Capa de Música e Vinho

PODCAST · 507 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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VINHOS ITALIANOS
20 Mar 20261:28EP 395

VINHOS ITALIANOS

A Eslovênia fica ao norte da Itália, no leste europeu. E, embora os vinhos eslovenos sejam pouco conhecidos, a história é bem antiga. Os Celtas levaram o vinho há 2500 anos, antes mesmo de os romanos terem levado a cultura para França e Espanha. Descobri, nessa pesquisa, que o povo esloveno consome 43 litros de vinho per capita ao ano, mas o consumo é regular e moderado. São cerca de 28 mil vinícolas produzindo na Eslovênia. Tem tanta história antiga que a videira considerada mais antiga do mundo, com cerca de 500 anos, está na Eslovênia, na cidade de Maribor. A vinha tem 30 metros de extensão, em um tronco de cerca de 80 centímetros de diâmetro: as famosas vinhas velhas. É uma variedade tinta local chamada de Modra Cavicina. Pinturas de quadros do século XVI confirmam o retrato do casarão onde a vinha está sustentada, já com a videira ornamentando a fachada. A casa histórica e a vinha são patrimônios da humanidade pela Unesco. Existe uma colheita simbólica dessa videira, e os vinhos são usados apenas para presentear autoridades. Mais de tempos em tempos, mudas são plantadas pelo mundo.

VINHOS VERDES
19 Mar 20261:48EP 394

VINHOS VERDES

Os vinhos verdes não são mais tão verdes assim, não são tão jovens assim, não tão ácidos. A vinícola Montez Champalimoy, proprietária da Quinta do Coto, no Douro, é também proprietária do Passo de Teixeiró, no Minho, e elabora o Passo de Teixeiró branco. O que se espera de um vinho verde branco são vinhos leves, jovens, até com data de validade, leve gasificação e alta acidez. Pois o Passo de Teixeiró é o avesso, literalmente elaborado com a uva avesso, que tem baixa acidez e pode ser longevo, o avesso da característica das uvas da região. O Passo de Teixeiró branco é elaborado com 80% da uva avesso e 20% de loureiro, com vinhas de mais ou menos 40 anos, são vinhas velhas. A maturação é sobre lias, sobre as borras, por três meses em tanques de aço inoxidável, e isso traz muita personalidade ao vinho. Tem a coloração dourada, aromas intensos de flor de camomila e cascas cítricas. Em boca, é longo, gastronômico, fino, vibrante, muito firme. Harmonizei com sardinha na brasa, bolinho de bacalhau, queijo Serra da Estrela bastante intenso, alheiras e polvo com páprica. Não espere um vinho ligeiro como os demais vinhos verdes, espere um super vinho verde: Passo de Teixeiró branco, é um Montez Champalimoy.

ROBIN HOOD DOS VINHOS
18 Mar 20261:31EP 393

ROBIN HOOD DOS VINHOS

O Robin Hood dos vinhos, o fora da lei. Imagine só plantar e produzir vinhos da uva cirá no Alentejo, região historicamente super tradicional, que fermentava seus vinhos em ânforas desde os tempos romanos. A região portuguesa é também terra das uvas tintas de brincadeira, aragonês e alicante boucher. Até que, em 1998, a vinícola corte de cima produziu o vinho incógnito. Fácil entender esse nome, porque o nome da uva não poderia aparecer. O vinho ganhou prêmios pelo mundo, além das pontuações, com 92 por Robert Parker e 92 pela Wine Enthusiast. Frutos selecionados de vinho dos jovens, bem maduros e colhidos à mão. O incógnito é 100% da uva cirrá e tem aromas bem complexos, de frutos negros, como a meixa, notas de tosta, especiarias e terroso. É um vinho de taninos firmes e estruturado pela longa evolução, pelos seus oito meses de carvalho francês. O fora da lei leva no rótulo ainda uma frase do famoso compositor Bob Dylan: pra viver à margem da lei tem que ser honesto. E assim, o incógnito escreveu no contrarrótulo sua verdadeira origem: 100% cirrá.

 VINHEDO PAREDONES
17 Mar 20261:25EP 392

VINHEDO PAREDONES

Paredones é o nome de um vinhedo que fica na região de Colchagua, um vinhedo da costa fria do Chile, a apenas seis quilômetros do oceano Pacífico, chamado Cool Coast. É pouco explorado, mas tem superpotencial para a produção de uvas de alta qualidade, que se desenvolvem melhor em climas frios. Produz vinhos de expressão muito frutada, muito fresca e elegante. E é de lá que vem o Cool Coast Pinot Noir, da vinha Casa Silva, uma vinícola tradicional chilena que existe desde 1892. Degustei o Pinot Noir 2015, 100% da uva Pinot Noir. Pinot Noir de regiões frias se apresentam com muita fruta fresca, como morangos, cerejas, frutas silvestres e framboesas. Um vinho fresco, de refrescante acidez, taninos suaves e final longo. Elegante. A primavera chegou, e com ela os vinhos mais leves, como este Pinot Noir. Para completar a elegância e manter a expressão do terroir, o produtor usou barricas usadas, de terceiro uso, para arredondar e dar elegância, sem mascarar o vinho com excesso de madeira. O Casa Silva Cool Coast Pinot Noir harmoniza com atum, salmão grelhado, pato e queijos de meia-cura com geleia de frutas vermelhas.

VINHOS DOCES
16 Mar 20261:40EP 391

VINHOS DOCES

Se você gosta dos docinhos, vamos encontrá-los, mesmo que venham de longe, das colinas do Piemonte, uma região belíssima, premiada como Patrimônio Mundial da Unesco. Sobre vinhos docinhos, eles são perfeitos para harmonizar com sobremesas e ainda para você criar drinks com algum ingrediente que quebre a doçura. É nessa região do Piemonte que se produzem os famosos Asti. Asti é o nome da região e também do método de elaboração desses espumantes. O método Asti forma a espumatização em uma única etapa de fermentação, dentro de autoclaves, como é feito no método Charmat. Pelo método Asti, o vinho atinge entre 6 e 10 graus de álcool e a fermentação é interrompida. Assim, sobra açúcar e o gás é mantido, sem deixar escapar na atmosfera. Os aromas frutados são bem presentes e o álcool é bem levinho. Da mesma região, descobri um vinho feito não com as uvas moscatos, mas com uma uva diferente: a Brachetto, uma uva tinta cultivada predominantemente no Piemonte. A Brachetto é usada normalmente para a elaboração de espumantes tintos, pouco usuais para nós, mas eles são deliciosos, especialmente os docinhos, como o Acqui Brachetto. Aromas de flores, morango, framboesa, amora e cravo. Um espumante tinto e docinho para você harmonizar com saladas de frutas, lembrando sempre de manter a moderação. Uma ótima manhã para você!

WINE SPECTATOR
13 Mar 20261:41EP 390

WINE SPECTATOR

Em 2015, Portugal ganhou a capa da revista Wine Spectator com o mais belo cenário de Portugal, o Rio Douro, e começou a mostrar seu caminho de volta ao cenário internacional, ganhando inúmeras premiações. Em apenas dois meses de 2015, Portugal conquistou 279 medalhas em países como Alemanha, França e China. Em 2016, ganhou 92 medalhas na Alemanha, 79 medalhas na França e mais 108 medalhas no concurso China Wine and Spirits Awards. Essa multiplicação tão grande de medalhas ainda vem crescendo, e eu percebi as pessoas comentando, comprando e postando mais rótulos portugueses. Em maio de 2016, acompanhei um evento, e os produtores portugueses presentes eram os filhos e os netos. Percebi o entusiasmo e a dedicação deles em permanecer na tradição, mas também em dar a sua pitada de modernidade e conquistar o mundo. Veja como os vinhos portugueses são, em sua grande maioria, assemblages, misturas de uvas. É isso que dá equilíbrio aos vinhos. Tem aparecido algumas pontinhas de Cihá, um merlozinho no meio das trincadeiras, e Aragonês, as uvas autóctones portuguesas. Na minha análise, os vinhos estão melhorando a cada dia. E você, o que acha? Por que os vinhos portugueses estão melhorando? Lembre-se de manter a moderação e, se beber, não dirija.

INSTITUTO VINHO DO BRASIL
12 Mar 20261:59EP 389

INSTITUTO VINHO DO BRASIL

Hoje eu vou falar novamente sobre vinho sem regras, a campanha do Instituto do Vinho do Brasil. Sem deixar de valorizar, é claro, todo o trabalho dos sommeliers nos últimos anos. Após quase 15 anos estudando sobre a bebida e tudo que a cerca, chegou a época da campanha que eu tanto queria nos últimos tempos. A campanha que abraça cada amante do vinho, que quebra preconceitos, que liberta de algumas regras, que recebe e que acolhe a todos em torno da bebida: o vinho. É a campanha Vinhos sem Regras, da instituição Vinhos do Brasil. Eu brinco que já fiz de tudo nessa vida para falar de vinhos, e atualmente até canto, danço e represento no palco para contar e disseminar a história do vinho. Tudo isso para chegar mais perto do público e usar uma linguagem mais lúdica. Agora posso tomar vinho descalça no sofá, beber drinks no bar, me fantasiar de deuses do vinho, de rainha, subir na bicicleta, me jogar na piscina, para mostrar que vinho é para todos os momentos da vida e não precisa ter tantas regras. E você vai passar a aceitar os vinhos do dia a dia nas rolhas de rosca sem reclamar, a beber vinhos em taças variadas, a colocar um gelinho no vinho, a beber na pescaria, na piscina, com copos de plástico, harmonizar vinho com coxinha também, presentear o seu amigo e aceitar que tem, sim, vinho bom e barato. Você pode beber vinho no bar, no barco e ao meio-dia. O vinho definitivamente desceu do salto. O serviço mudou e está mais informal. As situações não precisam mais ser escolhidas para se beber um vinho. Se tem vinho, apenas abra. As combinações são mais casuais e as possibilidades só ampliam. Ganha o mercado, ganham os consumidores, ganha todo mundo. Lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

VALPOLICELLA
11 Mar 20261:56EP 388

VALPOLICELLA

Eu fico encantada com as boas coincidências da vida, e o vinho sempre me proporciona isso. O encontro de quase 200 anos da vinícola com uma amizade de 20 anos. Foi assim o meu sábado em Atibaia, no interior de São Paulo, uma região de clima perfeito para o vinho e cultivo de morangos. Consegui unir a degustação de um clássico Valpolicella Zonin, da Asiana Zonin, a um reencontro com duas amigas que também curtem vinho. São 197 anos de história da família em torno do vinho italiano. Hoje o grupo tem 9 vinícolas em 7 diferentes regiões da Itália. Eu escolhi o mais clássico Valpolicella. Sabe aquele vinho tinto do Veneto, de Rondinella, Molinari e Corvina, que você abre a qualquer hora do dia para combinar com tudo, para agradar a vida de todos? É um Valpolicella frutadinho, mas com evoluções aromáticas que eu amo, como amêndoas. Médio a encorpado e com final longo, tanino presente, mas equilibrado. Mais que os aromas, as conversas de tantas alegrias de uma linda amizade, que unem gerações com diferenças de 40 anos, evoluíram sem perder alegria durante horas e horas. Assim como os vinhos evoluem, uma amizade também evolui. A sabedoria, uma das grandes dádivas da vida, se desenvolve com a idade. Por isso eu gosto tanto de estar perto dos mais velhos. Eles têm sempre algo de bom para nos ensinar. A idade traz novas habilidades, e os vinhos ou as vinícolas com mais tempo de atividade, como a zonim, que são quase 200 anos de história, conseguem manter o padrão e ainda criar novos produtos. É a vida que se renova e o vinho que se renova. Em um dia todo de conversa, regado a vinhos, evoluímos a conversa que vai virar livro e perpetuar as mil histórias. Será que o vinho vai fazer parte desse livro também?

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