
21 GRAMAS

PODCAST · 3392 EPISÓDIOS
Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.


<br /> <strong>Amor sem preço</strong><br /> <br /> Havia um garoto que, nos seus quase oito anos, adquirira um hábito nada salutar. Tudo para ele se resumia em dinheiro. Queria saber o preço de tudo o que via. Se não custasse grande coisa, para ele não tinha valor algum.<br /> Nem se apercebia o pequeno que há muitas coisas que dinheiro algum compra. E dentre essas coisas, algumas são as melhores do mundo.<br /> Certo dia, no café da manhã, ele teve o cuidado de colocar sobre o prato da sua mãe um papelzinho cuidadosamente dobrado. A mãe o abriu e leu:<br /> Mamãe me deve: por levar recados - três reais; por tirar o lixo - dois reais; por varrer o chão - dois reais; extras - um real. Total que mamãe me deve: oito reais.<br /> A mãe espantou-se no primeiro momento. Depois, sorriu, guardou o bilhetinho no bolso do avental e não disse nada.<br /> O garoto foi para a escola e, naturalmente, retornou faminto. Correu para a mesa do almoço.<br /> Sobre o seu prato estava o seu bilhetinho com os oito reais. Os seus olhos faiscaram.<br /> Enfiou depressa o dinheiro no bolso e ficou imaginando o que compraria com aquela recompensa. Mas então, percebeu que havia um outro papel ao lado do seu prato. Igualzinho ao seu e bem dobrado.<br /> Abriu e viu que sua mãe também lhe deixara uma conta.<br /> Filhinho deve à mamãe: por amá-lo - nada. Por cuidar da sua catapora - nada. Pelas roupas, calçados e brinquedos - nada. Pelas refeições e pelo lindo quarto - nada. Total que filhinho deve à mamãe - nada.<br /> O menino ficou sentado, lendo e relendo a sua nova conta. Não conseguia dizer nenhuma palavra. Depois se levantou, pegou os oito reais e os colocou na mão de sua mãe.<br /> A partir desse dia, ele passou a ajudar sua mãe por amor.<br /> * * *<br /> Nossos filhos trazem suas virtudes e seus defeitos. Cabe-nos examiná-las para auxiliá-los na consolidação das primeiras e no combate às segundas.<br /> Todo momento é propício e não deve ser desperdiçado.<br /> As ações são sempre mais fortes que as palavras.<br /> Na condução dos nossos filhos, cabe-nos executar a especial tarefa de agir sempre com dignidade e bom senso, o que equivale a dizer, educar-nos.<br /> Com exceção dos filhos extremamente rebeldes, uma boa dose de amor somada à energia, sempre dá bons resultados.<br /> * * *<br /> É no lar que recebemos os primeiros ensinamentos sobre as virtudes.<br /> Na construção do senso moral, dos conceitos de certo e errado são muito importantes os exemplos dados pelos pais.<br /> É no doce mundo familiar que se adquire o hábito da virtude que nos guiará as ações quando sairmos mundo afora.<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><strong>Redação do Pense Nisso.<br /> Em 30.10.2017.</strong></div>

<span style=''font-size: small;''> A INGRATIDÃO <br /> <br /> Muitos de nós já sofremos o gosto amargo da ingratidão, não é verdade amigo ouvinte?<br /> <br /> É uma atitude louvável acudir o semelhante na hora da dificuldade — louvável e necessário.<br /> <br /> Nenhum de nós nesta vida está livre de um momento ruim. Nenhum de nós nesta vida pode garantir que jamais precisará de uma ajuda, um apoio, um ombro para chorar. Além do mais, seria muita crueldade vermos alguém no fundo do poço e simplesmente virarmos as contas, como se o sofrimento alheio não fosse da nossa conta.<br /> <br /> No entanto, o troco que às vezes recebemos de alguns por nossa solidariedade nos deixa, no mínimo, pensativos. Cá entre nós: há pessoas tão ingratas que nos fazem pensar duas vezes antes de estendermos a mão.<br /> <br /> Muitas vezes, tiramos de nós mesmos para dar a uma pessoa. Muitas vezes, empenhamos nosso nome, nossa palavra, nosso tempo, nosso dinheiro, nossa fé no semelhante, unicamente para acudir uma pessoa, libertá-la de um embaraço, livrá-la do abismo. Às vezes, comprometemos até mesmo nossa segurança, suportamos críticas, enfrentamos cara feia e resistência, tudo para defender e ajudar alguém que, na nossa opinião, é merecedor daquele sacrifício.<br /> <br /> Quando prestamos um favor, ou fazemos um bem, ou socorremos alguém em dificuldade, não estamos, evidentemente, visando retribuição. É natural de uma pessoa sensível querer ajudar, dar apoio, livrar o semelhante das situações ingratas que a vida tantas vezes impõe.<br /> <br /> Mas, embora não sejamos caçadores de recompensa, como é triste vermos alguém que ajudamos num momento difícil nos virar as costas quando mais precisamos. Nada dói mais do que a ingratidão.<br /> <br /> Existe uma lenda segundo a qual uma mulher viu-se perdida na selva, com dois filhos pequenos. Sem armas ou coragem para caçar, ela decidiu cortar pedaços de sua própria carne para dar de comer às crianças, até que chegasse ajuda. Ajuda que, infelizmente, não chegou. Mutilada e já sem forças, a pobre mãe acabou morrendo. Um dos meninos então comentou com o outro: “ainda bem. Eu já estava enjoado de comer todos os dias a mesma coisa...”<br /> <br /> Por essas e outras, é que o escritor americano do século 19 mark twain,disse um dia: “se apanhares um cão faminto e lhe deres comida, ele jamais te morderá: eis a principal diferença entre um cachorro e um ser humano... <br /> Redação do Momento Espírita.<br /> Em 08.4.2014</span><br />

<span style=''font-size: small;''>RESSENTIMENTO<br /> <br /> O ressentimento já foi comparado a uma brasa ardente que seguramos com a intenção de jogá-la em outra pessoa, enquanto queima a nossa mão.<br /> Ou então, um veneno que tomamos esperando que o outro morra.<br /> Quando estamos ressentidos, sentimos intensamente a dor do passado de novo e de novo.<br /> Isso não só desgasta o nosso bem-estar emocional, como também ataca, de uma maneira poderosa e negativa, nosso bem-estar físico.<br /> Quando guardamos ressentimento, rancor, estamos nos aprisionando voluntariamente à dor.<br /> lguns poderiam então questionar: Isto quer dizer que escolhemos guardar mágoa? Há, então, uma escolha? Pois parece que não. Parece que é mais forte que nós.<br /> É difícil de perceber, principalmente para aqueles que ainda não nos conhecemos bem. Mas, sim, é uma escolha que fazemos.<br /> Sentir raiva é natural.Sentir-se magoado, também.<br /> Não, porém, à instalação do ressentimento.<br /> O que ela ensina é que é perfeitamente natural termos a alma ferida com este ou aquele acontecimento, porém, carregar essa dor por tempo indeterminado no coração, é uma escolha perigosa.<br /> É uma brasa ardente, realmente, que vai queimando por dentro, dia após dia, ano após ano, sem trazer benefício algum à alma que sofre.<br /> Dessa forma, precisamos realizar um trabalho interior para nos livrarmos desse ressentimento o quanto antes, evitando prejuízos maiores para nós mesmos.<br /> Isso significa deixar de dar tanto valor a um fato, a um acontecimento para que nosso coração se acalme, olhe para frente e deixe de se apegar tanto a questões que já estão no passado.<br /> * * *<br /> O prazer de ser livre é incomparável...<br /> Poder deitar a cabeça no travesseiro todas as noites e dizer que não guarda mágoa de ninguém é vitória da alma sobre o ressentimento avassalador.<br /> Não nos preocupemos com a impunidade do agressor, do ofensor. Num Universo regido por leis perfeitas, nada fica impune, tudo tem sua consequência.<br /> Perdoar, esquecer é também uma escolha pela saúde do Espírito e do corpo, uma vez que, livres do rancor, igualmente ficamos livres das doenças associadas diretamente ao ressentimento.<br /> Vivamos a alegria e a liberdade de não carregar ressentimento em nosso coração.<br /> PENSE NISSO.MAS...PENSE AGORA!</span><br />

A CULPA É DA CARNE<br /> <br /> Quando alguém procura uma desculpa para justificar os seus erros, é comum ouvirmos a afirmativa de que a carne é fraca.<br /> <br /> A culpa, portanto, é da carne, ou seja, do corpo físico.<br /> <br /> Hahnemann, criador da Medicina Homeopática, fez a seguinte afirmativa:<br /> <br /> O corpo não dá cólera àquele que não a tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. Caso Contrario, onde estariam o mérito e a responsabilidade?<br /> <br /> Uma inteligente constatação, pois contém grandes verdades.<br /> <br /> Culpar o corpo pelas nossas fraquezas equivaleria a culpar a roupa que estamos usando por um acesso de cólera.<br /> <br /> Quando a boca de um guloso se enche de saliva diante de um prato apetitoso, não é a comida que excita o órgão do paladar, pois sequer está em contato com ele.<br /> <br /> É o Espírito, cuja sensibilidade é despertada, que atua sobre aquele órgão através do pensamento.<br /> <br /> Se uma pessoa sensível facilmente verte lágrimas, não é a abundância das lágrimas que dá a sensibilidade ao Espírito, mas precisamente a sensibilidade desse que provoca a secreção abundante das lágrimas. <br /> <br /> Assim, um homem é músico não porque seu corpo seja propenso à musicalidade, mas porque seu Espírito é musicista.<br /> Como podemos perceber, a ação do Espírito sobre o corpo físico é tão evidente que uma violenta comoção moral pode provocar desordens orgânicas.<br /> <br /> Quando sofremos um susto, por exemplo, logo em seguida vem a sudorese, o tremor, a taquicardia...<br /> <br /> Outras vezes, um acesso de ira pode provocar dor de cabeça, e até mesmo deixar manchas roxas pelo corpo.<br /> <br /> Quanto às disposições para a preguiça, a violência, a corrupção, igualmente não podem ser lançadas à conta da carne, pois são tendências radicadas no Espírito imortal.<br /> <br /> Se assim não fosse, seria fácil, pois não teríamos nenhuma responsabilidade pelos nossos atos, desde que, uma vez enterrado o corpo, com ele sumiriam todas as fragilidades e os equívocos cometidos.<br /> <br /> Toda responsabilidade moral dos atos da vida física competem ao Espírito. <br /> <br /> Assim, quanto mais esclarecido for o Espírito, menos desculpável se tornam as suas faltas, uma vez que, com a inteligência e o senso moral, nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto.<br /> <br /> * * *<br /> <br /> Todos nós, sem exceção, possuímos na intimidade a centelha divina, a força capaz de conter os impulsos negativos e fazer vibrar as emoções nobres que o Criador depositou em nós.<br /> <br /> Fazendo pequenos esforços conquistaremos a verdadeira liberdade, a supremacia do Espírito sobre o corpo. E só então entenderemos porque o Mestre afirmou: Vós sois deuses, podereis fazer o que Eu faço, e muito mais.<br /> <br /> Pense Nisso, mas pense Agora!<br /> <br /> Redação com base no cap. VII do livro O céu e o inferno, de Allan Kardec, ed. Feb e no livro Hahnemann, o apóstolo da <br /> medicina espiritual, de Hermínio C. Miranda, ed. Celd.<br />

<strong>Tédio</strong><br /> <br /> <br /> Muitas pessoas estabelecem objetivos de vida, que passam a ser buscados com intensa determinação.<br /> Limitam seus interesses na conquista de seus sonhos e quando os alcançam nem sempre encontram neles o sentido e o significado que esperavam.<br /> A meta, que por tanto tempo representou a razão de viver, cede lugar ao tédio, empurrando os seres para os abismos da depressão ou dos vícios.<br /> Por vezes, são pais que colocam na vida dos filhos os próprios sonhos.<br /> Projetam no futuro de seus rebentos os desejos que eles próprios não puderam realizar.<br /> No entanto, os filhos crescem e devem enfrentar as próprias lutas e dar curso às próprias vidas.<br /> Por vezes a constatação dessa verdade causa nos pais, mais despreparados, amarga aflição.<br /> Outros, ainda, anseiam por alcançar um patamar elevado na carreira para amealhar, assim, consideráveis recursos financeiros.<br /> Porém, quando seus objetivos se realizam, sentem-se desestimulados.<br /> Há aqueles que se esforçam para ter fama e destaque na sociedade e que, quando os alcançam, amargurados e vazios, entregam-se às drogas e aos abusos do sexo.<br /> Inquietação e desequilíbrio costumam servir de base na busca por objetivos imediatos de prazer e de satisfação.<br /> Tais metas são frutos do egoísmo que ainda move os seres, e quando alcançadas produzem tão-somente rápida e passageira satisfação.<br /> Em pouco tempo a antiga e conhecida sensação de aborrecimento e de vazio volta a exercer forte influência no cotidiano.<br /> Como se todo o esforço tivesse sido vão.<br /> Como se toda a luta não tivesse valido a pena.<br /> Nos lábios, a impressão de que alguma palavra ficou faltando.<br /> Na boca, a permanente sensação de sede.<br /> É a fome de realização plena.<br /> É uma sensação de que, em sonho, tudo era mais belo e satisfatório.<br /> É o tédio, terrível flagelo que consome existências.<br /> Silencioso e ardiloso, penetra suavemente no comportamento, instalando-se na mente e no sentimento, depauperando e dominando os indivíduos.<br /> Quando te percebas a um passo do tédio, assume nova postura e busca uma atividade que te preencha o tempo físico e mental de forma útil.<br /> Nunca te consideres impossibilitado de trabalhar, de agir no bem e de produzir.<br /> Considera o esforço dos artistas sem braços, sem pernas, que se revelaram excelentes pintores, escultores, desenhistas, ricos de inspiração e de alegria de viver.<br /> Reflete sobre a vida de outros deficientes que se transformaram em mensageiros da renovação interior, tornando-se membros indispensáveis da economia moral e social no mundo.<br /> O esforço que lhes foi exigido não lhes concedeu tempo para qualquer forma de tédio ou de desinteresse, entregando-se à lamentação ou ao desencanto.<br /> Não cesses de edificar, nem te permitas contemplar a retaguarda do já feito.<br /> Examina a perspectiva do quanto ainda necessitas realizar.<br /> Aspira à conquista do infinito e nunca te sentirás entediado com os logros conseguidos.<br /> Quem se basta com as aquisições meramente materiais ainda não alcançou a real maturidade, nem descobriu as prioritárias metas existenciais.<br /> Aquele que anela pela alegria de viver, não apenas pelo que consiga deter nas mãos, jamais será vítima do tédio, porque estará sempre em ação, sentindo-se útil e pleno.<br /> <br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Equipe de Redação do Pense Nisso, <br /> com base no capítulo 13 do livro Diretrizes para o êxito,<br /> de Divaldo Pereira Franco.</em></div>

<span style=''font-size: small;''> IMPASSE<br /> <br /> A Escolha de Sofia é um clássico que se transformou-se em exemplo de impasse, de dilema a ser resolvido. Sofia vive atormentada pela escolha que teve de fazer quando estava no campo de concentração. Entre todos os horrores pelos quais passou, o pior foi ter de escolher entre seu filho e sua filha qual dos dois deveriam ser mortos. Esta é a escolha de Sofia, uma mãe diante de um grande dilema .... em um documentário, foi proposto um experimento teórico para estudar a lógica da decisão .<br /> <br /> Imagine que um trem lotado encaminha-se para um precipício, redundando numa queda da qual não restariam sobreviventes.<br /> Posicionado em um entroncamento, você pode ativar uma alavanca para desviar o comboio, fazendo-o atingir um pequeno grupo de pessoas. Sua intervenção certamente causaria um número menor de vítimas. Como você agiria? Pesquisas sobre esse dilema mostram que as pessoas agiriam segundo o princípio do "menor dano". Em mais de 90% dos casos os sujeitos apertariam a barra salvando muitas pessoas, assumindo a responsabilidade pela morte de algumas outras. Porém, dizer nem sempre é fazer. Experimentos nos quais é preciso agir - e não apenas declarar as intenções - apontam outro resultado.<br /> A convicção em torno de valores, princípios e regras pode se mostrar incrivelmente frágil diante da experiência real. Situações concretas, por sua vez, são muito sensíveis à contagem dos participantes.<br /> Sozinhos na situação do trem, você e sua consciência provavelmente tomariam atitude diferente daquela que teriam se houvesse testemunha. Isto nos levam a pensar sobre situações difíceis que precisam ser encaradas de frente e que vamos jogando de mão em mão como se fosse uma batata quente. Alguém espera que alguém resolva, este alguém que resolveria pode ser qualquer um, inclusive Deus, para quem acredita nele. <br /> Temos, nos últimos anos aprendido muitos termos, palavras que significam viver ou morrer.<br /> Eutanásia, que é a prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida. Crime pelo código penal.<br /> Distanásia, um prolongar da vida de modo artificial, mesmo sabendo que não há mais esperanças, não há chances de cura. Morte lenta, sofrida.<br /> Ortotanásia, que significa morte correta, ou seja, a morte pelo seu processo natural. Neste caso o doente já está em processo natural da morte e recebe uma contribuição do médico para que este estado siga seu curso natural.<br /> Conversar sobre isso é difícil, questionar se uma pessoa em coma tem capacidade de ouvir, e se ouve, tem ela condições ou poder de decidir se vive ou se desiste? Prefiro acreditar que sim. Há um apego e um apelo muito grande em se prolongar a vida, mesmo sabendo que não há mais esperanças, mesmo sabendo que o que vem pela frente pode tornar-se insuportável para todos. Então aqui entra a decisão do maquinista do trem. Alguém precisa fazer o papel do maquinista.<br /> <br /> O inconsciente é composto por figuras que o habitam e é sempre em companhia delas que você terá que decidir. A defesa inócua do criminoso comum é alegar que está em paz com sua consciência.<br /> Mas nunca estamos em paz com nossa consciência - ela é feita para nos atormentar, para rever continuamente as consequências, causas e razões de nossos atos.<br /> Estar "em paz com a consciência" É, no fundo, não ter consciência.<br /> Em seu Projeto de psicologia científica para neurólogos, de 1895, Freud estabeleceu alguns fundamentos para uma lógica da escolha. Em um verdadeiro processo de decisão, temos de comparar situações de tal forma que proposições se formem em nossa consciência. Antes de qualquer escolha há uma espécie de metadecisão envolvendo os caminhos pelos quais a opção pode ser feita. Podemos até estar bem-intencionados, e acreditar que escolha é apenas uma elaboração de pensamento. Mas temos um júri coletivo que será destinatário de nosso juízo. Perguntamos como agiriam as pessoas que conhecemos, amamos ou respeitamos e reciprocamente como seríamos julgados por elas.<br /> <br /> A diferença entre a verdade do que dizemos e o real do que fazemos emana do fato de que agir compromete, custa. Movendo a alavanca nos tornamos responsáveis diretos pela morte de inocentes. Esperando passivamente que o trem caia no precipício, ficamos em paz com nossa consciência, afinal "alguém" deveria ter pensado nisso antes, alguém da companhia de trens ou da vigilância antiprecipícios. Aqui surgem os dois outros elementos da lógica freudiana da decisão: a angústia e o tempo. A verdadeira escolha nunca é tomada sem a incerteza de um tempo de angústia. Há os que e deixam a alavanca intacta e contam com a teoria neurótica do tempo indefinidamente elástico no qual alguém tomará ou já a tomou a decisão certa por nós. Há aqueles que se lançam heroicamente para a alavanca seguem outra forma de temporalidade neurótica na qual o "alguém" sou eu mesmo livrando-me da angústia de decidir.<br /> De uma forma mais simples, vem a pergunta: você é quem decide, ou espera que alguém decida por você?<br /> Pense Nisso, mas pense agora.<br /> Redação do Pense Nisso.<br /> Em 01.8.2015.<br /> </span><br />

<strong> A vida: coragem, beleza, magia e romantismo.</strong><br /> <br /> “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”<br /> <br /> Com essa pequena citação de um dos maiores clássicos da literatura brasileira; Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa, damos início com a mensagem do Pense Nisso de hoje.<br /> <br /> Sempre me pego pensando sobre o sentido da vida. Pergunto-me se cumprimos um destino ou se fazemos o nosso próprio destino, se há um sentido maior para tudo que fazemos ou se estamos apenas flutuando na brisa, se a vida vale à pena ou se é uma causa perdida. Estamos sempre com pressa, correndo aqui e acolá, em tentativas desesperadas de encontrar um lugar para nos encaixar, de sermos mais amados, de prolongar os instantes de eternidade que escoam pelas nossas mãos.<br /> A complexidade da vida não permite que consigamos defini-la em um único sentido, já que somos precários e finitos, de tal modo que nunca conseguiremos ter a totalidade do que a define. Assim como, nunca estivemos do outro lado para saber o que de fato na espera. Dessa maneira, a única certeza que possuímos é que estamos vivos e que enquanto estamos vivos, devemos impor à vida, que por ora possuímos, a grandeza que ela necessita.<br /> <br /> Se devemos ter uma vida grandiosa, consequentemente, algo, a meu ver, nós podemos concluir: a vida não é uma causa perdida. Por mais que na maior parte do tempo encontremos um mundo duro e seco, que vai aos poucos minando o nosso interesse e, sobretudo, a nossa capacidade de sentir; a vida está cheia de belezas e magia. O grande problema é que estamos sempre ocupados demais para perceber as alegrias que a vida nos proporciona. Possuímos uma cegueira seletiva, a qual não nos permite enxergar o que é essencial na vida.<br /> <br /> As nossas vidas burocráticas e automatizadas retiram a sensibilidade e a poesia que possibilitam o olhar lúdico sobre as coisas e que nos permite reparar nos pequenos prazeres da vida, os quais escondem a verdadeira beleza e felicidades que esta possui. Por que uma criança fica encantada com a chuva, com uma flor ou com um pássaro? Por que as crianças se divertem fazendo desenhos ou comendo um biscoito? Porque em tudo isso há beleza, no entanto, conforme vamos “crescendo”, vamos deixando a criança que há em nós morrer e, assim, deixamos de enxergar o mundo de forma poética, isto é, com o coração, para tão somente vê-lo com os olhos. É por esse motivo que Saint-Exupéry dedicou “O Pequeno Príncipe” à criança que seu amigo Léon Werth foi um dia, já que para enxergar o que há de belo no mundo, deve-se necessariamente se olhar com o coração.<br /> <br /> Até mesmo para aqueles que somos gestores, e vivemos o competetivo mundo corporativo, devemos colocar o encantamento, a paixão, o romantismo para que de fato, consigamos melhores resultados financeiros.<br /> O olhar poético não torna o mundo mais belo por ser mais ingênuo, e sim por ser mais lúcido, uma vez que percebe todas as tristezas que retiram nossa potência e nossa vontade de viver, bem como, enxerga as verdadeiras belezas da vida, desvinculadas das mentiras disfarçadas de felicidade que nós adultos compramos para preencher o nosso vazio. Sendo assim, é preciso coragem para ser criança e explorar a vida, com curiosidade para descobrir o que ela esconde, permitindo-se estar sem a padronização da vida adulta, apenas brincando de forma distraída, já que como bem atenta Guimarães Rosa: “Alegria só em raros momentos de distração”.<br /> <br /> Até que o ciclo se encerre e os sinos toquem, a vida é como uma noite fria puxando o nosso cobertor, cheia de dor e penúria. É o abismo que olha profundamente nossos olhos numa tentativa de sedução. É tristeza, porque há tanto para se fazer em apenas uma vida. Todavia, a vida é também um desafio que está repleto de alegria. É a aurora que vem sobre as colinas toda manhã, é o canto dos pássaros, é o cheiro da chuva, é a conversa gostosa, é o abraço apertado, é o riso demorado. Até a morte a vida pode não ter um sentido maior, mas ela não é uma causa perdida, porque o que é essencial está a nossa espera em raros momentos de distração se estivermos atentos observando com os olhos poéticos do coração.<br /> <br /> Até que o ciclo se encerre e os sinos toquem ou até a morte, a vida é cheia de momentos tristes, de perdas e derrotas que nos levam para o fundo do poço, que tornam nosso coração tão seco e quebradiço que perdemos a capacidade de sentir. Mas é também uma experiência maravilhosa, repleta de momentos de felicidades que representam a eternidade que possuímos. Até a morte a vida é sinuosa e complexa, sem qualquer manual de instrução, mas, como dito, para quem sabe prestar atenção, ela está repleta de alegria e é isso que a torna bela e grande. Assim, a grandeza da vida consiste em ter a coragem de nunca deixar a criança que existe em nós morrer para que sempre consigamos ter poesia nos olhos e enxergar as felicidades, pois lembrando mais uma vez Guimarães Rosa:<br /> <br /> “<em>A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem</em>.”<br /> <br /> <div style=''text-align: right;''><em>Redação do Pense Nisso, com citação do livro <br /> “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa<br /> Base no artigo de Erick Morães<br /> “A Vida precisa é de Coragem”.<br /> Em 29/07/2016</em></div>