convite? Vinho e chocolate... é só testar e harmonizar! Lembrando sempre: mantenha a moderação para aproveitar cada nova degustação.

COLLE PETRITO
28 Out 20251:57EP 1563

COLLE PETRITO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. O dia estava muito quente e eu estava sem companhia para tomar um vinho. Todos procuravam uma bebida para gelar, para refrescar, e eu concordei. Mas, depois de alguns minutos, minhas papilas gustativas pediram um vinho, e lá fui eu a mais um desafio: agradar a quem não era tão fã de vinho e, para completar, ao meio-dia, em um calor imenso. Os pratos eram linguiça suína com ervas, bife de angus e carneiro assados. Escolhi o país dos vinhos mais gastronômicos: a Itália. Decidi por álcool mais baixo, apenas 12%, que permite gelar um pouco mais o vinho sem amargar. Escolhi um vinho tinto para acompanhar as carnes e, depois, o preço que, aliás, era o vinho mais barato da carta. Um vinho jovem chamado Colle petrito Rosso. Rosso, tinto e italiano. O vinho agradou em cheio, porque é um estilo muito simples e fácil de beber, com notas aromáticas de chá preto, frutas vermelhas e orégano. E era exatamente o aroma de orégano, que é uma especiaria que dá muita vontade de comer,que tornou perfeita a harmonização, já que a linguiça tinha ervas, entre elas o orégano. O Colle petrito Rosso é feito com a uva Montepulciano. Essa é a segunda variedade mais plantada na Itália, atrás somente da uva Sangiovese. A Sangiovese, ao lado da Syrah, são as duas uvas que formam belos assemblages com a Montepulciano. Desafio concluído. Só ouvia as descrições: “acidez boa”, “o sabor combina com a comida”, “vinho equilibrado, de médio corpo, macio, melhor ainda com a comida”, e por aí vai. Desafio concluído. Consegui agradar a turma. Lembre-se sempre: se beber, não dirija.

MENDOZA
27 Out 20251:24EP 1562

MENDOZA

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Do famoso produtor Família Zuccardi, você encontra a linha Santa Júlia, com vários vinhos varietais, aqueles vinhos de uma uva só: 100% Cabernet Sauvignon, 100% Malbec ou 100% Tempranillo. São vinhos argentinos de Mendoza, simples, gostosos e baratos. Degustei o Santa Júlia Tempranillo. A uva Tempranillo, aliás, foi trazida pra Argentina pelos colonizadores espanhóis. Os vinhos dessa uva, quando jovens e frescos como o Santa Júlia Tempranillo, mostram muitas frutas vermelhas, como framboesas e amoras. Na Espanha, é muito usada nos vinhos da Rioja, onde produz vinhos mais sérios, amadurecidos e evoluídos em carvalho. Já na Argentina, o estilo é mais simples, por isso, não espere grandes aromas ou complexidade nos Tempranillos argentinos. Apenas abra em qualquer dia, para curtir com os amigos e uns embutidos, queijinhos, filés, uma massa simples, e deixe fluir. E não se esqueça da água para acompanhar a sua degustação. A água hidrata, limpa o paladar entre um vinho e outro e deixa a sua experiência fluir. Lembrando sempre: mantenha a moderação para aproveitar novos e diferentes vinhos.

UVA GEWÜZTRAMINER
25 Out 20251:52EP 1561

UVA GEWÜZTRAMINER

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni E uma excelente manhã para você! Obrigada pela sua companhia de sempre. A gente acha que já falou sobre tudo, né? Mas depende do contexto e da percepção de cada um. Por exemplo: a uva Gewürztraminer, de origem francesa — e que eu já falei por aqui — dá origem a vinhos brancos feitos de uma uva que é, curiosamente, totalmente rosada. Quando penso em Gewürztraminer, a primeira ideia que me vem à cabeça são os aromas florais. Mas, para minha amiga Elie, eles são vinhos temperados. E “Gewürz”, em alemão, significa literalmente tempero — nem eu lembrava disso! A uva Gewürztraminer produz mesmo vinhos com toques picantes, aromas de lichia, rosas, manga e especiarias como cravo. Você acertou, minha amiga — o vinho é literalmente temperado com várias famílias aromáticas. Essa uva não é muito conhecida, mas é plantada em países como Alemanha e França, especialmente na Alsácia, e já faz sucesso também nos Estados Unidos, Austrália, Chile, Nova Zelândia e aqui no Brasil. Eu tenho um carinho especial por essa uva, porque já passei um dia todo colhendo e comendo Gewürztraminer aqui mesmo no Brasil. Os vinhos dessa uva têm coloração dourada, boa acidez e são super aromáticos. Formam uma bela parceria na harmonização com comidas bem condimentadas, como as indianas, chinesas e tailandesas. A Gewürztraminer produz, além de vinhos brancos secos, alguns brancos de sobremesa com colheita tardia — e esses vinhos são ótimos acompanhamentos para sobremesas à base de frutas ou iogurte com chocolate. E lembre-se: mantenha a moderação. Se beber, não dirija.

LUIS CAÑAS
24 Out 20251:55EP 1560

LUIS CAÑAS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni Da mais tradicional região vitivinícola da Espanha, a Rioja, vem o Vinho Luis Cañas. A terra das Tempranillos, mas que usa também no corte as uvas Garnacha e Graciano, e que ainda não admite a entrada de Cabernet Sauvignon, Merlot e outras uvas francesas. É uma forma de preservar o estilo da Rioja. Aliás, uma coisa mudou: antes, o DOC Rioja, que é bem grande, só mencionava no rótulo “Rioja”. Agora, já destaca as sub-regiões Rioja Alta, Rioja Baixa e Rioja Alavesa, que têm diferenças de terroir e altitude. Já começam também a ser aceitos destaques no rótulo mencionando as comunidades, os vilarejos — ou villages, onde os vinhos são produzidos, para valorizar cada região. Degustei o Luis Cañas Crianza: tem 95% de Tempranillo e 5% de Garnacha, de vinhedos com idade média de 30 anos. Já mostra uma força de raiz, que busca nutrientes a fundo e expressa, no vinho, intensidade e vigor, desde a coloração até o paladar. Passa 18 meses em carvalho, exatamente como determina a classificação de envelhecimento na Espanha para ser um Rioja Crianza. Na boca, tem notas de morango, um pouquinho de baunilha, muita madeira, é claro, e um leve toque aceto balsâmico. De taninos redondos e bom retrogosto, é um vinho super gastronômico. O Luis Cañas Crianza pode ser harmonizado com um churrasco com batatas assadas, pode ser com mandioca frita também, ou um cozido de carnes com legumes. Lembrando sempre, é claro: saber beber é saber viver, com moderação.

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