
DESUNIÃO E DIVERGÊNCIA

PODCAST · 3394 EPISÓDIOS
Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.


Combatendo o preconceito<br /> <br /> Quando Gandhi trabalhava pela independência da Índia, empenhou-se também em combater uma questão interna: o preconceito de castas.<br /> <br /> Tradição milenar que divide a sociedade indiana em religiosos, guerreiros, agricultores, comerciantes e servos, as castas até hoje persistem.<br /> <br /> Na base da pirâmide social, uma categoria desprezada: os párias.<br /> <br /> Sem casta, os párias são considerados impuros e acredita-se que quem os toca fica impuro também. Por isso são chamados intocáveis.<br /> <br /> Mas Gandhi, ao estudar profundamente os ensinos de Krishna, aprendeu que Deus não faz diferença entre Seus filhos.<br /> <br /> Ele compreendeu que o sistema de castas havia sido modificado pelos homens, que o usaram para fins de dominação política e social.<br /> <br /> E foi assim que Gandhi passou a combater o preconceito contra os párias, que ele chamava harijans, palavra que significa filhos de Deus.<br /> <br /> Estava certo Gandhi. <br /> Os preconceitos que carregamos são parte de um contexto social e cultural que devemos combater.<br /> <br /> À medida que a Humanidade progride, os preconceitos vão perdendo espaço.<br /> <br /> A ciência vai demonstrando que certas teorias não têm validade e aos poucos vamos expurgando práticas vergonhosas.<br /> <br /> Vejamos, por exemplo, o preconceito racial. Ele é decorrente de uma visão que data da época da colonização.<br /> <br /> Os europeus se achavam superiores aos povos indígenas ou africanos. É uma tese absurda que o tempo se encarregou de derrubar.<br /> <br /> Sim, pois quando se ofereceu oportunidade, negros e índios mostraram tanta capacidade intelecto-moral quanto os demais.<br /> <br /> Nunca é demais lembrar que – mesmo na época do mais rigoroso preconceito racial no Brasil – houve quem triunfasse.<br /> <br /> É o caso do maior escritor brasileiro de todos os tempos: Machado de Assis.<br /> <br /> Filho de uma ex escrava, que trabalhava como lavadeira, ele trabalhava durante o dia e estudava à noite, sob a luz de um lampião.<br /> <br /> Demonstrou que o talento e o esforço vencem o preconceito, por mais forte que seja.<br /> <br /> Hoje, por mais que se combata o preconceito, muitas vezes ele ainda aparece inesperadamente.<br /> <br /> É porque estava apenas oculto, escondido sob o verniz social.<br /> <br /> É assim na questão dos homossexuais. Os preconceitos contra eles se manifestam de forma agressiva.<br /> <br /> Eles são ridicularizados, alvo de piadas e até de violência. Muitos são espancados e assassinados.<br /> <br /> <br /> Será que já conseguimos ver todos os demais seres humanos como irmãos que também amam, sofrem e querem ser felizes?<br /> <br /> Será que ainda é preciso ter uma data, pra se conscientizar do quanto o preconceito é sinal de barbarismo e ignorância? <br /> Pense Nisso, mas pense agora.<br /> <br /> <br /> Redação do Pense Nisso- com base no livro<br /> Momento Espírita, v. 7, ed. Fep.<br /> Em 19.05.2008.<br />

Maneiras de ver as coisas<br /> <br /> <br /> Conta-se que uma indústria de calçados do Brasil desenvolveu um projeto de exportação de sapatos para a Índia e, em seguida, mandou dois de seus consultores a pontos diferentes daquele país para fazer as primeiras observações do potencial daquele futuro mercado.<br /> Após alguns dias de pesquisas, um dos consultores enviou o seguinte fax para a direção da indústria:<br /> Senhores, cancelem o projeto de exportação de sapatos para a Índia. Aqui ninguém usa sapatos.<br /> Sem saber desse fax, alguns dias depois o segundo consultor mandou o seu parecer:<br /> Senhores, tripliquem a quantidade de sapatos do projeto de exportação para a Índia, pois aqui ninguém usa sapatos, ainda.<br /> A mesma situação era um tremendo obstáculo para um dos consultores e uma fantástica oportunidade para o outro.<br /> Da mesma forma, tudo na vida pode ser visto com enfoques e maneiras diferentes.<br /> A sabedoria popular traduz essa situação com a seguinte frase:<br /> Os tristes acham que o vento geme. Os alegres e cheios de espírito afirmam que ele canta.<br /> Os derrotistas falam da crise como se o mundo fosse acabar por causa dela, mas os otimistas e empreendedores dizem o seguinte:<br /> Bendita crise que sacode o mundo e a minha vida.<br /> Bendita crise que está reciclando tudo.<br /> Bendita crise que faz o mundo se reestruturar.<br /> Bendita crise que traz a transformação.<br /> Bendita crise que traz a evolução e o progresso.<br /> Bendita crise que traz novos desafios.<br /> Bendita crise que me tira a ilusão de permanência.<br /> Bendita crise que me tira do marasmo.<br /> Bendita crise que me ensina o que é verdadeiramente importante.<br /> Bendita crise que me revela minha própria sabedoria.<br /> Bendita crise que dissolve meus apegos.<br /> Bendita crise que amplia minha visão.<br /> Bendita crise que me faz humilde.<br /> Bendita crise que me faz voltar a ter fé.<br /> Bendita crise que me faz dar mais importância à vida.<br /> Bendita crise que abre meu coração.<br /> Bendita crise que me mostra a luz.<br /> Bendita crise que me mostra outras oportunidades.<br /> Bendita crise que me traz de volta a confiança.<br /> Bendita crise que me traz de volta à minha essência.<br /> Bendita crise que me desperta o amor pela Humanidade.<br /> Bendita crise que é o ponto de mutação.<br /> Bendita crise que me abre novos horizontes...<br /> * * *<br /> E você, como tem encarado as situações difíceis ou as crises?<br /> Lembre-se que da sua maneira de ver as dificuldades dependerá a resolução ou o seu agravamento.<br /> * * *<br /> O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo dos seus próprios pensamentos e atos.<br /> A maneira como você encara a vida é que vai fazer a diferença.<br /> Pense nisso!<br /> <br /> Redação do Pense Nisso, com base em pensamentos de autoria ignorada.<br /> Em 15.8.2013.<br />


O essencial<br /> <br /> <br /> A mulher entrou no consultório do psicoterapeuta e se sentou. Antes de começar a falar, já chorava.<br /> <br /> Quando finalmente conseguiu parar de soluçar, disse: Estou sozinha. Meu marido me largou há dois meses. Viajei, pensando que esqueceria, mas não consigo esquecer.<br /> <br /> Ele é um ingrato. Afinal, eu lhe dei os melhores anos de minha vida. Eu lhe dei filhos lindos. Eles sempre estavam prontos, bem vestidos e penteados, com as mochilas às costas, na hora de ir para a escola.<br /> <br /> Sempre tive a refeição pronta quando ele chegava, não importando a hora. Sempre recebi os amigos dele. Sempre fui a todos os lugares com ele, mesmo que não gostasse. Sempre sorri, para que todos soubessem que ele tinha uma esposa feliz.<br /> <br /> Dei-lhe uma casa maravilhosa. Nunca permiti que existisse pó sobre os móveis. Sempre tive o máximo de cuidado com os lençóis para que estivessem brancos, bem passados, perfumados.<br /> <br /> E agora, isso! Ele conheceu uma mocinha no escritório, se apaixonou por ela e me deixou.<br /> <br /> O psicoterapeuta olhou para ela e lhe perguntou: E o que é que você deu de você para ele?<br /> <br /> Ela não entendeu. Sim, durante anos ela o servira como cozinheira, arrumadeira, babá dos filhos dele. Mas nunca se lembrara de que era a esposa, a companheira, a amiga.<br /> <br /> * * *<br /> <br /> Naturalmente, ter a casa arrumada, lençóis limpos, crianças alinhadas e prontas é importante. Mas não é tudo. Mesmo porque, algumas dessas tarefas podem ser delegadas a terceiros. <br /> <br /> Uma refeição pode ser conseguida em um restaurante, roupas limpas na lavanderia, a casa pode ser limpa pela faxineira.<br /> <br /> Mas o carinho de uma esposa não se compra. Espera-se, simplesmente, como a esposa aguarda o do marido.<br /> <br /> Mais importante do que a casa sem pó, é um sorriso e um abraço de ternura quando os dois se encontram.<br /> <br /> Mais importante do que o tapete exatamente no lugar e todos os enfeites bem dispostos sobre os móveis, é uma mão que aperta a outra com força.<br /> <br /> É a companhia agradável de quem se senta ao lado, olha nos olhos e descobre que o outro teve um dia terrível.<br /> <br /> Um confia ao outro as suas dificuldades e suas ansiedades, encontrando aconchego mútuo.<br /> <br /> Amar é dar-se, é confiar. Olhar juntos para os filhos que crescem e vão se tornando independentes.<br /> <br /> * * *<br /> <br /> Lembre-se: o mais importante são as pessoas. De que adianta a casa, o carro, as joias, se não houver pessoas para partilhar com você?<br /> <br /> Entre as pessoas existem aquelas que dependem do nosso afeto. Por isso, não se canse de amar.<br /> <br /> Olhe para as pessoas. Preste atenção nas suas palavras, gestos, olhares, sentimentos. Em especial aquelas que compartilham com você do mesmo teto, pois são as que mais necessitam do seu amor.<br /> Pense Nisso!<br /> <br /> <br /> Redação do Pense Nisso, com base no cap. É aí que está a<br /> luz (a busca do ser), do livro Vivendo, amando e aprendendo, de Leo<br /> Buscaglia, ed. Nova era.<br />


Acolhimento que arrebata<br /> <br /> Francisco de Assis, em seu tempo, revolucionou ideias e inaugurou parâmetros de comportamento.<br /> Tinha uma forma toda especial de tratar com os deserdados da sorte, os pobres, os equivocados.<br /> Conta-se que, certa feita, três ladrões que viviam atormentando a cidade de Monte Casale, foram pedir comida a Frei Ângelo. Ciente de quem eram e os danos que poderiam provocar, ele os afugentou.<br /> Tão logo se fez a oportunidade, tudo narrou a Francisco, confiante de que receberia agradecimentos pelo que fizera.<br /> No entanto, Francisco, de imediato, não concordou com essa atitude, pois não condizia com a proposta de amor dos Evangelhos e com os exemplos do Mestre Jesus.<br /> Chamando os frades, a todos determinou outro padrão de tratamento para com os irmãos ladrões.Disse-lhes que, caso tornassem a encontrá-los, deveriam ter para com eles um procedimento diferente do comum das pessoas.<br /> Propôs, então, que os frades adentrassem a floresta, onde costumavam se esconder os malfeitores, levando alimento e uma toalha, oferecendo a refeição, mais ou menos nos seguintes termos:<br /> Irmãos ladrões, venham comer. Não precisam assaltar as pessoas. E quando assaltarem, por favor, não batam nelas.<br /> O ritual deveria ser repetido dia após dia e, finalmente, quando conseguissem as presenças dos ladrões para a refeição, deveriam aproveitar para lhes falar de outra forma:<br /> Irmãos ladrões, não seria melhor que vocês trabalhassem em vez de roubar? Podemos ajudá-los a arrumar alguma ocupação. Que tal?<br /> A proposta de acolhimento e regeneração, nessa aproximação gradativa e singela, feita de forma sincera e interessada, acabou por convencer alguns dos ladrões a modificarem a sua vida, aderindo à proposta de amor e fraternidade pregada e vivenciada por Francisco.<br /> * * *<br /> É possível que, nos dias atuais, com tanta violência vigorando, a criminalidade alcançando patamares inimagináveis, nenhum cidadão se sinta seguro, a qualquer hora do dia ou da noite, nas ruas, nem em sua casa ou em seu local de trabalho.<br /> Por isso mesmo, dificilmente buscaria um diálogo com malfeitores de qualquer ordem, até mesmo por temor à sua própria vida, pela sua integridade física.<br /> Mas o exemplo vivenciado pelos frades, sob a batuta de amor de Francisco, pode nos servir para meditarmos a respeito de novas fórmulas de tratarmos com os que qualificamos de malfeitores ou criminosos.<br /> Uma proposta de regeneração, de reeducação, iniciando pela conquista através da pedagogia do acolhimento.<br /> Também uma maneira de nos conduzir a reflexões sobre nossa própria forma de tratar osmalfeitores da nossa paz, os que nos causam problemas, levantam calúnias, estabelecem obstáculos na harmonia das nossas vidas.<br /> Como poderíamos interagir de forma positiva com eles?<br /> Talvez iniciando por não estabelecer sintonia com sua maldade. Depois, vibrando de forma diversa, endereçando-lhes, como resposta a suas agressões, o desejo de que se reabilitassem, que se dessem conta do desastre que estão causando para si mesmos.<br /> Isso porque quem semeia ventos, colhe tempestades, já sentencia o provérbio popular.<br /> Com certeza, essa nossa mudança de comportamento nos conduziria a melhores dias, a horas mais harmônicas e produtivas.<br /> Pensemos nisso. Tentemos a proposta franciscana.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso, com base em biografia de Francisco de Assis.<br />

Palavras e Ações<br /> <br /> Quantas vezes, ao longo da vida, observamos as bênçãos e os estragos causados por uma palavra.<br /> Palavras o vento leva - diz o provérbio popular.<br /> Mas nem sempre é assim. Há palavras que dificilmente conseguimos esquecer.<br /> Muitas vezes, as palavras transmitem a gratidão de que está plena nossa alma. Então, elas tomam a forma de doces expressões.<br /> Em outras ocasiões, elas servem para demonstrar o desgosto que nutrimos. Tornam-se amargas como o fel.<br /> Há momentos em que as palavras são encorajadoras, leves, repletas de luz. São a manifestação da amizade e do amor.<br /> Em outros momentos, elas são como ácido: agridem os que as ouvem.<br /> São tristes e dolorosas. Nesse instante, são as condutoras do desencanto e da infelicidade.<br /> Sobre a natureza das palavras há uma reflexão a fazer: elas são a expressão daquilo que carregamos na alma.<br /> Foi nos advertido uma vez que: Somos donos da palavra, até falarmos. Depois que a pronunciamos, nos tornamos escravos da mesma.Que grande verdade!<br /> Se acalentamos mágoa, desejo de vingança, revolta, ódio e dor, nossos lábios se abrirão para deixar sair uma torrente de palavras rudes.<br /> E quem nos ouvir entenderá que trazemos o coração obscurecido por sentimentos doentios.<br /> Haverá, inclusive, quem passe a nos evitar, a fim de não ter contato com essa descarga de mau humor ou de depressão.<br /> Por outro lado, se nos expressamos mediante palavras de engrandecimento, bem-estar, alegria e paz, nossa boca se tornará instrumento da esperança e da fraternidade.<br /> E quem nos ouvir deduzirá que trazemos a alma clara, iluminada por sentimentos saudáveis.<br /> Haverá até quem nos procure, para ter contato com a torrente de otimismo e serenidade que deixamos escapar dos lábios.<br /> É bem verdade que passamos a maior parte do tempo alternando entre momentos risonhos e os de raiva ou tristeza.<br /> Por isso, o nosso desafio diário é tornar cada vez mais freqüentes os estados de ânimo felizes.<br /> Nossa tarefa é nos educar para que nossos lábios sejam instrumentos do bem que habita em nós.<br /> É essencial moderar a língua, medir as palavras, pensar antes de falar.<br /> Melhor ainda: é imprescindível educar os sentimentos, disciplinar a mente, ser firme no combate ao desejo por reclamações, fofocas e comentários ferinos.<br /> Somos responsáveis pelo impacto de nossas palavras, pensamentos e atitudes.<br /> Sim, pois as palavras têm força e podem causar tremendos impactos sobre a vida alheia. Que este impacto seja, então, positivo.<br /> Que cada uma de nossas palavras seja de estímulo, amizade, fraternidade, pacificação.<br /> Mesmo quando discordarmos, sejamos moderados, prudentes e bondosos.<br /> Não esqueçamos: sempre há um sabor para pôr nas palavras: a doçura do mel ou o amargor do fel.<br /> A escolha é inteiramente de cada um.<br /> Pensemos Nisso.<br />