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PODCAST · 3390 EPISÓDIOS

PENSE NISSO

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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Transitoriedade
22 Jul 20204:20EP 1454

Transitoriedade

TRANSITORIEDADE Em face das preocupações que te ocupam a tela mental, levando-te a inquietações desnecessárias, seria válido que fizesses uma avaliação em torno de teu comportamento. Convidamos a uma rápida análise de fatos ocorridos em tua existência. Retorna, psiquicamente, há apenas cinco anos, no teu passado recente e procura recordar as aflições que então te maceravam a alma. Enfermidades que te minavam o organismo, ameaçando-te a existência física; problemas de sentimento emocional que te entristeciam; solidão amarga em que te refugiavas; incertezas no trabalho que te oferecia recursos para uma vida honrada; expectativa em torno de metas que pareciam tardar; abandono de amigos que se apresentavam como irmãos... Mudemos a tônica das lembranças. Talvez estivesses cercado pela ternura de afetos que te afirmavam ser de natureza eterna; possuías saúde e equilíbrio orgânico invejáveis; quem sabe tivessesmotivações emocionais para avançar; independência econômica, segurança no trabalho, bem-estar social e harmonia doméstica. Cinco anos. Em apenas cinco anos, observa quantas mudanças ocorreram no trânsito das tuas horas. As enfermidades ameaçadoras partiram, os males desapareceram, o trabalho se te afirmou ideal, novos amigos vieram ter contigo... Surgiram metas promissoras e não poderias supor, naquela ocasião que, em determinado momento futuro, te encontrarias fortalecido e alegre, considerando os problemas então vigentes. Cinco anos... Provavelmente, o afeto que acariciavas saiu do teu lado, deixando-te em aflição; a saúde bateu em retirada, os sentimentos ficaram em transtorno... O ganha-pão tornou-se-te lugar de sofrimento; os recursos de que dispunhas mudaram de mãos; a convivência social modificou-se em relação às pessoas... E ainda, o lar, que parecia tão bem estruturado, encontra-se em frangalhos... Essas ocorrências tiveram lugar em somente sessenta meses! * * * A existência humana é transitória e cheia de surpresas. O que parece duradouro, torna-se de rápida permanência. A segurança diminui ou a intranquilidade asserena-se. Tudo está em constante modificação. O importante é saber como conduzir-se nas múltiplas etapas em que a vida se manifesta. Ninguém se encontra, na Terra, em regime de exceção, portanto, sem ocorrências inesperadas, tanto boas quanto más, alegres quanto aflitivas. Sendo um planeta de provações e de expiações, a transitoriedade é a sua marca. O que é muito bom, porque, da mesma forma que as questões gentis e felizes alteram-se, também aquelas de natureza destrutiva, angustiante, cedem lugar a outras mais amenas e confortadoras. Não fosse assim, e ninguém suportaria a presença do sofrimento sem consolo, nem esperança. Desse modo, nunca te permitas perturbar por acontecimentos que fazem parte do teu currículo evolutivo, já que tudo ocorre de acordo com a programação básica mais útil à tua libertação espiritual. Nos momentos bons, carreguemos as forças, o ânimo. Nos momentos pesarosos, aprendamos, reflitamos e, em todos eles, continuemos crescendo para uma sociedade mais justa e fraterna. Pense Nisso, mas pense agora. Convido você, fã da Centro América FM, acessar o nosso site. Lá você encontra esse e muitos outros textos e áudios do Pense Nisso: centroamericafm.com.br Texto elaborado com base no cap. 28, do livro O amor como solução, Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Em 25.7.2015.

Meu filho, você é a luz do sol
21 Jul 20206:19EP 1453

Meu filho, você é a luz do sol

Não há dor maior dor que a perda de um filho... Aprendemos a amá-los de uma forma tão grandiosa, tão completa, que não conseguimos mais enxergar o mundo sem a sua presença ao nosso lado. Descobrimos um tipo de amor que nos faz crescer e nos faz amar a vida como nunca antes havíamos amado. E subitamente são levados... aos poucos meses, nos primeiros anos... Ou um pouco mais tarde. Levados de nosso regaço através da morte tão cruel. "Um pai, uma mãe, nunca deveriam enterrar seus filhos" - diz o pensamento popular, fazendo menção à ordem natural da vida para os que deveriam partir antes. Mas infelizmente essa não é uma lei. Em setembro de 2015, Nolan Rayn de quatro anos, estava com o nariz entupido. Seus pais pensaram que era apenas um resfriado simples. No entanto, ele logo começou a ter dificuldade em respirar e os medicamentos não estavam a ajudar. Dois meses depois, os médicos descobriram que era um tumor que estava causando o bloqueio das suas vias aéreas. Nolan foi diagnosticado com rabdomiossarcoma, uma forma rara e normalmente incurável de câncer. Ruth, sua mãe, compartilhou o dia a dia da luta de seu filho. Depois de vários tratamentos, Nolan foi ficando mais fraco. Infelizmente, o câncer se espalhou por todo o corpo. Quando a doença se espalha dessa forma, isso diminui as chances de sobrevivência de 40% para 20%. Quando Nolan foi ao hospital pela última vez, o menino não comia há dias e vomitava constantemente. A mãe de Nolan descreve os últimos dias no hospital: "Eu me sentei e coloquei minha cabeça contra a dele e tive a seguinte conversa: Dói para respirar, não é meu filho? Bem… sim mamãe. Respondeu Nolan Você está com muita dor não é bebê? O pequeno, olhando para baixo, respondeu que Sim. Ruth, com o coração de mãe despedaçado, disse: - Esse câncer é uma porcaria. Você não precisa lutar mais meu anjinho! Não? Mas eu vou lutar..por você mamãe, eu vou lutar. Não! – É isso que você tem feito? Lutar pela mamãe? Sim, mamãe. Nolan Ray - disse a sua mãe bem séria - qual é o trabalho da mãe? Me manter seguro! Respondeu o pequeno com um grande sorriso. Então meu Doce… Eu não posso mais fazer isso aqui. A única maneira de mantê-lo seguro é no céu. Disse Ruth em pratos. Nolan, fitando os olhos de sua mãe disse: - Entãooo…. vou para o Céu e brincar até você chegar lá! Você virá certo? Claro! Você não vai se livrar da mamãe tão facilmente! Obrigado, mãe!!!” – agradeceu o pequeno enfraquecido pela terrível doença. Nos dias seguintes, Nolan só dormia. Seus pais pensaram em ir para casa passar uma última noite juntos – mas quando terminaram de fazer as malas, Nolan agarrou a mão de sua mãe e disse que estava bem, eles poderiam ficar no hospital. "Meu herói de 4 anos estava tentando me certificar de que as coisas eram fáceis para mim”, escreve Ruth em seu post na rede social. Por volta das 21:00, nós estávamos assistindo YouTube na cama (Peppa Pig, mais precisamente) e eu perguntei a Nolan se podia entrar no banho, pois não tinha permissão para deixá-lo e precisava toáa-lo a todo instante.Ele disse: ‘Ummmm, ok, mãe. Peça ao tio Chris que venha se sentar comigo e irei por esse caminho para que eu possa te ver." Ruth ficou, de pé na porta do banheiro, virou-se para Nolan e disse: “Continue olhando aqui, vou só demorar dois segundos". Depois, Ruth correu e pulou na cama com ele, e colocou a mão no lado direito do rosto de seu filhinho. Então , algo emocionante aconteceu, descrito por Ruth assim: Meu anjo respirou fundo, abriu os olhos, sorriu para mim e disse: “Eu amo você, mamãe... Em seguida, virou a cabeça em direção à sua mãe, a fitou com os seus castanhos e com o brilho da ternura às 23:54, Rollin Nolan Scully, de quatro anos, faleceu enquanto a sua mãe cantava ‘You’re My Sunshine’ em seu ouvido. ...Abrace o seu filhinho e ouça a canção. Texto elaborado com base nas postagens no facebook de Nolan Strong. Em 16.3.2018.

Peripatético
20 Jul 20203:39EP 1452

Peripatético

Você sabe o que quer dizer peripatético? E quando você não sabe o que significa uma palavra o que faz: pergunta para quem sabe, consulta o dicionário, finge que sabe? A maioria de nós, quase sempre, opta pela terceira forma: finge que sabe, fala como quem sabe, mas não pergunta, nem se informa. Afinal, ninguém deseja que o outro descubra que ele não sabe. Numa reunião de treinadores voluntários em uma empresa, discutia-se a melhor fórmula de ministrar um curso para 200 funcionários. Depois de uma explosão de idéias, alguém propôs que se utilizasse um trecho do Sermão da Montanha como tema do evento. Nesse instante, o professor do grupo que, até então, se mantivera calado, fez a observação: Jesus era peripatético. Um silêncio constrangedor, uma troca de olhares entre os participantes se fez de imediato. Antes que alguém pudesse dizer algo, o professor foi chamado para atender um pedido do Departamento de Recursos Humanos. Mal ele saiu da sala, as manifestações se fizeram: Que comentário de mau gosto! – disse um. De absoluta falta de respeito! – falou outro. Alguém argumentou que talvez o professor tivesse suas razões. Talvez ele fosse ateu e não quisesse misturar religião com treinamento. Mas devia respeitar a religiosidade dos outros! – vociferou alguém. Durante dez minutos, cheios de fúria, os componentes do grupo malharam o professor. Quando ele retornou, olhares hostis o receberam. Contudo, ele estava tão bem que foi logo dizendo: Então, acredito que tenhamos resolvido como fazer o treinamento. Separamos os funcionários em grupos de 20 e cada um de vocês vai fazer a apresentação mais de uma vez. Alguém ousou falar: Professor, veja bem, esse negócio de peripatético... É isso mesmo, completou ele. Foi daí que me veio a idéia. Jesus se locomovia para fazer pregações, como os filósofos também faziam, ao orientar seus discípulos. Jesus foi o Mestre dos mestres, portanto a sugestão de usar o Sermão da Montanha foi muito feliz. Teríamos uma bela mensagem moral e o deslocamento físico... Mas que cara é essa? Peripatético quer dizer "o que ensina caminhando." Todos se entreolharam, corados de vergonha. Nenhum deles sabia o significado da palavra. Encolhidos, se deram conta que seu orgulho era maior do que a vontade de aprender. Aprender para ensinar. Teria sido suficiente um deles ter tido a humildade de confessar que desconhecia a palavra. Os demais concordariam e tudo se resolveria com uma simples consulta ao dicionário. Pense nisso. O fato de todos estarem de acordo a respeito de alguma coisa não transforma o falso em verdadeiro. Informe-se. Nunca se esquive do aprendizado, não tenha vergonha de perguntar, indagar, questionar. E pesquise, leia, nunca se permita estacionar na escalada do conhecimento. E, finalmente, lembre: a sabedoria tende a provocar discórdia, mas a ignorância é quase sempre unânime. Pense de que lado você prefere ficar. Texto elaborado com base em artigo assinado por Max Gehringer Em 18.12.2014

Advertência
18 Jul 20204:08EP 1451

Advertência

Existem jóias raras na literatura mundial, por vezes até de autor considerado anônimo. Há alguns dias, em uma obra, colhemos a seguinte advertência, exatamente nesses moldes de que falamos: Um dia chegará em que, num determinado momento, um médico comprovará que meu cérebro deixou de funcionar e que, definitivamente, minha vida neste mundo chegou ao seu fim. Quando tal coisa acontecer, não digas que me encontro em meu leito de morte. Estarei em meu leito de vida e cuida para que esse corpo seja doado para contribuir de forma que outros seres humanos tenham uma vida melhor. Dá meus olhos ao desgraçado que jamais tenha contemplado o amanhecer, que não tenha visto o rosto de uma criança ou, nos olhos de uma mulher, a luz do amor. Dá meu coração a alguma pessoa cujo coração só lhe tenha valido intermináveis dias de sofrimento. Meu sangue, dá-o ao adolescente resgatado de seu automóvel em ruínas, a fim de que possa viver até poder ver seus netos brincando ao seu lado. Dá meus rins ao enfermo, que deve recorrer a uma máquina para viver de uma semana à outra. Para que um garoto paralítico possa andar, toma toda a totalidade de meus ossos, todos os meus músculos, as fibras e os nervos todos de meu corpo. Mexe em todos os recantos de meu cérebro. Se for necessário, toma minhas células e faze com que se desenvolvam, de modo que, algum dia, um garoto sem fala consiga gritar com entusiasmo ao assistir a um gol, e uma garotinha surda possa ouvir o repicar da chuva contra o vidro da janela. O que sobrar do meu corpo, entrega-o ao fogo e lança as cinzas, ao vento, para contribuir com o crescimento das flores. Se algo tiveres que enterrar, que sejam os meus erros, minhas fraquezas e todas as minhas agressões contra o meu próximo. Se acaso quiseres recordar-me, faze-o com uma boa obra e dizendo alguma palavra bondosa ao que tenha necessidade de ti. * * * As palavras de advertência desse anônimo nos convidam a meditar no tesouro que possuímos, que é nosso corpo físico. Tantos esquecemos de render graças a Deus por essa maquinaria maravilhosa, tanto quanto nos olvidamos de lhe providenciar, após a morte física, o devido destino. Tantas são as campanhas em prol da doação de córneas, de rins e vamos protelando sempre para mais tarde a decisão de prescrever nossa doação. Sem nos esquecermos de que, enquanto ainda dispondo do corpo de carne, podemos nos tornar regulares doadores do valioso líquido, que representa a vida e se chama sangue. Meditemos se não estamos sendo demasiado egoístas em não disponibilizar esse tesouro para que outros vivam e vivam de forma abundante. * * * A retirada das córneas, após a morte, de forma alguma deforma ou mutila o cadáver. Essa é a preocupação de alguns possíveis doadores, que não desejam agredir a família. Os rins podem ser retirados do cadáver até seis horas após ter ocorrido a morte. Para o Espírito do doador não ocorre mutilação, ao contrário, tais atitudes revelam desprendimento e grandeza d'alma. Texto elaborado com base no texto Em minha lembrança, de autoria anônima. Em 11.12.2012.

A VAIDADE
17 Jul 20203:43EP 1450

A VAIDADE

A vaidade é o primeiro pecado capital...usamos a palavra “pecado” de forma metafórica, é claro. Mas a vaidade, a soberba, o orgulho é aquilo que faz com que alguém se ache melhor do que os outros, ou acima do outro. e faz com que o vaidoso deixe de perceber a igualdade...deixe de perceber e de se abrir aos outros. A vaidade é um defeito. Porque a vaidade acaba indicando para as pessoas, que eu quero, ou pretendo, ser diferente e acima delas. A pessoa vaidosa toma decisões erradas, porque se têm numa conta excessiva e sempre se superestima. A pessoa vaidosa é difícil, porque ela só vê a sí. A pessoa vaidosa é pouca estratégica, porque ela leva em conta que o mundo inteiro vai pensar sobre ela, aquilo mesmo que ela pensa sobre sí mesma A pessoa vaidosa é frágil; porque alguns elogios, na sua grande maioria falsos, podem quebrar toda resistência de uma pessoa vaidosa. A pessoa vaidosa se torna pouco produtiva, porque acha suficiente aquilo que faz. A pessoa que é tomada pela vaidade, é uma pessoa que não consegue desenvolver o seu potencial, porque acha que é perfeita. Quando nós olharmos o mundo como um lugar de diferenças, onde todos são iguais na dignidade diante da lei. Mas, todos são absolutamente diferentes na percepção do mundo e nas capacidades; Quando percebermos que temos características boas e ruins, em comparação aos outros; Quando tivermos uma dimensão das nossas próprias personalidades, vamos conseguir dar os primeiros passos para superar o problema da vaidade. As vaidades não nos tornam apenas chatos, a vaidade nos tornam infelizes e incapazes de amarmos. Como todo vício moral, a vaidade impede uma apreciação precisa da realidade. Quem porta esse defeito não percebe que apenas se complica, ao cultivá-lo. Que seria muito mais feliz ao viver com simplicidade. Que ninguém se preocupa muito com sua pessoa e com sua pretensa importância. Que, ao tentar brilhar cada vez mais, frequentemente cai no ridículo e se torna alvo de chacota. Analise seu caráter e reflita se você não possui excesso de vaidade. Você reconhece facilmente seus erros? Elogia as virtudes e os sucessos alheios? Quando se filia a uma causa, o faz por ideal ou para aparecer? Admite quando a razão está com os outros? Caso se reconheça vaidoso, tome cuidado com seus atos. Esforce-se por perceber o seu real papel do mundo. Reflita que a vaidade é um peso a ser carregado ao longo do tempo. Simplifique sua vida, valorize os outros, admita os próprios equívocos. Ao abrir mão da vaidade, seu viver se tornará muito mais leve e prazeroso Texto elaborado com base na palestra do historiador Leandro Karnal. Em 19.05.2017

Exemplos, lições e experiências
16 Jul 20204:37EP 1449

Exemplos, lições e experiências

Que modelos temos apresentado aos nossos filhos para que eles possam seguir? Às vezes, buscamos modelos de longe, nomes expressivos que tenham realizado grandes benefícios para a Humanidade. Se são autênticos, naturalmente falam à alma do jovem, que é idealista por natureza. Contudo, existem, por vezes, criaturas bem próximas a nós, que não valorizamos devidamente. Avós, parentes, amigos que traduziram sua vida em legado de paz, que sacrificaram tudo por seus ideais, que exerceram suas atividades para além do dever. Lemos, certa feita, acerca de um prisioneiro político romeno que somente aos setenta e seis anos, graças à queda do regime, pôde visitar seus filhos e conhecer seus netos. Um homem de setenta e seis anos, de profundos olhos azuis que, apesar de toda a dureza e maus tratos sofridos na prisão, manteve seu entusiasmo pela vida, na certeza de que tudo valera a pena. Mesmo o sacrifício da família, do prestígio, do poder que gozava. Contemplando o mar, nas areias das praias americanas, comendo batatas fritas e aprendendo com os netos a atirar um disco de plástico, exclamava: Que belo sonho. Que maravilha. A vida vale a pena ser vivida em toda sua plenitude. Um de seus netos, alguns dias depois, precisou escrever uma redação para a escola. Durante várias horas ele trabalhou duro, sobre as folhas de papel. Quando terminou, leu em voz alta, para sua mãe emocionada: Conheci um verdadeiro herói. O pai de minha mãe foi parar na cadeia por falar abertamente contra o governo. Depois de seis anos de solitária prisão, ele foi libertado. Minha mãe, meu tio e minha avó saíram do país. Ele não foi autorizado a ir embora com eles. Sozinho, ficou em seu país amargando a dor da separação e o desrespeito de amigos e parentes que o consideravam um fracassado. Ouvir falar de meu avô fez com que eu entendesse que lutar por minhas crenças é muito importante para mim. Na quinta série escrevi à professora uma carta de protesto porque considerei que ela tomara uma decisão injusta em relação a um de meus amigos. Atualmente, sou o representante da turma no Conselho de alunos e estou lutando com firmeza para melhorar nossa escola. Tenho orgulho de meu avô romeno. Espero, que de fato, exista uma outra vida para que possa vê-lo outra vez. O exemplo é nobre e, como percebemos, estabeleceu rumos dignos a outras vidas. Sua lição foi a de que não devemos silenciar nossa voz na defesa dos valores e da verdade. Ao contrário, devemos falar para sermos ouvidos. Senão, como já aprendemos a sentir, sempre haverá uma parte em nós que permanecerá insatisfeita. Lutar pelos ideais de enobrecimento é ensinamento que não devemos relegar a segundo plano, em se falando de nossos filhos, nossos tesouros e responsabilidade maior. * * * Aproveitemos todas as lições com que a vida nos honra as horas. Estejamos atentos, tendo olhos de ver e ouvidos de ouvir. Os exemplos passam ao nosso lado e suas experiências são lições significativas que não podemos ignorar. Texto elaborado com base no artigo O que os heróis nos ensinam, da Revista Seleções Reader’s Digest, de fevereiro de 1998. Em 08.5.2002.

Os miseráveis
15 Jul 20204:27EP 1448

Os miseráveis

Conta-nos Victor Hugo, em seu livro Os miseráveis que, na França, no século dezoito, viveu um homem que se chamava Jean Valjean. Na prisão passou boa parte de sua juventude, embrutecendo seu espírito, acostumando-se a ser tratado como uma fera e agindo como tal. Quando foi posto em liberdade, após o cumprimento da pena, recebeu um documento que, segundo lhe disseram, informava seu nome e mencionava que ele era um ex-condenado muito perigoso. Na verdade, seu crime fora ter quebrado uma janela e ter roubado um pão para se alimentar e aos filhos de sua falecida irmã, que estavam sob seus cuidados. Embora livre, seu futuro era incerto. Vagava entre um vilarejo e outro, quando, numa noite muito fria, atreveu-se a bater na porta de uma casa que alguém lhe indicou como sendo de um homem piedoso. Um senhor de expressão bondosa e serena o atendeu e, sem fazer perguntas, convidou-o para entrar e comer. Valjean entrou, sem acreditar que alguém o pudesse receber com tão poucas reservas e de forma tão acolhedora. Quem assim o recebia era o Monsenhor Benvindo, homem caridoso e bom. Era assim que ele tratava qualquer criatura que batesse à sua porta, a qualquer hora e em qualquer circunstância. Sem questionamentos, servia o que de melhor tinha e tratava o mais simples viajante como se fosse um irmão muito querido. Era esse o tratamento que oferecia a Valjean que, embora desconfiado, comeu sem cerimônias e aceitou, sem hesitação, a oferta para dormir ali. Na calada da noite, porém, abandonou o vilarejo correndo, carregando um pequeno embrulho e levando em seu coração muita culpa. Traindo a confiança e a bondade do monsenhor, Valjean roubara-lhe os talheres de prata e partira sem destino, nem rumo certo. Na manhã seguinte, entretanto, foi levado por guardas à presença do seu anfitrião, uma vez que, tendo sido preso portando tais preciosidades, alegou tê-las recebido de presente do bondoso senhor. O monsenhor recebeu soldados e acusado com tranquilidade dizendo que deveriam soltar Valjean porque ele havia lhe dado toda sua prataria e que, embora Valjean tivesse levado os talheres, havia esquecido de levar os castiçais. Os guardas, espantados, partiram, deixando Valjean com o monsenhor que, sem demora, colocou junto aos talheres os castiçais de prata que possuía. O ex-condenado, ante aquela atitude, arrependeu-se ainda mais de sua vergonhosa conduta da madrugada. O doador, porém, segurou-o pelos braços e olhando-o fixamente nos olhos, disse-lhe: Jean Valjean, empregue o dinheiro obtido com a venda dessa prataria no esforço de tornar-se um homem de bem. Tomado de espanto pela atitude inesperada, Valjean partiu sem jamais esquecer aquela promessa que, embora não tivesse partido de seus próprios lábios, guiou seus passos pelo resto de sua existência. * * * A humanidade auxilia os homens através dos próprios homens. Vale-se daqueles que se dispõem a ser instrumentos, na tarefa de auxílio e conforto aos seus irmãos. Por vezes, gestos inesperados e até singelos, são capazes de verdadeiros prodígios para aqueles que os recebem, modificando-os para sempre, conduzindo-os de forma definitiva para o caminho do bem. Texto elaborado com base no livro Os miseráveis, de Victor Hugo, ed. FTD. Em 12.6.2013

Dando o melhor
14 Jul 20203:55EP 1447

Dando o melhor

Muitas coisas se falam a respeito de Beethoven. O fato de ter composto extraordinárias sinfonias, mesmo após a total surdez, é sempre recordado. Exatamente por causa de sua surdez, ele era pouco sociável. Enquanto pôde, escondeu o fato de sua audição estar comprometida. Evitava as pessoas porque a conversa se lhe tornara uma prática difícil e humilhante. Era o atestado público da sua deficiência auditiva. Certo dia, um amigo seu foi surpreendido pela morte súbita do filho. Assim que soube, o músico correu para a casa dele, pleno de sofrimento. Beethoven não tinha palavras de conforto para oferecer. Não sabia o que dizer. Percebeu, contudo, que num canto da sala havia um piano. Durante trinta minutos, ele extravasou suas emoções da maneira mais eloquente que podia. Tocou piano. Ao contato dos seus dedos, as teclas acionadas emitiram lamentos e melodiosa harmonia de consolo. Assim que terminou, ele foi embora. Mais tarde, o amigo comentou que nenhuma outra visita havia sido tão significativa quanto aquela. Por vezes, nós também, surpreendidos por notícias muito tristes ou chocantes, não encontramos palavras para expressar conforto ou consolação. Chegamos ao ponto de não comparecer ao enterro de um amigo, por sentir não ter jeito para dizer algo para a viúva, ou aos filhos órfãos. Não vamos ao hospital, visitar um enfermo do nosso círculo de relações, porque nos sentimos inibidos. Como chegar? O que levar? O que dizer? Aprendamos com o gesto do imortal Beethoven. Na ausência de palavras, permitamos que falem os nossos sentimentos. Ofertemos o abraço silencioso e deixemos que a vertente das lágrimas de quem se veste de tristeza, escorra em nosso peito. Ofereçamos os ombros para auxiliar a carregar a dor que extravasa da alma, vergastando o corpo. Sentemo-nos ao lado de quem padece e lhe seguremos a mão, como a afirmar, com todas as letras e nenhum som: Estou aqui. Conte comigo. Sirvamos um copo d’água, um suco àquele que secou a fonte das lágrimas e prossegue com a alma em frangalhos. Isso poderá trazer renovado alento ao corpo exaurido pela convulsão das dores. Verifiquemos se não podemos providenciar um cantinho para um repouso, ainda que breve. Permaneçamos com o amigo, mesmo depois que todos se tenham retirado para seus lares ou se dirigido aos seus afazeres. As horas da solidão são mais longas, quando os ponteiros avançam a madrugada. * * * Sê amigo conveniente, sabendo conduzir-te com discrição e nobreza junto àqueles que te elegem a amizade. A discrição é tesouro pouco preservado nas amizades terrenas. Todas as pessoas gostam de companhias nobres e discretas, que inspiram confiança, favorecendo a tranquilidade. Ouve, vê, acompanha e conversa com nobreza, sendo fiel à confiança que em ti depositem. Texto elaborado com base no cap. O dom de Beethoven, de Philip Yancey, do livro Histórias para o coração 2, de Alice Gray, ed. United Press Em 22.7.2018.

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