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VINHOS CHILENOS
Uma excelente manhã para você que curte o Música e Vinho, e hoje temos mais uma degustação horizontal. Desta vez, quatro vinhos da uva Carmenere, todos chilenos, e só assim é possível comparar e entender o quão diferentes podem ser os vinhos de uma mesma variedade. Por isso, não dá para falar que você não gosta de Carmenere se só provou um vinho desta uva. Existem Carmenere com prensagem mais leve das uvas, que dão vinhos mais leves e fáceis de beber no dia a dia, e outros mais complexos, com maceração prolongada e envelhecimento em madeira. Para lembrar algumas características desta uva: ela apresenta notas vegetais um pouco mais persistentes que a Merlot, além de pimenta negra, fruta negra, tabaco, baunilha e couro, e uma cor profunda e inconfundível. São raros os Carmenere franceses, então não resta dúvida de onde procurar os vinhos desta uva: no Chile mesmo. Para harmonizar, o Carmenere é uma excelente escolha para carnes vermelhas grelhadas, assados, cordeiros ou filés com pimentas e especiarias. Na degustação de hoje, destaque para o Larroia Gran Reserva, 100% Carmenere, e o Aquitania Reserva, com 85% Carmenere e 15% Cabernet Sauvignon. Ambos, com cerca de 10 meses de madeira, me encantaram, especialmente porque gosto de vinhos com mais persistência de boca, presença e intensidade. Para quem prefere vinhos mais leves, o Caliterra Aventura Carmenere é uma escolha bem correta e de excelente custo-benefício. E você também pode fazer essa degustação em casa, com os amigos, escolhendo uma única uva e experimentando diferentes vinhos para entender melhor as características de cada um. Cada gosto é diferente, e você vai escolher o que mais lhe agrada, lembrando sempre de manter a moderação para aproveitar plenamente o seu próximo vinho.
VINHOS BRANCOS
Se você já degustou Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Grigio, Riesling ou Gewürztraminer e quer descobrir novos vinhos brancos, o Verdicchio tem um destaque esperando por você. As garrafas desses vinhos, em formato de ânforas, da uva da região central da Itália, o Marche, são belíssimas. Degustei o Titulus Verdicchio, que apresenta coloração esverdeada, notas muito herbáceas lembrando alecrim e sálvia, cítricos de limão e um final de boca bem vegetal. Não é aquele branco óbvio, levinho; nada disso. É um vinho de acidez elevada, muito aromático, com final longo, fresco, médio corpo e bem seco. Ficou perfeito com gaspacho de tomate e creme de mascarpone. Harmonizei também com carpaccio de pão, polvo e uma massa com frutos do mar. Esqueci de destacar as notas de limão siciliano, amêndoas tostadas e maçã verde. Os aromas deste vinho são tão intensos que dá vontade de ficar explorando o olfativo por horas. Tem vinhos assim: já conquistam pelo aroma antes mesmo do primeiro gole. Vale muito se aventurar e conhecer o Verdicchio!
EXPERIÊNCIAS COM DEGUSTAÇÃO
Eu sou Kezia Giugni e vou te contar todas as minhas experiências de degustação. Olha como as coisas mudam de posição: a rabada, que tem origem em Portugal e na Espanha, era originalmente a sopa do rabo de boi, usada para aproveitar todas as sobras do animal, assim como a feijoada. Já foi comida de boteco rejeitada e hoje é um dos pratos valorizados nos melhores restaurantes e, claro, lá na casa da minha mãe. Existem várias receitas de rabada ao vinho, e para preparar bem o prato, escolha um tinto seco de qualidade, não vai estragar a sua rabada com vinho ruim, né? Para acompanhar, precisamos pensar nas cores intensas, na suculência do molho, na complexidade dos temperos, na maciez do cozimento e no sabor longo que a rabada deixa na boca. O vinho precisa ser encorpado, seco, com tanino bem presente, textura e estrutura, aqueles vinhos que podem ter passagem em madeira. Eu harmonizei com um espanhol bem intenso, feito com Garnacha e Tempranillo, mas poderia ser também um tinto do Alentejo, em Portugal, berço do corte de uvas como Alicante, Buchê, Trincadeira e Aragonês, ou ainda um corte do sul da França, no Rhône, com Grenache, Syrah e Mourvèdre. Sabores ricos pedem vinhos ricos, lembrando sempre de manter a moderação.
TERRA DO TEMPRANILLO
Da mais tradicional região vitivinícola da Espanha, a Rioja, vem o vinho Luis Canhas. A terra das tempranilhos, mas que usa também no corte as uvas ganacha e graciano, mas não admite ainda a entrada de cabernet sauvignon, merlot e outras uvas francesas. É uma forma de preservar o estilo da Rioja. Aliás, uma coisa mudou: antes, o DOC Rioja, que é bem grande, só mencionava no rótulo Rioja. E agora já destaca as sub-regiões Rioja Alta, Rioja Baixa e Rioja Alavesa, que têm diferenças de terroir e altitude. E já começam também a ser aceitos destaques no rótulo mencionando as comunidades, os vilarejos ou os vilagens onde os vinhos são produzidos, para valorizar cada região. Degustei o Luis Canhas Crianza, que tem 95% de tempranilo e 5% da uva ganacha, de vinhedos com idade média de 30 anos. Já mostra uma força de raiz que busca nutrientes a fundo e que expressa no vinho intensidade e força, desde a coloração até ao paladar. Passa 18 meses em carvalho, exatamente como determina a classificação de envelhecimento na Espanha para ser um Rioja Crianza. Na boca, tem notas de morango, um pouquinho de baunilha, muita madeira, é claro, e um aceto balsâmico. De taninos redondos e bom retrogosto, é um vinho super gastronômico. O Luis Canhas Crianza pode ser harmonizado com um churrasco com batatas assadas, pode ser mandioca frita também ou um cozido de carnes com legumes, lembrando sempre, é claro, de manter a moderação.
FEIRA WINE SOUTH AMERICA
E parece que a feira internacional Wine South America fez o mercado de vinhos nacionais balançar. Os vinhos já estavam ali na prateleira, me olhando, te seguindo, tentando nos seduzir, mas eu passava, olhava e não via. Mais uma vez, o preconceito com os vinhos brasileiros me afastou de conhecer maravilhosos rótulos, como o Dom Cândido, da vinícola do mesmo nome. A vinícola é pequena, na região de Vale dos Vinhedos, e até 2015 era comandada pelo próprio senhor Cândido. Produz vinhos e sucos de uva. Degustei o Dom Cândido Autêntico Petit Verdot. Essa linha Autêntico tem três varietais: um Cabernet Sauvignon, um Merlot e o Petit Verdot. E é claro que eu preferi começar pelo diferente, a uva Petit Verdot. A “pequena verdinha” tem origem em Bordeaux, é muito usada em cortes; inclusive, entra no assemblage de Château Margaux e Latour, os ícones de Bordeaux. Chama-se “pequena verdinha” porque é difícil de amadurecer no clima de Bordeaux, mas, em países mais quentes, tem surpreendido os especialistas — e me surpreendeu mesmo. O Dom Cândido Petit Verdot tem uma coloração intensa e é simplesmente perfeito em nariz e boca. Quase não consegui entender o que eu degustava, porque foi muito superior à minha expectativa. A Petit Verdot ganhou o merecido destaque em um vinho 100% Petit Verdot e mostrou toda sua força, potência e elegância. Superestruturado e bem sutil no carvalho, foram só cinco meses, o suficiente para não mascarar a identidade real da uva, apresenta notas de frutas negras mescladas às vermelhas. Que persistência gostosa, bom preço, e o nosso vinho brasileiro Dom Cândido Petit Verdot. Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar novos vinhos com o Dom Cândido.
VIDEIRAS
Você já deve ter ouvido falar que as videiras precisam sofrer para ter boas uvas. É que, quanto mais ela luta para buscar água no solo, mais ela absorve nutrientes da terra e mais força ganha em cada caixa. Chuva boa para a videira é no período de outono, inverno e início de primavera, quando ela está invernando e dá início ao período de brotação. O ideal é mais ou menos 680 milímetros de chuva ao ano. No verão, só o sol já basta, já que sol e chuva pode aumentar o risco de fungos e diminuir o processo de maturação. Na Europa, países como Portugal, Espanha e Itália já conseguiram autorização para irrigar seus vinhedos, assim como acontece no novo mundo, por gotejamento. As entidades que regulamentam a viticultura na Europa entendem, ainda, que qualidade é mais importante que quantidade, já que videiras irrigadas produzem maior quantidade, mas, se equilibrado, como no novo mundo, conseguem bons resultados. E quais nutrientes são esses que a videira precisa? O que muda no meu vinho? Um dos nutrientes é o fósforo, que ajuda no crescimento e desenvolvimento da planta; o potássio, que ajuda na maturação das uvas e crescimento dos cachos; e o cálcio, que também atua no crescimento dos ramos e raízes e contribui para o desenvolvimento da planta, além de outros nutrientes como zinco, manganês, ferro, cobre, enxofre e nitrogênio. E aí, na busca do equilíbrio e análise do campo, que entra um trabalho imenso do enólogo e de todos os viticultores. É uma interação entre homem e natureza e o equilíbrio do uso de conhecimento para se obter o melhor da planta e da terra. Videiras sem nutrientes ou com excesso de água resultam em uvas diluídas, em caixos duros e extremamente ácidos. Por isso, vale lembrar que vinho é o resultado da transformação do açúcar em álcool a partir de uvas sadias. A sanidade das uvas resulta em bons vinhos. Lembre-se sempre de manter a moderação, claro, e, se beber, não dirija.
EXPERIÊNCIAS DE DEGUSTAÇÃO
Vou te contar todas as minhas experiências de degustações. Olha como as coisas mudam de posição: a rabada, que tem a sua origem em Portugal e na Espanha, era a sopa do rabo de boi, usada como aproveitamento de todas as sobras das partes do animal, tipo a feijoada. Já foi comida de boteco rejeitada e hoje é um dos pratos agraciados nos melhores restaurantes e lá na casa da minha mãe. Tem várias receitas de rabada ao vinho. Escolha um tinto seco de qualidade. Não vai estragar o seu prato com vinho ruim, né? E, para acompanhar, vamos pensar em cores intensas, a suculência do molho, a complexidade de vários temperos, a maciez do cozimento e o sabor longo que a rabada deixa na boca. O vinho precisa ser mais encorpado, então: um tinto seco, com tanino bem presente, textura e estrutura, aqueles vinhos mais encorpados, e pode ter passagem na madeira. Eu harmonizei com um espanhol bem intenso, da uva garnacha com tempranilo, mas poderia ser também um tinto do Alentejo, em Portugal, berço do corte das uvas alicante, buchê, trincadeira e aragonês, ou ainda um corte do sul da França, no Rhone, com grenache, sirra e mouvedre. Sabores ricos harmonizados a vinhos ricos, lembrando sempre de manter a moderação.
