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PODCAST · 3375 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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O PERDÃO
25 Jun 20263:23EP 3311

O PERDÃO

Uma vez perguntaram a um sábio: quanto vale um perdão? E o sábio respondeu: quanto vale a sua paz? Comumente, somos abalados por situações que nos magoam e nos decepcionam. Pode ter sido algo pequeno, talvez um gesto, uma fala estranha e inesperada ou uma atitude grosseira. Ou até a falta de uma ação mediante determinada situação. Nos sentimos feridos e machucados. E, quando isso acontece, sentimos raiva, guardamos rancor e até desejamos nos vingar daquele que nos feriu. A ira é um veneno letal, que lentamente vai morrendo, matando a nossa compaixão, a nossa paz e a nossa felicidade. A incompreensão sobre a virtude do perdão faz com que nos tornemos pessoas intolerantes e intransigentes, e passamos a considerar o perdão uma fraqueza. E não percebemos que, muitas vezes, precisamos ser perdoados e nos perdoar também, para que possamos seguir em frente. O perdão gera o amor e a gratidão, e é o caminho para a paz e a felicidade que tanto almejamos. O perdão nos liberta das amarras negativas que o ressentimento traz e desenvolve em nós inteligência emocional e uma sabedoria que apenas aqueles que descobriram o verdadeiro significado do perdão conseguem valorizar. Perder tempo alimentando uma energia tão negativa apenas para satisfazer nosso ego é perder tempo, parte da nossa vida. E quanto vale a sua vida para você? Habitualmente, oramos dizendo: “Perdoe as nossas ofensas, assim como perdoamos quem nos tem ofendido”. O perdão é uma verdadeira dádiva que Deus nos concedeu, e perdoar quem nos ofendeu é alimentar a nossa alma, a nossa índole e mostrar o nosso genuíno valor à vida. Somente aqueles que aprenderam a perdoar e a pedir perdão são dignos de ser considerados sábios, pois têm uma profunda autoridade moral e espiritual. Pense nisso. Mas pense agora.

O ESSENCIALISMO
24 Jun 20264:17EP 3310

O ESSENCIALISMO

Você já ouviu falar sobre o essencialismo? É uma teoria do escritor norte-americano Greg Mc Quinn, que fala sobre o que realmente é essencial na nossa vida. Talvez você seja uma dessas pessoas que tem tentado desesperadamente fazer de tudo ao mesmo tempo e que diz sim para tudo e todos. É igual àquele armário de roupas que está com superlotação. Não cabe mais nada, mas 80% das roupas que estão nele só estão ali ocupando um espaço. São aquelas peças que não são necessárias e que não deveriam estar mais ali. Nossa vida, muitas vezes, é esse armário de roupas cheio. Tentamos colocar a nossa rotina, os estudos, o trabalho, os afazeres da casa, uma atividade, aquela outra tarefa ali, mais uma outra aqui. Temos que responder os e-mails, as mensagens nos aplicativos, ir treinar, aquele projeto que tem que sair do papel, a outra reunião importante e, quando vemos, não temos tempo para mais nada. Mesmo assim, seguimos enchendo o armário de roupa. Ou melhor, enchendo a nossa agenda e vida de coisas para fazer. Aliás, é isso que as redes sociais e a sociedade atual pregam: a produtividade excessiva e totalmente tóxica. E você sabe o que deve fazer quando o armário está cheio de roupas consideradas sem serventia? Escolher. Escolher quais roupas usamos e quais já não cabem mais. Doar e se desfazer delas para que o armário tenha somente o que realmente é útil e necessário. Precisamos escolher quais atividades nos levam para a frente, as que nos levam para o nosso objetivo principal. Às vezes, tentamos dividir a nossa energia para tentarmos ser bons em várias coisas e dar conta de tudo, enquanto poderíamos focar nossa energia em apenas uma coisa, uma por vez, no que, de fato, é essencial, ter mais foco para podermos colher um resultado melhor. Por isso, precisamos eliminar as outras atividades que estão apenas nos sugando a energia, fazendo com que o único resultado seja o esgotamento e o cansaço. Só conseguiremos chegar nessa lista de prioridade quando aprendermos a dizer não. Estamos acostumados a dizer sim para tudo, até porque, dizem, não ainda é visto culturalmente como falta de educação. Mas dizer não não tem nada a ver com isso. É assim, sobretudo: entender o que é importante fazer hoje, agora. O essencialismo ensina a disciplina de buscar por menos. Mas não há falta de produtividade, mas o que de fato é essencial que você produza e gaste sua energia. Se você está cheio de coisas não essenciais para fazer, pense no que realmente é essencial agora na sua vida. O que tem apenas gastado sua energia e não tem te levado a lugar nenhum? É hora de vivermos mais o essencialismo para podermos desfrutar e aproveitar a vida. De que adianta fazer infinitas coisas e não ter tempo para o que realmente é importante? O que é importante que você realize hoje? Pense nisso. Pense agora.

A SUTIL ARTE
23 Jun 20264:45EP 3309

A SUTIL ARTE

Você já recebeu um convite para reexaminar as suas prioridades e abraçar as imperfeições e problemas da vida? Parece estranho, não é mesmo? Afinal, as coisas têm que dar certo para a gente. Tudo deve ocorrer bem e sair como planejado. A resposta é não. Nem tudo na nossa vida vai sair como planejado. E sabe o que devemos fazer muitas vezes? Aceitá-las. O autor do best-seller norte-americano Mark Manson fala sobre isso em seu livro, A Sutil Arte de Não Dar a Mínima. Ele aborda que não devemos buscar desenfreadamente por sucesso e perfeição, mas sim focar naquilo que verdadeiramente nos traz sentido e significado. A vida é repleta de desafios e adversidades. Muitas vezes, tentamos negá-los para podermos seguir. Só que, para podermos seguir, de fato, é necessário aceitar as adversidades. Aceitar que não deu certo e talvez nem dê. É preciso enfrentá-las com coragem e responsabilidade para, depois disso, sim, poder seguir em frente. Hoje, ouvimos muito se falar de sucesso, alta performance, ganhar, ganhar, ganhar. Não que isso seja um problema. Na verdade, seria uma maravilha se a vida fosse somente isso. E ela, de fato, não é assim. Só nos aceitando e aceitando a vida como de fato ela é, descobriremos que a verdadeira felicidade está em aprender a lidar com os altos e baixos da vida. Uma montanha-russa. Às vezes, ela está no alto, embaixo e até de cabeça para baixo. E sabe o que você faz enquanto está na montanha-russa? Aceita o trajeto. Na vida é assim. Devemos entender que, dessa vez, não deu certo, que estamos embaixo. Mas, assim como a montanha-russa, ela uma hora volta a subir e, em outra situação, as coisas podem fluir. Ainda no livro de Mark, é explicado que se faz necessário não nos levarmos tão a sério, que precisamos rir de nossas próprias imperfeições e encontrar significado na simplicidade da vida. Aceitar que nem tudo está sob nosso controle nos permite liberar a ansiedade e nos concentrar no que podemos mudar. Como já mencionado, a sociedade moderna muitas vezes nos pressiona a buscar sucesso, felicidade e perfeição. Na verdade, encontrar sentido na vida é mais sobre aceitar nossas limitações, enfrentar nossos problemas e aprender a lidar com as adversidades. Muitas vezes, alimentamos o narcisismo puro de que as coisas precisam dar certo para a gente, de que o caminho da felicidade é cheio de acertos e conquistas, ao invés de obstáculos e abatimento. Ou até adotamos a positividade excessiva, acreditando que tudo tem que dar certo. Às vezes, não vai dar certo. E o mais saudável é aceitar isso. Só entendendo isso conseguiremos, de fato, prosseguir em meio ao caos que pode aparecer na nossa jornada. Estamos todos na montanha-russa da vida, cheios de altos e baixos. Não se compare, se cobre ou ache que tudo deve ser perfeito. A vida não é assim. Como você tem encarado a vida e lidado com os problemas? Você os tem negado? Persistido neles? Ou tem aprendido e deixado ir? Pense nisso, mas pense agora.

PEDRAS E PÃES
22 Jun 20265:33EP 3308

PEDRAS E PÃES

Conta-se que Frey Bartolomeu dos Mártires viveu para servir. Era português, da cidade de Braga. Certa feita, na comunidade em que oferecia seu trabalho, resolveram construir uma catedral monumental. Um templo de grandes proporções, que pudesse abrigar multidões. Para isso, os nobres se reuniram e acertaram de, anualmente, contribuírem com elevadas somas. Começou a construção. Ergueram-se as colunas, as paredes, chegou-se ao teto. Foi então que Frey Bartolomeu percebeu que uma crise havia chegado ao país, atingindo o povo. Os menos favorecidos lutavam contra a fome, a miséria, as doenças. Como chefe daquela comunidade religiosa, ele tinha à sua disposição todo aquele dinheiro arrecadado, cuja administração lhe competia, especialmente, é claro, para a construção da catedral. Naquele ano, ele deixou a catedral parada. Ela tinha teto, pensou, podia esperar. Os nobres, no entanto, prosseguiram a entregar elevadas somas. No segundo ano, a construção continuou parada; também no terceiro, no quarto, no quinto. Dez anos depois, a catedral estava do mesmo jeito. Nada de ficar pronta. Embora confiassem em Frey Bartolomeu, os nobres se reuniram, organizaram uma comissão, e seis deles foram conversar com o Frey. Amigo de todos, ele os recebeu fraternalmente e os escutou. Por fim, respondeu: — De acordo com a minha contabilidade, há mais de duas mil famílias em necessidade. Como pai espiritual de todas elas, não posso permitir que meus filhos passem fome. Tudo tem sido gasto com a nossa própria gente. Um deles disse: — Mas, Frey, está certo que o senhor ajude essas criaturas. Poderia retirar uma pequena percentagem da soma que lhe entregamos? O velho Frey suspirou, ergueu os ombros, uniu as mãos e respondeu: — Os senhores me fazem uma proposta muito curiosa. Vejam bem: lê-se no Evangelho que Jesus, no deserto, foi convidado a transformar pedras em pães. Os senhores, entretanto, estão me pedindo justamente ao contrário: que eu transforme pães em pedras. Tinha razão o pastor daquelas almas. A vida humana nos merece todo o respeito. Em se falando sobre direito, o primeiro de toda criatura é o de viver. Portanto, alimentar corpos, prover as necessidades básicas dos nossos irmãos, se constitui não em caridade, mas em dever de irmão para com seu irmão. Toda moral se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. O Evangelho de Mateus coloca claramente, como condição absoluta da felicidade: — Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estive na prisão, e me fostes ver. Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um desses meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. E, sintetizando a lição, Jesus recomendou: — Amai-vos uns aos outros. Praticai o bem sem ostentação. Fazei aos outros o que quereríeis que vos fizessem. Pense nisso, mas pense agora.

TÉDIO
20 Jun 20264:49EP 3307

TÉDIO

Muitas pessoas estabelecem objetivos de vida que passam a ser buscados com intensa determinação. Limitam seus interesses à conquista de seus sonhos e, quando os alcançam, nem sempre encontram neles o sentido e o significado que esperavam. A meta, que por tanto tempo representou a razão de viver, cede lugar ao tédio, empurrando os seres para os abismos da depressão ou dos vícios. Por vezes, são pais que colocam na vida dos filhos os próprios sonhos. Projetam no futuro de seus rebentos os desejos que eles próprios não puderam realizar. No entanto, os filhos crescem e devem enfrentar as próprias lutas e dar curso às próprias vidas. Por vezes, a constatação dessa verdade causa nos pais mais despreparados amarga aflição. Outros, ainda, anseiam por alcançar um patamar elevado na carreira para amealhar, assim, consideráveis recursos financeiros. Porém, quando seus objetivos se realizam, sentem-se desestimulados. Há aqueles que se esforçam para ter fama e destaque na sociedade e que, quando os alcançam, amargurados e vazios, entregam-se às drogas e aos abusos do sexo. Inquietação e desequilíbrio costumam servir de base na busca por objetivos imediatos de prazer e de satisfação. Tais metas são frutos do egoísmo que ainda move os seres e, quando alcançadas, produzem tão somente rápida e passageira satisfação. Em pouco tempo, a antiga e conhecida sensação de aborrecimento e de vazio volta a exercer forte influência no cotidiano, como se todo o esforço tivesse sido vão. Como se toda a luta não tivesse valido a pena. Nos lábios, a impressão de que alguma palavra ficou faltando. Na boca, a permanente sensação de sede. É a fome de realização plena. É uma sensação de que, em sonho, tudo era mais belo e satisfatório. É o tédio, terrível flagelo que consome existências. Silencioso e ardiloso, penetra suavemente no comportamento, instalando-se na mente e no sentimento, depauperando e dominando os indivíduos. Quando te perceberes a um passo do tédio, assume nova postura e busca uma atividade que te preencha o tempo físico e mental de forma útil. Nunca te consideres impossibilitado de trabalhar, de agir no bem e de produzir. Considera o esforço dos artistas sem braços ou sem pernas, que se revelaram excelentes pintores, escultores e desenhistas, ricos de inspiração e de alegria de viver. Reflete sobre a vida de outros deficientes que se transformaram em mensageiros da renovação interior, tornando-se membros indispensáveis da economia moral e social no mundo. O esforço que lhes foi exigido não lhes concedeu tempo para qualquer forma de tédio ou de desinteresse, nem para se entregarem à lamentação ou ao desencanto. Não cesses de edificar, nem te permitas contemplar a retaguarda do já feito. Examina a perspectiva do quanto ainda necessitas realizar. Aspira à conquista do infinito e nunca te sentirás entediado com os logros conseguidos. Quem se basta com as aquisições meramente materiais ainda não alcançou a real maturidade, nem descobriu as prioritárias metas existenciais. Pela alegria de viver, e não apenas pelo que consiga deter nas mãos, jamais será vítima do tédio, porque estará sempre em ação, sentindo-se útil e pleno. Pense nisso, mas pense agora.

JULGAMENTOS
19 Jun 20263:30EP 3306

JULGAMENTOS

Certa vez, um mestre budista e seu discípulo estavam em peregrinação até a Montanha da Fé. Porém, para chegar à montanha, era preciso atravessar, a pé, um rio chamado Rio da Discórdia. Quando chegaram às margens do rio, encontraram uma moça muito bonita e bem vestida, que também queria chegar ao outro lado. Ela pediu ajuda ao discípulo, mas, como monge, ele não poderia tocar nenhuma mulher. Por isso, ele continuou seu caminho e ignorou a moça. Quando começou a atravessar o rio, o monge olhou para trás e viu seu mestre carregando a moça em seus ombros. Eles atravessaram o rio, o mestre a colocou no chão, ela agradeceu, e eles seguiram o caminho. O mestre percebeu a cara carrancuda do discípulo, mas não disse nada. Depois de algumas horas de caminhada em silêncio, o discípulo, por fim, falou: — Você sabe que nós, monges, não podemos tocar em nenhuma mulher. Por que carregou aquela moça no rio? Naquele momento, julguei ser mais importante ajudar outro ser humano em dificuldade do que seguir essa regra. Porém, eu já deixei a moça há algumas horas. Por que você continua carregando essa moça em seu pensamento? Você já parou para pensar sobre suas próprias preocupações, julgamentos e o peso deles? O mestre budista demonstrou profunda sabedoria ao priorizar a ajuda a alguém necessitado, mesmo que fosse uma mulher, em detrimento das regras estabelecidas pelo mosteiro, dando espaço a atos de compaixão e empatia. O discípulo, por outro lado, sucumbiu às regras sem considerar o contexto ou as necessidades do momento. Sua confusão sobre a atitude de seu mestre mostra como foi difícil para ele abandonar seus preconceitos e regras. Quando o mestre é questionado, ele traz um ensinamento esclarecedor. Ele ressalta que o peso real que carregamos muitas vezes não são os eventos externos, mas sim as nossas próprias preocupações, culpas e julgamentos. Talvez você deixe de ajudar os outros ou até mesmo de viver experiências únicas devido ao julgamento. Às vezes, soltar um pouco as rédeas, as regras e as cordas permite que você experimente coisas novas, sem qualquer culpa. Pense nisso. Mas pense agora.

SER GENTIL
18 Jun 20264:23EP 3305

SER GENTIL

Os procedimentos se faziam apressados para o embarque dos passageiros na aeronave. A preocupação para não haver atraso, o tempo exíguo, exigia um tanto mais. O bom andamento na entrada do avião, para que todos logo se acomodassem, preocupava a tripulação. Nesse afã de logo completar a tarefa e seguir viagem, se empenhavam os comissários de bordo. Estando acomodados um certo número de pessoas, adentrou o avião uma jovem. De compleição física robusta, alta, embora de aparência saudável, denotava em seu semblante que algo não estava bem. Vinha seguida pela mãe, idosa, miúda na sua constituição, que a encorajava a seguir em frente. Os passos se faziam titubeantes. As mãos, suadas. Apoiavam-se lentamente, poltrona a poltrona, como a querer agarrar-se, fincar-se ao solo. Parecia tomada de pavor, como se algo fosse lhe acontecer. A mãe, bem próxima, a incentivava a dar os próximos passos, a fim de chegar nas poltronas que lhes cabiam. Porém, a jovem não venceu mais do que três ou quatro fileiras. Ao vislumbrar o imenso corredor, as inúmeras poltronas, filas, pessoas, foi tomada de um medo colossal e não pôde prosseguir. A face se fez pálida. As mãos agarraram a poltrona mais próxima e os pés estaquearam de vez. A mãe, entre acabrunhada e nervosa, tentava em vão pedir-lhe que prosseguisse. A fila dos passageiros se alongava às suas costas. Vendo a cena, um comissário de bordo se aproximou. Ele tinha todo o treinamento necessário para lidar com essas situações. Sabia da sua obrigação de dar conta do embarque de todos os passageiros, para que o piloto pudesse dar início à decolagem. Conhecia as regras e a correta abordagem, sem perder a calma e a polidez. Porém, ele resolveu utilizar outra ferramenta, essa talvez mais rara nos manuais de treinamento. Aproximou-se da jovem, trêmula e parecendo apavorada. Suavemente, apoiou sua mão sobre o ombro dela e gentilmente a convidou: — Vamos sentar na poltrona, minha flor. Aquelas palavras, que manifestavam compreensão pela dificuldade que ela enfrentava, soaram aos seus ouvidos como bálsamo. Tomada de nova coragem, envolvida pela gentileza do rapaz, ela retomou os passos até o local indicado, permitindo que o embarque retornasse ao fluxo normal. Este é o poder da gentileza. Derrete a frieza das relações, supera obstáculos interpostos entre as pessoas, encoraja o mais frágil, fortalece o mais fraco. Muitas vezes, todas as técnicas, conhecimento e destreza não superam o que a doçura de uma palavra, um gesto suave, um olhar carinhoso são capazes de realizar. Ser gentil extrapola a polidez, vai além da obrigação e mesmo do profissionalismo. Ser gentil é semear pequenas flores na estrada alheia, para que o próximo se impregne, mesmo que somente por curta distância, poucos passos apenas, de um leve perfume que extravasa solidariedade, fraternidade, preocupação pelo outro. Pense nisso, mas pense agora.

RELACIONAMENTO FAMILIAR
17 Jun 20264:24EP 3304

RELACIONAMENTO FAMILIAR

O maior problema no relacionamento familiar é que cada um acredita que a razão lhe pertence. A esposa reclama porque o marido acredita que é doutor em tudo, está sempre certo. Não admite que ninguém lhe diga que está errado. O marido, por sua vez, fala que a mulher é muito impertinente, gosta de confusão, faz tempestade em copo d'água. O filho reclama que os pais estão totalmente por fora do mundo e querem governar a sua vida. Talvez falte um pouco de amor para iluminar o relacionamento afetivo e nos inspirar maneiras de convivermos com menos egoísmo. Conta o escritor Tom Anderson que, certa vez, ouviu alguém afirmar que o amor deve ser exercitado como um ato da vontade. Pode-se demonstrar amor através de gestos simples. Impressionou-se com o que ouviu. Reconheceu-se egoísta e que havia se tornado insensível ao amor familiar. Ficou imaginando o que poderia melhorar o relacionamento afetivo se deixasse de criticar tanto a esposa e os filhos, se não ligasse a televisão somente no canal de seu interesse, se deixasse de se concentrar na leitura do jornal e desse um pouco de atenção aos familiares. Durante as férias de duas semanas em que estavam juntos na praia, decidiu ser um marido e pai carinhoso. No primeiro dia, beijou a esposa e falou como ela estava bem vestindo aquele suéter amarelo. — Você reparou? Falou, admirada. Logo que chegaram à praia, Tom pensou em descansar. Mas a esposa o convidou para dar um passeio junto ao mar. Ia recusar, mas lembrou da promessa que fizera a si mesmo, por isso foi com ela. No outro dia, a esposa o convidou a visitar um museu de conchas. Ele detestava museus, mas foi. Numa das noites, não reclamou quando a esposa demorou demais para se arrumar e eles chegaram atrasados a um jantar. E assim se passaram 12 dias. As férias estavam por terminar. Entretanto, Tom fizera a promessa de continuar com aquela disposição de expressar amor. Foi então que surpreendeu a esposa muito triste. Porque lhe perguntasse o motivo, ela lhe indagou: — Você sabe de alguma coisa que eu não sei? — Por que pergunta? disse o marido. — Bem, é que eu fiz aqueles exames rotineiros há algumas semanas. Segundo me disse o médico, estava tudo bem. Mas, por acaso, ele disse alguma coisa diferente para você? — Não! afirmou. — Claro que não! Por que deveria? — É que você. Respondeu a esposa — está sendo tão bom para mim, que imaginei estar com uma doença grave, que iria morrer. — Não, querida — tornou a falar Tom, sorrindo. — Você não está morrendo. Eu é que estou começando a viver. Ao admitir que não somos infalíveis, nos habilitamos a iniciativas maravilhosas que põem água na fervura dos desentendimentos. Existem expressões mágicas em favor da harmonia doméstica: "Cometi um erro"; "Você tem razão"; "Peço perdão"; "Fui indelicado"; "Prometo mudar". Que tal começar hoje mesmo a tentar utilizar uma dessas expressões a favor da paz em nosso lar? Pense nisso, mas pense agora.

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