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PODCAST · 507 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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 UVA AGLIANICO
9 Abr 20262:06EP 411

UVA AGLIANICO

E uma excelente manhã para você, que me faz companhia aqui no Música e Vinho. A letra A, o asinho da garrafa, é para identificar a uva aglianico. Não sei se você se lembra, mas a aglianico é uma uva tinta da região da Campania, ao sul da Itália. E é a variedade de uva nativa mais antiga da Itália, responsável pelos vinhos Taurasi, de terroir vulcânico. A aglianico tem potencial comparado à Sangiovese, na Toscana, e à Nebbiolo, no Piemonte. A popularidade da aglianico é coisa mais recente, dos anos 90 para cá. Para ser Taurasi, tem que ter no mínimo 3 anos, sendo 1 ano de estágio em madeira. Já os atuais vinhos da uva aglianico não precisam, obrigatoriamente, passar por madeira. Degustei o Janari, que já estava aberto há uns dois dias. Dias totalmente esquecido, o vinho. Eu acho que é mais um que não agradou a maioria. Realmente, se você só tem o hábito de Cabernet Sauvignon e Malbec, fica mais complicado entender essas uvas diferentes. Enófilo tem que se aventurar. Chame os amigos de cobaia, devido ao custo do vinho. Se der certo, todo mundo vai amar. Se não der, considere só as risadas. Os vinhos de aglianico são tânicos, firmes, com bastante acidez e, por isso, são chamados de os Barolos do Sul. Ficam bons com carnes de temperos picantes, como pimenta e páprica. Você pode colocar também a harmonização com salames e queijos fortes. Os aromas lembram frutas vermelhas, como figo, e frutas vermelhas mais fechadas. Já perceberam que os vinhos, quanto mais fechados, são os mais intensos? Porque, na taça, quando se abrem, são encantadores. Aventure-se por mais uma uva aglianico, e eu quero saber o que você achou da sua degustação. É só compartilhar conosco usando a hashtag Música e Vinho através das redes sociais.

UVA PRIMITIVO
8 Abr 20261:30EP 410

UVA PRIMITIVO

Será que o meu paladar é igual ao seu? Eu já sei que muita gente ama a uva primitivo, mas eu não. Mas, lancei o desafio de vocês me indicarem um vinho da uva primitivo que você amou e me dizer o porquê. Eu já tentei vários, juro. Vários produtores e até regiões e países. Tanto faz se Itália ou Estados Unidos, o açúcar residual e a falta de acidez e vivacidade não são compatíveis com o meu paladar. Não estou falando mal do estilo, só confessando que cada um tem um paladar. O que me agrada, não te agrada. E olha que tem uvas que eu torcio, nariz e, mesmo assim, não desisti. Ora ou outra eu tentava de novo e foi aí que passei a gostar da uva nerodávola, por exemplo, que eu achava totalmente legal. Totalmente dura. Já encontrei alguns bons exemplares, com as notas defumadas, taninos presentes sem ser tão duros e o final mais macio, embora tenha essa força na boca. Se você também tem alguma uva ou estilo de vinho que já tentou várias vezes, mas mesmo assim não gosta e outro que te surpreendeu após algumas degustações, conte pra mim, quero compartilhar com vocês aqui no Música e Vinho. Lembre-se sempre de manter a moderação e se beber, não dirija.

VINHOS CHILENOS
6 Abr 20262:06EP 408

VINHOS CHILENOS

Uma excelente manhã para você que curte o Música e Vinho, e hoje temos mais uma degustação horizontal. Desta vez, quatro vinhos da uva Carmenere, todos chilenos, e só assim é possível comparar e entender o quão diferentes podem ser os vinhos de uma mesma variedade. Por isso, não dá para falar que você não gosta de Carmenere se só provou um vinho desta uva. Existem Carmenere com prensagem mais leve das uvas, que dão vinhos mais leves e fáceis de beber no dia a dia, e outros mais complexos, com maceração prolongada e envelhecimento em madeira. Para lembrar algumas características desta uva: ela apresenta notas vegetais um pouco mais persistentes que a Merlot, além de pimenta negra, fruta negra, tabaco, baunilha e couro, e uma cor profunda e inconfundível. São raros os Carmenere franceses, então não resta dúvida de onde procurar os vinhos desta uva: no Chile mesmo. Para harmonizar, o Carmenere é uma excelente escolha para carnes vermelhas grelhadas, assados, cordeiros ou filés com pimentas e especiarias. Na degustação de hoje, destaque para o Larroia Gran Reserva, 100% Carmenere, e o Aquitania Reserva, com 85% Carmenere e 15% Cabernet Sauvignon. Ambos, com cerca de 10 meses de madeira, me encantaram, especialmente porque gosto de vinhos com mais persistência de boca, presença e intensidade. Para quem prefere vinhos mais leves, o Caliterra Aventura Carmenere é uma escolha bem correta e de excelente custo-benefício. E você também pode fazer essa degustação em casa, com os amigos, escolhendo uma única uva e experimentando diferentes vinhos para entender melhor as características de cada um. Cada gosto é diferente, e você vai escolher o que mais lhe agrada, lembrando sempre de manter a moderação para aproveitar plenamente o seu próximo vinho.

VINHOS BRANCOS
4 Abr 20261:23EP 407

VINHOS BRANCOS

Se você já degustou Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Grigio, Riesling ou Gewürztraminer e quer descobrir novos vinhos brancos, o Verdicchio tem um destaque esperando por você. As garrafas desses vinhos, em formato de ânforas, da uva da região central da Itália, o Marche, são belíssimas. Degustei o Titulus Verdicchio, que apresenta coloração esverdeada, notas muito herbáceas lembrando alecrim e sálvia, cítricos de limão e um final de boca bem vegetal. Não é aquele branco óbvio, levinho; nada disso. É um vinho de acidez elevada, muito aromático, com final longo, fresco, médio corpo e bem seco. Ficou perfeito com gaspacho de tomate e creme de mascarpone. Harmonizei também com carpaccio de pão, polvo e uma massa com frutos do mar. Esqueci de destacar as notas de limão siciliano, amêndoas tostadas e maçã verde. Os aromas deste vinho são tão intensos que dá vontade de ficar explorando o olfativo por horas. Tem vinhos assim: já conquistam pelo aroma antes mesmo do primeiro gole. Vale muito se aventurar e conhecer o Verdicchio!

EXPERIÊNCIAS COM DEGUSTAÇÃO
3 Abr 20261:42EP 406

EXPERIÊNCIAS COM DEGUSTAÇÃO

Eu sou Kezia Giugni e vou te contar todas as minhas experiências de degustação. Olha como as coisas mudam de posição: a rabada, que tem origem em Portugal e na Espanha, era originalmente a sopa do rabo de boi, usada para aproveitar todas as sobras do animal, assim como a feijoada. Já foi comida de boteco rejeitada e hoje é um dos pratos valorizados nos melhores restaurantes e, claro, lá na casa da minha mãe. Existem várias receitas de rabada ao vinho, e para preparar bem o prato, escolha um tinto seco de qualidade, não vai estragar a sua rabada com vinho ruim, né? Para acompanhar, precisamos pensar nas cores intensas, na suculência do molho, na complexidade dos temperos, na maciez do cozimento e no sabor longo que a rabada deixa na boca. O vinho precisa ser encorpado, seco, com tanino bem presente, textura e estrutura, aqueles vinhos que podem ter passagem em madeira. Eu harmonizei com um espanhol bem intenso, feito com Garnacha e Tempranillo, mas poderia ser também um tinto do Alentejo, em Portugal, berço do corte de uvas como Alicante, Buchê, Trincadeira e Aragonês, ou ainda um corte do sul da França, no Rhône, com Grenache, Syrah e Mourvèdre. Sabores ricos pedem vinhos ricos, lembrando sempre de manter a moderação.

TERRA DO TEMPRANILLO
2 Abr 20261:55EP 405

TERRA DO TEMPRANILLO

Da mais tradicional região vitivinícola da Espanha, a Rioja, vem o vinho Luis Canhas. A terra das tempranilhos, mas que usa também no corte as uvas ganacha e graciano, mas não admite ainda a entrada de cabernet sauvignon, merlot e outras uvas francesas. É uma forma de preservar o estilo da Rioja. Aliás, uma coisa mudou: antes, o DOC Rioja, que é bem grande, só mencionava no rótulo Rioja. E agora já destaca as sub-regiões Rioja Alta, Rioja Baixa e Rioja Alavesa, que têm diferenças de terroir e altitude. E já começam também a ser aceitos destaques no rótulo mencionando as comunidades, os vilarejos ou os vilagens onde os vinhos são produzidos, para valorizar cada região. Degustei o Luis Canhas Crianza, que tem 95% de tempranilo e 5% da uva ganacha, de vinhedos com idade média de 30 anos. Já mostra uma força de raiz que busca nutrientes a fundo e que expressa no vinho intensidade e força, desde a coloração até ao paladar. Passa 18 meses em carvalho, exatamente como determina a classificação de envelhecimento na Espanha para ser um Rioja Crianza. Na boca, tem notas de morango, um pouquinho de baunilha, muita madeira, é claro, e um aceto balsâmico. De taninos redondos e bom retrogosto, é um vinho super gastronômico. O Luis Canhas Crianza pode ser harmonizado com um churrasco com batatas assadas, pode ser mandioca frita também ou um cozido de carnes com legumes, lembrando sempre, é claro, de manter a moderação.

FEIRA WINE SOUTH AMERICA
1 Abr 20262:06EP 404

FEIRA WINE SOUTH AMERICA

E parece que a feira internacional Wine South America fez o mercado de vinhos nacionais balançar. Os vinhos já estavam ali na prateleira, me olhando, te seguindo, tentando nos seduzir, mas eu passava, olhava e não via. Mais uma vez, o preconceito com os vinhos brasileiros me afastou de conhecer maravilhosos rótulos, como o Dom Cândido, da vinícola do mesmo nome. A vinícola é pequena, na região de Vale dos Vinhedos, e até 2015 era comandada pelo próprio senhor Cândido. Produz vinhos e sucos de uva. Degustei o Dom Cândido Autêntico Petit Verdot. Essa linha Autêntico tem três varietais: um Cabernet Sauvignon, um Merlot e o Petit Verdot. E é claro que eu preferi começar pelo diferente, a uva Petit Verdot. A “pequena verdinha” tem origem em Bordeaux, é muito usada em cortes; inclusive, entra no assemblage de Château Margaux e Latour, os ícones de Bordeaux. Chama-se “pequena verdinha” porque é difícil de amadurecer no clima de Bordeaux, mas, em países mais quentes, tem surpreendido os especialistas — e me surpreendeu mesmo. O Dom Cândido Petit Verdot tem uma coloração intensa e é simplesmente perfeito em nariz e boca. Quase não consegui entender o que eu degustava, porque foi muito superior à minha expectativa. A Petit Verdot ganhou o merecido destaque em um vinho 100% Petit Verdot e mostrou toda sua força, potência e elegância. Superestruturado e bem sutil no carvalho, foram só cinco meses, o suficiente para não mascarar a identidade real da uva, apresenta notas de frutas negras mescladas às vermelhas. Que persistência gostosa, bom preço, e o nosso vinho brasileiro Dom Cândido Petit Verdot. Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar novos vinhos com o Dom Cândido.

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