
APRENDIZES DAS CRIANÇAS
<span style=''font-size: small;''>APRENDIZES DAS CRIANÇAS<br /> <br /> Vivemos uma época deveras interessante. Ao lado de muito desamor, sucedem-se exemplos de altruísmo e solidariedade.<br /> Independentemente de serem ou não religiosas, as pessoas estão descobrindo que não há como ser feliz ao lado da desgraça alheia;<br /> Que não há como gozar os bens da Terra, cega e loucamente, enquanto muitos carecem do pouco; que não se pode falar em paz no mundo se não a cultivamos no próprio jardim.<br /> Enfim, que o homem somente pode alcançar a felicidade que idealiza se aprender a colaborar, construindo junto.<br /> Nesse empenho, com esperança crescente, se veem associações, empresas, instituições investirem em qualidade de vida, em sustentabilidade, em cooperação mútua.<br /> Somos, na Terra, um grande ser coletivo. O que a um afeta, ao outro alcança.<br /> Foi, portanto, com alegria, que assistimos a uma experiência realizada com crianças de variadas idades.<br /> Aos pares, meninos e meninas foram conduzidos a uma mesa, frente à qual se assentaram.<br /> A orientação que lhes foi dada é de que receberiam um lanche e, por isso, à sua frente, havia um prato coberto por uma redoma.<br /> Assentados, cada qual aguardava a autorização para se servir. Quando, finalmente, retiravam a redoma protetora, descobriam que, em cada dupla, um recebera um prato vazio.<br /> As reações foram as mais diversas. Houve quem risse, quem se espantasse. Crianças de poucos meses de idade simplesmente brincaram com a redoma, mais preocupadas em descobrir o que aquela coisa podia fazer do que com a ausência de conteúdo no prato.<br /> Uma ação, no entanto, foi constante nas duplas: a divisão do sanduíche.<br /> Ninguém brigou. Ninguém chorou. Ninguém reclamou.<br /> A divisão foi feita das mais variadas maneiras. Houve quem repartisse o pão, comparasse os pedaços e desse o menor ao companheiro. Mas deu.<br /> Houve quem desse o sanduíche ao outro que, então, procedeu à divisão.<br /> Pedaços grandes, menores, maiores, irregulares. Mas tudo, entre risos e espontaneidade, oferecido, entregue, compartilhado.<br /> E saboreado com prazer.<br /> * * *<br /> Como será que reagiríamos, os adultos, frente ao prato vazio? Invocaríamos, de imediato, os direitos iguais e faríamos o discurso a respeito da injustiça?<br /> Entraríamos em depressão porque fomos deixados de lado, humilhados, esquecidos? Por que o outro foi agraciado com o saboroso sanduíche e nada nos foi ofertado?<br /> Como agiríamos ante o prato vazio também nos diz de como recebemos a adversidade quando nos chega.<br /> Esbravejamos, dizemo-nos abandonados pela Divindade, desistimos de lutar?<br /> Ou, como as crianças, abrimos um sorriso, olhamos para o lado, acreditando que sempre haverá alguém para nos atender a dor, a necessidade? Que um amigo está ao nosso lado e nos ofertará o que tenha.<br /> Mudemos nosso foco. Menos reclamação, mais ação. Menos exigências e mais doação. Repartir o pouco, compartilhar o muito.<br /> Aprendamos com as crianças e abramos um sorriso, iluminando a face, iluminando a vida.<br /> <br /> Redação do Pense Nisso.<br /> Em 02.10.2012.<br /> </span><br />
