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PODCAST · 507 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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CELLO SYRAH
10 Mar 20261:41EP 387

CELLO SYRAH

Não é todo dia que a gente encontra essa sintonia. Ainda não havia degustado, mas já sabia a história do vinho australiano cello-cirá. O nome do vinho é uma homenagem à intensa relação do embaixador da marca da vinícola Kilikannam Wine's, chamado Nathan Walks. Nathan Walks foi violoncelista da Orquestra Sinfônica de Sydney. Uniu suas duas paixões e elaborou o vinho cello-cirá. Poderia ser qualquer uva, mas cirá é a uva símbolo da Austrália. Não só por isso: a palavra cirá também significa música, melodia. Tem sintonia melhor? Finalmente parei para degustá-lo e, literalmente, soou como música para os meus ouvidos. Tem tudo que eu gosto. Coloração rubi intensa. Ao nariz, as frutas maduras negras, como a mora e a ameixa. Adoro os aromas de frutas negras, aliado às especiarias da sirrá e um tabaco no final. É um vinho pra me deixar quietinha, só curtindo, quase mastigando de tão encorpado. Os taninos estavam ali, presentes, dão aquele aperto na boca, mas bem equilibrados, e com uma excelente persistência. Pena que eu estava em uma feira e não dava pra harmonizar, mas colocaria uma degustação Tchelo sirrá com uma costeleta de porco defumada. E você, com o que você harmonizaria o seu sirrá? Compartilhe conosco usando a hashtag #musicaevinho através das redes sociais.

 ARTE DA TANOARIA
9 Mar 20263:09EP 386

ARTE DA TANOARIA

É uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho. E hoje vamos falar sobre a arte da tanoaria. Tanoa significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas hoje os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível rolar o barril. A madeira mais utilizada é o carvalho em todo o mundo, porque é a que apresenta a melhor porosidade, possibilitando a micro-oxigenação, super importante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho também tem impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as barricas, resistência, podendo durar até 100 anos, e leveza para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes super importantes que vai aparecer no seu vinho é a tosta do barril. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. Pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, trazendo aromas mais adocicados. Outro fator importante que vai aparecer no seu vinho é a idade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no vinho. O tamanho das barricas também é importante. O padrão é de 225 litros e, quanto menor o barril, maior será sua influência no estilo do vinho. O uso do barril de carvalho influencia, inclusive, a regulamentação da classificação de vinhos na região da Rioja, na Espanha, por exemplo. A classificação é feita com base no tempo de envelhecimento na madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas vale lembrar: os vinhos mais jovens podem não ter estágio em madeira ou ter menos de 12 meses. Os Crianza passam 12 meses em madeira e mais tempo em garrafa. Os Reserva ficam cerca de 12 meses em madeira e mais tempo em garrafa. Já os Gran Reserva passam cerca de 24 meses em madeira e vários anos em garrafa antes de serem comercializados. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos vinhos tintos. Influencia na estrutura, na textura e na evolução dos aromas e sabores do vinho. Por trás de cada barrica existe uma história: uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

LENDAS E MITOS DO MUNDO DO VINHO
7 Mar 20261:24EP 385

LENDAS E MITOS DO MUNDO DO VINHO

Adoro as lendas e mitologias em torno do mundo do vinho. Imagine a deusa da luz, da lua e do sol espalhando brilho e luminosidade. Essa é Theia, a deusa que dá nome ao espumante brasileiro da vinícola Hélios, produzido em Bento Gonçalves. Um super espumante no método champenoise, elaborado com 93% da uva branca Chardonnay e 7% da tinta Pinot Noir. Apenas 900 garrafas foram produzidas em um único lote. Amadurece sobre as borras, o que traz complexos aromas de pão, lembrando brioche, muito floral, fresco, com perlage fino e abundante. Notas cítricas e acidez bem presente. Poucos espumantes me ganham de cara, porque normalmente trazem muita doçura. O Theia tem a cor esverdeada, que eu acho linda, notas acentuadas de pão, sabor bem seco, mas harmonioso com a acidez e o frescor. O espumante Theia abrilhantou o meu dia, brindou a amizade e a qualidade dos vinhos brasileiros. Degustei como aperitivo, mas cabe muito bem com uma paella, um bacalhau e até um risoto de camarão.

VINHOS CHILENOS
6 Mar 20262:13EP 384

VINHOS CHILENOS

Vinhos chilenos: do Vale do Elqui, ao norte de Santiago, vem um produtor que está totalmente conectado à cultura astrofísica da região. A vinha Alcahuás está no Vale do Elqui, que é um super polo de astroturismo. É considerado o céu mais limpo e claro do Hemisfério Sul e, por isso, possui vários observatórios astronômicos. A vinha Alcahuás preserva o pisa-pé das uvas, e isso é incrível. É difícil uma vinícola, atualmente, ainda fazer o pisa-pé. Uma outra particularidade da vinícola é que eles plantaram inicialmente Cabernet Sauvignon e Carménère, as uvas de maior destaque no Chile. Porém, elas não se desenvolveram bem na região. Mudaram então para duas variedades do Mediterrâneo: a Syrah e a Garnacha, e o resultado foi excepcional. Inclusive, espera-se que a Syrah dos vinhedos de Alcahuás se torne uma das melhores Syrahs do mundo. A uva entra na elaboração dos vinhos Drú e Rú, e também no varietal de Syrah. O Rú é o nome do portal de conexão entre a divindade e a humanidade, uma homenagem ao misticismo do Vale do Elqui. É um super vinho de Syrah, Garnacha e Petit Syrah. Já o Grus é uma mescla tinta, igual ao Rú, mas com uma parcela de Malbec. É o segundo vinho da casa e homenageia a constelação Grus. Degustei ainda o Cuesta Tica, 100% Garnacha, da safra de 2017. Quis experimentar porque era a primeira safra. Um vinho de coloração rubi profunda e, ao nariz, fruta vermelha com ervas, especiarias rosas e notas lácteas. Fresco, de médio corpo e taninos bem firmes. Ao final, não degustei o varietal 100% Syrah, mas já vou atrás, porque sou uma enlouquecida por Syrah. E se essa é a nova promessa, já quero saber o que tem a Syrah do Vale do Elqui. E você, está degustando o quê? Compartilhe conosco usando a hashtag #musicaevinho através das redes sociais.

TELLUS SYRAH LAZIO
5 Mar 20261:32EP 383

TELLUS SYRAH LAZIO

O Vinho e seus deuses. Degusteio, Telo e Cirrado, Lásio. A propriedade fica a uns cinquenta quilômetros de Roma, e o nome vem da deusa romana da terra, do solo fértil, Telos. O rótulo me chamou atenção e descobri que foi escolhido em um concurso de arte que aconteceu no belíssimo Castelo de Sant'Angelo, em Roma. O Castelo de Sant'Angelo é um cenário belíssimo, e foi lá que aconteceu a grande ópera Tosca, de Giacomo Puccini, totalmente cheio de arte. Um monumento rico, que tem a estátua de um anjo coroando o edifício. Telo e Cirrà é um vinho cheio de arte. A garrafa tem o formato das antigas garrafas romanas, e o vinho é do produtor Falesco. Um super Cirrà, de coloração vermelho bem intenso, frutas frescas e as famosas especiarias da Cirrà, com um toque de barulho. Baunilha pelos seus cinco meses de carvalho. O Telo e Serrai é um vinho sedoso, com taninos macios, rico e persistente. Acompanha super bem pizzas de calabresa, queijos maturados e massas com molhos fortes, como o nhoque de quatro queijos da minha amiga Gabriela Grandu. Que perfeição! Cremoso, aromas lácteos, sabores extremamente harmoniosos, incrível. Nhoque aos quatro queijos com vinho tinto é uma boa sugestão de harmonização. Lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija

HARMONIZAÇÃO DE VINHO E COXINHA DE FRANGO
4 Mar 20261:56EP 382

HARMONIZAÇÃO DE VINHO E COXINHA DE FRANGO

Regra de harmonização normalmente não contempla vinho para coxinha de galinha. Mas, até hoje, eu digo que a melhor entrada que comi no restaurante mais estrelado do Brasil foi uma coxinha de galinha. E eu preciso descrever para vocês: uma coxinha muito bem temperada. Na base da coxinha, um purê de mandioca bem cremoso com catupiry. Então, o catupiry veio por fora. O serviço foi feito em pratos fundos, para regar com o melhor caldo de galinha da vida. Realmente, uma coxinha inesquecível. Você acha que não combina? Ainda tem preconceitos e acha que vinho é só para alta gastronomia? Ou não gosta de coxinha? Eu te provo tecnicamente a harmonização. As comidas gordurosas têm que contrapor com vinhos mais frescos. A gordura seca o paladar. A crocância da fritura combina com o creque-creque das bolhas do gás do espumante, traduzindo os perlages. Frango é uma carne branca e combina com vinhos brancos, como os espumantes brancos. A coxinha é cheia de temperos e ervas, e os espumantes têm aromas herbáceos maravilhosos. Para encher a boca e salivar de vez, o purê de mandioca com catupiry é super cremoso, assim como a textura da espumatização que se forma na boca a cada gole de vinhos espumantes. Prato quente com vinho gelado sela uma harmonização de contraponto, que é a cara da nova era do mundo do vinho. Bem-vindos à descontração, à liberdade que os antigos deuses já pregavam desde a antiguidade, à alegria dos jovens consumidores de vinhos e à paixão pela bebida que é secular e que se renova a cada dia, a cada música e vinho. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

VINHO CHIANTE RUFFINO
31 Jan 20262:17EP 381

VINHO CHIANTE RUFFINO

Tem um vinho que todo mundo conhece, o Chianti Rufino. Ele é um clássico e do consagrado produtor da Toscana. Um vinho que tem sua produção controlada para garantir a qualidade e foi a primeira garrafa a exibir o selo de Doc G na Itália. A vinícula Rufino foi fundada em 1877, em Chianti, e em apenas 4 anos conquistou a primeira medalha de ouro em Chianti. Eles ganharam também o ouro na Feira de Bordeaux logo nos primeiros anos. Todo mundo conhece um Chianti, o tinto de Sangiovese com canaiolo, mas a vinícula tem deliciosos vinhos brancos também da uva Pinogridio, que é uma uva que eu amo. Vinhos frescos, aromas de frutas tropicais e mineral. Tem espumantes rosés, moscatos dastes, além de proseccos e tintos com base em Sangiovese e outras uvas. Uvas como Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e até Alicante Boucher. São vinhos como o Asiano, o Ducale e o Modus, além de Brunelos, como o Grepeno Masi. Um Sangiovese grosso é a uva, um estágio mais longo, mais maduro e com aromas e final de boca que lembram chocolate e um tabaco bem suave. E o rico e encorpado Alouda, feito de Cabernet Franc, Merlot e Colorino, um vintage que só está em safras excepcionais, como a safra de 2015. Um vinho que tem estágio em dois meses de carvalho francês, afina no tanque de aço e depois na garrafa. Extremamente elegante, encorpado, aromas balsâmicos, baunilha, para harmonizar com a bistecca fiorentina que eu tive o prazer de experimentar em Florença, com batatas assadas, muito alho e azeite. Lembre-se sempre de manter a moderação para você ver que Antirrofino tem muito mais do que só Quianti. A gente acha que é o nome do produtor e não, o produtor se chama Rufino. E você vai encontrar todas essas outras variações de vinhos como modos a lauda do cali, aziano, moscatos para secos e rosés, todos de produção do mesmo produtor na região mais famosa da Itália. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

DEGUSTE NOVOS VINHOS
30 Jan 20261:46EP 380

DEGUSTE NOVOS VINHOS

Eu quero muito te inspirar a degustar vinhos diferentes. Eu sou Kezia Giugni, Sommelier, e quero te inspirar pra descobrir esses novos vinhos, como o Tara Pinot Noir. Tara, em espanhol, quer dizer imperfeito. Essa é a filosofia do vinho da Vente Esqueiro. Tara Pinot Noir, que não é clarificado e não filtrado. Na garrafa já mostra toda a sua imperfeição. O vinho é extremamente turvo, porque não foi clarificado e nem filtrado. O desafio começa a crescer no deserto do Atacama, onde a umidade vem apenas da neblina do Pacífico, chamada de Camanchaca. O Tara Pinot Noir tem mais de uma particularidade. Ele envelhece 60% durante 24 meses em fúdres de 1000 quilos, 500 litros, e 40% em concreto de mil litros. Os fúdres são os barris gigantes, uma técnica bem antiga preservada principalmente nas regiões como Piemonte, ao norte da Itália. Envelhecer em fúdres traz menor interferência de madeira ao vinho. O Tara Pinot Noir tem os aromas que lembram framboesa, cereja e cogumelos. Na boca, é incrivelmente intenso para um Pinot Noir. Digo que é um Pinot Noir bem presente em boca e com um toque de salinidade vindo do Pacífico. Perfeito para carnes como pato, um javali e, por que não, um pernil cai super bem com o Tara Pinot Noir. Lembrando sempre de manter a moderação.

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