Capa de Música e Vinho

PODCAST · 507 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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 MASCIARELLI MONTEPULCIANO
22 Nov 20251:40EP 323

MASCIARELLI MONTEPULCIANO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Na década de 70, o produtor italiano Gianni Macciarelli resolveu mudar o sistema de condução dos vinhedos em Abruzzo e foi criticado. Com rendimento bem inferior, ele produziu vinhos mais concentrados que os produzidos na região de Abruzzo, que fica ao centro da Itália. Após algumas décadas, hoje ele é copiado e chamado de anjo da guarda do Abruzzo, pois revolucionou a produção e colocou a região em evidência aos críticos e também aos consumidores de todo o mundo. Degustei o Macciarelli de Monteputiano da safra de 2016. Uma das características da uva símbolo da região, a uva Monteputiano, é a coloração profunda, baixa acidez e taninos doces. Deliciosos quando jovens, mas podendo evoluir, ir até uns 10 anos. O Mattiarello e Monteputiano da Abruzzo melhorou o estilo de Abruzzo, mas sem perder a tipicidade italiana. Ao beber, você sabe que é um vinho italiano: pede comida, saliva na boca. Eu harmonizei com queijos, pastas, frutas, castanhas e carnes. Uma mesa bem farta, bem italiana mesmo. Agora é um momento de reflexão e pergunta. Eu quero saber de você: você procura vinhos que sejam muito diferentes um do outro? Quer encontrar vinhos que tenham a cara,ou melhor, o gosto, de cada região ou país? Ou você procura vinhos que goste e pronto? Lembre-se de manter a moderação e, se beber, não dirija.

CURADORIA DO VINHO
21 Nov 20252:42EP 322

CURADORIA DO VINHO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. É sempre bom ter a sua companhia para falar sobre vinhos. Já ouviu falar em curadoria de arte, moda e literatura? E curadoria de vinhos? Esse é um processo de cuidado e seleção de vinhos. A seleção é feita considerando aspectos técnicos de qualidade do vinho, o que deve estar acima de todas as opiniões pessoais. Considera-se a apresentação do rótulo na visão do consumidor, situações de consumo e períodos do ano, de acordo com clima e datas comemorativas. Analisa-se o preço e compara-se aos demais produtos similares já disponíveis no mercado. Fui convidada a participar de uma experiência de curadoria junto com especialistas como Manoel Luz, da Sonoma. Degustamos 20 rótulos numa tarde: vinhos brancos, espumantes brancos, rosés e tintos. Muitos simples, outros muito verdes ainda, amargura acentuado, alguns muito bons, mas com custo elevado para o padrão. Vinhos gastronômicos, como Terra Siciliane do Pieno Sud: fruta doce, licor de frutas silvestres, um vinho bastante quente, das uvas Nero d'Avola e 25% da uva Frappato, mais uma nova uva para minha lista. É típica da Sicília, e a denominação de origem controlada e garantida Cera Suolo é a mistura de Nero d'Avola com a Frappato. Juro que eu não sabia, achava que Cera Suolo era o nome do vinho e não é: é uma denominação de origem controlada de vinhos da Sicília, elaborados com Nero d'Avola e a uva Frappato. A Frappato é muito usada em assemblages, não só com a Nero d'Avola, mas também com Nerello Mascarelli, Nero Capuccio e Noceira. Seguimos ainda degustando os vinte rótulos, lembrando que o cuspitor é muito usado nessas degustações técnicas. O Villa Rossi Rubicone, redondinho, um Sangiovese para pizza; e mais um vinho, o Klein Kloof, um delicioso sul-africano de Merlot e Cabernet Sauvignon, muito frutado e rico, que pede um hambúrguer gourmet. Seguimos adiante com franceses simples, outros complexos, alguns elegantes, outros rústicos e muitos aromas e sabores incríveis, até chegar ao top Cabernet Sauvignon, que eu até esqueci de anotar o nome. Só sei que era muito bom! Aromas de goiaba, morango e figos no vinagre balsâmico. Essas misturas loucas e surpreendentes que eu amo. Experiência incrível, e eu só tenho a agradecer o convite ao Manuel Luz e Alican.

CHAMPAGNE KRUG GRAND CUVÉE
20 Nov 20251:56EP 321

CHAMPAGNE KRUG GRAND CUVÉE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Você está sentindo a acidez gostosa desse vinho? Então vem comigo, eu sou Kezia Giugni. Vou começar mais um Música e Vinho para te contar todas as melhores experiências de degustações. Algumas casas de champanhe são ícones no mundo do vinho, e eu quero muito te contar a experiência de degustar uma Krug Grand Cuvée. Degustei a versão de número 169, uma composição de 146 vinhos de 11 diferentes safras, 46% da uva tinta Pinot Noir, 35% da uva branca Chardonnay e 22% da uva tinta Pinot Monnier, e sete anos de estágio nas adegas da casa Krug. É chocante a vivacidade do primeiro ataque em boca, uma força e uma pungência intensa. A coloração dourada não brilha, reluz. O perlagem vem de mansinho e envolve toda a boca com cremosidade ampla. A mousse vai se abrindo e trazendo as notas de flores brancas, de frutas cítricas, a doçura das amêndoas, o toque de especiarias como um pão de gengibre. E começa o balanço da cruz, o movimento da acidez que vai e volta, ora oscilando delicada, ora com mais força. O carrossel de aromas que percorre do limão ao limonchelo, das amêndoas torradas, defumadas e amargas ao marzipan, vale muito ter uma experiência dessa. Para completar com música e vinho, faço a abertura dedilhando a garrafa e vou soltando aos poucos o suspiro de uma bela cruz de gran cuvé. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

VINHOS PORTUGUESES
19 Nov 20252:33EP 320

VINHOS PORTUGUESES

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Obrigada pela sua companhia de sempre em mais uma edição do Música e Vinho. E hoje eu vou falar sobre dois vinhos portugueses que têm tudo a ver com música. O primeiro se chama Polifonia e vem da região do Alentejo, e o segundo se chama Chorinho, da região do Douro. Polifonia é a multiplicidade de sons, o conjunto harmonioso de sons, e esse é o nome dado ao vinho do Monte dos Perdigões. A quinta Monte dos Perdigões foi a casa do ilustre maestro português Luiz de Freitas Branco, que compôs ali suas mais marcantes obras. O vinho Polifonia é uma composição em que o enólogo escolhe os lotes de vinhos que têm maior aptidão organoléptica e de envelhecimento. Aptidão organoléptica é onde vai mais aparecer todos os aromas e sabores do vinho. A formação é feita das uvas Cihali, Cante Boucher e Petit Verdot. De uma coloração profunda, granada forte e com aromas de frutas maduras em compota, é um vinho bastante cheio, carnudo, de taninos suaves e cremoso. O Polifonia é feito de vinhas velhas, e a harmonização fica para as caças e assados. Passa 18 meses no carvalho francês de tosta média e mais um ano de garrafa. Tem um final bem longo e encorpado. Este é o Polifonia da região do Alentejo. E o outro vinho, em homenagem ao ritmo musical brasileiro, se chama Chorinho e é da região do Douro. A vinícola é a Lavradores de Feitoria. O vinho Chorinho nasceu da ideia da cantora Roberta Sá, que é uma apaixonada por vinhos portugueses. Ela pediu um vinho com a lágrima de um choro boêmio e melodicamente brasileiro. Por isso, o Chorinho é um vinho com a delicadeza e a sutileza do estilo choro. No rótulo você vai encontrar os azulejos portugueses, destacando a silhueta de um violão, pais instrumentos do nosso Chorinho. O nome é mesmo uma homenagem ao ritmo brasileiro e, no rótulo, você vai encontrar os mapas do Brasil e de Portugal para reforçar os laços luso-brasileiros, unindo a cultura e a música. O Chorinho é um vinho tinto com aromas de cereja e amora, de uma acidez refrescante para lembrar o nosso Brasil. E as uvas são toriga franca, tinta roris, tinta barroca e toriga nacional. Duas sugestões de vinhos com nomes bastante convidativos, portugueses: Polifonia e Chorinho, para você ouvir e beber com moderação.

VINÌCOLAS CHAMPAGNE
18 Nov 20252:42EP 319

VINÌCOLAS CHAMPAGNE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música em Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Uma das mais famosas regiões vinícolas do mundo, Champagne, é também um desafio climático constante para se produzir uvas maduras e sãs. Champagne está situada no limite para a cultura de vinhedos, a quase 50 graus de latitude norte e com temperaturas médias que chegam a 11 graus. A região tem pouca amplitude térmica, que é a famosa variação de climas entre o dia e a noite, que é sempre muito bem-vinda para as videiras. A insolação é de 1.650 horas por ano, bem abaixo de outras regiões como o Bordeaux, que chega a 2.069 horas de sol por ano. A região de Champagne sofre com as geadas no período da primavera, especialmente na brotação, mas o solo da região é de calcário, e isso favorece a drenagem e influencia na mineralidade dos vinhos, e faz a característica ímpar dos vinhos no estilo efervescente: boa acidez e boa mineralidade. Ainda sem estudos comprovados mineralidade dos vinhos, a última década em Champagne teve vários vinhos no estilo vintage, quando a safra é excepcional e o vinho é safrado. Isso porque os produtores estão conseguindo melhor maturação das uvas devido ao aquecimento global e também ao uso de tecnologias de condução da videira. Além disso, os produtores entenderam também que toda safra pode ter um vintage e o vinho vai expressar as características daquele ano. A última década, por exemplo, a vinícola Moët-Chandon teve 7 vintages em apenas 10 anos. Outra coisa que mudou em Champagne é que, com o crescimento do consumo do vinho no mundo, alguns métodos como remoagem manual, o famoso giro das garrafas, que era feito uma a uma, passou a mecanizado. É o chamado Giro Palates: são grandes palates com garrafas presas que giram ao mesmo tempo milhares de garrafas de champanhe. Outra novidade é que algumas marcas passaram a fermentar parte do vinho em carvalho já de uso da região da Borgonha para desenvolver aromas mais finos e também potencial de envelhecimento. Outras marcas estão utilizando leveduras naturais na segunda fermentação. Isso permite ao vinho mostrar a marca do solo, expressar o seu terroir, ao invés do uso de leveduras selecionadas que costumam padronizar aromas e sabores. Champanhe está literalmente se mexendo para inovar a cada dia, a cada nova safra.

UVA  AGLIANICO
17 Nov 20251:44EP 318

UVA AGLIANICO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. O sul da Itália não para de nos surpreender, desta vez com a uva aglianico, do grego eleanico, que significa o que vem da Grécia. Uma uva tinta que se destaca na região sul da Itália desde o século 7 antes de Cristo, em solos vulcânicos do Monte Vultur, no triângulo entre a Puglia, Campania e a Basilicata. As características da uva aglianico são intensidade e concentração de cor, alto nível de acidez e de taninos, o que permite envelhecimento e amadurecimento. Degustei o Colepetrito Aglianico com 10 dias de maceração e remontagem diária para extrair ainda mais potencial do vinho, mais extratos. Tem notas de chocolate, especiarias e café, e boa fome. Persistência. Os aromas vêm do terroir vulcânico e do envelhecimento em barris de tosta média. É um vinho ideal para queijos temperados, para carnes vermelhas, massas e pratos suculentos, como o cordeiro. Bem estruturado, envolvente e persistente. Alguns vinhos da uva aglianico são tão encorpados, austeros e persistentes que são comparados aos vinhos Barolos produzidos ao norte da Itália. Por isso, os aglianicos ganham também o apelido de barolos do sul. Mais uma sugestão de vinhos para você descobrir, lembrando sempre de manter a moderação. Uma ótima manhã para você, e agora vamos ouvir “Ordinary Day”, com Dolores O'Riordan.

UVA MALBEC
15 Nov 20252:03EP 317

UVA MALBEC

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. E que delícia ter a sua companhia nesta manhã para falar de música e vinho. A uva embaixadora da Argentina é a Malbec e ela vem crescendo em exportações e ganhando adeptos em todo o mundo. São 41 mil hectares de área plantada de Malbec na Argentina, e a área cresceu 56% na última década. Segundo dados do Instituto Nacional da Vite Vinicultura, a comercialização total da variedade Malbec, nos mercados tanto interno quanto externo, duplicou nos últimos 12 anos. No ano passado, 62% da produção foi exportada. Isso mostra outro número surpreendente: a exportação cresceu 242% nos últimos 12 anos. E sabe quais são os números? Os principais países apaixonados por Malbec: em primeiro lugar, é claro, os Estados Unidos, com 41 mil litros por ano; em segundo lugar, o Reino Unido, com 26 mil litros por ano; em terceiro lugar, o Canadá, com 9 mil litros de Malbec por ano sendo consumidos; seguido pelo Brasil, com 6 mil e 800 mil litros de Malbec por ano. Que diferença grande, né? 45 mil litros contra quase 7 mil litros entre Estados Unidos e Brasil. E olha que americano não vive só de Malbec. Em primeiro lugar, para eles, estão os vinhos americanos, que eles valorizam muito. Aqui no Brasil, vamos, aos poucos, disseminando o consumo consciente da bebida, mostrando as milhares de variedades de uvas, de estilos e países, e muitas novidades a cada dia. Afinal, o mundo do vinho não para de evoluir há 8 mil anos. Lembre-se sempre de manter a moderação. Você poderá descobrir novos estilos e novos vinhos.

UVA GRENACHE
14 Nov 20251:11EP 316

UVA GRENACHE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. Eu adoro falar sobre essa sigla que aparece em muitos vinhos e acaba nos confundindo, achando, talvez, que seja o nome da uva ou da região. GSM são as iniciais das uvas Grenache, geralmente encontrada no sul da França, na região do Rhone, e também na Austrália. São três uvas tintas que formam esse estilo de vinho que eu considero muito fácil de beber, embora não sejam vinhos leves, e sim até mais encorpados, com uma boa textura em boca, macios e com as notas aromáticas que lembram frutas vermelhas e negras e especiarias, como a pimenta típica da uva Sihá. São vinhos bem gastronômicos, perfeitos para carnes ensopadas, carnes grelhadas, um bom hambúrguer de carneiro ou uma massa com filé. Há vários produtores com esse corte GSM, vale muito experimentar. E o melhor: são vinhos que você pode beber ainda jovem, lembrando sempre de manter a moderação.

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Música e Vinho
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