Capa de MÚSICA E VINHO

PODCAST · 1807 EPISÓDIOS

MÚSICA E VINHO

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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ROBIN HOOD DOS VINHOS
18 Mar 20261:31EP 1655

ROBIN HOOD DOS VINHOS

O Robin Hood dos vinhos, o fora da lei. Imagine só plantar e produzir vinhos da uva cirá no Alentejo, região historicamente super tradicional, que fermentava seus vinhos em ânforas desde os tempos romanos. A região portuguesa é também terra das uvas tintas de brincadeira, aragonês e alicante boucher. Até que, em 1998, a vinícola corte de cima produziu o vinho incógnito. Fácil entender esse nome, porque o nome da uva não poderia aparecer. O vinho ganhou prêmios pelo mundo, além das pontuações, com 92 por Robert Parker e 92 pela Wine Enthusiast. Frutos selecionados de vinho dos jovens, bem maduros e colhidos à mão. O incógnito é 100% da uva cirrá e tem aromas bem complexos, de frutos negros, como a meixa, notas de tosta, especiarias e terroso. É um vinho de taninos firmes e estruturado pela longa evolução, pelos seus oito meses de carvalho francês. O fora da lei leva no rótulo ainda uma frase do famoso compositor Bob Dylan: pra viver à margem da lei tem que ser honesto. E assim, o incógnito escreveu no contrarrótulo sua verdadeira origem: 100% cirrá.

 VINHEDO PAREDONES
17 Mar 20261:25EP 1654

VINHEDO PAREDONES

Paredones é o nome de um vinhedo que fica na região de Colchagua, um vinhedo da costa fria do Chile, a apenas seis quilômetros do oceano Pacífico, chamado Cool Coast. É pouco explorado, mas tem superpotencial para a produção de uvas de alta qualidade, que se desenvolvem melhor em climas frios. Produz vinhos de expressão muito frutada, muito fresca e elegante. E é de lá que vem o Cool Coast Pinot Noir, da vinha Casa Silva, uma vinícola tradicional chilena que existe desde 1892. Degustei o Pinot Noir 2015, 100% da uva Pinot Noir. Pinot Noir de regiões frias se apresentam com muita fruta fresca, como morangos, cerejas, frutas silvestres e framboesas. Um vinho fresco, de refrescante acidez, taninos suaves e final longo. Elegante. A primavera chegou, e com ela os vinhos mais leves, como este Pinot Noir. Para completar a elegância e manter a expressão do terroir, o produtor usou barricas usadas, de terceiro uso, para arredondar e dar elegância, sem mascarar o vinho com excesso de madeira. O Casa Silva Cool Coast Pinot Noir harmoniza com atum, salmão grelhado, pato e queijos de meia-cura com geleia de frutas vermelhas.

VINHOS DOCES
16 Mar 20261:40EP 1653

VINHOS DOCES

Se você gosta dos docinhos, vamos encontrá-los, mesmo que venham de longe, das colinas do Piemonte, uma região belíssima, premiada como Patrimônio Mundial da Unesco. Sobre vinhos docinhos, eles são perfeitos para harmonizar com sobremesas e ainda para você criar drinks com algum ingrediente que quebre a doçura. É nessa região do Piemonte que se produzem os famosos Asti. Asti é o nome da região e também do método de elaboração desses espumantes. O método Asti forma a espumatização em uma única etapa de fermentação, dentro de autoclaves, como é feito no método Charmat. Pelo método Asti, o vinho atinge entre 6 e 10 graus de álcool e a fermentação é interrompida. Assim, sobra açúcar e o gás é mantido, sem deixar escapar na atmosfera. Os aromas frutados são bem presentes e o álcool é bem levinho. Da mesma região, descobri um vinho feito não com as uvas moscatos, mas com uma uva diferente: a Brachetto, uma uva tinta cultivada predominantemente no Piemonte. A Brachetto é usada normalmente para a elaboração de espumantes tintos, pouco usuais para nós, mas eles são deliciosos, especialmente os docinhos, como o Acqui Brachetto. Aromas de flores, morango, framboesa, amora e cravo. Um espumante tinto e docinho para você harmonizar com saladas de frutas, lembrando sempre de manter a moderação. Uma ótima manhã para você!

WINE SPECTATOR
13 Mar 20261:41EP 1652

WINE SPECTATOR

Em 2015, Portugal ganhou a capa da revista Wine Spectator com o mais belo cenário de Portugal, o Rio Douro, e começou a mostrar seu caminho de volta ao cenário internacional, ganhando inúmeras premiações. Em apenas dois meses de 2015, Portugal conquistou 279 medalhas em países como Alemanha, França e China. Em 2016, ganhou 92 medalhas na Alemanha, 79 medalhas na França e mais 108 medalhas no concurso China Wine and Spirits Awards. Essa multiplicação tão grande de medalhas ainda vem crescendo, e eu percebi as pessoas comentando, comprando e postando mais rótulos portugueses. Em maio de 2016, acompanhei um evento, e os produtores portugueses presentes eram os filhos e os netos. Percebi o entusiasmo e a dedicação deles em permanecer na tradição, mas também em dar a sua pitada de modernidade e conquistar o mundo. Veja como os vinhos portugueses são, em sua grande maioria, assemblages, misturas de uvas. É isso que dá equilíbrio aos vinhos. Tem aparecido algumas pontinhas de Cihá, um merlozinho no meio das trincadeiras, e Aragonês, as uvas autóctones portuguesas. Na minha análise, os vinhos estão melhorando a cada dia. E você, o que acha? Por que os vinhos portugueses estão melhorando? Lembre-se de manter a moderação e, se beber, não dirija.

INSTITUTO VINHO DO BRASIL
12 Mar 20261:59EP 1651

INSTITUTO VINHO DO BRASIL

Hoje eu vou falar novamente sobre vinho sem regras, a campanha do Instituto do Vinho do Brasil. Sem deixar de valorizar, é claro, todo o trabalho dos sommeliers nos últimos anos. Após quase 15 anos estudando sobre a bebida e tudo que a cerca, chegou a época da campanha que eu tanto queria nos últimos tempos. A campanha que abraça cada amante do vinho, que quebra preconceitos, que liberta de algumas regras, que recebe e que acolhe a todos em torno da bebida: o vinho. É a campanha Vinhos sem Regras, da instituição Vinhos do Brasil. Eu brinco que já fiz de tudo nessa vida para falar de vinhos, e atualmente até canto, danço e represento no palco para contar e disseminar a história do vinho. Tudo isso para chegar mais perto do público e usar uma linguagem mais lúdica. Agora posso tomar vinho descalça no sofá, beber drinks no bar, me fantasiar de deuses do vinho, de rainha, subir na bicicleta, me jogar na piscina, para mostrar que vinho é para todos os momentos da vida e não precisa ter tantas regras. E você vai passar a aceitar os vinhos do dia a dia nas rolhas de rosca sem reclamar, a beber vinhos em taças variadas, a colocar um gelinho no vinho, a beber na pescaria, na piscina, com copos de plástico, harmonizar vinho com coxinha também, presentear o seu amigo e aceitar que tem, sim, vinho bom e barato. Você pode beber vinho no bar, no barco e ao meio-dia. O vinho definitivamente desceu do salto. O serviço mudou e está mais informal. As situações não precisam mais ser escolhidas para se beber um vinho. Se tem vinho, apenas abra. As combinações são mais casuais e as possibilidades só ampliam. Ganha o mercado, ganham os consumidores, ganha todo mundo. Lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

VALPOLICELLA
11 Mar 20261:56EP 1650

VALPOLICELLA

Eu fico encantada com as boas coincidências da vida, e o vinho sempre me proporciona isso. O encontro de quase 200 anos da vinícola com uma amizade de 20 anos. Foi assim o meu sábado em Atibaia, no interior de São Paulo, uma região de clima perfeito para o vinho e cultivo de morangos. Consegui unir a degustação de um clássico Valpolicella Zonin, da Asiana Zonin, a um reencontro com duas amigas que também curtem vinho. São 197 anos de história da família em torno do vinho italiano. Hoje o grupo tem 9 vinícolas em 7 diferentes regiões da Itália. Eu escolhi o mais clássico Valpolicella. Sabe aquele vinho tinto do Veneto, de Rondinella, Molinari e Corvina, que você abre a qualquer hora do dia para combinar com tudo, para agradar a vida de todos? É um Valpolicella frutadinho, mas com evoluções aromáticas que eu amo, como amêndoas. Médio a encorpado e com final longo, tanino presente, mas equilibrado. Mais que os aromas, as conversas de tantas alegrias de uma linda amizade, que unem gerações com diferenças de 40 anos, evoluíram sem perder alegria durante horas e horas. Assim como os vinhos evoluem, uma amizade também evolui. A sabedoria, uma das grandes dádivas da vida, se desenvolve com a idade. Por isso eu gosto tanto de estar perto dos mais velhos. Eles têm sempre algo de bom para nos ensinar. A idade traz novas habilidades, e os vinhos ou as vinícolas com mais tempo de atividade, como a zonim, que são quase 200 anos de história, conseguem manter o padrão e ainda criar novos produtos. É a vida que se renova e o vinho que se renova. Em um dia todo de conversa, regado a vinhos, evoluímos a conversa que vai virar livro e perpetuar as mil histórias. Será que o vinho vai fazer parte desse livro também?

CELLO SYRAH
10 Mar 20261:41EP 1649

CELLO SYRAH

Não é todo dia que a gente encontra essa sintonia. Ainda não havia degustado, mas já sabia a história do vinho australiano cello-cirá. O nome do vinho é uma homenagem à intensa relação do embaixador da marca da vinícola Kilikannam Wine's, chamado Nathan Walks. Nathan Walks foi violoncelista da Orquestra Sinfônica de Sydney. Uniu suas duas paixões e elaborou o vinho cello-cirá. Poderia ser qualquer uva, mas cirá é a uva símbolo da Austrália. Não só por isso: a palavra cirá também significa música, melodia. Tem sintonia melhor? Finalmente parei para degustá-lo e, literalmente, soou como música para os meus ouvidos. Tem tudo que eu gosto. Coloração rubi intensa. Ao nariz, as frutas maduras negras, como a mora e a ameixa. Adoro os aromas de frutas negras, aliado às especiarias da sirrá e um tabaco no final. É um vinho pra me deixar quietinha, só curtindo, quase mastigando de tão encorpado. Os taninos estavam ali, presentes, dão aquele aperto na boca, mas bem equilibrados, e com uma excelente persistência. Pena que eu estava em uma feira e não dava pra harmonizar, mas colocaria uma degustação Tchelo sirrá com uma costeleta de porco defumada. E você, com o que você harmonizaria o seu sirrá? Compartilhe conosco usando a hashtag #musicaevinho através das redes sociais.

 ARTE DA TANOARIA
9 Mar 20263:09EP 1648

ARTE DA TANOARIA

É uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho. E hoje vamos falar sobre a arte da tanoaria. Tanoa significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas hoje os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível rolar o barril. A madeira mais utilizada é o carvalho em todo o mundo, porque é a que apresenta a melhor porosidade, possibilitando a micro-oxigenação, super importante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho também tem impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as barricas, resistência, podendo durar até 100 anos, e leveza para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes super importantes que vai aparecer no seu vinho é a tosta do barril. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. Pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, trazendo aromas mais adocicados. Outro fator importante que vai aparecer no seu vinho é a idade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no vinho. O tamanho das barricas também é importante. O padrão é de 225 litros e, quanto menor o barril, maior será sua influência no estilo do vinho. O uso do barril de carvalho influencia, inclusive, a regulamentação da classificação de vinhos na região da Rioja, na Espanha, por exemplo. A classificação é feita com base no tempo de envelhecimento na madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas vale lembrar: os vinhos mais jovens podem não ter estágio em madeira ou ter menos de 12 meses. Os Crianza passam 12 meses em madeira e mais tempo em garrafa. Os Reserva ficam cerca de 12 meses em madeira e mais tempo em garrafa. Já os Gran Reserva passam cerca de 24 meses em madeira e vários anos em garrafa antes de serem comercializados. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos vinhos tintos. Influencia na estrutura, na textura e na evolução dos aromas e sabores do vinho. Por trás de cada barrica existe uma história: uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

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