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PODCAST · 1807 EPISÓDIOS

MÚSICA E VINHO

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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LENDAS DO MUNDO DO VINHO
27 Mar 20261:51EP 1663

LENDAS DO MUNDO DO VINHO

Eu adoro as lendas do mundo do vinho. Conta-se que, no século XII, os monges da ordem de cartucha, os mesmos do vinho português cartucha famoso, procuravam um lugar para construir um novo mosteiro. Encontraram um pastor que lhes informou sobre um lugar onde os anjos subiam aos céus por uma escada. Construíram, exatamente nesse local, o mosteiro chamado Scaladei. E plantaram vinhas e elaboraram vinhos. Ao redor do mosteiro nasceu o vilarejo Scaladei. Mais tarde, a região ficou conhecida como priorat, ou priorato, que significa comunidade religiosa. Para entender melhor a região, a denominação de origem controlada priorat, que faz parte da Catalunha. Essa é uma região que cultiva uvas no estilo garnacha tinta e carinhenha. Elabora vinhos clássicos, de aromas de cereja em calda. Os vinhos do Priorato costumam estagiar pelo menos 12 meses em Carvalho. O Priorato recebeu a denominação de origem de qualidade, o título máximo de denominação espanhola. A região tem produzido vinhos espetaculares, potentes, concentrados e longevos. Lembrando que a Catalunha tem baixa produtividade pela condição climática de baixo índice pluviumétrico. São vinhos de coloração intensa, boa textura e taninos afinados. Um dos principais produtores chama-se Álvaro Palácios. Se você também busca novidades, experimente um espanhol do Priorato, porque Espanha não é só tempranilo.

VINHOS CHILENOS
26 Mar 20261:38EP 1662

VINHOS CHILENOS

E uma ótima manhã pra você que curte música e vinho. O Chile é o país símbolo da uva carmener, e todo mundo já conhece a história de que a carmener era plantada como merlot, por engano, até ser descoberta a real origem da uva carmener, já na década de 90. As mais antigas uvas carmener estão plantadas no vale de Almaue, que pertence a Cachapoal. As videiras de carmener estão plantadas desde 1945. São vinhas de mais de 70 anos; por isso, o vale do Almaue é considerado berço original da carmener no Chile. A vinha Close de Luz é uma casa que busca resgatar a cultura vitivinícola do Chile e está localizada exatamente nessa região. O vinho Maçal, 1945, da uva carmener. Carmener traz toda essa cultura e expressão. É um vinho tinto, elegante e potente, com altas notas herbáceas, típico da uva Carmener. Tem ainda uma cremosidade, com toques de chocolate e tabaco. A vinha Close de Luz tem ainda o vinho azul da garnacha, totalmente diferente da uva Carmener. A uva garnacha é bem mais leve, com notas florais: um vinho mais vibrante, para acompanhar pratos com molhos e temperos herbáceos e frescos. O vinho azul da garnacha recebeu 93 pontos no guia Descorchados, da safra de 2015. Tem muita novidade no Chile para você degustar

ARTE DA TANOARIA
25 Mar 20263:09EP 1661

ARTE DA TANOARIA

Uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho, e hoje vamos à arte da tanoaria. Tanoa significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas, hoje, os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível colar o barril. A madeira mais utilizada é o carvalho em todo o mundo, porque é a madeira que apresenta a melhor porosidade, que possibilita a micro oxigenação, super importante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho tem também uma impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as varricas de carvalho, além de resistência, podendo durar até 100 anos, e é precisa para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes super importantes, que vai aparecer no seu vinho, é a tosta do barril de carvalho. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. A tosta pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, aromas mais adocicados. Outro fator importante que vai aparecer no seu vinho é a idade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no seu vinho. O tamanho das barricas também é importante: o padrão é 225 litros, e, quanto menor o barril, maior ele influencia no estilo do seu vinho. O uso do barril de carvalho influencia a regulamentação da classificação de vinhos na região da Rioja, na Espanha, por exemplo. A classificação é feita baseada no envelhecimento da madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas, só para lembrar, os vinhos mais jovens podem ter. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos vinhos tintos, na estrutura e na textura dos vinhos. Pode variar nessa evolução de aromas e também no sabor do seu vinho. Por trás de cada barrica, há a história, uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

SOUVIGNON BLANC
24 Mar 20261:31EP 1660

SOUVIGNON BLANC

Vamos começar mais um Música e Vinho. A Toscana no meio do Chile, já imaginou? É o conhecimento da família Antinori no Vale do Maipo para desenvolver a vinha Aras de Pirque. A vinícola tem o formato de uma ferradura de cavalos, para expressar a paixão da família pelos cavalos de puro-sangue inglês. A vinícola é símbolo de grandes vinhos chilenos, como o Alba Clara Sauvignon Blanc, que degustei no evento Wines of Chile Luxury Tasting. E a surpresa foi muito boa desde a primeira impressão aromática. Notas herbáceas de folha cortada, que lembravam folha de cajueiro, que eu adoro e faz parte da minha memória olfativa de infância. Que super Sauvignon Blanc do Vale do Leida! Que, aliás, é uma das principais regiões para Sauvignon Blanc. O vinho traz toda a expressão da Sauvignon Blanc, com muita pureza de frutas, um volume de boca com as notas de maracujá em flor, a mineralidade na sua vibração do primeiro gole e o herbáceo das folhas de cajueiro, integradas a um manjericão que me fez salivar. É a acidez da Sauvignon Blanc que saliva e traz a gastronomia à mente. Um peixe ao molho de ervas vai super bem com o top chileno Alba Clara Sauvignon Blanc.

UVA SYRAH
23 Mar 20261:34EP 1659

UVA SYRAH

Saint Joseph, ou traduzindo, São José, o esposo de Maria, teve sua aparição como santo no sul da França e originou o nome de uma das mais famosas apelações do Rhone, os vinhos no estilo Saint Joseph. Originalmente, só produzia vinhos tintos da uva Syrah. Essa é a maravilha aos amantes da uva Syrah. Mas, em 1979, foi permitida a introdução de até 10% de uvas brancas, como Marsanne e Roussane. Mesmo assim, ainda produz vinhos intensos, de coloração bem profunda. Muito aromáticos, a frutas maduras, especiarias e baunilha. Não se deve esperar dos Saint Joseph menos que taninos suaves e sedosos e longa persistência. São, normalmente, vinhos canudos gastronômicos para acompanhar caças e queijos intensos. E um dos produtores mais conhecidos a produzir vinhos no estilo Saint Joseph é o famoso Gigao, que você já deve ter visto. Os rótulos de Gigao destacam muito bem cada apelação. Além das apelações de Coturron e Cotroti, que você já pode ter provado, que tal experimentar um diferente, o Saint Joseph? Mais uma sugestão de vinhos para você continuar a explorar e se inspirar. E eu quero saber o que você está degustando, é só compartilhar conosco, usando a hashtag música e vinho, nas redes sociais.

LAPOSTOLLE APALTA
21 Mar 20261:30EP 1658

LAPOSTOLLE APALTA

Tem vinho que é sucesso, sem dúvida. O Lapostolle Apalta é um queridinho do mais francês produtor chileno Lapostol. O vinho é cheio, intenso, elegante, redondo, macio e suculente. O produtor está localizado no Chile, no Vale de A Pauta, e o Lapostolle Apalta, que foi lançado em 2015, tem a Cabernet Sauvignon como base e o corte de Merlot, Carmenet, Cabernet Franc e Syrah. O A Pauta tem 14,5% de álcool, mas não pesa, porque tem excelente estrutura das uvas para aguentar. São 28 dias de maceração. Maceração você já sabe, né? É o tempo que a casca fica em contato com o suco, para ter o máximo de extração da polpa, da cor, taninos e de todas as substâncias que estão na casca. 70% do Lapostolle Apalta 12 meses em carvalho francês de segundo e terceiro uso, e 30% só em aço inoxidável, para manter o frutado. Agora pode começar a preparar a brasa e seus melhores cortes para um bom churrasco. De verdade, se eu fosse você, já iria procurar agora um Lapostolle Apalta. Bom Lapostole para você!

VINHOS ITALIANOS
20 Mar 20261:28EP 1657

VINHOS ITALIANOS

A Eslovênia fica ao norte da Itália, no leste europeu. E, embora os vinhos eslovenos sejam pouco conhecidos, a história é bem antiga. Os Celtas levaram o vinho há 2500 anos, antes mesmo de os romanos terem levado a cultura para França e Espanha. Descobri, nessa pesquisa, que o povo esloveno consome 43 litros de vinho per capita ao ano, mas o consumo é regular e moderado. São cerca de 28 mil vinícolas produzindo na Eslovênia. Tem tanta história antiga que a videira considerada mais antiga do mundo, com cerca de 500 anos, está na Eslovênia, na cidade de Maribor. A vinha tem 30 metros de extensão, em um tronco de cerca de 80 centímetros de diâmetro: as famosas vinhas velhas. É uma variedade tinta local chamada de Modra Cavicina. Pinturas de quadros do século XVI confirmam o retrato do casarão onde a vinha está sustentada, já com a videira ornamentando a fachada. A casa histórica e a vinha são patrimônios da humanidade pela Unesco. Existe uma colheita simbólica dessa videira, e os vinhos são usados apenas para presentear autoridades. Mais de tempos em tempos, mudas são plantadas pelo mundo.

VINHOS VERDES
19 Mar 20261:48EP 1656

VINHOS VERDES

Os vinhos verdes não são mais tão verdes assim, não são tão jovens assim, não tão ácidos. A vinícola Montez Champalimoy, proprietária da Quinta do Coto, no Douro, é também proprietária do Passo de Teixeiró, no Minho, e elabora o Passo de Teixeiró branco. O que se espera de um vinho verde branco são vinhos leves, jovens, até com data de validade, leve gasificação e alta acidez. Pois o Passo de Teixeiró é o avesso, literalmente elaborado com a uva avesso, que tem baixa acidez e pode ser longevo, o avesso da característica das uvas da região. O Passo de Teixeiró branco é elaborado com 80% da uva avesso e 20% de loureiro, com vinhas de mais ou menos 40 anos, são vinhas velhas. A maturação é sobre lias, sobre as borras, por três meses em tanques de aço inoxidável, e isso traz muita personalidade ao vinho. Tem a coloração dourada, aromas intensos de flor de camomila e cascas cítricas. Em boca, é longo, gastronômico, fino, vibrante, muito firme. Harmonizei com sardinha na brasa, bolinho de bacalhau, queijo Serra da Estrela bastante intenso, alheiras e polvo com páprica. Não espere um vinho ligeiro como os demais vinhos verdes, espere um super vinho verde: Passo de Teixeiró branco, é um Montez Champalimoy.

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