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PODCAST · 1807 EPISÓDIOS

MÚSICA E VINHO

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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VINHOS DE GUARDA
6 Mai 20262:10EP 1695

VINHOS DE GUARDA

Nesta manhã, eu te convido para a gente falar sobre vinhos de guarda, compras para o futuro. Será que existe um tempo certo para abrir um vinho mais velho ou mais jovem? Atualmente, 90% dos vinhos produzidos são para consumo imediato. Outros 10% duram décadas. Quando for compor a sua adega, também é bom manter a mesma proporção: só 10% dos vinhos de guarda. Eu tenho degustado alguns vinhos franceses de 2010, 2011, especialmente os Bordeaux médios, nada de Grand Cruz, que ainda estão meio verdinhos. São vinhos gostosos, porém estariam mais harmoniosos com uns três anos ou mais, talvez. Todos os vinhos mudam ao longo do tempo de garrafa, mas melhorar mesmo, só alguns. Com o tempo, o vinho perde um pouco de cor e perde também tanino e acidez. Os vinhos que têm essas duas últimas características, de tanino e acidez muito elevadas, fazem bem ao vinho melhorar: ele fica mais fácil de beber, com menos tanino e menos acidez com o tempo, menos agressivo e um pouco mais suave. Certa vez, eu falei para um cliente, que não gostou muito dessa comparação de vinho agressivo, achou meio piada. Mas, segundo uma das mais respeitadas enólogas do mundo, filha de Ângelo Gaia, italiana, chamada Gaia Gaja, ela disse que todo vinho engarrafado já está pronto. Alguns podem melhorar com a evolução da garrafa, mas é gosto pessoal. E, como só no Brasil nós já temos mais de 30 mil rótulos disponíveis, por que não deixar os vinhos que podem melhorar com o tempo de garrafa esperando um pouquinho mais? É claro que você não precisa ter muito. Como eu disse, 10% dos vinhos que você tem em casa. Ou, de vez em quando, comprar um vinho que você tenha que esperar um pouco mais, para poder sentir todos aqueles aromas mais complexos e terciários que só os vinhos mais envelhecidos têm. Lembrando sempre, claro, que, se beber, não dirija.

UVAS GRENACHE, MOVEDRE E SYRAH
5 Mai 20261:11EP 1694

UVAS GRENACHE, MOVEDRE E SYRAH

Eu adoro falar sobre essa sigla que aparece em muitos vinhos e acaba nos confundindo, achando, talvez, que seja o nome da uva ou da região. GSM são as iniciais das uvas Grenache, Mourvèdre e Syrah, geralmente encontradas no sul da França, na região do Rhône, e também na Austrália. São três uvas tintas que formam esse estilo de vinho que eu considero muito fácil de beber, embora não sejam vinhos leves, e sim até mais encorpados, com uma boa textura em boca, macios e com notas aromáticas que lembram frutas vermelhas e negras e especiarias, como pimenta, típica da uva Syrah. São vinhos bem gastronômicos, perfeitos para carnes ensopadas, carnes grelhadas, um bom hambúrguer de carneiro ou uma massa com filé. Há vários produtores com esse corte GSM, vale muito experimentar. E o melhor: são vinhos que você pode beber ainda jovem, lembrando sempre de manter a moderação.

UVA PRIMITIVO
4 Mai 20261:30EP 1693

UVA PRIMITIVO

Será que o meu paladar é igual ao seu? Eu já sei que muita gente ama a uva Primitivo, mas eu não. Mas lancei o desafio de vocês me indicarem um vinho da uva Primitivo que você me mostrou e me dizer o porquê. Eu já tentei vários, juro. Vários produtores e até regiões e países. Tanto faz se Itália ou Estados Unidos. O açúcar residual e a falta de acidez e vivacidade não são compatíveis com o meu paladar. Não estou falando mal do estilo, só confessando que cada um tem um paladar. O que me agrada, não te agrada. E olha que tem uvas que eu torci o nariz e, mesmo assim, não desisti. Ora ou outra eu tentava de novo e foi aí que passei a gostar da uva Nero d’Avola, por exemplo, que eu achava tudo legal. Totalmente dura. Já encontrei alguns bons exemplares com notas defumadas, taninos presentes sem ser tão duros e o final mais macio, embora tenha essa força na boca. Se você também tem alguma uva ou estilo de vinho que já tentou várias vezes, mas mesmo assim não gosta, e outro que te surpreendeu após algumas degustações, conte pra mim. Quero compartilhar com vocês aqui no Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

VINÍCOLAS DE CATALUÑA
2 Mai 20262:25EP 1692

VINÍCOLAS DE CATALUÑA

A região da Catalunha é a área vinícola com o maior número de denominações de origem controlada. Entre as mais conhecidas estão Costers del Segre, Montsant, Penedès, Priorat e Cava, bastante conhecido. Ao todo, são 12 sub-regiões, mas hoje vamos entender melhor a denominação de origem Cava. Primeiro, que Cava, em espanhol, é masculino; então, não é “a cava”, e sim “o cava”. O clima da Catalunha é de poucas chuvas, e isso faz com que as videiras apresentem uma baixa produtividade, obrigando as uvas a se concentrarem mais em aromas e sabores. Daí, o resultado são vinhos de coloração profunda, excelente textura e taninos finos. A denominação de vinhos no estilo Cava foi exclusividade da Catalunha durante muito tempo e ainda é responsável por 85% da produção. Porém, hoje, os espumantes espanhóis em todo o território podem ser chamados de Cava. São elaborados no mesmo método tradicional dos famosos champanhes, mas o sabor é bem diferente, já que as uvas são distintas. Enquanto em champanhes se usam Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay, na Espanha utilizam-se Xarel·lo, Macabeu e Parellada para fazer os Cavas, além das uvas Pinot Noir, Garnacha e Monastrell para os Cavas rosados e tintos. Desde 1960, o Cava ganha o mercado, pois a qualidade cresceu com as novas regras de elaboração e o uso de novas tecnologias. Chegou a ser chamado de “champanhe espanhol”. O bom disso tudo é que o Cava é mais suave, mais frutado que os champanhes franceses e é bem mais barato também. São três estilos de Cavas que você vai encontrar nos rótulos em supermercados: os Cavas de selo branco são os mais jovens, com nove meses de maturação; os de selo verde são os reservas, com quinze meses de maturação; e os de selo negro, os gran reserva, com trinta meses de maturação. É superfácil harmonizar Cava, porque vai com quase tudo, desde os embutidos da Catalunha aos mariscos com arroz e açafrão. Lembrando sempre de manter a moderação.

UVA MALBEC
1 Mai 20261:30EP 1691

UVA MALBEC

Uma excelente manhã para você, obrigada pela sua companhia. Hoje tem música e vinho, e eu estou a fim de falar de uvas de novo. Há cerca de 10 mil diferentes castas de uvas no mundo e, assim como todos os nomes, têm algum significado. Alguns vêm da mitologia, outros são nomes científicos e outros são bem curiosos. Malbec, em francês, quer dizer “boca amarga”, o que discordo, porque os Malbecs são quase doces — se bem que os argentinos; os franceses são bem amarguinhos mesmo. Merlot vem do pássaro merle, que adora comer a uva Merlot ainda na videira. Pinot Noir remete ao formato dos cachos, como um pinho escuro — pinot noir. Sangiovese, em latim, significa “sangue de Jove”. Carmenère vem do carmim, do vermelho forte e intenso da sua coloração. Syrah tem mil hipóteses para o seu nome, mas eu acredito na versão da cidade de Shiraz, no Irã, da antiga Pérsia. Tempranillo vem do espanhol “temprano”, cedo; a uva amadurece bem cedo. E Cabernet Sauvignon é a união da Sauvignon Blanc com a Cabernet Franc, que deu origem à Cabernet Sauvignon. Além da uva Nebbiolo, a uva das névoas no período da colheita, na região do Piemonte, aos pés do monte, muita névoa deu Nebbiolo. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

VINHOS E COGUMELOS
30 Abr 20261:59EP 1690

VINHOS E COGUMELOS

O Música e Vinho está no ar, e eu lhe desejo uma excelente manhã. A Itália é considerada a pátria dos cogumelos. São centenas de espécies, e o consumo é tão popular que virou atração turística de colheita, chamada de Andaria funghi, em que todos vão em busca do tesouro nas florestas. O funghi porcini é o mais famoso e cresce ao norte da Itália. O cogumelo chamado Cantarella tem a coloração laranja. Os cardoncelli são os mais populares ao sul da Itália e são servidos assados, fritos ou cozidos em azeite. As trufas crescem embaixo da terra e têm sabor único: ou você ama ou odeia. Todos fazem parte dos ingredientes de diversas receitas na Itália e pelo mundo, que pedem vinho para harmonizar. Pela variedade de sabores e intensidade dos cogumelos, não se pode generalizar e dizer que cogumelos combinam com pinot noir, como já ouvi dizer. O cogumelo Paris é bem suave e fresco, enquanto as trufas negras ou brancas são uma explosão de sabores. Seguindo a intensidade de aromas e sabores, harmoniza-se o vinho: do pinot noir ao barolo de nebbiolo para as trufas. Além desses cogumelos italianos, que são mais raros por aqui, temos o shiitake e o shimeji, o Paris, que é bastante fresco, o portobello, que vai bem com carnes, o champignon, que eu amo fresco, e todos pedem vinho. A receita vai da sua criatividade: desde os cremes de cogumelos, fatiados na salada, assados, molhos de cogumelos e muito mais. Cogumelos são ricos em vitamina D e super combinam com vinhos. Lembre-se sempre de manter a moderação para criar a sua próxima harmonização.

ESTAÇÃO DE AROMAS
29 Abr 20261:34EP 1689

ESTAÇÃO DE AROMAS

Fica bem mais fácil entender os estilos de vinhos que mais te agradam e também diferenciar os diversos estilos de vinhos fazendo essa experiência da estação de aromas. Quando a gente fala em aromas de frutas brancas, ainda assim é difícil saber exatamente que aroma é esse e em que tipos de uvas ou estilo de vinho podem aparecer esses aromas. Então, comece a testar em casa, porque a pera tem aromas mais fechados de frutas brancas frescas de regiões frias. O abacaxi já tem aromas mais abertos de frutas brancas frescas de regiões quentes. O damasco pode ter aromas de frutas brancas secas. O pêssego em calda tem aromas de frutas em compota. Vou me concentrar nos aromas da uva Riesling, que pode ter aromas de pêssego, damasco, maçã verde, pera, laranja e limão. São todas frutas brancas, mas com características bem distintas. Fruta branca doce, como damasco, é diferente de fruta branca cítrica, como a laranja e o limão. Já se você gosta ou prefere os aromas mais fechados, encontrados nos vinhos do Porto, vai adorar sentir na taça tudo junto: intensidade dos aromas de café, chocolate, uva passa, amêndoas e baunilha. E voilá! Vamos botar o nariz e a memória olfativa para funcionar.

UVA  AGLIANICO
28 Abr 20261:44EP 1688

UVA AGLIANICO

O sul da Itália não para de nos surpreender. Desta vez, com a uva Aglianico, do grego Eleanico, que significa “o que vem da Grécia”. Uma uva tinta que se destaca na região sul da Itália desde o século 17 a.C., em solos vulcânicos do Monte Vultur, no triângulo entre a Puglia, Campania e a Basilicata. As características da uva Aglianico são intensidade e concentração de cor, alto nível de acidez e de taninos, o que permite envelhecimento e amadurecimento. Degustei o Colepetrito Aglianico, com 10 dias de maceração e remontagem diária, para extrair ainda mais potencial do vinho, com mais extratos. Tem notas de chocolate, especiarias e café, e boa percepção e persistência. Os aromas vêm do terroir vulcânico e do envelhecimento em barris de tosta média. É um vinho ideal para queijos temperados, para carnes vermelhas, massas e pratos suculentos, como o cordeiro, bem estruturado, envolvente e persistente. Alguns vinhos da uva Aglianico são tão encorpados, austeros e persistentes que são comparados aos vinhos Barolo, produzidos ao norte da Itália. Por isso, os Aglianicos ganham também o apelido de “Barolos do sul”. Mais uma sugestão de vinhos para você descobrir, lembrando sempre de manter a moderação. Uma ótima manhã para você.

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