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PODCAST · 1736 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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A VAIDADE
21 Ago 20263:44EP 1736

A VAIDADE

A vaidade. A vaidade é o primeiro pecado capital. Usamos a palavra pecado de forma metafórica, é claro. Mas a vaidade, a soberba, o orgulho, é aquilo que faz com que alguém se ache melhor do que os outros, ou acima do outro, e faz com que o vaidoso deixe de perceber a igualdade, deixe de perceber e de se abrir aos outros. A vaidade é um defeito, porque a vaidade acaba indicando para as pessoas que eu quero ou pretendo ser diferente e acima delas. A pessoa vaidosa toma decisões erradas porque se tem numa conta excessiva e sempre se superestima. A pessoa vaidosa é difícil porque ela só vê a si. A pessoa vaidosa é pouco estratégica porque leva em conta que o mundo inteiro vai pensar sobre ela aquilo mesmo que ela pensa sobre si mesma. A pessoa vaidosa é frágil, porque alguns elogios, na sua grande maioria falsos, podem quebrar toda a resistência de uma pessoa vaidosa. A pessoa vaidosa se torna pouco produtiva, porque acha suficiente aquilo que faz. A pessoa que é tomada pela vaidade é uma pessoa que não consegue desenvolver o seu potencial, porque acha que é perfeita. Quando olhamos o mundo como um lugar de diferenças, todos são iguais na dignidade diante da lei, mas todos são absolutamente diferentes na percepção do mundo e nas capacidades. Quando percebemos que temos características boas e ruins em comparação aos outros, quando tivermos uma dimensão das nossas próprias personalidades, vamos conseguir dar os primeiros passos para superar o problema da vaidade. As vaidades não nos tornam apenas chatos. A vaidade nos torna infelizes e incapazes de amarmos. Como todo vício moral, a vaidade impede uma apreciação precisa da realidade. Quem importa esse defeito não percebe que a pena se complica ao cultivá-lo. Que seria muito mais feliz ao viver com simplicidade. Que ninguém se preocupa muito com sua pessoa e com sua pretensa importância. Que, ao tentar brilhar cada vez mais, frequentemente cai no ridículo e se torna alvo de chacota. Analise seu caráter e reflita se você não possui excesso de vaidade. Você reconhece facilmente seus erros? Elogia as virtudes e os sucessos alheios? Quando se filia a uma causa, o faz por ideal? Ou para aparecer? Admite quando a razão está com os outros? Caso se reconheça vaidoso, tome cuidado com seus atos. Esforce-se por perceber o seu real papel no mundo. Reflita que a vaidade é um peso a ser carregado ao longo do tempo. Simplifique sua vida. Valorize os outros. Admita os próprios equívocos. Ao abrir mão da vaidade, seu viver se tornará muito mais leve e prazeroso. Pense nisso, mas pense agora.

VOCÊ SE PAGA?
20 Ago 20264:12EP 1735

VOCÊ SE PAGA?

Certo dia, li um livro que me intrigou logo nas primeiras páginas. A pergunta era simples, mas poderosa: você se paga? Fiquei em silêncio por alguns segundos e então me perguntei: como nunca pensei nisso antes? O livro era O Homem Mais Rico da Babilônia, uma obra repleta de sabedoria prática e atemporal. Entre os muitos ensinamentos sobre finanças, disciplina e prosperidade, um deles me tocou profundamente: a importância de se pagar primeiro. Ano após ano, trabalhamos sem parar. Corremos atrás de contas, prazos, responsabilidades. Estamos tão ocupados com o mundo lá fora que, muitas vezes, esquecemos de olhar para dentro. Esquecemos que, antes de tudo, precisamos cuidar de nós mesmos. Arkad, o personagem central do livro, ensina que devemos separar uma parte do que ganhamos para nós antes de pagar qualquer outra coisa. Mas essa ideia vai além do dinheiro. Ela fala sobre valor, sobre reconhecer o nosso esforço, o nosso tempo, a nossa dedicação. Vivemos em uma sociedade onde a ansiedade e os problemas emocionais crescem a cada dia. Talvez, no fundo, o que esteja faltando seja justamente isso: nos pagarmos. Não apenas com dinheiro, mas com descanso, com respeito, com um tempo de qualidade, com silêncio, com paz. Levantar cedo todos os dias, trabalhar duro, cuidar da casa, dos filhos, cuidar dos outros... Tudo isso tem um custo. E esse custo precisa ser reconhecido. Não se trata de egoísmo, mas de equilíbrio. Porque quem não se paga se esgota. E quem se esgota não consegue prosperar. Se pagar é um ato de amor-próprio. É dizer: eu mereço. Mereço guardar um pouco para mim. Mereço investir no meu bem-estar. Mereço parar, respirar e agradecer. Quando nós nos pagamos, algo muda dentro da gente. A vida deixa de ser apenas sobrevivência e começa a se tornar presença. Começamos a perceber que prosperidade não é só ter dinheiro no bolso, mas ter paz no coração. E que cuidar de si é o primeiro passo para cuidar bem dos outros. A partir do momento em que entendemos isso, paramos de nos importar tanto com o mínimo que não foi feito, com aquilo que pode esperar até amanhã, e começamos a nos pagar diariamente: a nossa porção do dia. Então, hoje eu te pergunto: você se paga? Se a resposta for ainda não, tudo sempre é tempo de começar. Comece com um gesto pequeno: um tempo só seu, uma caminhada, um café em silêncio, uma oração ou separar um valor para investir. Porque, quando você se paga, você se honra. E quem se honra floresce. Talvez a prosperidade e a paz que você tanto busca estejam a um passo. Se pague primeiro. Pense nisso. Mas pense agora.

SER ÉTICO
19 Ago 20263:51EP 1734

SER ÉTICO

Ser ético. Amanda fazia compras no supermercado movimentado. Via que, na padaria, havia um grande cesto rodeado de pessoas. Notou que elas olhavam o conteúdo, sorriam e apanhavam pacotes, dirigindo-se aos caixas. Ao se aproximar, observou uma plaquinha que anunciava pães especiais, com ingredientes pouco comuns e raros. Ao olhar o preço, percebeu que a etiqueta estava trocada, pois mostrava o nome de um pão comum, de preço bem menor. Alguém havia trocado as etiquetas dos pacotes, e aqueles pães especiais estavam sendo vendidos muito abaixo de seu valor. Amanda chamou um funcionário da padaria, alertou para a troca, sugerindo que ele recolhesse os pacotes restantes e corrigisse a etiqueta. Ele arregalou os olhos quando se deu conta do erro e agradeceu. Pegou a cesta imediatamente, retirando-a do acesso ao público. Outra cliente que assistiu à cena ficou zangada por não ter tido a chance de se beneficiar com o equívoco do funcionário. Olhando fixamente, Amanda sussurrou: “Otária.” O que recebeu em troca foi um sorriso amável. A moça, talvez incomodada pela superioridade moral que aquela senhora emanava, se virou e sumiu por um corredor. Outra funcionária, atrás do balcão da padaria, estranhou a atitude de Amanda e ficou se perguntando por que ela simplesmente não havia pego um pacote de pão e ido embora, como tantos clientes haviam feito. Amanda circulou pelos corredores, terminou suas compras com calma e foi para casa. No caminho, foi pensando como as pessoas se equivocam, acreditando ser válido tirar vantagem do erro de alguém. Com certeza, elas não pensam no quanto podem prejudicar o outro quando acreditam estar se dando bem. Lembrou-se de quando era jovem e trabalhava num pequeno comércio, em cidade do interior. Cada erro cometido por um funcionário era cobrado dele ou, às vezes, rateado entre todos. Era um alento quando algum cliente devolvia o troco dado a mais num momento de descuido ou alertava para um preço equivocado que fatalmente oneraria os que ali trabalhavam. Aquilo fazia Amanda acreditar na justiça, na ética e na bondade humana. Cresceu acreditando que a ética e a justiça deveriam nortear os comportamentos. Estudou Direito, tornou-se advogada, depois juíza. A cada causa analisada, em cada processo e julgamento, buscava ser o mais justa e ética possível. Fora dos tribunais, aplicava os mesmos parâmetros. E foi por isso que ela, uma senhora de ar distinto e nobreza de caráter, deixou uma marca profunda em funcionários e clientes daquele supermercado. Para os que acreditam na justiça, na ética e na bondade humana, ela foi um incentivo, um alento, um modelo a ser seguido. Quando os seres humanos se libertarem do egoísmo, da ganância e do orgulho que arrastam para a corrupção e para comportamentos desonestos, atitudes como a de Amanda serão corriqueiras, normais. Quando alcançarmos esse patamar, estaremos a um passo de viver no paraíso construído por nós mesmos.

FOTOGRAFIA
18 Ago 20263:49EP 1733

FOTOGRAFIA

Arrumando a casa dos pais, já com os sinais do tempo marcando o corpo e a alma, Helena encontrou uma velha caixa esquecida no fundo de um baú. Estava coberta de poeira, amarelada, amarrada com um barbante desbotado, como se guardasse segredos que o tempo tentou esconder. Ao abri-la, um cheiro de papel antigo e memórias adormecidas invadiu o quarto. Dentro havia cartas, cartões-postais e dezenas de fotografias em preto e branco. Algumas amareladas, outras com as bordas gastas pelo toque de muitas mãos ao longo dos anos. Ela pegou uma ao acaso. Era uma imagem simples. Sua avó sentada na varanda, tricotando, com um sorriso calmo no rosto. Ao fundo, um lençol branco balançava na varanda suavemente com o vento, enquanto roupas dançavam sob o sol como bandeiras de um tempo esquecido. Helena sorriu. Lembrou-se de quando era criança e corria entre os lençóis estendidos, fingindo que eram cortinas de um castelo encantado. Naquela época, tudo parecia mais leve. As manhãs começavam com o cheiro de café coado e pão na chapa. As tardes eram feitas de brincadeiras na rua, pés descalços no chão quente e risadas que ecoavam até o entardecer. As festas eram simples, os domingos em família, e a vida era feita de pequenos momentos. Não havia pressa, nem telas, nem a constante sensação de estar atrasada para alguma coisa. O tempo tinha outro ritmo: mais calmo, mais gentil, mais humano. Helena ficou sentada ali no chão, com a foto nas mãos, por longos minutos. Lá fora, o som de uma notificação no celular a trouxe de volta ao presente. Abriu o aparelho. Mensagens do trabalho, da faculdade, do grupo do condomínio. Suspirou profundamente. "Como eu queria voltar para aquele tempo", pensou. O mundo agora girava mais rápido e ela, como todos, tentava acompanhar. Mas algo naquela foto a tocou de um jeito diferente. Naquela noite, em vez de assistir algo até tarde ou rolar o feed até adormecer, desligou tudo e foi para a cama em silêncio. Na manhã, acordou mais cedo. Preparou o café na chaleira, como a avó fazia, e foi se sentar na varanda. O sol da manhã aquecia seu rosto. Os pássaros cantavam, e o silêncio parecia conversar com ela. Foi ali que Helena entendeu: a simplicidade não ficou no passado. Ela ainda existe, escondida nas pequenas escolhas. Está em desligar o automático. Em sentir o sol na pele. Em ouvir o vento e o canto dos pássaros. A vida não precisa ser tão corrida. Às vezes, tudo o que a gente precisa é lembrar de como era para reaprender a viver agora. Pense nisso. Mas pense agora.

SERVIR SEMPRE
17 Ago 20263:56EP 1732

SERVIR SEMPRE

Servir sempre. Saber ser útil é essencial para um viver equilibrado. Por isso, convém desenvolver o hábito de serviço. Não apenas em dias de arrependimento ou reparação. Em todas as circunstâncias, o serviço é o antídoto do mal. Talvez você tenha caído na trama de terríveis enganos e sonhe em se reabilitar. Sendo assim, não desperdice a riqueza das horas em inúteis lamentações. Levante-se e sirva nos próprios lugares onde espalhou a sombra do erro. Com essa atitude humilde, granjeará apoio infalível ao reajuste. Quem sabe você enfrente duros problemas em sua vida particular? Nessa hipótese, livre-se do fardo inútil da aflição sem proveito. Reanime-se e sirva no quadro de provações e dificuldades em que se situa. A diligência e o labor funcionarão como preciosas tutoras, abrindo a senda ao concurso fraterno. Quiçá você padeça a obscura posição no edifício social. Nessa situação, convença-se a prevenir do micróbio da inveja. Movimente-se e sirva no anonimato. A conduta digna e o devotamento funcionarão como luminosa escada rumo ao alto. É provável que você sofra o assalto de ferozes calúnias. Esqueça a vingança, que seria aviltamento e baixeza. Silencie e sirva, olvidando ofensas. Ao eleger o perdão e a atividade no bem como estandartes, você forjará um invencível escudo contra os dardos da injúria. Quem o vir trabalhador e nobre não conseguirá acreditar na maledicência. Pode ser que você suporte o assédio de espíritos inferiores. Antigos desafetos de outras vidas podem estar a persegui-lo no desejo de vê-lo recair em velhos vícios. Abstenha-se da queixa sem utilidade. Resista e sirva, dedicando-se ao socorro dos que choram em dificuldades maiores. A dedicação à beneficência terminará por conquistar a simpatia de seus próprios adversários. Ao vê-lo incansável no serviço ao próximo, eles se envergonharão de desejar seu mal. A preguiça é ópio das trevas. Os que não trabalham transformam-se facilmente em focos de tédio e ociosidade, revolta e desespero. Tornam-se desequilibrados, pessimistas, ressentidos. Como prestam muita atenção nos próprios problemas, acham-se os mais desafortunados do mundo. Também estão sempre dispostos a fiscalizar o comportamento alheio e a apontar falhas. Ao contrário, quem se dispõe a amparar raramente encontra tempo para criticar. Assim, servir é um imperativo de saúde física e espiritual. Para ser feliz e equilibrado, impõe-se adquirir esse saudável hábito. Quem busca sinceramente servir nunca encontra motivos para se arrepender. Pense nisso, mas pense agora.

DE VOLTA PRA CASA
17 Ago 20264:40EP 1731

DE VOLTA PRA CASA

De volta pra casa, não lembro como foi. Cheguei sem saber de onde vim. Tudo era novo, e eu dependia, sem saber de quem. Aos poucos, meu mundo foi nascendo; aos poucos, a luz do sol, a cada dia, algo novo. Tudo era tão simples. Nem vi o tempo passar, nem percebi quando virei eu, quando as cores mudaram e os sonhos já não eram mais os mesmos. Novos desafios no tempo que voa, sem me dar explicações, sem que eu soubesse a razão, sem ouvir a batida de suas asas, sem eu notar quando as coisas mudaram tão rapidamente, deixando de me reconhecer, como se agora fosse outra pessoa. Mudei sem perceber. Me transformei todos os dias, sem ver o tempo passar, pois só posso enxergar um dia depois do outro. Virei outra pessoa, perdida no tempo, que me enganou, me transformou, me conduziu, me deu e me tirou e me deixou sem chão. Sem saber por quê. Com a sensação de estar fora de casa ou não ter mais casa. Como se tudo tivesse sido um sonho que, estranhamente, nunca vai acabar. Talvez eu só perceba, em parte, que estou indo a algum lugar e que tudo é uma coisa só, que todos os dias são um, que tudo faz sentido e que todas as coisas só existiram dentro de mim e me conduzirão, todos os dias, de volta para casa. Época do aprendizado, quando os valores que trazemos na alma desde ontem se somam aos adquiridos em mais essa existência para enfrentar desafios e embates. No verão, os momentos decisórios de nossa existência, quando as opções do caminhar são tomadas e as estradas a trilhar são escolhidas. Logo mais, quando menos se espera, a empolgação dos dias intensos se recebe os prenúncios do outono. As experiências vividas na estação anterior ganham a oportunidade da reflexão. No outono de nossa vida, a maturidade nos chega trazendo o aprendizado. Nos dias outonais da existência, o aprendizado e a vivência do verão ganham o tempero da experiência, que oportuniza novas opções, que novos olhares nos ensejam reflexões mais profundas. Logo mais, o ocaso do inverno nos arrebata. A existência através da velhice, quando a alma reencarnada tem o desejo de olhar todo seu caminhar, refletir e analisar toda uma vida. O inverno, ao contrário do que se pensa, é estação de conquistas, já não mais as conquistas externas, pois que o corpo, ao quebrado, e a energia da juventude distante pedem outros caminhos. É na velhice que as mais profundas análises do próprio eu se oportunizam, quando olhamos nós mesmos em perspectiva, ao longo de mais uma existência vivida. E para que essa reflexão ao final de uma existência? Aí olhamos para a natureza para aprender que a reflexão profunda e silenciosa do inverno é só mais um preparo para outra primavera que se aproxima. A vida, com suas fases de infância, juventude, madureza, é uma experiência constante. Cada fase tem seu encanto, sua doçura, suas descobertas. Sábio é aquele que desfruta de cada uma das fases em plenitude, extraindo dela o melhor. Somente assim, na soma das experiências e oportunidades, ao final dos seus anos, guardará a jovialidade de um homem sábio. Se você é idoso, guarde a esperança de nunca ficar velho.

VOCÊ ACREDITA NO INVISÍVEL?
14 Ago 20263:56EP 1730

VOCÊ ACREDITA NO INVISÍVEL?

Você acredita no invisível? Há aqueles que afirmam depositar sua confiança somente naquilo que enxergam os olhos, o que as mãos podem tocar e o que ouvem os ouvidos. Todavia, são irrefutáveis as provas científicas de que há uma gama de seres em nosso entorno, invisíveis aos nossos olhos e sentidos primários, mas que, em relação constante conosco, exercem pleno exercício de influenciação sobre o nosso cotidiano. Tal é o caso, por exemplo, do universo microscópico. Seres uni e multicelulares que, sem que os possamos enxergar, são responsáveis por uma série de reações bioquímicas em nosso organismo. A verdade é que o invisível existe. Todavia, se aperfeiçoarmos nosso olho, ele pode tornar-se visível. Para tal, a boa vontade, o amor, a caridade, o bem. Somos todos invisíveis. Nossa presença não faz diferença para ninguém, apenas para aqueles que passam por nós e sentem medo ou raiva. Acham que todos somos ociosos, mas estão enganados. Eu sou um homem de bem, de família. Estou aqui de passagem. Foram estas as palavras concedidas a um jornalista de um famoso periódico de circulação nacional por um homem que vive nas ruas há dois anos, em mendicância. Por vergonha, ele preferiu não se identificar. Outros moradores de rua tiveram coragem de contar ao jornal os motivos que os levaram a viver sob as marquises, sem amparo de um amigo, da família e até mesmo dos outros, do poder público. São os invisíveis sociais. São moradores de rua, catadores de papel. São garis, faxineiras, porteiros, jardineiros, pedreiros, ascensoristas e tantos outros. Irmãos nossos, espíritos em evolução, seres humanos com histórias de vida, sentimentos, fragilidades, aspirações, ideais, sonhos e que, na grande maioria das vezes, são simplesmente ignorados, como se não existissem. Durante seu doutorado, como parte do estágio de uma das disciplinas que cursava, o psicólogo Fernando Braga da Costa resolveu acompanhar a rotina dos garis da Universidade de São Paulo. Em sua experiência, ele relata que, ao vestir o uniforme desse profissional, não conseguiu ser reconhecido nem mesmo pelo que era, mesmo por seus professores e colegas de curso. “Isso não significa que fui menosprezado ou rejeitado”, afirmou o psicólogo. “Era pior. Simplesmente, eu não estava lá. As pessoas não me viam. Não olhavam para mim. Era como não ser.” Você acredita no invisível? Acredita que existem milhões de pessoas em todo o mundo que são invisíveis? Um bom dia. Um sorriso. Um aperto de mão. Um olá, tudo bem? São formas de materializá-las e torná-las tangíveis, dignificando-as e exaltando a criatura humana em detrimento de nossos preconceitos e egoísmo. Pense nisso. Mas pense agora.

ONDE VIVE NOSSO EU VERDADEIRO?
13 Ago 20264:26EP 1729

ONDE VIVE NOSSO EU VERDADEIRO?

Onde vive nosso eu verdadeiro? Tua vida, meu irmão, é uma casa afastada de todas as outras casas. Onde vive teu eu verdadeiro? Bem diferente das aparências que os homens chamam com o teu nome. Se essa casa for escura ou vazia, não poderás iluminá-la com as lâmpadas de teu vizinho, nem enchê-la com os seus bens. E, se estiver no deserto, não a poderás transferir para um jardim plantado por outros. E, se estiver no pico de uma montanha, não poderás baixá-la para um vale onde os caminhos foram abertos por outros pés. Nossas vidas interiores, meu irmão, são rodeadas pelo isolamento e pela solidão. Sem eles, tu não serias tu, e eu não seria eu. Sem eles, confundirias tua voz com a minha voz e, quando olhasses no espelho, não saberias se estavas vendo-te a ti mesmo ou a mim. As palavras de Calil Gibran calam fundo na alma. Não somos a imagem que vemos no espelho. Não somos as aparências. Nessa casa, afastada de todas as outras, vive nosso eu real, eu Espírito. E cada um deve iluminar a sua casa com suas próprias conquistas. As lâmpadas dos vizinhos nos seduzem, até nos inspiram, mas nossa iluminação precisa vir de dentro. Não adianta casar com alguém bom para viver a bondade. Não adianta receber um amor infinito para termos amor para sempre. Não adianta estarmos próximos a pessoas felizes para vivermos a felicidade. Os bens do outro são do outro. Podemos até usufruir deles pela bondade divina, mas apenas como forma de motivação, para que tenhamos forças e exemplo para lograr os nossos próprios, ao nosso tempo. Se essa nossa casa estiver ainda no deserto, caberá a nós, apenas a nós, transformar a aridez em jardim florido. E todos os caminhos precisam ser abertos por nossos próprios pés. Somos individualidades. Não há um ser igual ao outro neste universo. E, dentro de cada individualidade, há uma espécie de solidão. Um lugar onde todos estamos sós. Solidão que machuca enquanto ainda somos mais sombra do que luz, mas que depois se harmoniza e se transforma em solitude. Uma unidade saudável da criatura com o Criador. Seja lá como você define ou imagina esse Criador. É reservado um plano especial no Universo para cada um de nós. Não há insignificância alguma no Cosmo, por menor que possamos nos imaginar. Acreditar-se pequeno ou insignificante é, ainda, típico de quem não se encontrou em profundidade, de quem não conhece sua própria casa no Universo. Somos grandes. Somos capazes. Somos parte de um todo perfeito. Por isso, somos fadados à perfeição individual. Quando a sombra de um desânimo qualquer desejar bater à porta de nossa casa, lembremos da grandiosidade do Universo e de que fazemos parte disso tudo. Lembremos de que somos importantes. Não permitamos que as distrações ou as vicissitudes da vida enfraqueçam nossas forças. Elas são parte do ensino apenas, do ensino desta grande escola. Tua vida, meu irmão, é uma casa afastada de todas as outras casas, onde vive teu eu verdadeiro, bem diferente das aparências que os homens chamam com teu nome. Pense nisso, mas pense agora.

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