13 Jan 20153:28EP 168TOCANDO
Outras violências...<br />
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Violência é o ato de constranger física ou moralmente. É o uso da força.<br />
Na atualidade, muitos somos os que afirmamos temer a violência. Por isso mesmo, erguemos altos muros ao redor de nossas residências, tentando evitar que ela nos atinja.<br />
Contratamos seguranças para proteger nossas empresas e nossos lares. Instalamos equipamentos sofisticados que nos alertem da chegada de eventuais usurpadores dos nossos bens.<br />
Resguardamo-nos da violência que vem de fora e pode nos atingir.<br />
No entanto, existe outro tipo de violência para a qual não atentamos. É a que reside em nós.<br />
É a violência da indiferença. Aquela que nos permite observar diariamente, pelos noticiários, as paisagens da fome, da miséria e prosseguirmos de braços cruzados.<br />
Sim, alguns de nós nos sensibilizamos, chegando às lágrimas, mas as manchetes seguintes nos desviam a atenção e tudo cai no esquecimento, quais notas apagadas e sem valor.<br />
Violência que nos faculta assistir, extremamente interessados, as notícias acerca da agressão sofrida por personalidade importante, ansiosos por detalhes e mais detalhes.<br />
Desejamos saber tudo e quanto maior for a violência para com a criatura, mais nos interessamos, pois afinal, depois, logo mais, iremos reprisar tudo para o colega, o vizinho, o amigo.<br />
E não nos recordamos de nos recolher à intimidade do coração para orar pelo agredido, pelos seus. À parte a fama, são gente como toda gente. Sofrem como todos, desde que a dor tem caráter universal e imparcial.<br />
Participamos ativamente ou assistimos impassíveis a programas em que o ser humano é exposto em toda sua nudez moral.<br />
Onde a problemática física ou de ordem íntima é levada a público como contos para diversão e lazer. Contudo, os envolvidos são seres humanos que sentem, sofrem, se angustiam.<br />
Violência é a atitude com que destinamos velhos e enfermos difíceis a instituições, sem jamais nos interessarmos pelo seu bem-estar.<br />
Costumamos aliviar a consciência dizendo que não dispomos de tempo para os cuidados, pois trabalhamos em demasia. Pagamos para que os atendam, à distância, a fim de não lhes ouvir os queixumes e lamentações.<br />
E poderiam estar conosco! Se podemos dispor de recursos amoedados para os manter longe, por que não direcionar esses mesmos recursos a quem os possa cuidar, zelar, próximos de nós, sob nossos olhos vigilantes?<br />
Violência é o ato de mudez que elegemos para agredir o outro, no relacionamento doméstico, estabelecendo silêncios gélidos às interrogações afetuosas.<br />
É o filho que se fecha em si mesmo, não respondendo aos questionamentos do amor materno e paterno, como forma de agressão por não lhe concederem o que anseia.<br />
São os esposos que, entre si, contratam a mudez como símbolo do desconforto de viverem um ao lado do outro, como acorrentados sem remissão.<br />
Violência é a indiferença pelo bem-estar alheio, que nos faculta chegar ao lar, sermos servidos em tudo e sequer erguer os olhos para ver as rugas de preocupação, as lágrimas de dor no rosto macerado de quem nos serve.<br />
É levantar-se, comer, usufruir dos bens, deitar-se, sem contribuir em nada para a paz do lar.<br />
E bastaria sorrir, agradecer, quem sabe, abraçar quem padece a carência da nossa ternura.<br />
A violência de fora pode nos ferir e magoar. A violência de dentro, silenciosa, que aplicamos todos os dias, em nossos relacionamentos é igualmente perniciosa e destruidora.<br />
Muitas enfermidades se aninham e evoluem gradualmente ou abruptamente, como resultado da própria violência íntima ou da de outrem, normalmente, afetos bem próximos.<br />
Mudez, indiferença, frieza. Violências que se reprisam, armas cruéis.<br />
Principiemos por alijar de nós a violência, exercitando o diálogo, o perdão, os bons sentimentos.<br />
E veremos, exatamente como no solo crestado pela invernia, rebentar em flores e verdura a primavera da paz, em nossos corações.<br />
Pense Nisso, mas pense agora.<br />