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PODCAST · 507 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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UVA  AGLIANICO
4 Nov 20251:39EP 307

UVA AGLIANICO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música & Vinho, com a sommelier Kezia giugni. O sul da Itália não para de nos surpreender, desta vez, com a uva Aglianico, do grego Eleanico, que significa “o que vem da Grécia”. Uma uva tinta que se destaca na região sul da Itália desde o século VII antes de Cristo, em solos vulcânicos do Monte Vultur, no triângulo entre a Puglia, Campania e Basilicata. As características da uva Aglianico são intensidade e concentração de cor, alto nível de acidez e de taninos, o que permite envelhecimento e amadurecimento. Degustei o Colepetrito Aglianico, com dez dias de maceração e remontagem diária, para extrair ainda mais potencial do vinho, mais extratos. Tem notas de chocolate, especiarias e café, e uma boa persistência. Os aromas vêm do terroir vulcânico e do envelhecimento em barris de tosta média. É um vinho ideal para queijos temperados, carnes vermelhas, massas e pratos suculentos, como cordeiro, bem estruturado, envolvente e persistente. Alguns vinhos da uva Aglianico são tão encorpados, austeros e persistentes, que são comparados aos vinhos Barolos, produzidos ao norte da Itália. Por isso, os Aglianicos ganham também o apelido de “Barolos do Sul”. Mais uma sugestão de vinhos para você descobrir, lembrando sempre de manter a moderação.

COLINAS DE PROSECCO
3 Nov 20251:51EP 306

COLINAS DE PROSECCO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. E uma ótima manhã pra você, que quer saber mais sobre o mundo do vinho! Mais uma região vinícola recebeu o título de Patrimônio da UNESCO. Desta vez, foram as colinas de Prosecco. Os Proseccos são os vinhos italianos mais consumidos no mundo. O título foi dado em 7 de julho de 2019. A indicação italiana foi aprovada por unanimidade, garantindo os 21 votos dos Estados-membros. As colinas de Conegliano e Valdobbiadene são de uma beleza única. Mas afinal... Prosecco é uva, é estilo ou é denominação de origem? Os primeiros limites demarcados são de 1930, ao nordeste da Itália, abrangendo cidades como Treviso, Veneza, Vicenza, Padova, Belluno, Gorizia, Trieste, Pordenone e Udine, para a denominação de origem Prosecco. Então, Prosecco é uma denominação de origem. Mas Prosecco também era o nome da uva. Só que, em 2009, a uva branca Prosecco passou a se chamar Glera. O vinho deve ter 85% da uva Glera, e os demais 15% podem ser compostos por Chardonnay, Pinot Bianco, Pinot Noir e outras uvas regionais. Prosecco também é um estilo de vinho. São espumantes elaborados pelo método Charmat, quando a segunda fermentação acontece em tanques, e não individualmente na garrafa, como acontece na região de Champagne. Prosecco é, então, denominação de origem, já foi o nome da uva, e continua sendo um estilo de vinho.

VINHOS SUIÇOS
1 Nov 20251:57EP 305

VINHOS SUIÇOS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. E uma ótima manhã pra você, que é apaixonado por vinhos! Vinhos suíços... Eu nunca degustei. E você? Mas só pelas paisagens das vinhas da região de Lac Léman, já me deu vontade de encontrar um vinho suíço pra conhecer. O Lac Léman é o maior lago da Europa Ocidental e tem um clima muito particular. Está protegido do frio de inverno, pois o lago e os muros de pedra armazenam calor, e, no verão, o próprio lago ajuda a refrescar. A exposição solar é de nascente, o que é propício à viticultura. São duas as regiões mais importantes dos vinhos na Suíça: La Côte e Lavaux. La Côte quer dizer “encosta”, pela sua localização em uma suave colina. Produz vinhos brancos como os da Europa, de uma uva de coloração dourada, lembrando a Chardonnay, e aromas de frutas como pêssego, maçã, além de nozes e mel. Perfeito para um fondue de queijos ou massas com molhos brancos. Além da Chasselas, a região produz ainda vinhos com as uvas Chardonnay, Müller-Thurgau, Sylvaner, Pinot Gris e tintos mais leves, como Pinot Noir e Gamay. A outra região vinícola da Suíça é Lavaux, considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 2007. O motivo de tal título são as paisagens incríveis dos vinhedos. Dizem sobre a região de Lavaux que ela tem a sorte de amadurecer sob um sol triplo: um sol que vem de cima, generoso e acolhedor; um sol que vem de baixo, reflexo do lago espelhado; e um sol retido nos velhos muros de pedra, que é liberado à noite.

UVA SYRAH
31 Out 20251:22EP 304

UVA SYRAH

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música & Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Cada região da França é cheia de pequenas aldeias, e todas têm a sua particularidade, como Vansobre, que fica a 40 km ao norte da famosa região vinícola de Châteauneuf-du-Pape. Vansobre é especial para a produção de vinhos elaborados a partir da uva Syrah. Degustei o Vansobre do vinhedo Le Cornu, da Família Perrin, proprietária do ícone Château de Beaucastel. O Vansobre da Família Perrin tem 50% de Syrah e 50% da uva tinta Grenache, plantadas em socalcos de mais ou menos 300 metros, em um terroir bem pedregoso. Cada uva é vinificada separadamente: a Grenache em inox, e a Syrah em tanques de madeira. Depois, só a Syrah envelhece em carvalho por um ano. Ganhamos, assim, um vinho fino, intenso, com notas de violeta, carne defumada, amoras e café, com muita fruta madura e toques de especiarias. Super gastronômico! Harmonizei o meu Vansobre da Família Perrin com um filé au poivre, que ficou perfeito. Ótimo Vansobre pra você!

VINHO SEM SAFRA
30 Out 20251:49EP 303

VINHO SEM SAFRA

E que bom ter a sua companhia em mais uma manhã para falar de música e vinho! Hoje, vamos falar sobre os vinhos sem safra. Na hora de escolher um vinho, você já decidiu o estilo, o país, a uva, o preço... e ainda tem a safra! Mas olha só como tudo na vida envolve escolhas: se você for comprar um simples presunto, tem que escolher se é de peru ou de porco, a espessura, a quantidade, o defumado... entendeu? Então, não é só o vinho, o vinho também exige escolhas. Os vinhos têm no rótulo o ano em que a uva foi colhida. O ciclo da videira é de um ano, e o desenvolvimento da uva pode mudar de acordo com as condições climáticas. Por isso vem o ano: a safra é bem importante. Os vinhos não safrados são apenas os vinhos do Porto, Champanhe e Jerez, que podem, podem fazer mesclas de safras, e só destacam uma única safra quando acontece um ano excepcional. Aí, ele recebe o nome de vintage. Nos demais casos, precisa ter a safra, sim. Vinhos brancos e rosés, por exemplo, precisam ser bem jovens, entre dois e três anos, no máximo. Para os vinhos em geral, tem exceções, mas são poucas. E os vinhos tintos, na maioria, entre quatro e cinco anos no máximo também. Mas precisa ser o vinho certo, se for de cinco ou seis anos, ainda há exceções, mas são poucas. Se achar um vinho barato, sem madeira e sem safra... desconfie. E foi o que aconteceu: chegou às minhas mãos um Pinot Noir. Na descrição dizia que o vinho era bem jovem, mas não tinha safra. O vinho já estava oxidado. Desconfie dos vinhos sem safra.

VINHO E CHOCOLATE
29 Out 20251:41EP 302

VINHO E CHOCOLATE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Quem ouve pensa que sou chocólatra, já que cito vinho e chocolate fora da Páscoa várias vezes ao longo do ano. E, se harmonizar vinho e chocolate é considerado um desafio... eu adoro desafios! E já que vai rolar uma degustação de vinhos e chocolates, comecei a testar várias harmonizações. O primeiro é o chocolate branco. Testei um brigadeiro de chocolate branco com castanhas brasileiras, tipo macadâmia. Ficou perfeito com espumante e Moscatel branco, unindo a superdoçura dos dois elementos. Em seguida, harmonizei o chocolate ao leite. Coloquei com frutas: chocolate com morango ou com physalis. A acidez da fruta, com a doçura do chocolate, forma um delicioso contraponto, e se complementam com um belo vinho do Porto. Por último, um assemblage de três chocolates: um creme com três tipos, massa de biscoitos intercalando camadas de chocolate ao leite, chocolate amargo e chocolate branco. Tudo junto e misturado vira um verdadeiro assemblage de chocolates, com uma boa complexidade de sabores e aromas. Chocolates são intensos em boca e precisam de vinhos mais encorpados e complexos para harmonizar. Você pode testar em casa um vinho do Porto, um Colheita Tardia, um Sauternes ou ainda um belíssimo Amarone. Precisa de convite? Vinho e chocolate... é só testar e harmonizar! Lembrando sempre: mantenha a moderação para aproveitar cada nova degustação.

COLLE PETRITO
28 Out 20251:57EP 301

COLLE PETRITO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. O dia estava muito quente e eu estava sem companhia para tomar um vinho. Todos procuravam uma bebida para gelar, para refrescar, e eu concordei. Mas, depois de alguns minutos, minhas papilas gustativas pediram um vinho, e lá fui eu a mais um desafio: agradar a quem não era tão fã de vinho e, para completar, ao meio-dia, em um calor imenso. Os pratos eram linguiça suína com ervas, bife de angus e carneiro assados. Escolhi o país dos vinhos mais gastronômicos: a Itália. Decidi por álcool mais baixo, apenas 12%, que permite gelar um pouco mais o vinho sem amargar. Escolhi um vinho tinto para acompanhar as carnes e, depois, o preço que, aliás, era o vinho mais barato da carta. Um vinho jovem chamado Colle petrito Rosso. Rosso, tinto e italiano. O vinho agradou em cheio, porque é um estilo muito simples e fácil de beber, com notas aromáticas de chá preto, frutas vermelhas e orégano. E era exatamente o aroma de orégano, que é uma especiaria que dá muita vontade de comer,que tornou perfeita a harmonização, já que a linguiça tinha ervas, entre elas o orégano. O Colle petrito Rosso é feito com a uva Montepulciano. Essa é a segunda variedade mais plantada na Itália, atrás somente da uva Sangiovese. A Sangiovese, ao lado da Syrah, são as duas uvas que formam belos assemblages com a Montepulciano. Desafio concluído. Só ouvia as descrições: “acidez boa”, “o sabor combina com a comida”, “vinho equilibrado, de médio corpo, macio, melhor ainda com a comida”, e por aí vai. Desafio concluído. Consegui agradar a turma. Lembre-se sempre: se beber, não dirija.

MENDOZA
27 Out 20251:24EP 300

MENDOZA

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Do famoso produtor Família Zuccardi, você encontra a linha Santa Júlia, com vários vinhos varietais, aqueles vinhos de uma uva só: 100% Cabernet Sauvignon, 100% Malbec ou 100% Tempranillo. São vinhos argentinos de Mendoza, simples, gostosos e baratos. Degustei o Santa Júlia Tempranillo. A uva Tempranillo, aliás, foi trazida pra Argentina pelos colonizadores espanhóis. Os vinhos dessa uva, quando jovens e frescos como o Santa Júlia Tempranillo, mostram muitas frutas vermelhas, como framboesas e amoras. Na Espanha, é muito usada nos vinhos da Rioja, onde produz vinhos mais sérios, amadurecidos e evoluídos em carvalho. Já na Argentina, o estilo é mais simples, por isso, não espere grandes aromas ou complexidade nos Tempranillos argentinos. Apenas abra em qualquer dia, para curtir com os amigos e uns embutidos, queijinhos, filés, uma massa simples, e deixe fluir. E não se esqueça da água para acompanhar a sua degustação. A água hidrata, limpa o paladar entre um vinho e outro e deixa a sua experiência fluir. Lembrando sempre: mantenha a moderação para aproveitar novos e diferentes vinhos.

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