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PODCAST · 3395 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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Pálido ponto azul
15 Jul 20144:36EP 67

Pálido ponto azul

O que somos n&oacute;s comparados ao infinito do cosmos?<br /> <br /> N&oacute;s sentimos grandes, poderosos, imensur&aacute;veis.<br /> <br /> Mas o que &eacute; o planeta terra no infinito do universo?<br /> <br /> Ao ver a nossa m&atilde;e terra a bilh&otilde;es de kilom&ecirc;tros, ela n&atilde;o passa de um gr&atilde;ozinho de poeira na imensid&atilde;o escura. <br /> E neste ponto de vista nos indagamos: -L&aacute; esta nossa casa, um p&aacute;lido ponto azul...<br /> <br /> E al&iacute;... &eacute; o nosso lar...somos n&oacute;s.<br /> <br /> Al&iacute; est&atilde;o todos que voc&ecirc; amou. <br /> <br /> Todos que conheceu, de quem j&aacute; ouviu falar;<br /> <br /> Todos os seres humanos que j&aacute; existiram, que vivem, ou viveram as suas vidas...ali, naquele p&aacute;lido ponto azul.<br /> O conjuntos de nossas alegrias e sofrimentos.<br /> <br /> As in&uacute;meras religi&otilde;es, ideologias e doutrinas econ&ocirc;micas.<br /> <br /> Todos os ca&ccedil;adores e saqueadores, her&oacute;is e covardes, criadores e destruidores de civiliza&ccedil;&otilde;es, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e m&atilde;es, todas as crian&ccedil;as esperan&ccedil;osas . inventores e exploradores, professores de moral, pol&iacute;ticos corruptos, celebridades, lideres supremos, todos os santos e pecadores da historia de nossa esp&eacute;cie, viveram aqui: um gr&atilde;o de poeira suspenso num raio de sol.<br /> <br /> A terra, &eacute; um palco muito pequeno em uma imensa arena c&oacute;smica. <br /> <br /> Pense nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na gloria do triunfo, pudessem ser os senhores moment&acirc;neos de uma fra&ccedil;&atilde;o desse ponto.<br /> <br /> Pense nas crueldades sem fim, infligidas pelos moradores de um canto deste pixel, aos praticamente indistingu&iacute;veis moradores de algum outro canto, qu&atilde;o frequentes seus desentendimentos, qu&atilde;o &aacute;vidos de matar uns aos outros, qu&atilde;o veementes os seus &oacute;dios.<br /> <br /> As nossas posturas, a nossa suposta auto-import&acirc;ncia, a ilus&atilde;o de termos qualquer posi&ccedil;&atilde;o de privil&eacute;gio no Universo, s&atilde;o desafiadas por este pontinho de luz p&aacute;lida. O nosso planeta &eacute; um gr&atilde;o solit&aacute;rio na imensa escurid&atilde;o c&oacute;smica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastid&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; ind&iacute;cios de que v&aacute; chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de n&oacute;s mesmos.<br /> <br /> A Terra &eacute; o &uacute;nico mundo conhecido, at&eacute; hoje, que abriga vida. N&atilde;o h&aacute; outro lugar, pelo menos no futuro pr&oacute;ximo, para onde a nossa esp&eacute;cie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda n&atilde;o. Gostemos ou n&atilde;o, a Terra &eacute; onde temos de ficar por enquanto.<br /> <br /> J&aacute; foi dito que a astronomia &eacute; uma experi&ecirc;ncia de submiss&atilde;o e criadora de car&aacute;ter e que ensina a humildade. N&atilde;o h&aacute;, talvez, melhor demonstra&ccedil;&atilde;o da tola presun&ccedil;&atilde;o humana do que esta imagem distante do nosso min&uacute;sculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais am&aacute;veis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o &quot;p&aacute;lido ponto azul&quot;, o &uacute;nico lar que conhecemos at&eacute; hoje.<br /> <br /> Voc&ecirc; ouvinte do pense nisso, eu, os nossos filhos, os nossos amores, devemos meditar a respeito.<br /> <br /> Por isso, devemos adotar o conhecimento, ampliar a nossa consci&ecirc;ncia. Desta forma, brilhar&aacute; a m&atilde;e de todas as sabedorias: a humildade.<br /> <br /> Pense nisso.<br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso. &nbsp;Com base na palestra do Astr&ocirc;nomo Carl Sagan e da vis&atilde;o particular do autor deste texto.<br /> Em 07.07.2014<br />

Da geração X para a geração Y
14 Jul 20143:31EP 66

Da geração X para a geração Y

Gera&ccedil;&atilde;o X:Nascidos entre 1965 e 1983.<br /> Gera&ccedil;&atilde;o Y: Nascidos entre 1984 e 1990<br /> <br /> Apesar do texto tendencioso, o objetivo aqui n&atilde;o &eacute; comparar diretamente uma gera&ccedil;&atilde;o com a outra, mas o de passar alguns ensinamentos a nossa gera&ccedil;&atilde;o sucessora.<br /> <br /> Portanto, se voc&ecirc; nasceu depois de 1983 eis aqui algumas regras que as escolas n&atilde;o ensinam:<br /> <br /> Regra numero 01: a vida n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil acostume-se a isso!<br /> <br /> Regra 02 :o mundo n&atilde;o esta preocupado com a sua auto-estima.O mundo espera que voc&ecirc; fa&ccedil;a alguma coisa &uacute;til por ele ANTES de sentir-se bem com voc&ecirc; mesmo.<br /> <br /> Regra 03:voc&ecirc; n&atilde;o ganhar&aacute; 20 mil reais por m&ecirc;s assim que sair da escola.Voc&ecirc; n&atilde;o ser&aacute; vice-presidente de uma empresa com carro e telefone &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o, antes que voc&ecirc; tenha conseguido seu pr&oacute;prio carro e telefone.<br /> <br /> Regra 04: Se voc&ecirc; acha o seu professor rude, espere at&eacute; ter um chefe.Ele n&atilde;o ter&aacute; pena de voc&ecirc;!<br /> <br /> Regra 05:Se voc&ecirc; fracassar, n&atilde;o &eacute; culpa de seus pais.Ent&atilde;o n&atilde;o lamente seus erros, aprenda com eles.<br /> <br /> Regra 06:Antes de voc&ecirc; nascer , seus pais n&atilde;o eram t&atilde;o cr&iacute;ticos como agora.Eles s&oacute; ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir voc&ecirc; dizer que eles s&atilde;o &ldquo;rid&iacute;culos&rdquo;.Ent&atilde;o antes de salvar o planeta para aproxima gera&ccedil;&atilde;o querendo consertar os erros da gera&ccedil;&atilde;o dos seus pais, tente limpar seu pr&oacute;prio quarto.<br /> <br /> Regra 07: sua escola pode ter eliminado a distin&ccedil;&atilde;o entre vencedores e perdedores, mas a vida n&atilde;o &eacute; assim.isto n&atilde;o se parece com absolutamente nada com a vida real.<br /> <br /> Regra 08 : a vida n&atilde;o &eacute; dividida em semestres.Voc&ecirc; n&atilde;o ter&aacute; sempre os ver&otilde;es livres e &eacute; pouco prov&aacute;vel que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada per&iacute;odo.<br /> <br /> Regra 09:televis&atilde;o n&atilde;o &eacute; a vida real.Na vida real , as pessoas t&ecirc;m que deixar o barzinho a boate, ou a farra para no dia seguinte trabalhar.<br /> <br /> Regra 10:Seja legar com os CDFs.Existe uma grande probabilidade de voc&ecirc; vir a trabalhar PARA um deles.<br /> <br /> Se voc&ecirc; &eacute; da gera&ccedil;&atilde;o Y lembre-se: esses ensinamentos a gente s&oacute; aprende com a vida.<br /> <br /> Pense Nisso, mas pense mesmo! <br />

Aprendizes das crianças
10 Jul 20144:42EP 64

Aprendizes das crianças

Vivemos uma &eacute;poca deveras interessante. Ao lado de muito desamor, sucedem-se exemplos de altru&iacute;smo e solidariedade.<br /> <br /> Independentemente de serem ou n&atilde;o religiosas, as pessoas est&atilde;o descobrindo que n&atilde;o h&aacute; como ser feliz ao lado da desgra&ccedil;a alheia;<br /> <br /> Que n&atilde;o h&aacute; como gozar os bens da Terra, cega e loucamente, enquanto muitos carecem do pouco; que n&atilde;o se pode falar em paz no mundo se n&atilde;o a cultivamos no pr&oacute;prio jardim.<br /> <br /> Enfim, que o homem somente pode alcan&ccedil;ar a felicidade que idealiza se aprender a colaborar, construindo junto.<br /> <br /> Nesse empenho, com esperan&ccedil;a crescente, se veem associa&ccedil;&otilde;es, empresas, institui&ccedil;&otilde;es investirem em qualidade de vida, em sustentabilidade, em coopera&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua.<br /> <br /> Somos, na Terra, um grande ser coletivo. O que a um afeta, ao outro alcan&ccedil;a.<br /> <br /> Foi, portanto, com alegria, que assistimos a uma experi&ecirc;ncia realizada com crian&ccedil;as de variadas idades.<br /> <br /> Aos pares, meninos e meninas foram conduzidos a uma mesa, frente &agrave; qual se assentaram.<br /> <br /> A orienta&ccedil;&atilde;o que lhes foi dada &eacute; de que receberiam um lanche e, por isso, &agrave; sua frente, havia um prato coberto por uma redoma.<br /> <br /> Assentados, cada qual aguardava a autoriza&ccedil;&atilde;o para se servir. Quando, finalmente, retiravam a redoma protetora, descobriam que, em cada dupla, um recebera um prato vazio.<br /> <br /> As rea&ccedil;&otilde;es foram as mais diversas. Houve quem risse, quem se espantasse. Crian&ccedil;as de poucos meses de idade simplesmente brincaram com a redoma, mais preocupadas em descobrir o que aquela coisa podia fazer do que com a aus&ecirc;ncia de conte&uacute;do no prato.<br /> <br /> Uma a&ccedil;&atilde;o, no entanto, foi constante nas duplas: a divis&atilde;o do sandu&iacute;che.<br /> <br /> Ningu&eacute;m brigou. Ningu&eacute;m chorou. Ningu&eacute;m reclamou.<br /> <br /> A divis&atilde;o foi feita das mais variadas maneiras. Houve quem repartisse o p&atilde;o, comparasse os peda&ccedil;os e desse o menor ao companheiro. Mas deu.<br /> <br /> Houve quem desse o sandu&iacute;che ao outro que, ent&atilde;o, procedeu &agrave; divis&atilde;o.<br /> <br /> Peda&ccedil;os grandes, menores, maiores, irregulares. Mas tudo, entre risos e espontaneidade, oferecido, entregue, compartilhado.<br /> <br /> E saboreado com prazer.<br /> <br /> * * *<br /> <br /> Como ser&aacute; que reagir&iacute;amos, os adultos, frente ao prato vazio? Invocar&iacute;amos, de imediato, os direitos iguais e far&iacute;amos o discurso a respeito da injusti&ccedil;a?<br /> <br /> Entrar&iacute;amos em depress&atilde;o porque fomos deixados de lado, humilhados, esquecidos? Por que o outro foi agraciado com o saboroso sandu&iacute;che e nada nos foi ofertado?<br /> <br /> Como agir&iacute;amos ante o prato vazio tamb&eacute;m nos diz de como recebemos a adversidade quando nos chega.<br /> <br /> Esbravejamos, dizemo-nos abandonados pela Divindade, desistimos de lutar?<br /> <br /> Ou, como as crian&ccedil;as, abrimos um sorriso, olhamos para o lado, acreditando que sempre haver&aacute; algu&eacute;m para nos atender a dor, a necessidade? Que um amigo est&aacute; ao nosso lado e nos ofertar&aacute; o que tenha.<br /> <br /> Mudemos nosso foco. Menos reclama&ccedil;&atilde;o, mais a&ccedil;&atilde;o. Menos exig&ecirc;ncias e mais doa&ccedil;&atilde;o. Repartir o pouco, compartilhar o muito.<br /> <br /> Aprendamos com as crian&ccedil;as e abramos um sorriso, iluminando a face, iluminando a vida.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso.<br /> Em 02.10.2012.<br />

Você lembrará...
9 Jul 20144:09EP 63

Você lembrará...

Quando os cabelos nevados lhe aureolarem a face...<br /> <br /> Quando os dias se fizerem frios, porque a g&eacute;lida solid&atilde;o faz presen&ccedil;a ao seu lado...<br /> <br /> Quando seus dias se fizerem de insistente saudade, voc&ecirc; lembrar&aacute;...<br /> <br /> Lembrar&aacute; das tardes quentes, quando levava a passear os pequenos e havia risos de alegria, lambuzeira de sorvete e pipocas espalhadas pelo carro.<br /> <br /> Recordar&aacute; das brincadeiras dos meninos, usando a mangueira do jardim para se molharem uns aos outros.<br /> <br /> Lembrar&aacute; de sua voz recomendando menos bagun&ccedil;a, economia de &aacute;gua, de energia el&eacute;trica...<br /> <br /> Lembrar&aacute; das m&atilde;os pequeninas que mexiam em sua orelha, enquanto os olhinhos tentavam se fechar, entregando-se ao sono.<br /> <br /> Lembrar&aacute; do ursinho de pel&uacute;cia, de olhos grandes, deixado no banco de tr&aacute;s de seu carro, acompanhando-o em viagem de neg&oacute;cios, em visitas a clientes.<br /> <br /> O ursinho que ficava ali, sempre &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o, aguardando o retorno de seu dono, ao final do dia.<br /> <br /> Lembrar&aacute; do lanche da tarde, das visitas inesperadas portando sorrisos e flores; das festas surpresas nos anivers&aacute;rios; das cartas que chegavam com perfume de lembrei de voc&ecirc;; das viagens com os amigos; dos amores, dos afagos, das l&aacute;grimas de emo&ccedil;&atilde;o e contentamento.<br /> <br /> Voc&ecirc; lembrar&aacute;...<br /> <br /> Tudo passar&aacute; no caleidosc&oacute;pio das mem&oacute;rias, trazendo-lhe ao cora&ccedil;&atilde;o ternura e saudade.<br /> <br /> * * *<br /> <br /> Pense nisso, nos dias que vive e aproveite ao m&aacute;ximo o alimento do afeto, da presen&ccedil;a, da alegria.<br /> <br /> Mantenha a apar&ecirc;ncia jovial, embora o tempo teime em lhe colocar fios de prata nos cabelos e rugas na face.<br /> Conserve o sorriso espont&acirc;neo e claro, mesmo que a alma esteja em trajes de luto.<br /> <br /> Memorize os momentos felizes e arquive tudo no canto mais privilegiado de sua mente.<br /> <br /> N&atilde;o esque&ccedil;a nenhum detalhe: o dia cheio de luz ou a chuva insistente; as roupas coloridas, o bon&eacute; levado pelo vento; os risos, o machucado, o aconchego dos pequenos em seu colo; o adormecer cansado em seus bra&ccedil;os, ap&oacute;s as horas de corrida e travessuras pelo parque; o cheirinho de beb&ecirc;, o perfume do xampu, os cabelos escovados ou despenteados, rebeldes, jogados aos ombros.<br /> <br /> Observe tudo. Grave tudo. Um dia, quando a solid&atilde;o se sentar ao seu lado, esses detalhes, essas pequenas-grandes coisas lhe far&atilde;o companhia.<br /> <br /> Voc&ecirc; as retirar&aacute;, uma a uma, do ba&uacute; de mem&oacute;rias e alimentar&aacute; as suas horas, para continuar a ser feliz, como hoje o &eacute;.<br /> <br /> E talvez nem se d&ecirc; conta do quanto &eacute; feliz.<br /> <br /> Preparando a felicidade do seu amanh&atilde;, voc&ecirc; acabar&aacute; por descobrir, ainda hoje, o quanto &eacute; feliz.<br /> <br /> Pense nisso... E aja agora.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso. Ed. Fep.<br /> Em 03.08.2012<br />

Grandeza da renúncia
7 Jul 20144:34EP 61

Grandeza da renúncia

Alberto D&uuml;rer, o excelente pintor alem&atilde;o, antes de ser famoso, necessitando estudar, combinou com um jovem amigo, igualmente artista, sobre a necessidade de procurarem um n&uacute;cleo de maior cultura.<br /> <br /> Mudariam de cidade para que ambos pudessem aprimorar seu estilo.<br /> <br /> Porque n&atilde;o dispusessem de um mecenas, ou seja, um financiador ou padrinho que os ajudasse, estabeleceram um plano: um trabalharia como lavador de pratos, enquanto o outro iria estudar pintura.<br /> <br /> Assim, com a venda dos primeiros quadros, o que trabalhava passaria tamb&eacute;m a estudar.<br /> <br /> Chegando ao local pretendido, Alberto afirmou: Eu me dedicarei ao trabalho de lavar pratos. Contudo, o companheiro respondeu: N&atilde;o. Eu sou mais velho e j&aacute; tenho emprego no restaurante.<br /> <br /> Dessa forma, gra&ccedil;as &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do amigo, D&uuml;rer come&ccedil;ou a estudar e a pintar.<br /> <br /> Depois de um tempo, Alberto reunira uma soma que permitiria que o companheiro estudasse. Ele deixou o trabalho no restaurante e se dirigiu &agrave; escola.<br /> <br /> Percebeu, por&eacute;m, que a atividade rude lhe destru&iacute;ra a sensibilidade t&aacute;ctil, desequilibrara o ritmo motor.Deu-se conta de que nunca atingiria a genialidade, ainda mais, descobrindo a qualidade superior de D&uuml;rer.<br /> <br /> Dotado de sentimentos nobres, renunciou &agrave; carreira e retornou ao trabalho de lavador de pratos.<br /> <br /> Numa noite em que D&uuml;rer voltou ao est&uacute;dio, ao abrir silenciosamente a porta, estacou na sombra, vendo pela claraboia do teto o reflexo do luar que adentrava pelo c&ocirc;modo.<br /> <br /> A luz alumiava duas m&atilde;os postas em atitude de prece.<br /> <br /> Era o amigo, ajoelhado, que rogava b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os para o companheiro triunfar na pintura.<br /> <br /> O artista, comovido ante a cena, imortalizou-a numa pequena tela, que passou &agrave; posteridade como Estudo para as m&atilde;os de um Ap&oacute;stolo, para o altar de Heller, hoje na galeria Albertina, em Viena.<br /> <br /> * * *<br /> <br /> E n&oacute;s ouvintes, ser&aacute; que somos capazes de viver tal grau de ren&uacute;ncia?<br /> <br /> Em dias em que a competi&ccedil;&atilde;o nos desespera e afoga, exigindo que sejamos sempre melhores do que os outros, sen&atilde;o n&atilde;o somos ningu&eacute;m &ndash; ser&aacute; que j&aacute; descobrimos o caminho seguro da ren&uacute;ncia?<br /> <br /> A ren&uacute;ncia &eacute; a emo&ccedil;&atilde;o dos Esp&iacute;ritos superiores transformada em b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os pelo caminho dos homens.<br /> <br /> Quem renuncia estabelece, para o pr&oacute;ximo, a diretriz do futuro em clima de paz.<br /> <br /> A ren&uacute;ncia &eacute; melhor para quem a oferta.<br /> <br /> Poder ceder, quando &eacute; f&aacute;cil disputar; reconhecer o valor de outrem, quando se lhe est&aacute; ao lado, ensejando-lhe oportunidade de crescimento; ajudar sem competir, s&atilde;o express&otilde;es elevadas da ren&uacute;ncia que d&aacute; &agrave; vida um sentido de significativa grandeza.<br /> <br /> Felizes aqueles que hoje cedem para amanh&atilde; receber; os que agora doam para mais tarde enriquecer-se; os que compreendem que a verdadeira felicidade consiste em ajudar e passar, sem impor nem tomar.<br /> <br /> Quem renuncia, enfloresce a alma de paz, granjeando a gratid&atilde;o da vida pelo que recebe.<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base no cap. 8, do livro Receitas de paz, pelo Esp&iacute;rito Joanna de &Acirc;ngelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal<br /> Em 04.10.2012.<br />

O rico vigilante
5 Jul 20144:15EP 60

O rico vigilante

O desejo de ser rico &eacute; bastante comum.<br /> <br /> Em geral, ele se origina do ego&iacute;smo e da vontade de gozar dos bens do mundo em regime de &oacute;cio e saciedade.<br /> <br /> Mas h&aacute; quem o justifique com a ideia de dar conforto e seguran&ccedil;a para os seus.<br /> <br /> A respeito desse sonho t&atilde;o comum, h&aacute; uma narrativa bem esclarecedora.<br /> <br /> Conta-se que um homem honrado animou-se com o prop&oacute;sito de enriquecer para beneficiar sua fam&iacute;lia.<br /> <br /> Aflito por alcan&ccedil;ar seus fins, envolveu-se em v&aacute;rias empresas.<br /> <br /> Por vinte anos consecutivos, ajuntou moeda sobre moeda, formando o patrim&ocirc;nio de alguns milh&otilde;es.<br /> <br /> Quando se deu por satisfeito, reconheceu que todos os quadros da pr&oacute;pria vida se haviam alterado.<br /> <br /> O lar, dantes simples e alegre, adquirira fei&ccedil;&atilde;o sombria.<br /> <br /> A esposa fizera-se escrava de mil obriga&ccedil;&otilde;es destinadas a matar o tempo.<br /> <br /> Os filhos cochichavam entre si a respeito da heran&ccedil;a que a morte do pai lhes reservaria.<br /> <br /> Os vizinhos, acreditando-o completamente feliz, cercaram-no de inveja e ironia.<br /> <br /> Os negociantes visitavam-no a cada instante, propondo-lhe transa&ccedil;&otilde;es criminosas ou descabidas.<br /> <br /> Servidores o bajulavam, com declarado fingimento, quando ao lado de seus ouvidos.<br /> <br /> Em raz&atilde;o de tantos dist&uacute;rbios, era compelido a transformar a resid&ecirc;ncia em uma fortaleza.<br /> <br /> Sobrava-lhe tempo, agora, para registrar as mol&eacute;stias do corpo, cada vez mais presentes.<br /> <br /> Em poucas semanas de observa&ccedil;&atilde;o, concluiu que a fortuna trancafiada no cofre era motivo de crises sem fim.<br /> <br /> A partir da&iacute;, passou a libertar suas enormes reservas.<br /> <br /> Junto dele, amigos e vizinhos passaram a ter as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os do servi&ccedil;o e do bom &acirc;nimo.<br /> <br /> Desde o primeiro sinal de semelhante renova&ccedil;&atilde;o, a esposa fixou-o com estranheza e revolta.<br /> <br /> Os filhos odiaram-no e os pr&oacute;prios beneficiados o julgaram louco.<br /> <br /> Todavia, o milion&aacute;rio vigilante passou a possuir no domic&iacute;lio um santu&aacute;rio aberto e alegre.<br /> <br /> * * *<br /> <br /> Essa hist&oacute;ria pitoresca simboliza a necessidade do equil&iacute;brio na vida humana, em especial no que tange aos bens materiais.<br /> <br /> Toda riqueza que corre, &agrave; maneira das &aacute;guas cristalinas da fonte, &eacute; uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o viva.<br /> <br /> J&aacute; a riqueza em in&uacute;til repouso converte-se em po&ccedil;o venenoso de &aacute;gua estagnada.<br /> <br /> N&atilde;o h&aacute; l&oacute;gica em querer um rio inteiro, quando um simples copo de &aacute;gua pode saciar a sede.<br /> <br /> Os bens do mundo s&atilde;o instrumentos e n&atilde;o a finalidade do existir.<br /> <br /> Qualquer que seja a posi&ccedil;&atilde;o do homem, ele enfrenta problemas e desafios.<br /> <br /> Na busca de bens cada vez mais vastos, n&atilde;o compensa esquecer a ess&ecirc;ncia do existir.<br /> <br /> Fam&iacute;lia, amigos e a pr&oacute;pria dignidade constituem o tesouro mais importante que se pode ter.<br /> <br /> Pense nisso.Mas Pense Agora<br /> <br /> Reda&ccedil;&atilde;o do Pense Nisso, com base no cap. 21, do<br /> livro Jesus no lar, pelo Esp&iacute;rito Neio L&uacute;cio, psicografia de Francisco C&acirc;ndido Xavier, ed. Feb.<br /> Em 01.03.2013.<br />

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