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PODCAST · 1807 EPISÓDIOS

MÚSICA E VINHO

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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UVA SAVAGNIN
27 Mai 20262:03EP 1711

UVA SAVAGNIN

Que delícia ter a sua companhia nesta manhã para compartilhar informações sobre o mundo do vinho. Savagnin não é Sauvignon Blanc. Savagnin é uma uva branca tão antiga que pesquisas recentes, que analisaram 28 sementes de uvas antigas, ainda do período medieval, de 900 anos na França, identificaram a genética da uva Savagnin Blanc. Isso significa que a variedade foi plantada há pelo menos 900 anos. A origem é a região do Jura, que fica a leste da Borgonha, nas cadeias de montanhas já próximas aos Alpes. O nome Jura vem do período Jurássico, entre 210 e 140 milhões de anos atrás, quando os sedimentos viraram a cadeia de montanhas do Jura, com rochas calcárias. O Jura é conhecido pelos vinhos amarelos, ou Vin Jaune, elaborados com a uva Savagnin, uma variedade de grande intensidade, acidez e mineralidade. As uvas Savagnin são colhidas tardiamente e costumam estagiar em barricas pequenas de carvalho. Após dois a três anos, forma-se o véu de flor, similar ao que acontece com os Jerezes, porém os Vin Jaune não são fortificados. Outra particularidade é que, após seis anos e três meses, de acordo com a legislação, os vinhos são engarrafados em garrafas de 620 ml, chamadas de Clavelin. Os vinhos amarelos de Savagnin são muito parecidos com o Jerez, pela salinidade, intensidade de sabor, coloração, alta acidez, zero doçura e mineralidade do terroir calcário das cadeias montanhosas do Jura. Não é fácil encontrar vinhos do Jura, especialmente um Savagnin, mas vale a procura para se degustar vinhos tão particulares. Sushi de pancetta e foie gras. Santé!

 FINCA SOPHENIA
26 Mai 20261:30EP 1710

FINCA SOPHENIA

Sophenia é a união dos nomes das filhas do fundador da Finca Sofênia: Sofia e Eugênia. Finca Sofênia é uma das mais reconhecidas vinícolas da Argentina, com vinhos de alta complexidade, elegância e riquezas aromáticas. A linha Sofênia Estate passa por 12 meses de carvalho francês. São cinco variedades disponíveis: os tintos Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, e o vinho branco da uva Chardonnay. Degustei o Sofênia Estate Malbec, de vinhedos de 1.200 metros de altitude. Mas será são de 15 dias para extrair mais estrutura e complexidade ao vinho. É um vinho super intenso, com a coloração violeta, daquelas de manchar a língua e a taça. Fruta madura no nariz, frutas secas, mas não frutas. Mentolado, têninos doces e volumosos, como um grande Maubeck. O Soufênia 2016 já chegou ao auge de 96 pontos pela revista inglesa The Canter, e a última safra disponível, a 2018, está em 92 pontos pelos críticos Tim Atkin e Jamie Suckling. Um super Maubeck para você degustar. Tá certo que a Argentina não é só de Maubecks, mas produz os melhores. Uma ótima sugestão para você. Lembre-se de manter a moderação.

TABALI PINOT NOIR
22 Mai 20261:31EP 1708

TABALI PINOT NOIR

No famoso Vale do Limarí, no Chile, a temperatura é bem baixa devido aos ventos do Pacífico. Porém, há muita intensidade solar se comparada às demais regiões produtoras do Chile. Isso ajuda no amadurecimento lento das uvas e resulta em uma maior concentração de aromas e sabores. Outro fato marcante é o solo, repleto de carbonato de cálcio, o que traz grande mineralidade aos vinhos. Já citei alguns vinhos do Limarí e Sauvignon Blancs que são quase salgados. Desta vez, degustei um Pinot Noir. Eu não sei você, mas eu tenho dia de Pinot, dia de Sauvignon Blanc, de Syrah, de assemblage, de Vinhão, de vinho francês, de Porto. Eu não consigo ser fiel a nenhum vinho, nem marca, nem país, nem produtor. Como já dizia minha amiga Josiane: “Infiéis e aventureiras”. E é isso que traz toda a variedade do mundo do vinho. Degustei o Tabalí Pinot Noir. Delicado, sedoso, com notas aromáticas de cereja e um toque terroso, o que é comum em Pinot Noir, mas a mineralidade apareceu no frescor. Uma boa sugestão de Pinot Noir para você degustar. Lembre-se sempre de manter a moderação e, principalmente, de compartilhar conosco nas redes sociais, usando a hashtag #musicvinho. Eu quero saber o que você está degustando.

VINHOS DO VALE MAIPO ANDES
20 Mai 20262:22EP 1706

VINHOS DO VALE MAIPO ANDES

Vamos para a região central do Chile, na sub-região do Maipo, de onde saem as melhores produções dos vinhos de Cabernet Sauvignon. Eu participei de uma degustação de seis rótulos de Cabernet Sauvignon, todos chilenos, e os dois rótulos que mais me chamaram a atenção foram os Cabernet Sauvignon da sub-região do Maipo-Andes. O Maipo-Andes é uma das novas classificações que o Chile criou para dividir melhor o país. A subdivisão de norte a sul permanece igual: são 1.300 km. Mas agora existe a subdivisão entre leste e oeste, que acontece com os nomes Andes, Entre Cordilheiras e Costas. São apenas 200 km, mas a diferença de solo e luminosidade é muito grande. Por isso a subdivisão: para identificar melhor esse tipo de vinho. O Maipo-Andes é a região mais próxima aos Andes e está sendo comparada ao Médoc, da região de Bordeaux, a Napa Valley, nos Estados Unidos, e à região de Bolgheri, na Itália. São regiões de grandes exemplares da uva Cabernet Sauvignon. Os solos têm grande profundidade e complexidade, com formações bem antigas dos quatro últimos períodos glaciais, com várias superposições e camadas de solos diferentes, e isso é o que traz a profundidade dos vinhos de Cabernet Sauvignon. Do Maipo-Andes, pode-se esperar vinhos com taninos menos agressivos, textura untuosa e aromas mais intensos. O Pérez Cruz Reserva Cabernet Sauvignon é uma perfeita harmonização para um risoto com filé: de cor vermelho-profunda, taninos bem redondos e fruta madura, e o melhor, um excelente custo-benefício. Já o Pérez Cruz Limited Edition Cabernet Sauvignon apresenta uma cor mais fechada, fruta madura, aromas de violeta e excelente persistência. Os sabores permanecem na boca por um longo período, exatamente do jeito que eu gosto: intenso, mas ainda gastronômico. Os vinhos do Maipo-Andes são perfeitos para acompanhar comida; são exatamente gastronômicos. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

VINHOS VALPOLICELLA E AMARONE
19 Mai 20262:05EP 1705

VINHOS VALPOLICELLA E AMARONE

O Música e Vinho de hoje desembarca na terra de Romeu e Julieta, a terra também dos vinhos Valpolicellas e Amarones, dos vinhos italianos do Vêneto, que são um assemblage entre três uvas: a Corvina, a Molinara e a Rondinella. Já falamos várias vezes sobre essa composição aqui no Música e Vinho e, na busca por vinhos diferentes, encontrei o Gema Corvina Veronese, um vinho da agrícola Cesare, que é feito 100% só com a uva Corvina. Difícil! Eu ainda não tinha provado esta uva sozinha. A uva é mais uma de coloração intensa, quase negra, que eu já falei aqui no Música e Vinho, e o nome vem das penas dos pássaros negros, dos corvos. Uma uva de coloração bem escura e intensa, com aromas de cereja e um toque amendoado. É uma uva autóctone do Vêneto, mais especificamente dos arredores de Verona. Por isso, é também conhecida como Corvina Veronese. Produz vinhos tânicos, bem estruturados e elegantes, com aromas marcados de couro, chocolate, amêndoas, cereja e café torrado, como o vinho Gema Corvina Veronese, que degustei da vinícola Cesare, estabelecida em 1936. Um supervinho, com 18 meses de carvalho francês e parte em carvalho esloveno, mais um ano de garrafa. Daqueles vinhos grandes, de corpo cheio na boca, aromas complexos, suave no paladar e com boa persistência. A Corvina é a uva principal dos Valpolicellas. Quase sempre é utilizado mais ou menos 70% só da uva Corvina, então um vinho 100% dessa uva não poderia ser ruim. Para acompanhar: massas, polentas, queijos maduros, caça e embutidos fortes. Mais um novo vinho para sua lista: Gema Corvina Veronese, do produtor Doutor Cesare. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

ARTE DA TANOARIA
18 Mai 20263:09EP 1704

ARTE DA TANOARIA

E uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho. Hoje vamos à arte da tanoaria. “Tanoa” significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas hoje os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível rolar o barril. A madeira mais utilizada é o carvalho em todo o mundo, porque é a que apresenta melhor porosidade, possibilitando a micro-oxigenação, superimportante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho tem impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as barricas, resistência — podendo durar até 100 anos, e leveza para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes superimportantes, que vai aparecer no seu vinho, é a tosta do barril. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. A tosta pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, aromas mais adocicados. Outro fator é a qualidade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no seu vinho. O tamanho das barricas também é importante. O padrão é de 225 litros e, quanto menor o barril, maior a influência no estilo do vinho. O uso do barril de carvalho influencia, inclusive, a regulamentação da classificação de vinhos na região de Rioja, na Espanha. A classificação é feita com base no envelhecimento em madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas só para lembrar: os vinhos mais jovens podem não ter estágio em madeira ou ter um período inferior; os Crianza passam 12 meses na madeira e mais tempo em garrafa; os Reserva ficam 12 meses em madeira e mais quatro anos em garrafa; e os Gran Reserva passam 24 meses em madeira e seis anos em garrafa antes de serem comercializados. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos tintos, além da estrutura, da textura, da evolução dos aromas e também do sabor do vinho. Por trás de cada barrica há uma história. Uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

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